segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CERTEZA DA ESPERANÇA

Hebreus 6:1-20

Estamos diante de um capítulo considerado por alguns como um dos mais difíceis. Na realidade a maior dificuldade encontra-se em aceitar o que está escrito da forma que está. A complexidade dele está no coração do homem e não no texto em si.
Do século XIX para cá surge a ideia da perda da salvação. Os cristãos no passado não tinham esta ideia, pois para eles era certo de que Deus garantiria o seu povo até o final.
Com o crescimento do humanismo que explode na segunda metade do século XX isto se tornou ainda mais latente. O homem começa achar que tem participação na obra salvífica de sua alma e assim ele se torna o principal responsável por sua transformação e da manutenção da salvação.
O autor continua dentro do parêntesis que pregamos no último sermão (5:10ss). Ele vai expor um grande motivo por que não podemos ficar presos aos rudimentos da fé em Cristo – a certeza da esperança eterna.

1) Para salvação precisamos de um arrependimento único (v. 4).
O grande problema da religiosidade, mesmo dentro do cristianismo protestante, é querer melhorar ou garantir a salvação. Muitos acreditam que participando da Igreja estão garantindo a salvação. Outros ainda acreditam que se praticarem boas obras estarão sacramentando sua salvação. A Bíblia nos pede um arrependimento único para a salvação.
É importante separar que o arrependimento deve sempre existir na vida do crente (I Jo 1:9ss), mas somos salvos somente uma vez pela obra de Cristo.
O que o texto está dizendo literalmente é que não é possível a alguém ser salvo novamente se ele perdesse a salvação.
Isto deve nos servir de consolo para vivermos uma vida dentro da vontade de Deus. Ir a igreja ou praticar boas obras são apenas provas da salvação alcançada e não meios para alcança-las.

2) O sacrifício de Jesus foi definitivo (v. 6).
Outro problema de entendimento é compreender o imenso valor do sacrifício de Jesus. Em outro sermão falamos que a obra de Cristo é suficiente. Ela é suficiente por si só e mais nada. Não há necessidade de sacrifícios para a salvação. Não há necessidade de pagarmos penitências para a purificação de nossos pecados. O sacrifício de Jesus foi único e definitivo.
Se fosse possível ser salvo mais de uma vez estaria expondo Jesus à vergonha. Ele morreu para, de uma vez para sempre, nos resgatar.

3) A benção da salvação deve nos levar a produzir bons frutos (v. 7, 9).
A chuva que cai garante que teremos colheita. Ao sermos batizados pelo Espírito Santo através da conversão somos preparados, assim como a terra, para dar frutos.
Ninguém que se diz cristão pode viver estagnado ou parado. Vimos isto no sermão anterior. Paulo afirma que somos salvos por Deus para as boas obras (Ef 2:8-10).
O verso oito afirma que a terra que não produz está perto de ser maldita. Muitos estão na igreja, mas de fato não receberam Jesus em seus corações. Muitos são batizados; chegam a ocupar ministérios de liderança, mas não foram transformados. Estão recebendo a chuva através da pregação da Palavra, mas continuam a não produzir. O fato é que nunca foram realmente transformados.

4) Os frutos aumentam ainda mais nossa certeza (v. 11).

Não podemos nos gabar de nossa salvação. Principalmente porque não a merecemos. Mas podemos ter certeza dela pela forma como tratamos as obras. O cristão genuíno está sempre disposto a trabalhar para o reino e se empenhar cada vez mais.
João afirma que devemos produzir frutos dignos do arrependimento (Mt 3:8; Lc 3:8).
A conversão é um processo que se inicia com o reconhecimento pelo pecado, passa pela confissão deste, e pelo arrependimento por tê-lo cometido.

5) A certeza existe porque se baseia na promessa de Deus (v. 17, 18)

Um dos pontos mais frágeis da ideia humana da perda da salvação é o esquecimento de quem parte a salvação. De fato se eu ficar achando que a salvação depende de mim, mesmo que seja um pouco, não dá para ter certeza.
A Bíblia afirma que nosso coração é enganoso. Sendo assim não adianta confiarmos nele. Mas quando confiamos na promessa de Deus, que é baseada nele mesmo e na obra de Cristo, isto muda tudo.
Deus não é homem para mentir. Em muitas passagens podemos ver a segurança eterna daqueles que confiam realmente em Jesus.
"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida." (Jo 5:24)

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.  Eu e o Pai somos um." (Jo 10:27)

As duas coisas que Deus usa como testemunho de sua promessa: é a própria promessa e o próprio Deus que se interpôs. As duas coisas são imutáveis. No seminário uma das matérias que mais me chamou atenção foi Doutrina de Deus. Nela estudamos os atributos de Deus. E um dos atributos é a imutabilidade. Deus não muda. A Bíblia diz que nele não variação, nem sombra de variação (Tg 1:17).
Meu irmão você pode ter segurança devida eterna com base na promessa divina. Ela nos garante isso porque ela provem de um Deus que é imutável por si só.

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