segunda-feira, 26 de julho de 2010

DINAMISMO DA VIDA CRISTÃ


 Hebreus 5:10 – 6:3

A vida cristã não pode ser parada e estagnada. Não consigo entender alguém que entra na Igreja e não se coloca à disposição do reino para o trabalho e, mais do que isto, não tem sede de aprender a Palavra de Deus.
O escritor irá abrir um parêntesis em seu ensino para admoestar os seus leitores. Ele vinha explicando acerca da superioridade de Cristo em relação ao sacerdócio, mas se deu conta que seus leitores estavam presos a tradições e pensamentos humanos sobre o messias. Sendo assim, o autor os exortar a se tornarem melhores estudantes da Palavra de Deus.

1) Do que depende o nosso dinamismo?

O autor nos dá alguns conselhos que podemos começar a por em prática.

a)    Lutar contra a preguiça e a negligência (5:11)
O autor afirma que seus leitores se tornaram “tardios em ouvir”. Algumas traduções aparecem “negligentes”. O que autor está transmitindo é que seus leitores estavam propositalmente lentos, morosos e, acima de tudo, preguiçosos. 
Quantos têm preguiça de ler a Palavra de Deus ou buscar nela conhecimento. Muitos acordam pela manhã e a primeira coisa que fazem é assistir TV, ou cuidar das coisas da casa, ou de sua vida pessoal. Não se deleitam na Palavra.
No verso 12 o autor afirma “quando devíeis ser mestres”. Todo cristão deve aprender a compartilhar conhecimento. Os pequenos grupos são o meio que Deus tem usado na igreja moderna para que possamos aprender a compartilhar nosso conhecimento. A igreja primitiva dividia-se em casas para poder estudar a Palavra

b)    Exercitar nossa mente constantemente (5:14)
“Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas ...”
A expressão “pela prática” ou “em razão do costume” refere-se que o exercício de nossas faculdades mentais precisa ser feito de forma disciplinada e constante. É ler sem ter vontade. Estudar sem o desejo de estudar. Orar sem querer orar. Quando temos filhos tentamos disciplina-los para comer tudo que é bom para a saúde. Tudo bem que nem sempre conseguimos. O problema é que não damos exemplo a eles. Na Bíblia é a mesma coisa. Muitos então usam uma máxima humanista: “ninguém deve fazer o que não gosta”. Se realmente a vida fosse assim ela seria uma anarquia. Todos de alguma coisas acabam fazendo o que não gostam, e algumas destas coisas são importantes para nossa vida.
Nunca é tarde para aprender da Palavra de Deus. Nunca é tarde para exercitar a nossa mente.

c)     Permitir a ação de Deus e de sua Palavra (6:1,3)
Uma outra tradução para o verso 1 seria: "Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus".
A ideia de por à parte significa que muitas vezes nossas tradições ou nossos pensamentos humanos estão tão pesados que se tornam um fardo que nos impede de ter mais conhecimento de Deus.
A expressão “deixemo-nos levar” é a melhor tradução para aquilo que o autor quer enfatizar. A obra espiritual de nossa vida não pode depender de nossas forças. Temos, antes de tudo, confiar no que Deus realmente quer de nós. Não é à toa que nesta epístola mais adiante ele vai dizer: “obedecei a vossos guias”.
Não lançar de novo significa que o cristão genuíno não tem que viver se arrependendo para a salvação. O crente precisa ter segurança de que seu arrependimento inicial foi sincero e não precisa mais tê-lo.  A não ser que realmente não seja cristão.
Ao afirmar que os leitores fariam se Deus quisesse o autor está nos lembrando de que tudo que fazemos deve estar debaixo da vontade de Deus. E com certeza ele tem vontade que você aprenda mais e mais dele.

2) Quais os resultados deste dinamismo?

a)    Crescimento diante de Deus e da igreja (5:12)

“Devendo ser mestres...”

Quando vivemos um dinamismo constante recebemos a benção do desenvolvimento. Isto faz com que cresçamos mais e mais diante de Deus e também dos homens. Este crescimento resulta em reconhecimento na igreja local daquilo que realmente Deus está fazendo em nós e por nós.
Todos deveriam ser mestres dentro do cristianismo. Mestres no conhecimento básico da Bíblia. Mestres no amor fraternal e no cuidado uns para com os outros.

b)    Produz discernimento em nossa mente (5:14)

“...têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.”
Em Atos 10:9-16 Pedro está com fome e ao aguardar a comida ficar pronta ele tem uma visão de Deus, que ele mesmo duvidou durante um tempo. Nesta visão Deus manda que ele coma todo alimento que estava em um objeto como que um lençol. Pedro se nega, pois ali havia animais que eram impuros. O fato era que Pedro não tinha discernimento real da Lei do Antigo Testamento. Ele estava preso ao que aprendera. Assim como hoje muitos me falam: “Mas eu aprendi assim.”. Muitas dessas pessoas estão sem discernimento. É a falta de discernimento que faz com que nos apeguemos as coisas mais do que a lei de Deus. Ao legalismo mais do que às pessoas.
Um dos resultados mais maravilhosos do dinamismo cristão é a capacidade de discernimento que ganhamos.

c)     Nos leva para a santificação e maturidade (5:14; 6:1)
“O alimento sólido é para os perfeitos”
A ideia de perfeição aqui está dentro do contexto que o escritor trabalha, ou seja, tornar-se um adulto sadio sem nenhuma sequela ou má formação.
A santificação é um processo que se inicia com a nossa conversão. Ela exige que tenhamos disposição para enxergarmos a vontade de Deus. Na santificação há um lado que depende de nós e outro de Deus. O que depende de nós compreende este esforço que estamos tratando hoje. E o que depende de Deus são os resultados da obra de sua Palavra e da ação do Espírito dentro de nós.
Outra coisa implícita na perfeição é a maturidade. O cristão dinâmico dentro dos moldes da Palavra de Deus se torna uma pessoa matura e tem um cristianismo maduro. A maturidade não me deixa preso ao passado, mas me aponta sempre para o futuro. 

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