domingo, 28 de agosto de 2011

O CAMINHO PARA A RECONCILIAÇÃO


Romanos 5:1-11

Paulo fecha o parêntesis aberto com o exemplo de Abraão. Porém ele não encerra o assunto que começou: a justificação e a falência da lei judaica para a salvação. Ele passará a mostrar que o caminho da reconciliação é a justificação pela fé. Porém ele mostrará alguns aspectos que vale a pena serem observados.
Paulo escrevendo aos Coríntios disse que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo. Esta reconciliação ocorre porque estamos destituídos da glória de Deus. No texto em questão, primariamente Paulo repete o que já tinha dito, mas nas entrelinhas conseguimos extrair alguns ensinos sobre o caminho para a reconciliação.


1.               Buscar a paz com Deus (v. 1)
Quando se está em guerra o primeiro passo para se pedir reconciliação é levantar a bandeira branca. Ela transmite um símbolo de paz.
Com Deus não é diferente. Para realmente conseguirmos nos reconciliar com ele precisamos suplicar por paz. Esta paz começa reconhecendo nossa fraqueza. Em uma guerra a paz começa a ser construída quando um dos lados se entrega. Na vida espiritual também. Precisamos nos entregar através da fé e do arrependimento aos pés de Cristo Jesus.
Somos justificados pela fé. Esta é a nossa bandeira branca onde pedimos a Deus uma audiência onde estaremos assinando um tratado de rendição. Nesse tratado assumiremos e reconheceremos que nos rebelamos contra um Deus santo e justo. Reconheceremos nossos pecados e aceitaremos a obra salvadora de Cristo na cruz do calvário.
F.F. Bruce afirma que a paz é uma das bênçãos da justificação. É verdade. Mas ela só ocorre quando, pela fé, buscamos a nossa reconciliação.
Uma vez recebida a paz, os outrora rebeldes são perdoados e ganham um livre acesso a Deus.

2.               Saber que devemos viver para a e na esperança (v. 3)
Mesmo quando somos atribulados devemos sempre ter a visão do eterno. É preciso sairmos desta visão temporal que temos para partirmos para uma visão transcendente e atemporal.
Paulo mostra um ciclo progressivo muito interessante:
Tribulação => Perseverança => Experiência  => Esperança.
Se notarmos bem a esperança é uma espécie de produto final. É como uma linha de produção industrial. Paulo afirma que as tribulações produzem a perseverança, esta por sua vez produzirá a experiência, que por sua vez gerará a esperança.
Olhando de um modo frio tenho que dizer algo que pode chocar: a tribulação é a matéria prima da esperança.  Logo, a perseverança e a experiência são subprodutos da tribulação que tem como produto principal e final a esperança.
Por isso Jesus disse: “No mundo tereis aflições”. Jesus não deu outras possibilidades. Ele simplesmente afirma que nós teremos. Afirmar que o crente não pode passar por problemas é dizer que Jesus mentiu e que a Palavra de Deus é mentirosa. O caminho para a reconciliação passa obrigatoriamente pela tribulação.
Não podemos olhar para a tribulação como sendo algo improdutivo em nossas vidas. Ela é a matéria prima inicial para chegarmos à esperança. Ninguém pode dizer que tem esperança se já tiver recebido tudo nesta vida. A Bíblia nos afirma que só podemos esperar por aquilo que não alcançamos ainda.
Outro ponto interessante é o significado da palavra perseverança (algumas versões aparece a palavra paciência). É a ideia de permanecer sob. No caso específico permanecer sob a tribulação. Isto significa que o cristão precisa aprender a permanecer na fé, mesmo debaixo da tribulação. Mesmo em meio às dificuldades.
Como experiência compreende aquela pessoa que passa pelas tribulações e sai ainda melhor do que entrou. Que não é vencida pelos traumas da vida. Que não carrega em si psiques ou psicoses por causa dos problemas que está passando.
Para aqueles que não têm a paz de Deus o caminho é muito diferente. Como disse Lutero: “Tribulação produz impaciência. Impaciência gera obstinação. Obstinação leva ao desespero. E o desespero confunde tudo”. Isso é o que acontece quando perdemos a Paz de Deus. Todavia, a tribulação só se transforma em esperança na vida daquele que tem a paz de Deus em seu coração. Pense nisso!

3.               Reconhecer a nossa fraqueza e aceitar a ajuda de Deus (v. 6)
Paulo fala que éramos fracos. Não somos mais. Cristo na cruz nos fortalece cada dia mais. O verdadeiro cristão é fortalecido pela cruz. A morte de Jesus ocorre quando nós ainda estamos separados de Deus (v. 8). Como pecadores estamos fragilizados. Não somos capazes de sair desta situação. É necessário que Jesus morra em meu lugar para que possamos alcançar a salvação.
Assim como para adquirir a paz eu preciso me render, para me fortalecer em Deus preciso reconhecer a minha fraqueza. O poeta sacro, baseando-se no Sl 18:6, diz:
Na minha angustia Deus cuidou de mim. E com seu braço forte me amparou.
O homem se tornou com o pecado prepotente, orgulhoso e autossuficiente. Como novas criaturas devemos nos tornamos simples, humildes e dependentes de Deus. Jesus afirmou: “Sem mim nada podeis fazer”. Nossa autossuficiência foi derribada na cruz. Agora precisamos de pedir ajuda a Deus. O paralítico de Betesda há trinta e oito anos tentando chegar até o poço para conseguir sua cura. Ele sabia que precisava da ajuda, mas todos estavam envoltos em seus próprios problemas, ninguém poderia ajudá-lo. Jesus estendeu o braço a ele e o curou. Talvez você esteja a anos procurando a cura para sua alma. Talvez você esteja esperando que alguém lhe ajude, mas todos estão rodeados com seus próprios problemas, Jesus tem a solução para você. Jesus quer lhe dar uma nova vida.

4.               Permitir que o amor de Deus seja derramado em nós (v. 5,8)
A nova vida que Jesus nos oferece começa quando compreendemos aquilo que os homens hoje chamam de plano de Salvação. Em um dos pontos do plano de salvação vemos que Deus amou o homem e enviou seu filho para a salvação do pecador. Este amor de Deus é derramado de modo comum sobre todos, porém somente sobre aqueles que aceitam o sacrifício de Cristo este amor produz transformação na vida.
Aceitar o amor de Deus é exatamente compreender e receber Jesus como Senhor de nossas vidas. É entender que Deus é um deus santo e incomparável e que nós ferimos a sua santidade quando pecamos. É saber que não somos capazes de fazer nada por nós mesmos para sermos salvos, somente através da obra remidora de Cristo.
Cristo, através de seu amor, tomou nosso lugar e fez com que o amor de Deus se consumasse na cruz para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Você entende isto? Você compreende o que isto significa? Permitir o derramar do amor de Deus sobre nossa vida é aceitar o plano que ele tem para nós sabendo que ele sabe o que é melhor para nós.
O homem durante toda sua existência tem buscado encontrar o caminho da vida eterna, mas sempre procura do seu jeito. Deus criou um modo simples: através da fé com a ação da graça. A humanidade tem complicado o caminho simples de Deus. Deus criou um caminho reto e simples. O homem elaborou uma estrada sinuosa e complicada. Pense nisso! Aceite o amor de Deus que ele quer derramar sobre você e deixe Jesus transformar a sua vida.

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