domingo, 18 de setembro de 2011

O PODER DA GRAÇA

Romanos 5:20-6:12
Paulo termina sua argumentação sobre a questão da justificação e passa a delinear um novo assunto: a relação do cristão com o pecado. Este se estende até 8:39.
O apóstolo inicia este novo bloco com o assunto que encerrou o anterior: a graça. A intensão do apóstolo parece ser mostrar que o cristão, embora transformado, ainda sofre com o pecado, mas este não pode ter mais poder sobre ele.
O interlocutor que apareceu em capítulos anteriores retorna. Parece ser um judaizante que tenta destruir a concepção das boas novas que Paulo delineou outrora. Este é o motivo que precisamos começar a ler do verso 20 do capítulo anterior.

A graça então é o primeiro assunto desta sequência paulina. O interlocutor questiona que: Se somos salvos pela graça, logo não precisamos mais nos preocupar com pecado. Claro que não é bem assim, mas isto Paulo passa a defender a partir do verso 13. Agora ele vai mostrar o efeito da graça sobre a vida daqueles que foram transformados. Três coisas ocorrem basicamente:
1)       Morremos para o pecado;
2)       Ganhamos uma nova vida;
3)       Obtemos vitória sobre a morte.
São estas coisas que passaremos a observar agora.

1.               Morremos para o pecado (6:1, 2, 6)
“...o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado.”
O velho homem agora morre e nasce uma nova criatura. Paulo passa a trabalhar mostrando a simbologia do batismo. Morrer para o mundo e nascer para Cristo. Este é o motivo pelo qual não utilizamos o batismo por aspersão, ele não carrega o símbolo completo do rito. Além disto, também não aceitamos o batismo infantil, pois, quando bebê, ainda não temos a noção do pecado e a consciência do arrependimento.
Este parágrafo de Paulo mostra a grande importância do Batismo. Não pode ser feito de qualquer forma. A igreja primitiva preparava seus catecúmenos por três anos. Alguns acreditam que era uma forma de lembrar o treinamento de Jesus. Mas o fato é que eles queriam que os neófitos ser tornassem maduros e cônscios de sua decisão. Fico triste quando muitos colegas contabilizam seu ministério pelo número de batismos, mas não levam em consideração que mais de 70% dos que foram batizados se afastaram do evangelho.
Quando morremos para o pecado:

a)    Não permanecemos pecamos (v. 1)
Paulo agora volta a usar a figura do interlocutor oposicionista. Este tenta usar a própria argumentação de Paulo para o derrubar. Se a graça é maior que a lei, logo, podemos pecar à vontade. O universalismo crê assim. Ele advoga que Jesus morreu para perdoar todos, mesmo aqueles que não se tornam cristão.
Paulo mostra que ocorre justamente o contrário. Aquele que tem uma experiência com Deus não vive mais pecando. A graça que o salva, é a mesma que o ensina a viver de forma justa, sóbria e piedosamente (Tt 2:11-13). E aquele que vive desta forma não permanece no pecado. O antinomismo é definido no dicionário como sendo aquele que crê na justificação pela fé. Isto é uma meia verdade. O antinomismo (anti + nomos – sem lei) é aquele que diz que foi justificado pela fé e vive de uma forma desregrada, sem lei. Era o que acreditava um místico muito influente na Russia no final do século XIX e início do XX, Rasputin. Ele vivia de forma dissoluta por acreditar que já estava justificado pela fé.
Quando Jesus entra em nosso coração somos feitos novas criaturas e passamos a procurar viver em obediência à vocação que fomos chamados (Ef 4:1). Isto significa que podemos até pecar, mas não permanecemos no pecado. O pecado não é algo natural para nós. No velho homem ele é inerente.

b)    Não servimos mais a ele (v. 6)
Se não permanecemos no pecado, também deixamos de ser escravos dele. Quando sem Cristo o homem vive a serviço do pecado. Alimentamos mais e mais o pecado. Quando entramos no vício, queremos mais e mais no afundar. Como é triste ver que pessoas cultas, como Sócrates (ex-jogador), alimentam tanto o pecado que acabam colhendo frutos devastadores dele. Muitos hoje estão assim. Alimentando o pecado das drogas, do sexo fácil, entre muitas outras coisas. Como é lamentável ver vidas ceifadas pelo poder do pecado. Famílias sendo destruídas pela presença da iniquidade.
Stott afirma que nosso velho eu é crucificado afim de que não servimos mais o pecado. Deixamos de ser escravos dele, e livremente passamos a ser servos de Deus. Hoje você pode também deixar de servir o pecado. Basta que você reconheça  o sacrifício de Cristo e prol de todo aquele que crê.  

c)     Temos a justificação dos pecados cometidos (v. 7)
Uma vez mortos para o pecado, não permanecemos mais nele, não servimos mais a ele e os pecados passados são justificados diante de Deus.
Tal justificação só pode ocorrer pela fé (5:1). Mas, para isso, torna-se necessário o pagamento da dívida causada pelo pecado, esta só pode ser paga pela cruz. Por isso precisamos crer na morte de Jesus como sendo para nossa justificação. O preço pago na cruz foi fenomenal e não há outro preço que possamos pagar.
Meu amado, Jesus foi à cruz para que você se torne livre do pecado, justificado pela fé diante de Deus. Paulo está sendo repetitivo, pois queria enfatizar bem isto no coração dos romanos. Eu estou sendo repetitivo não apenas porque quero que Jesus entre em sua vida, mas que o evangelho seja pregado de uma forma clara diante de Deus. Para que você não tenha dúvida do que significa seguir a Jesus.

