segunda-feira, 14 de junho de 2010

CRISTO - REVELAÇÃO FINAL DE DEUS

A primeira notícia que se tem da Epístola aos Hebreus data de 95 d.C., citada por Clemente de Roma em uma carta. A autoria do livro é muito discutida. Durante séculos especulou-se como sendo de Paulo (principalmente porque há manuscritos do segundo século afirmando isso), Barnabé, Áquila, Apolo, entre outros. Na realidade não se pode afirmar com exatidão nenhum destes. Particularmente creio que a possibilidade de Apolo é a maior de todas, embora não feche questão sobre o assunto.
Sabe-se que o escritor tinha um grande domínio do grego e um grande conhecimento da simbologia do Antigo Testamento. Era um amigo de Timóteo e parece ter uma íntima relação com este discípulo de Paulo.
Seu público alvo era judeus convertidos ao cristianismo há algum tempo. Porém, apesar de não serem neófitos, parece que estavam cometendo erros básicos dentro da doutrina cristã.
O que tudo indica é que os leitores desta epístola se decepcionaram com o cristianismo. Eles esperavam que ele pudesse dar respostas para todos os seus problemas através de seus ritos. Parece que sentiam falta do lado místico que provavelmente experimentavam no judaísmo. Além disso, pesava sobre eles “a nuvem de testemunhas” que poderia lhes causar grande perseguição e dor. Tudo isto somado fazia com que sentissem grande desejo de retornar às práticas do judaísmo.
O autor trata de rechaçar tudo isto logo no início da carta ao mostrar a superioridade de Jesus sobre tudo e todos. Sem falar que o autor mostra que o novo pacto é superior ao antigo em todos os sentidos.
A. M. STIBBS esboça quatro propósitos do autor de Hebreus que ele tinha em mente ao escrever:
a) Admirável revelação e salvação dada por Deus aos homens, na pessoa de Cristo;
b) Deixar os leitores cônscios do verdadeiro caráter celestial e eterno das bênçãos oferecidas e apropriadas pela fé;
c) Dar-lhes plena consciência do lugar de sofrimento e paciente persistência (mediante a fé) no presente caminho terreno até o alvo do propósito de Deus;
d) Conscientizar-lhes do terrível julgamento que certamente sobrevirá a qualquer que, conhecendo tudo isso, rejeitar tal revelação em Cristo.
Para entendermos o que significa Cristo como revelação final de Deus precisamos compreender alguns aspectos da pessoa de Cristo e sua obra:

1) Ele é o maior e único mediador (v. 1, 4)
O escritor parte do princípio que Deus falou. Ele não tem a preocupação de provar que Deus falou, ele sabia que seus leitores criam em Deus e criam que no passado Deus falara. Paulo afirma aos romanos que Deus se revelou através da criação.
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. (Rm 1:20)
O texto nos mostra que o verbo de Deus (Cristo) foi uma revelação maior que a dos profetas (v.1) e também maior do que a de anjos (v. 4). Tudo que tinha ocorrido no passado serviu de preparação para a revelação final de Deus.
Paulo afirma que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens (I Tm 2:5). Esta única mediação que o Apóstolo do gentio se refere é no sentido da interseção para a Salvação. Não podemos ter outro mediador.
Um fato interessante nestes primeiros versos que o autor não insere ninguém do Novo Testamento, nem mesmo Maria. Embora ainda muitos insistam que ela é uma medianeira, em lugar nenhum da Bíblia há esta afirmação, mas há a afirmação clara e nítida que Jesus é o único.

2) Ele é a manifestação em Carne do Deus vivo (v. 3)
Jesus é a imagem exata de Deus. Ele é a mesma substância de Deus. O brilho de Cristo reflete a perfeita imagem de Deus.
Um dos grandes motivos que temos de confiar em Jesus encontra-se no fato de que ele é Deus. Não mais um deus, como pensam certos grupos, mas o Deus, o único e soberano.
Como “expressão exata” pode-se dizer que Jesus é a manifestação precisa de Deus em todos os sentidos.

3) Ele é criador e sustentador do universo (v. 2, 3)
O autor declara que através dEle Deus criou o universo (v. 2), e Ele é o sustentador de tudo que foi criado (v. 3).
Jesus é o sustentador do universo e através desta visão podemos dizer que ele é o sustentador de nossas vidas.
Um cântico que temos diz:
Tudo que sou, tudo que tenho, o ar que respiro, a todo momento... tu és meu tudo
Prezado amigo Jesus quer ser tudo para você neste dia. Ele quer sustentar a sua vida. O ser que é capaz de sustentar todo universo, também é capaz de sustentar a sua vida e guiá-la pelos caminhos que deve seguir.


4) Ele é capaz de purificar os nossos pecados (v.3)
Um dos motivos que levou o escritor a escrever esta carta foi a decepção que os cristãos judeus tinham com relação ao Cristianismo. Hoje muitos estão se decepcionando com o cristianismo porque estão crendo em uma religião que prega apenas coisas para esta vida.
Os judeus criam que o Messias viria para libertá-los do jugo romano. Há muitos hoje que creem que Jesus veio para lhes dar conforto, prosperidade e saúde neste mundo. O fato é que Jesus veio, acima de qualquer coisa, para nos dar a vida eterna através da purificação dos nossos pecados.
O pecado é o grande motivo da vida e morte de Cristo. Ele veio para que nós pudéssemos ter vida, e esta em abundância, mas é engano achar que isto diz respeito a esta vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário