domingo, 7 de agosto de 2011

A LEI DA JUSTIFICAÇÃO - PARTE 2


Romanos 3:21-31

No último sermão começamos a ver a lei da santificação. Vimos que Paulo tinha em mente mostrar aos judeus que a religião deles, com seu legalismo e tradicionalismo, não era eficaz para a salvação. Esta depende inteiramente da graça de Deus através da fé em Cristo Jesus.
Vamos hoje dar continuidade ao que começamos expor no último domingo. Vale antes rever os pontos da última mensagem.
Feito isto passemos a analisar outros aspectos da lei da justificação:

1.               A lei da justificação vem de graça (v. 24)
Este talvez seja o ponto mais estranho do cristianismo e, talvez, o mais difícil de ser entendido. Explicamos diversas vezes aqui que a salvação vem pela graça. Isto parece ser compreendido. Todavia muitos não conseguem entender que salvação pela graça, também é salvação de graça.
Os judeus, a quem Paulo cita, tinham em sua mente que precisavam praticar as obras da lei para obter a salvação. Não vou voltar a este assunto pois já falei várias vezes que a lei apontava para o pecado deles. O problema é que hoje ainda tem se vivido um cristianismo desta forma. Alguns acreditam porque não fazem isso ou aquilo alcançam a salvação. Há também grupos que acham que porque não guardamos este ou aquele dia, perdemos a salvação. Por isso, afirmam adeptos destes grupos: “precisamos lutar a cada dia para garantir a salvação”. Ora, se lutamos para garantir, logo, ela não é de graça.
É exatamente isto que Paulo está tentando mostrar para os judeus. A salvação não depende do que faço ou deixo de fazer, mas depende unicamente da obra salvadora de Cristo na cruz do Calvário.
O verdadeiro cristão vive nas obras como consequência de sua salvação e não como causa dela. A obra da cruz me redime diante de Deus das minhas obras más.

2.               A lei da justificação nos redime através da obra de Cristo (24)
A redenção é outra expressão técnica magnifica. Paulo usa um termo que significa basicamente o pagamento de um resgate. Desde o Antigo Testamento esta ideia já era difundida. Deus libertou seu povo de cativeiros, sofrimentos, morte e pecado. Estas libertações eram alegorias da libertação final que Deus nos promete em sua Palavra.
A morte de Cristo foi para pagar o preço de nossa libertação. Somos libertos da ira do próprio Deus (É o que a Bíblia chama de propiciação. Veremos isto no próximo ponto) e somos libertos da prisão do pecado.
Quando olhamos para nosso dicionário vemos o que significa esta remissão:

a)    Adquirir de novo – Estávamos destituídos da glória de Deus e agora voltamos à condição perdida.

b)    Tirar do cativeiro – o pecado nos aprisiona e não somos capazes de sair dessa situação sem o preço da cruz.

c)     Reparar o nosso erro – é o centro da justificação. Tornamo-nos justos diante de Deus através da obra da cruz.

d)    A pena é cumprida – Jesus cumpre a pena em meu lugar e eu estou livre.


Olhando para estes significados vemos o preço incrível que Jesus pagou na cruz. Hoje você experimentar a salvação. Deixe tão somente Jesus entrarem sua vida.