2.               Ganhamos uma nova vida (6:4)
“...andemos em novidade de vida.”
A expressão “foi crucificado” no passado transmite a ideia de que houve um ato de transformação. Jesus entra em nossa vida e somos transformados definitivamente. Ganhamos uma nova vida. O termo grego aqui usado por Paulo traz grande magnitude. É a concepção de algo singular, nunca visto antes é literalmente uma nova vida, ou uma vida singular.
O mesmo Paulo escrevendo aos Coríntios afirma: “Quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”. É uma nova criação. É o novo Adão sendo criado para caminhar na solidariedade de Cristo. É o novo e vivo caminho onde ele nos consagra (Hb 10:20).
Andar em novidade de vida significa que:

a)    Vivemos com Cristo (v. 8)
“Eis que estou convosco...”, esta foi a promessa de Jesus nos seus últimos dias nesta vida. Isto deve nos dar segurança na caminhada. João deixa isto muito claro em I Jo 2:1. Ele diz:
“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo.”
A expressão traduzida como advogado era entendido em primeira mão como alguém que anda ao lado do réu diante do juiz. Jesus é o nosso advogado e anda ao nosso lado. Esta caminhada nos ajuda a não pecar mais, e nos justifica diante das eventuais quedas. Viver com Cristo compreende primeiramente uma vida abundante. Não vivemos mais uma vida de derrotas, mas a vitória está garantida. Em segundo lugar viver com Cristo significa caminhar com firmeza. Ele nos manda não temer, pois não nos abandonará.  

b)    Vivemos para Deus (v. 10)
Paulo escrevendo aos filipenses afirma que o viver para ele era Cristo. Viver para Deus é ter a perfeita consciência que nosso reino não pertence mais a este mundo. Que somos realmente participantes de uma nova nação e que agora nosso objetivo é um dia estarmos definitivamente com ele.
Viver para Deus implica primeiramente em se preparar para viver com Cristo eternamente. Em segundo lugar viver para Deus é saber o valor exato da fé e do batismo. A fé é o ponto chave para a salvação, e o batismo é o grande testemunho da mesma. Ninguém pode ser batizado sem ter plena consciência do que quer. Ninguém pode batizar outrem achando que lhe está concedendo graça ou trazendo para dentro da família de Deus. Porque o candidato a batismo precisa ter consciência que agora vive para Deus.
Outro ponto importante é que aquele que vive para Deus sabe que precisa ter uma vida mudada, diferente daquela que tinha outrora (I Pe 4:2). Não ficamos do mesmo jeito. O verdadeiro cristão sabe que não é apenas uma questão de se tornar membro de uma igreja, ou se autodenominar cristão, é uma questão de padrão de vida.

3.               Obtemos vitória sobre a morte (6:5, 8, 9)
“...se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição.”
Mas o ponto máximo do poder da graça está em saber que temos a vitória garantida sobre a morte. Paulo afirma aos coríntios que o último inimigo a ser vencido é a morte (I Co 15:26). Jesus advoga que aquele que o aceita já passou da morte para a vida (Jo 5:24). Tudo isso ocorre pelo poder da graça que nos salva.
O livro de romanos é conhecido como uma Bíblia resumida, ou como sendo um tratado de teologia. Normalmente se fala que apenas a escatologia não é mencionada. Ledo engano. Realmente Paulo não é detalhista aqui como aos tessalonicenses, mas ele fala do dia da ressurreição. Este dia é o mesmo que ele afirma em I Tessalonicenses que os justos ressuscitarão primeiro. Eles serão os primeiros alcançados por esta promessa. Na realidade, segundo a Bíblia, todos ressuscitarão. Uns para a salvação eterna, outros para a perdição eterna. Apocalipse afirma que bem aventurado é aquele que tem parte na primeira ressurreição (Ap 20:4).
Meu amado, a vitória sobre a morte você pode garantir agora. Hoje você pode decretar, através da fé, que estará para sempre com Jesus e fará parte da primeira ressurreição. É a vitória sobre a morte. É o triunfo final do poder da graça.
Um belo hino antigo diz:
Não tardará, Cristo irá voltar.
Não tardará, vamos para o lar.

Eu quero me preparar,
Pois vamos logo subir
E quero junto a você,
Lá no Céu
Conversar com Jesus.

Hoje você tem a chance de se preparar. Preparar-se para subir e conversar com Jesus. De fazer parte da grande ressurreição dos justos, a primeira ressurreição. O mundo caminha a passos largos para a morte eterna, você pode agora garantir a sua vitória sobre a morte.  

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