segunda-feira, 24 de outubro de 2011

AS ARMADILHAS DO PECADO


Romanos 7:7-25
Paulo permanece em sua argumentação sobre o novo serviço. Porém ele passa a mostrar que o pecado sempre estará rondando a vida do homem, mesmo quando este é alcançado pela graça. Mas vale lembrar que nos versos 12 a 14 do capítulo 6, Paulo deixa claro que não podemos dar chances ao pecado e isto significa que devemos tomar muito cuidado com os seus ardis.
Muitos questionam se este trecho Paulo escreve para crentes ou não. Não creio que isto seja importante. A Palavra é uma totalidade, e cada pedaço dela deve ser analisado. Na realidade Paulo não parece preocupado com esta definição. Até porque, como frisou bem Schaeffer, as mesmas prerrogativas para a justificação são exigidas na santificação. Sendo assim, este trecho pode servir para um ou outro grupo.
De qualquer forma, considerando a forma como Paulo fala, parece tentar alertar pessoas que já conhecem o evangelho para terem uma vida limpa diante de Deus. Para isto o apóstolo nos alerta para os perigos ou armadilhas do pecado e no final ele mostra como desarmar estas armadilhas. Passemos agora a analisar este fato.

1.         O pecado se aproveita de coisas boas (v. 8, 13)
“... o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência...”
“... o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem...”

A expressão “tomando ocasião” pode ser traduzida como “aproveitando-se”, ou, como está na Bíblia na Linguagem de Hoje “o pecado se aproveitou”. Também pode ser traduzida como algo que pega alguma coisa para usá-la. O pecado faz isso muitas vezes. Ele se utiliza de coisas que são boas para levar o homem à iniquidade. Quero tomar como exemplo o sexo. Ele é uma bênção criada por Deus para a procriação e para a satisfação conjugal. A Bíblia dedica praticamente um livro inteiro para mostrar a beleza do ato sexual: Cântico dos cânticos. Mas o pecado se aproveitou da situação. Hoje a humanidade vive no sexo fácil. Cada vez mais as pessoas se vendem de forma direta ou indireta. Chamam de “fazer amor” aquilo que na realidade é a consumação do amor conjugal, mas não o amor propriamente dito. Desta perversão surgem outros desvios da ordem natural, tais como: homossexualismo, adultério, fornicação, entre tantas outras práticas que tentam associar ao amor, que é bom, assim como o sexo, mas foi pervertido pelo pecado.
Gostei muito da tradução parafraseada de Eugene H. Petersen (A Mensagem), nela o texto em questão encontra-se assim traduzido:
“O código da lei começou muito bem. Mas acontece que o pecado encontrou uma maneira de perverter o mandamento, transformando-o em tentação, fazendo dele um fruto proibido”.
Repare bem que esta tradução deixa claro o que estou tentando dizer. O mandamento é bom. Nada há de errado na Palavra de Deus. Mas o contágio do pecado em nossos corações perverte o mandamento que é bom. No texto Paulo deixa claro que o mandamento bom de Deus foi totalmente pervertido. Ao perverter o mandamento de Deus o pecado passa a nos enganar.

2.         O pecado aproveita para enganar (v. 11)
“...o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou...”

Aproveitando-se do que é bom e pervertendo, o pecado troca a justiça em injustiça (Rm 1:18ss). A inversão de valores está cada vez mais latente em nosso meio. O ser humano tem buscado cada vez mais suas satisfações pessoais e é enganado pelo pecado. Como exemplo disso podemos observar a própria religião. No passado a religião levou milhões à morte. A igreja dominadora tentava, de todas maneiras, controlar as pessoas em nome de Deus. Hoje o que mais se fala que o que importa é ter religião. Outros afirmam que o mais importante é ter fé em Deus, mesmo que não se tenha um compromisso com o reino. Nunca se abriu tantas igrejas no Brasil como nos últimos 20 anos. Nunca se viu no mundo tantas religiões como as de hoje em dia. A Bíblia afirma que “há caminho que ao homem parece direito, mas seu fim  são caminhos de morte” (Pv 14:12; 16:25).
Hoje temos igrejas de homossexuais. Milhares de pessoas estão sendo enganadas pelo pecado e caminham para este tipo de religião achando que serão salvas porque estão seguindo uma igreja. É o pecado enganando o ser humano e o  levando ao mais distante abismo de Deus.
Meu amado, talvez você esteja vivendo assim; enganado pelo pecado. Buscando solução para sua vida nos prazeres que passam e vão. Mas, assim como diz o hino do Cantor Cristo, hoje você tem a escolha, vida ou morte. Qual vai aceitar? O que realmente você deseja para sua vida? Continuar sendo enganado pelo pecado? Ou ter a certeza de que um dia estará para sempre ao lado do Senhor. Lembre-se que o pecado, além de se aproveitar de situações, além de nos enganar; ele nos conduz para a separação completa de Deus, a morte.

3.         O pecado aproveita para levar à morte (v. 11)
“... o pecado, tomando ocasião pelo mandamento... por ele, me matou.”

