domingo, 4 de setembro de 2011

A SOLIDARIEDADE DE ADÃO E DE CRISTO


Romanos 5:12-21

Paulo está agora encerrando esta fantástica exposição que teve início no capítulo 1:18, em especial a justificação a partir do capítulo 3. Não quer dizer que ele vai parar de falar sobre justificação, mas que ele vai mudar o foco para reforçar toda sua tese.
Neste trecho ele mostra que o pecado entrou no mundo por um único ato (12), embora depois outros tenham cometido outros atos diferentes daquele original de Adão (14).
Adão é a primeira figura do próprio Cristo, e Cristo é a figura do homem ideal desejado por Deus. Afinal por um homem entra o pecado e por um homem ele é retirado daquele que crê.
A palavra solidariedade é muito utilizada como sendo aquela ação que diz respeito a indivíduos que ajudam a outros. Mas ela também reflete a ideia de uma cultura que é passada de geração em geração. Pode também ser vista como aquele vínculo que existe entre grupos de pessoas ou mesmo animais.

Na teologia ela ganhou muita força sobre a questão do pecado de Adão principalmente nos versos que hoje estamos observando.
Vamos observar dois tipos de solidariedade que vieram sobre nós, a de Adão e a de Cristo. Paulo traça uma comparação entre Adão e Cristo e ambos, com um simples ato, modificaram o destino de muitos.

1.               A solidariedade de Adão
Adão é o pai da humanidade. Através dele toda humanidade foi gerada e formada. Ele veio com o objetivo de glorificar a Deus e de ser a coroa da Criação. Mas infelizmente Adão pecou. Ele falhou diante de Deus. Sua falha foi transmitida à toda humanidade (solidariedade). Vejamos o que nos repassa a solidariedade de Adão:

a)    Decretou a morte para a humanidade (v. 12)

“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram.”

A morte significa basicamente separação. Quando Deus decretou a morte do homem ele estava decretando a separação deste com Ele.
O pecado de Adão está no gene da humanidade. Por um homem entra o pecado e com ele a morte, ou seja, a separação. Ninguém mais pode estar diante de Deus. O pecado nos separa da glória de Deus. Ele é um ser santo demais para aceitar o pecado. O pecado mancha essa santidade.
Amado, seu pecado, assim como o meu, o separa de Deus. Paulo afirma no capítulo 2 que todos somos indesculpáveis diante de Deus. No capítulo 3 ele mostra que Deus não faz diferença de pecados e igualmente todos se tornam inúteis diante de Deus. No capítulo 4 ele acena para o fato que a lei se apresenta para apontar o nosso pecado. Assim sendo, o pecado entra e passa a reinar em nossas vidas.

b)    Trouxe o reinado do pecado sobre o homem (v. 14, 17)

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual  é a figura daquele que havia de vir. Porque, se, pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.”


Além de decretar a nossa separação com Deus a solidariedade de Adão lança o reinado do pecado sobre a humanidade. Hoje o homem é escravo do pecado. Os prazeres do mundo são agradáveis, trazem grande gozo ao nosso coração.
Talvez haja pessoas aqui escravas do sexo, das drogas, de vícios, do dinheiro. A escravidão da iniquidade invadiu o coração do homem e o amarrou definitivamente. A humanidade não consegue mais sair desta situação. Todos ficamos atolados no lamaçal do pecado e somos impotentes para sairmos dessa situação. Este lamaçal é um charco de lodo onde a única maneira de sairmos é através do clamor ao sangue de Jesus (Sl 40:1).
Talvez haja alguém mergulhado no lamaçal do vício das drogas ou da prostituição. Alguém que esteja imerso no adultério. Hoje você pode clamar a Deus e pedir que ele o tire desta situação.

c)     Decretou o juízo de Deus sobre a humanidade (v. 16)

“E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou; porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.”

Mas a pior de todas as consequências da solidariedade de Adão foi a condenação eterna. No verso 16 Paulo afirma que pela ofensa de Adão entrou o juízo sobre o mundo. Todos que andam no caminho de Adão estão julgados, e o pior, estão condenados. O caminho de Adão é o caminho da condenação eterna. É o caminho da separação eterna do Deus que é santo e maravilhoso.
A situação de toda humanidade é a condenação eterna. Não há um justo e todos estão condenados diante de Deus. O caminho que surge com a solidariedade de Adão nos leva para o juízo eterno e este juízo é a condenação eterna. A solução é conhecermos um novo caminho oferecido pela solidariedade de Cristo.

2.               A solidariedade de Cristo
Cristo representa o segundo Adão. O termo “Adão”, no hebraico, significa humanidade. Cristo através de sua  solidariedade cria uma nova humanidade. Passemos agora a ver a solidariedade de Cristo:

a)    Manifestou a graça de Deus (v. 15, 18)
A solidariedade de Cristo começa ser vista através da manifestação da graça. O desejo de Deus era que toda a humanidade conhecesse esta graça. É o que está escrito em Tt 2:11-13. Ela se manifestou salvadora a toda a humanidade.
Através do sacrifício da cruz Cristo manifesta a graça de Deus a todos os homens. Com esta graça o homem não precisa se esforçar para alcançar a salvação, ele precisa apenas confiar que ela foi dada. Precisamos somente pela fé receber a graça de Cristo e ela nos salvará para todo sempre.
Não é apenas a graça comum, que faz com que todas as manhãs o sol nasça sobre justos e injustos; que permite que as estações existam para todas as pessoas; mas é a graça salvadora de Cristo que vem e age sobre aquele que a aceitar.

b)    Trouxe a justificação (v. 16, 19)
O segundo aspecto da solidariedade de Cristo é a justificação. Através da solidariedade de Cristo somos feitos justos. Somos tornados justos através da solidariedade de Cristo em nossas vidas.
A justificação é o centro desta epístola maravilhosa. O homem, como já foi dito várias vezes, é incapaz de sair da situação da lama do pecado, do charco de lodo que se encontra. Cristo, através de seu sacrifício, oferece-nos a justificação. Assim sendo, quando aceitamos a cruz, somos feitos novas criaturas. A velha raça se torna agora a raça eleita, santa e sacerdotal. Passamos a representar Deus neste mundo. Tornamo-nos embaixadores de Deus. 
Cristo nos justifica diante de Deus, mas para que isto ocorra precisamos aceitar tudo que ele fez por nós. Você pode  hoje ser retirado de sua situação de pecado, de sua situação condenatória, para uma completamente nova, rica da presença de Deus e com uma promessa incrível: a vida eterna.

c)     Estabeleceu a vida eterna no reinado da graça (v. 21)
Paulo chega ao fim deste capítulo mostrando que o pecado abundou ainda mais com a lei. A ideia não é que o homem não pecava, mas que o lei tornou mais evidente o pecado. O pecado abundou, mas a graça de Cristo, o novo Adão, foi muito maior. Esta graça oferece a grande promessa de Deus na Bíblia: vida eterna.
No verso mais famoso da Bíblia, Deus promete a vida eterna como sendo algo que vem após um novo nascimento. Em Romanos 6:23 Paulo mostra que o salário do pecado foi pecado por Cristo e ganhamos a vida eterna.
A vida eterna é a dádiva de Deus para nós que, segundo Paulo, vem através da graça da justificação.

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