segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O CAMINHO PARA A PIEDADE

Hebreus 13:8-17
A expressão piedade tem haver com as práticas de uma vida religiosa. Este foi um dos pontos expostos pela epístola aos hebreus. O autor enfatizou muito a pessoa de Cristo, mas mostrou como poucos no Novo Testamento a necessidade da reunião do povo de Deus. Chegou a afirmar que é uma forma de admoestação para aguardar a volta de Cristo (Hb 10:25).
Agora ele passa a mostrar algo sublime para o povo de Deus. O caminho para a piedade, ou seja, para uma vida religiosa dentro da vontade de Deus.


1.               Confiar na imutabilidade de Cristo (8)
Deixamos o último sermão com a lembrança de lideres que partiram para presença de Deus. Sua fé era baseada na imutabilidade de Cristo. Este atributo divino deve nos fazer pensar com profundidade sobre o sentido de nossa fé. Jesus não mudou independente das circunstâncias que o cercavam.
O autor está afirmando que desde a antiguidade Jesus é o mesmo. O seu caráter não muda. Sua personalidade não muda. E, principalmente, suas promessas não mudam.
A imutabilidade é o atributo através do qual não encontramos nenhuma variação na pessoa de Cristo. A imutabilidade de Cristo envolve alguns aspectos básicos:

a)    Ele não muda por ser perfeito – Uma mudança envolve mudar para melhor ou pior, como Cristo é perfeito em tudo ele não tem o que mudar;

b)    Ele não muda por ser Deus – Deus é imutável, Jesus é Deus, logo, também é imutável.

c)     Ele é imutável em sua natureza.

Este atributo deveria nos dar tranquilidade diante das promessas de Deus, como, por exemplo, de que não perderia uma ovelha se quer das que seu pai lhe deu.

2.               Firmeza doutrinária (v. 9)

O autor estabelece que não podemos nos deixar envolver por doutrinas estranhas e variadas. Ele usa uma expressão que denota alguns pontos:

a)    O cristianismo é simples

Muitos trazem várias doutrinas para o cristianismo, mas Deus estabeleceu coisas simples que precisam ser observadas. Normalmente as falsas doutrinas trazem situações complicadas e difíceis de serem vividas. Por exemplo: proibir a mulher de andar de bicicleta com base em textos fora de contexto.

b)    As falsas doutrinas são atraentes

A expressão para “estranhas” estabelece a ideia de alguém que recebe e distrai outro simpaticamente. Elas vêm em um formato agradável e simpático.

Nossa firmeza deve ser de tal forma que não compliquemos o cristianismo e ao mesmo tempo não nos deixemos levar por ventos de doutrinas.

3.               Fortalecer o coração com a graça (v. 9)
A simplicidade do cristianismo está na graça. O autor afirma em outras palavras que ao invés de nos deixarmos envolver com falsas doutrinas, por mais atraentes que sejam, precisamos nos deixar envolver pela simplicidade da graça.
O autor está delineando sobre questões tolas que envolviam principalmente os judaizantes, como, por exemplo, a comida. Havia no meio judaico-cristão muita discussão acerca de poder comer certas coisas ou não. Paulo já havia deixado isto claro, principalmente em Romanos 14, mas parece que muitos ainda tinham dúvida com relação  a isto. E lamentavelmente parece que hoje esta dúvida permanece.
Fortalecer o coração com coisas materiais, não nos conduz para os parâmetros eternos que Deus estabeleceu.

4.               Reconhecer o valor da obra de Cristo (v. 10-12)
Os judeus tinham dificuldade de entender que Jesus precisava padecer. Eles ficavam presos a seus ritos e não viam a simplicidade da graça de Deus. Hoje estamos caminhando para o mesmo destino. Muitos grupos se formam com base em coisas que estão longe de reconhecer toda a obra de Cristo.
Cito como exemplo a doutrina da maldição de família. Este dogma, criado no século passado, retrata muito bem a falta de entendimento sobre a obra de Cristo. Primeiro porque não compreende que a maldição do homem vem do próprio Deus por causa do pecado. E segundo porque não consegue ver a suficiência da obra de Cristo.
Os hebreus precisavam entender que tudo que ocorreu no Antigo Testamento foi cumprido em Cristo, até mesmo os seus ritos mais profundos, como por exemplo, o sacrifício da expiação, onde os corpos dos animais não eram comidos no santuário, antes eram tirados para fora do arraial para serem queimados. Assim também Jesus foi crucificado fora dos muros de Jerusalém.
A obra de Cristo foi e é completa, mais nada precisa ser feito. Toda maldição foi quebrada. Toda influência maligna foi retirada. Toda culpa nos foi perdoada.

Perdoado. Fui perdoado.
Deus olhou-me em compaixão.
E entrou o no meu coração.
Deu-me eterna salvação.

Jesus chamou-me pra ser filho seu.
Mas simplesmente recusei.
Mas quando insistiu com terno amor.
Na cruz minha alma comprou.
Na cruz comprou.

Perdoado...
Fui perdoado pelo amor.

5.               Ciência de que temos algo maior para nós (v. 14)
O autor volta a focar a eternidade. O verdadeiro cristão tem segurança quanto a eternidade. Ele sabe que seu depósito está garantido (II Tm 2:12). Ele sabe que Deus não o condenará, pois ele está em Cristo (Rm 8:1).
O verdadeiro cristão deve estar preparado para passar pela vergonha, pois sua glória final está garantida.
O autor usa uma expressão que é traduzida com busca, mas a melhor tradução considerando o contexto seria anelar ou desejar.
Muitos hoje vivem desejando tudo no cristianismo, menos a eternidade. O foco do cristianismo hoje são bênçãos materiais. São condições temporárias de graça. Deus quer que almejemos o céu. Você deseja o céu?

6.               Louvor contínuo a Deus (v. 15)
Um louvor contínuo a Deus envolve uma vida colocada integralmente no altar do Senhor. É uma vida que sabe que o culto precisa ser uma entrega racional e completa (Rm 12:1-3).
Hoje vivemos dias de cultos antropocêntricos, ou seja, o homem é colocado em primeiro plano, e Deus mal ocupa o segundo lugar. Os cânticos e os hinos são voltados para o homem. As letras visam levantar a moral, mas pouco têm de adoração sinceras. Vamos a igreja para nos sentirmos bem, e não para agradarmos a Deus com nosso louvor sincero e franco.

7.               Obediência aos que labutam na Palavra (v. 17)

Ao contrário da primeira citação sobre os guias onde o autor referia-se principalmente aos que já morreram agora ele fala para a prática da obediência àqueles que labutam na Palavra.
Diante de tanto legalismo que cercava os judeus convertidos ao cristianismo, o autor mostra que os pastores dos seus destinatários eram homens de confiança. A expressão guias (traduzidas em alguns casos pastores) denota alguém que mostra o caminho. É alguém que conduz o povo. Velar traduz a ideia de estar atento. O autor está se referindo a atenção contra doutrinas falsas.

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