Não vou me deter muito neste ponto pois já frisei em sermões anteriores. Mas quero lembrar que a morte é a separação final que teremos de Deus. Nós já nascemos espiritualmente mortos. Mas durante nossa vida Deus vai nos dando a oportunidade de ouvirmos a sua Palavra. Como você hoje está tendo. Nestas oportunidades somos confrontados com nosso pecado, cujo salário final é a morte. Mas lembre-se que o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus.
Com a morte espiritual não temos acesso a Deus. Com a morte espiritual somos incapazes de sairmos da situação na qual nos encontramos. Jesus é a solução, mas isto veremos mais adiante. Pois o pecado, além de se aproveitar de coisas boas, além de nos enganar, além de nos matar diante de Deus, ele opera a maldade dentro de nós. 

4.         O pecado opera a maldade em nós (v. 18-20)
“Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.”

Entramos em um trecho agora muito discutido. Alguns que advogam a perda da salvação como algo real no crente afirmam que Paulo fala isto antes de se converter, afinal, Paulo jamais cometeria pecados. Outros que defendem que o crente não perde a salvação afirmam que Paulo está falando de suas lutas interiores e mostrando a fraqueza que ele ainda tinha.
É bom deixar claro que o pecado não tem mais poder condenatório sobre o verdadeiro cristão. Mas ele ainda habita em nós (v. 18). Esta habitação continua gerando alguns efeitos em nossas vidas. Um destes efeitos é a maldade que continua pulsando dentro de nossos corações.  O pecado gera esta maldade. Mesmo que em nosso interior tenhamos prazer na lei de Deus, ainda assim teremos sempre dificuldade de vivenciá-la integralmente. A luta interior do cristão é constante, e é enorme.
Expomos no sermão anterior que Paulo afirma em sua carta aos gálatas que o Espírito luta contra a carne e esta contra o Espírito. Esta luta será até o final de nossas vidas. Isto sim é a cruz que temos que carregar. Já explicamos que a cruz a que Jesus se refere que o crente tem que carregar compreende o seu sofrimento por ser cristão. Este sofrimento envolve pelo menos duas áreas: sua convicção de cristão e sua luta contra o pecado. Na primeira, ele poderá ter sua fé provada diante de situações onde ele precisa carregar o nome de Cristo. Como exemplo cito o que tem passado o pastor Youssef, no Irã. Ele foi colocado diante de um tribunal que exigiu que ele negasse a sua fé em Cristo.
No segundo aspecto o cristão terá sua fé provada diante de seus desejos e da maldade que ainda está dentro dele. Como exemplo quero citar duas ocasiões bem distintas: o homossexualismo e as drogas. O primeiro envolve que aquele que aceita Jesus terá que conviver com seus desejos e nem sempre eles serão retirados de sua vida. Serão como espinhos que a pessoa carregará para que se lembre que a graça de Deus é suficiente. O mesmo ocorre com o segundo. Muitos momentos ele será assolado pelo desejo de cair, mas o amor de Deus, que excede todo entendimento, lhe constrangerá a viver da forma que precisa viver. Tudo isto porque temos um meio para desarmar o pecado: Jesus.

5.         A armadilha do pecado é desarmada por Cristo Jesus (v. 25)

O pecado  monta suas armadilhas ao nosso redor e dentro de nós. Mas a Bíblia nos mostra que temos uma saída. Após fazer a pergunta crucial: “Quem me livrará do corpo desta morte?”; Paulo dá a resposta em forma de gratidão: “Dou graça a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.”. Repare bem que Paulo agradece a Deus por Cristo. Este agradecimento é pelo que Cristo fez e que o mesmo apóstolo já delineou em outros pontos da  carta. Paulo está agradecendo:
a)         Por Jesus ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores (5:8);
b)         Por Ele ser o dom da graça de Deus dada a nós (5:15);
c)         Por Ele ter nos dado como presente a vida eterna, apesar do salário do pecado (6:23);
d)         Pela justiça de Deus feita através de seu corpo dilacerado (4:21,22).
e)         Pela propiciação que vem pelo seu sangue derramado (4:25)

Estes são apenas alguns dos motivos que levam Paulo a ser grato a Deus por Jesus. Veja bem que em nenhum trecho desta carta, ou mesmo das outras 12, Paulo mostra seu agradecimento por questões físicas, pelo menos com a mesma intensidade. Em nenhum momento, embora tenha ocorrido, Paulo salientou milagres ou bênçãos materiais. O apóstolo destaca tão somente a obra de Jesus para nossa salvação eterna. Para o nosso livramento das armadilhas do pecado que nos pagaria o salário da morte.
Talvez hoje você esteja aqui querendo receber alguma coisa especial. Mas talvez você nunca tenha se dado conta das armadilhas que o pecado colocou ao seu redor ou dentro de você. Jesus pode desarmar estas armadilhas e fazer em você o maior dos milagres, o maior dos livramento, a retirada da condenação dada pelo pecado em sua vida. Jesus pode hoje lhe dar a vida eterna. E o pecado não terá poder sobre você. Compreende isto? Você percebe a dimensão da obra da cruz? Jesus não veio para que você viva de migalhas, como curas ou milagres materiais. Estas coisas são migalhas, se comparadas a grande obra de Jesus sobre todo aquele que crê: a salvação eterna, sem a condenação do pecado sobre nós.

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