domingo, 14 de agosto de 2011

UM EXEMPLO DA JUSTIFICAÇÃO DE DEUS

Romanos 4:1-15

Não podemos falar deste texto sem fazermos um pequeno resumo da vida de Abraão. 
Abrão era um homem da terra de Ur dos Caldeus, chamado por Deus para o cumpri-mento de uma promessa e a formação de um povo escolhido por Deus. Abrão obedeceu o chamado de Deus sem questionar e passou a peregrinar a caminho de uma terra que ele não conhecia. É interessante notar que ele parte de sua terra com 75 anos de idade e vai para terra separada por Deus (Gn 12:4). Nesta jornada ele monta um altar para Deus e invoca seu nome (Gn 12:7-8; 13:4, 18). Meteu-se em uma guerra para libertar seu sobri-nho Ló. No retorno dessa guerra entregou ao sacerdote do Deus Altíssimo, Melquisede-que, o dízimo de tudo (Gn 14). É interessante que tudo isto ocorre antes de seu nome ser mudado e antes da expressão “Creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça”. São três momentos na vida de Abraão que ele ouve esta expressão. Todos três envolvendo a promessa do filho: 1) Quando ouve a primeira palavra da promessa e teria uma nação como descendente (Gn 15:6 – ele tinha 80 anos); 2) Quando Deus muda seu nome e promete que Sara teria um filho aos 90 anos de idade (Romanos 4:19-22); 3) Quando Deus pediu Isaque em sacrifício para provar a fé de Abraão (Tg 2:23).  Robert F. Turner diz: “A fé de Abraão não era nenhuma experiência miraculosa. Era uma vida de obediência e serviço humildes de acordo com a vontade revelada de Deus.”
Quando Deus fez a sua aliança com Abraão, o pai do povo de Israel (v. 12), ele deu a circuncisão como o sinal da aliança, a prova de que os judeus eram o povo escolhido. Mas Paulo mostra que Abraão já tinha sido aceito por Deus antes de ser circuncidado, o que quer dizer que a circuncisão não é necessária para que alguém seja aceito por Deus (Gl 3.6-18).

Antes de analisarmos o texto propriamente dito, vamos observar as características de Abraão, o pai da fé:


i. Era uma fé centrada em Deus e não nele mesmo;
ii. Era uma fé mantida pela obediência, mesmo sem saber para onde ia;
iii. Era uma fé que não permitia que ele olhasse para trás;
iv. Era uma fé que o fazia ter alvos eternos;

Passemos a delinear o que estas características de Abraão produziram na mente de Paulo ao transcrever seu exemplo.


1. A justificação não depende daquilo que fazemos para alcança-la (v. 2)
O texto é claro ao afirmar que se conseguíssemos alguma coisa diante de Deus através de nossas obras teríamos do que nos gloriar. A questão é que a pecaminosidade do homem anula qualquer aspecto de suas obras. Sendo assim, é impossível que alguém alcance a justificação através da prática de obras, seja da lei judaica, seja de qualquer outra doutrina humana.
Se Abraão fosse justificado pelas obras haveria alguma coisa boa nele, logo, ele teria em que se gloriar. Mas como não há um justo e todos igualmente se desviaram e se tornaram inúteis; Abraão não é diferente nestas questões. Abraão é um exemplo de fé e de esperança que precisamos nos mirar para seguir.
Um ponto importante é que Paulo está mais uma vez mostrando aos judeus que seus rituais não eram suficientes para a salvação. Eles se vangloriavam em Abraão por ele ter sido um exemplo. Mas na realidade ele foi salvo pelo mesmo método que hoje Deus nos salva – pela graça, mediante a fé.


