segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A PERFEIÇÃO DO SACERDOTE-REI

Hebreus 7:11-28

1) A limitação do sacerdócio levítico (11-19)

Ao lermos textos de Êxodo, principalmente os dez mandamentos, observamos que o próprio Deus estava dirigindo o povo pelo deserto e montando sua nação eleita. Esta nação seria santa, mas também sacerdotal. Mas tudo que o povo prometeu, não conseguiu alcançar. O homem não tem capacidade de conseguir nada, mesmo que seja a nação eleita de Deus.
Deus estabelece o sacerdócio levítico para que o seu povo pudesse viver de forma santa e perfeita, mas ele falhou. A falha humana diante da lei que o próprio Deus estabeleceu mostra a limitação do sacerdócio levítico. O texto em questão ainda nos mostra outras coisas.

a) Não proporcionava a salvação eterna (11, 18)
“se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico”
“Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa de sua fraqueza e inutilidade.”
A lei levítica continha diretrizes para guiar Israel por esta vida, mas não era capaz de guia-lo pela eternidade. Muitas vezes temos diretrizes que nos guiam por esta vida, porém não podem oferecer nada que nos leve de fato para a eternidade.
Uma das coisas que lei mostrava e que o próprio Deus zelou é que ninguém, a não ser um levita, podia oferecer sacrifícios diante de Deus (II Cr 26:16-21 – o rei Uzias é acometido de lepra por oferecer sacrifícios no altar).
O problema é que Deus é o feitor da lei. Logo ele tinha autoridade para alterá-la. E Ele muda para que ela passe a ter um valor eterno.
Paulo mostra que a lei foi criada exatamente para mostrar a falibilidade do homem (Rm 3:20 – pela lei vem o conhecimento do pecado).

b)    A lei levítica não alcançava toda humanidade (v. 11)
Ser chamado segundo a ordem de Arão limitava o sacerdócio levita somente ao contexto de Israel. Jesus veio para alcançar a humanidade toda.
A expressão “segundo a ordem de Melquisedeque” remete-nos à lembrança de que este não era da linhagem de Abraão, e muito menos de Levi. A lei tinha como objetivo traçar diretrizes para a nação de Israel. A nova Aliança aponta para a salvação da humanidade. Desta forma o alcance da lei era limitado, o alcance Cristo é universal e cósmico.
Este é um dos motivos que nos fazem olhar para Cristo e sua Palavra de uma forma diferente. Muitos atualmente se apoiam em sua religiosidade para justificar sua fé. Os judeus também faziam assim através da lei levítica.

c)     O sacerdócio levítico exigia sempre um novo sacrifício (v. 16)
O sacerdócio de Cristo não depende mais de sacrifícios constantes. Meus amados, não temos mais que fazer  novos sacrifícios para alcançarmos a salvação. Esta vem de uma vez por todas através do sacrifício de Jesus. Isto ocorreu porque o sacrifício de Jesus não eliminou a sua vida. Ele é eterno, logo seu sacrifício também é.

d)    O sacerdócio levítico não pode oferecer esperança eterna (v. 19)
O sacerdócio levítico era temporário. O de Jesus é baseado em sua eternidade. A vida eterna é o foco que Jesus mais enfatiza.
Ao enfatizar que a nova esperança era superior o autor mostra a inutilidade da antiga aliança.
Podemos fazer um paralelo hoje e dizer que religião nenhuma pode oferecer esperança eterna. A religião verdadeira é Jesus. Nenhum grupo tem capacidade de oferecer esta esperança.


2) A perfeição da obra de Cristo (20-28)
Depois de demonstrar a falibilidade da lei no sentido salvífico, o autor mostra que o sacerdote-rei fez uma obra perfeita para a salvação da humanidade. Vejamos em que se baseia a perfeição da obra de Cristo:

a)    Baseia-se no juramento de Deus (v. 20)
Simon Kistemaker afirma que o sacerdócio foi instituído por lei divina. Toda lei pode ser ab-rogada. Um juramento, olhando pela ótica da era patriarcal, era maior do que uma lei.
Deus jurou que o sacerdócio segundo a de Melquisedeque era eterno (Sl 110:4). Deus mantem seu juramento.

b)    Baseia-se na ressurreição de Cristo e sua eternidade (v. 23)
Um dos motivos que não existe mais um sacerdote, mas todos nós somos sacerdotes do Deus vivo, porque o sumo sacerdote, Jesus, ressuscitou e vive para sempre. Ninguém pode fazer isto. A vida eterna de Jesus o qualifica para nos dar a eternidade fazendo de sua obra perfeita.
Por isso ninguém pode penitenciar mais ninguém para pagar pecados. Por isto Martinho Lutero não concordava com a venda das indulgências. 

c)     Baseia-se na sublimidade de Cristo sobre as criaturas (v. 26)
Jesus era perfeito em si só. A perfeição é inerente a Jesus. Ninguém pode realizar a obra que ele fez.
É interessante como ainda hoje se coloca Maria como medianeira de Cristo sendo que a obra dele é perfeita. Se dependemos ainda de imagens, de ritos, de romarias, de pagamentos de promessas, significa que Jesus não é para nós o mais sublime dos seres. Significa que estamos limitando sua obra e nivelando-a com outros seres humanos.

d)    Baseia-se na impecabilidade de Cristo (v 27)
Estava conversando com Manoel a alguns dias e ele lembrou um fato que Lutero, quando ainda sacerdote da Igreja Romana, confessava constantemente seus pecados. Lutero entendeu que o fato dele ser líder religioso, não fazia dele um homem perfeito.
Somos pecadores e os levitas também eram. A Bíblia diz que não há um justo sequer. Sendo assim por mais abrangente que fosse a lei, ela era feita e cumprida por homens imperfeitos, logo ela não podia ser perfeita. 
A morte de Jesus foi para nos livrar de nossos pecados. Ele tomou nosso lugar para que fôssemos salvos eternamente. E não precisamos mais de novos sacrifícios.

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