domingo, 25 de setembro de 2011

APRESENTANDO-SE A DEUS


Romanos 6:12-19

Paulo deixa um pouco o assunto da graça, mas não abandona a questão do pecado na vida daquele que é alcançado pela graça. O apóstolo estabelece que aquele que foi alcançado pela graça deve ter uma vida sempre pautada pela obediência a Deus. o verso chave deste trecho é o 16.
Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?
O apóstolo está mostrando que o homem não tem opção de liberdade. Ou ele fica preso nas garras do pecado, ou ele se rende a presença da graça apresentando-se a Deus. 

Na realidade Paulo continuará sua argumentação sobre a questão, mas mudará a ótica estabelecida. Na primeira ele mostra a parte ativa de Deus através da graça, na segunda ele demonstra a parte passiva do homem em apresentar-se ou oferecer-se. Os resultados são basicamente os mesmos, mas a ideia de Paulo é exatamente esta, ratificar sua argumentação contra o interlocutor de forma a não deixar brecha alguma sobre a questão da graça e a nova vida do homem. 
Desta forma o apóstolos mostrará que ao nos apresentarmos a Deus:
1) O reino do pecado é derrubado (v. 12-14);
2) A justiça de Deus é cumprida (v. 16);
3) Cria-se o serviço para a santificação (v. 19).
Passemos agora a delinear estes fatos.

1. O reino do pecado é derrubado (v. 12-14)
Paulo começa mostrando que a queda do reino do pecado ocorre imediatamente à nossa entrega ao novo senhorio. Não quer dizer que vamos deixar de pecar, mas quer dizer que o reino do pecado não terá poder mais sobre nós. 
Ao dizer “Não reine o pecado sobre vós”, Paulo está mostrando claramente que aque-les que foram transformados por Cristo devem viver realmente de uma forma diferente. Como afirma Murray é como alguém dizer para um escravo alforriado para ele não viver mais como escravo. Há muitos cristãos hoje que vivem como escravos; que ainda buscam no pecado a sua satisfação; que buscam nos prazeres deste mundo a vida plena. 
Outra questão importante é que Paulo está mostrando a ideia da santificação de nosso corpo. Quando ele afirma “nem tampouco apresenteis os vossos membros por instrumento de iniquidade”, ele está declarando que o nosso corpo é santo em toda sua extensão. A expressão denota a ideia que a mínima parte de nosso corpo não deve ser dedicada ao pecado. 
Quando Jesus entra em nossa vida não somos mais dominados pelo pecado. Se isto ocorre em você algo pode estar errado com o seu cristianismo. Algo está errado com sua fé. Jesus veio ao mundo para nos dar a vida eterna e para nos tirar toda e qualquer marca do pecado sobre nós. Se o pecado ainda domina alguém que se diz cristão, é porque algo está errado com o cristianismo dessa pessoa. 
É muitíssimo interessante notar que o tempo verbal utilizado por Paulo retrata que nós nos oferecemos uma vez só. Nossa entrega a Deus não é um ato contínuo, mas um ato instantâneo, ou seja, de uma vez por toda. Deus nos transforma de uma vez para sempre. Jesus nos mostra exatamente isto quando afirma que passamos da morte para vida (Jo 5:24). Passamos da morte para vida ainda neste mundo quando nos apresentamos diante de Deus. O cristão está livre da escravidão do pecado. Ele morreu para o pecado. Como diz F. F. Bruce, o morto não pode mais responder ao seu amo, mesmo que ele continue a lhe dar ordens. Jesus disse que todo aquele que pratica o pecado é escravo dele (Jo 8:34). Mas Jesus também afirmou que não podemos servir a dois senhores (Lc 16:13). 

Hoje você tem a chance de se apresentar diante de Deus. Você tem a chance de ser transformado de uma vez por toda e ter a sua vida consagrada no altar do Senhor. Hoje você tem a oportunidade de ser liberto do pecado e servir a um único Senhor em sua vida. Apresente-se diante de Deus. 

2. Justiça de Deus é cumprida (v. 16)
Já dissemos em outros sermões que se dependêssemos de nós a justiça de Deus seria condenatória. Merecemos o inferno, mas Deus nos dá uma oportunidade através da cruz. 
Paulo vai repetir algo que já disse em outros capítulos. Ele está querendo fixar bem es-te assunto na mente dos romanos. Espero que você que tem nos acompanhado nesta série de sermões também fixe bem. O apóstolo utiliza agora a analogia de um mercado de escravos. 
Stott nos lembra que a tendência é lembrarmos que os escravos romanos eram adquiridos em guerras, ou oferecidos em um mercado de escravos e expostos à venda. Mas havia uma categoria de escravos que se entregava livremente por não terem chance de sair de uma escravidão maior, a miséria. É nesta categoria que Paulo está pensando. 
O homem está inteiramente perdido, sem condições  de sair da lama do pecado, da miserável vida que leva diante do pecado. Nestas condições, Deus oferece uma chance a este miserável homem sem saída. É a chance de uma redenção. É a chance de, mesmo continuando escravos, serem livres e gozarem de um Senhor amoroso e benevolente. 
Paulo mostra que aqueles que normalmente assim se ofereciam eram aceitos. O senhor poderoso não rejeitava. O Nosso Senhor Todo-Poderoso também não vai rejeitar aqueles que se aproximam dele suplicando pelo perdão dos pecados, pelo resgate de sua situação de miséria.  Esta é obediência que ele inicia pedindo. Precisamos reconhecer nossa situação diante dEle. Somos pecadores, escravos do pecado. Estamos perdidos, mas Deus deseja nos justificar diante dEle mesmo. Mas para isto preciso me apresentar em obediência. 

3. Cria-se o serviço para a santificação (v. 19)
Apresentar-se diante de Deus em obediência é compreender que não temos opção. Ou somos escravos do pecado, ou somos servos de Deus. Quando Jesus entra em nossa vida somos feitos servos de Deus. Ele faz isto para a nossa santificação.
Paulo mostra que os membros do corpo que outrora serviram ao pecado, agora devem ser dedicados a Deus para serviço da santificação. Esta dedicação nos trará frutos muito acima daquilo que pensamos ou merecemos. Antes colhíamos frutos referentes à nossa depravação. Colhíamos o fruto do pecado. Hoje há muita gente colhendo o fruto do pecado. É fruto da solidão. São os frutos da escravidão dos vícios. Mais o principal fruto que colhemos é a morte eterna.
O serviço para a santificação compreende um serviço para a justiça de Deus. A justiça do altíssimo só tende a condenar a humanidade, mas, através da cruz, temos um novo e vivo caminho que nos traz uma nova servidão. Uma servidão voluntária para a eterni-dade. Uma servidão que nos leva para sempre para perto de Deus. Este serviço não compreende um ativismo qualquer, antes é a aceitação de Jesus em nossos corações com a disposição de carregarmos a nossa cruz. 
O serviço para a santificação deve produzir em nós alguns dos significados da palavra que é traduzida como  justiça: integridade, virtude, pureza de vida; pensamento, sentimento e ação corretos. Tudo isto é fruto da santificação. Tudo isto como fruto de nos apresentarmos a Deus. 

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