3.               A lei da justificação aplaca a ira de Deus sobre o pecador (v. 25)
Paulo entra em outra doutrina que hoje tem se fugido de pregar – a propiciação. Como me entristece saber que muitos pastores se negam a pregar por afirmarem ser difícil demais para ser compreendida. Que são termos técnicos e o povo não precisa conhecer isto. Não é um termo técnico simplesmente, é um termo bíblico. A palavra propiciação aparece em 15 versículos da Bíblia do Antigo ao Novo Testamento. O termo propiciatório aparece em 23 versículos da Bíblia sendo uma no Novo Testamento. Como dizer que é um termo técnico que não pode ser discutido com o povo? Existem termos que não constam na Bíblia que as pessoas vivem pregando: trindade, mordomia (a do dízimo é a preferida), prosperidade, maldição de família, arrebatamento secreto antes da tribulação, mas um termo bíblico e central como propiciação é deixado de lado. Alguns destes são até bíblicos como trindade e mordomia, mas são apenas citados por inferência não referência. Outros termos não passam de apelação humana para a lógica limitada do homem. É por esta e por outras ideias absurdas que existe gente que acha que Jesus morreu para pagar uma dívida ao Diabo. Existem assuntos que estão na Bíblia, mas não são centrais e que vivem nos púlpitos: curas, milagres, sinais, positivismos. É por isto que temos hoje pessoas com um cristianismo manco e longe da vontade de Deus. Cada vez mais os temas centrais do cristianismo são deixados de lados. Além da propiciação não vejo pregações sobre santificação, justificação, expiação, glorificação, substituição, redenção, inferno, etc. Temas que estão explícitos nas Escrituras e são centrais para a salvação do homem.
Meu prezado, quando o homem caiu ele ficou debaixo de uma maldição – a maldição divina contra o pecado. Esta maldição nos gera um salário – a morte. Jesus se fez maldição para tirar sobre nós a maldição que vem do próprio Deus. Não é o Diabo que nos amaldiçoa. Não é Satanás que nos condena. O Diabo terá um castigo eterno maior do que de qualquer outra criatura. Ele não tem poder para julgar ninguém. Mas compete a Deus o poder de sentenciar todo aquele que pecar. É Deus, através da obra de Jesus, que tem o poder de condenar e salvar a criatura humana. Crê você nisso?

4.               A lei da justificação cumpre a justiça de Deus (v. 26)
O poder da sentença que Deus tem vem exatamente da lei da justificação que cumpre sua justiça. Somos fadados ao inferno. Deus, através do imenso amor de Cristo, nos salva para sua eternidade; e, através do mesmo sacrifício na cruz do calvário, envia para o castigo eterno aqueles que não o aceitarem pela fé. O sacrifício de Cristo é o ponto chave. Os que o aceitam, são remidos para sempre. Os que o rejeitam, são para sempre condenados.
O amor de Deus é tão grande que olha a incapacidade humana e proporciona um meio para que a humanidade perdida possa se aproximar dele de novo. A justiça é feita na cruz. A justiça é feita no derramamento de sangue do Messias. Como diz o poeta moderno, então podemos cantar:
“Eu sou livre. Eu sou livre. Nada além sangue... Nada além do sangue... Nada além do sangue de Jesus.”
 Lembre-se meu prezado, Deus não seria injusto em nos enviar para o inferno, mas ele prova o seu amor nos resgatando através da cruz, sendo nós ainda pecadores (Jo 3:16; Rm 5:8).

5.               A lei da justificação exclui o orgulho do homem (v. 27)
“Onde está a jactância?”
Jactância significa ostentação ou orgulho. Foi realmente uma tradução muito precisa do que Paulo realmente quis dizer. Ele afirma literalmente: “Onde está o ato de se gloriar?”. Esta pergunta é interessante. Os judeus se orgulhavam de cumprir a lei. Sendo que na realidade isto não ocorria. Hoje muitos se gabam por serem religiosos; de participarem de algum grupo que se diz cristão. O problema é que isto não produz efeito algum para a salvação. Ela é um ato inteiramente de Deus. A única coisa que podemos fazer é suplicar como o cego Bartimeu: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!”.
Neste momento quero que você pare para pensar. Pense em tudo que Jesus fez na cruz por você. Ele se humilhou e morreu em seu lugar para que você pudesse receber de graça e pela graça a salvação. Mas para que isto ocorra é necessário que você tire o seu orgulho. Desça do pedestal de sua jactância e permita que Jesus entre definitivamente em seu coração. Você, assim como eu, é incapaz de sair dessa situação. Precisamos nos arrepender de nossos pecados; aceitarmos a obra redentora de Cristo; e servi-lo para o resto de nossas vidas. Você compreende isto?

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