segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A EFICIÊNCIA DO SACERDOTE-REI

Hebreus 7:1-10

O autor fecha o parêntesis que foi aberto em 5:10 e volta ao assunto que deixou no capítulo 5: o sacerdócio de Melquisedeque.
Dois dos três ofícios de Cristo estão delineados neste trecho: sacerdote e rei. O nome Melquisedeque aparece 10 vezes em toda Bíblia. Somente em Hebreus aparece 8 e as outras em Gênesis 14:8 e no Salmo 110:4. Melquisedeque significa “rei justo”  ou “meu rei é justo”.
Este rei entra em cena quando Abraão participa da guerra de 4 reis contra cinco em virtude da prisão de seu sobrinho Ló (Gn 14). Ló habitava nas imediações de Sodoma e Gomorra que foram atacas por cinco reis guiados por Quedorlaomer.
No Salmo 110 Melquisedeque é apontado como um tipo de Cristo. E em Hebreus vemos a explicação e aplicação tipológica deste rei desconhecido, sem genealogia e não pertencente a linhagem de Abraão.
Ao usar a expressão “feito semelhante ao Filho de Deus” o autor está dando uma explicação tipológica acerca de Jesus. Neste ponto pode-se traçar exatamente por que o sacerdócio e o reinado de Cristo são eficiente.


1) Jesus é o detentor da verdadeira justiça (v. 2)
“...primeiramente se interpreta rei de justiça...”
É importante destacar que primeiro ele é o rei da Justiça. Esta justiça está diretamente ligada ao nosso pecado e a ira de Deus que será derramada. É necessário que Jesus se torne justiça nossa para que possamos alcançar a justiça de Deus (Jr 23:6; 33:16).
A justiça humana jamais será suficiente para justifica-lo, somente através da obra de Jesus temos realmente a justificação. Não existe ninguém que é justo. A palavra de Deus nos garante que todos se desviaram. Somente Jesus pode realmente nos tornar justo através de sua justiça.

2) Jesus é o provedor da verdadeira paz
“...depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz”
Melquisedeque apenas simboliza. Jesus é o cumprimento. Isaias afirma que o Messias seria o príncipe da paz. Paulo afirma que a Paz de Deus excede o entendimento (Fp 4:7). Jesus promete que sua paz seria diferente da proposta pelo mundo (Jo 14:27).
O mundo procura uma paz temporária. Procura uma paz que compreende somente esta vida. Jesus veio para nos oferecer uma paz que transcende esta vida.

3) Jesus é o ungido eterno de Deus (v. 3)
“sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência,”
Melquisedeque sem pai nem mãe tipifica o Messias que não viria pela linhagem sacerdotal. O Messias era o ungido esperado pelo povo de Israel.
A expressão Messias aparece de forma direta somente duas vezes no AT (Dn 9:25, 26). Mas de um modo indireto podemos ver mais de 70 referências.
O Messias compreendia a promessa, através da raiz de Davi, da Tribo de Judá, daquele que viria para libertar o povo e restaurar a nação de Israel.
Os judeus esperavam, e ainda esperam, a vinda daquele que cumpriria literalmente tudo isto.
A expressão significava basicamente “consagrado” ou “libertador”. Este último parece ser o entendimento principal do povo (Lc 24:21 – os discípulos que iam para Emaús mostram isso).
Muitos hoje creem em um Cristo que vem para nos libertar para esta vida. Assim como o povo judeu, muitos estão na Igreja esperando um libertador para os problemas desta vida, para as dores que esta vida oferece. A palavra nos alerta que aquele que espera somente para esta vida é o mais miserável de todos os homens.

4) Jesus opera uma obra eterna (v. 3)
“permanece sacerdote perpetuamente”
Além de trazer salvação Jesus nos dá de forma eterna. Ele não é um sacerdote temporal. Sua obra não é limitada pela barreira do tempo. A obra sacerdotal de Jesus é eterna.
Este é um dos principais, senão o principal, motivo para não crermos somente para esta vida. Jesus é o nosso sacerdote eterne e consequentemente sua obra é eterna.
Meu irmão você pode ter segurança em Cristo, pois sua obra é eterna. Meu amigo você pode ter segurança a partir de hoje, pois Jesus operou uma obra eterna.

5) Jesus é o recebedor de toda honra e glória (v. 8)
“Aliás, aqui são homens mortais os que recebem dízimos, porém ali, aquele de quem se testifica que vive.”
Como gosto de dizer, o dízimo não é um pagamento, não é uma devolução, mas é uma forma de adoração. Melquisedeque representa Jesus ao receber esta adoração.
Toda honra e toda glória devem ser dadas a Cristo. Paulo escrevendo aos Efésios diz:
a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa;  o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória. (Ef 1:12-14)
Abrão não conhecia pessoalmente a Melquisedeque, mas sabia que ele era sacerdote do Deus Altíssimo e rei da Cidade de Paz. Abrão reconhece a superioridade espiritual de Melquisedeque. Hoje, aceitando a Jesus e o adorando de todas as formas possíveis, estaremos mostrando sua superioridade.
Jesus veio ao mundo para salvar a humanidade. Ele deve ser alvo de nossa adoração e do nosso louvor. A ele deve ser dada toda honra e toda glória. 

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