2. A justificação é o crédito de Deus sobre nós através da fé (v. 3, 4)
A expressão “imputado” significa creditado. Isto quer dizer que quando cremos, Deus nos credita a justiça dele através da cruz. Abraão não mereceu nada para sua salvação. O texto afirma que isto lhe foi imputado, ou seja, creditado. A fé, quando devidamente direcionada e aplicada, nos gera um crédito pela graça. Este crédito é suficiente para pagar toda dívida que tínhamos com Deus. Isto vimos nos últimos sermões. Logo, o único preço que pagamos pela salvação é crer. Todo demais é nos dado de graça, pela graça de Deus em nós (Ef 2:8).
É a obra da cruz que nos salva. É ela que nos credita definitivamente a salvação eterna. O problema que isto só pode ocorrer quando nossa fé tem a direção certa. Não adianta afirmar que temos fé. É necessário ter a fé no objeto correto – Jesus Cristo. Muitos afirmam que têm fé, mas esta está direcionada para muitas coisas, menos para Cristo. A  Bíblia afirma que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (II Tm 2:5). As Escrituras também nos dizem que debaixo do sol não há nenhum outro nome através do qual podemos ser salvos (At 4:12). Veja bem, isto implica que Maria não tem poder para nos salvar, nem para mediar nada, pois Jesus é o único mediador. Isto significa que não existem outras chances de salvação como purgatório, reencarnação ou coisas semelhantes a estas, pois somente através de Jesus alcançamos a vitória final. E o mais importante, Jesus é o único que pode nos limpar do pecado.


3. A justificação nos leva para a verdadeira felicidade (v. 6-8)
Paulo cita o salmo 32 de Davi. Neste salmo o grande rei mostra a felicidade daquele que é perdoado por Deus. A beleza deste salmo não está apenas nas declarações de felicidade dos primeiros verso. No verso 3 o salmista afirma que enquanto ele não confessou o seu pecado o seu corpo sentia as consequências do pecado.
Meu amado o pecado talvez esteja destruindo a sua vida. O pecado talvez esteja le-vando você para a sarjeta. Talvez o pecado esteja lhe arrancado sua família. Deus quer libertar você, mas é necessário que assim como Davi você aprenda a se arrepender dos pecados, antes que seus ossos também sejam consumidos. Pior do que os ossos consumidos é alma sendo consumida na eternidade do inferno, longe da presença de Deus.
No verso 5 Davi afirma: “Confessei-te o meu pecado e a minha maldade não encobri”. Muitos hoje vivem tentando encobrir os seus pecados, suas maldades, suas iniquidades. Deus quer lhe fazer uma pessoa feliz, mas é preciso que você seja limpo dos seus pecados através da confissão pura diante do Senhor. Você compreende isso?
Neste mundo temos momentos felizes, em Cristo temos a verdadeira felicidade garantida na eternidade. O que você prefere? Os prazeres momentâneos desta vida, ou a felicidade eterna?


4. A justificação ocorre antes de qualquer rito (v. 10-15)
A circuncisão era o rito que os judeus mais se vangloriavam. Para eles alguém só era realmente considerado judeu se fosse circuncidado. É interessante que hoje sabe-se que outros povos já realizavam este rito antes mesmo de Abraão. Também é interessante que a circuncisão foi estabelecida quase 15 anos depois da justiça ter sido imputada pela fé de Abraão.
Da mesma forma ocorre a salvação hoje. Muitos hoje dão muita importância ao batismo. Alguns chegam até dizer que o batismo ajuda na salvação. Outros afirmam que aqueles que não se batizam são pagãos, como se este termo fosse algo terrível.
Paulo deixa bem claro que a justificação ocorre antes de qualquer coisa. Ele não está abolindo nenhum rito, como o batismo, mas está dizendo que este não tem poder para salvar. Assim como os judeus muitos estão presos aos ritos e se esquecem do verdadeiro objeto da salvação, a fé.
Vale destacar que Deus nos deixou somente dois ritos, que nós chamamos de ordenanças – o batismo e a ceia. Mas nenhum dos dois tem valor salvador. A salvação ocorre antes de qualquer um deles. Muitos hoje se batizam procurando alcançar alguma graça diante de Deus, mas na realidade não cumprem o principal mandamento, amar a Deus sobre todas as coisas.
Meu prezado,  se você é preso aos rituais religiosos, você pode estar caminhando a passos largos para longe de Deus. Hoje eu quero que você pare para pensar naquilo que é mais importante no cristianismo – a salvação. Jesus não veio para que você seja mergulhado em um tanque, rio ou mar. Jesus não veio para que você receba algumas gotas de água em sua cabeça. Não, Jesus veio para que você tenha vida, e vida eterna. Crê você nisto? Mire-se no exemplo de Abraão e creia que Deus tem uma terra prometida para você, e ela só pode ser alcançada mediante a fé.

Nenhum comentário:

Postar um comentário