segunda-feira, 17 de outubro de 2011

UM NOVO ESTILO DE SERVIÇO

Romanos 7:1-6

No verso 14 do capítulo 6, Paulo encerra dizendo que o pecado não terá domínio sobre aqueles que entram debaixo da lei da graça. Os versos 15 a 23 é um parentético onde o apóstolo se preocupa em mostrar que Deus nos liberta através de Cristo sem as obras da lei. Para isto temos que nos apresentar diante de Deus para sermos libertos do pecado.
Alguns tentam discutir a que lei Paulo se refere. Para mim, ao usar o exemplo do matrimônio, Paulo deixa claro que se referia principalmente a lei mosaica, mas nada impede que ele esteja falando sobre qualquer tipo de lei. Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje as expressões ficam assim: “Vocês conhecem as leis e sabem que elas só têm poder sobre uma pessoa enquanto essa pessoa está viva”. Nesta forma fica genérico a visão de lei. Mas de qualquer forma partimos do pressuposto da lei mosaica, uma vez que até aqui era o que Paulo vinha usando como modelo. Neste ponto ele está tentando mostrar que, uma vez apresentados diante de Deus e libertos do pecado, morremos para este. Tal morte nos libera da lei, ou seja, não estamos presos mais a condenação que vem da lei. Para isto precisamos lembrar que Paulo mostra nos capítulos 3 e 4 que a lei veio para nos apontar o pecado e não para nos salvar dele.

Stott nos lembra que o domínio da lei nos leva a pelo menos cinco comprovações:
i)             Conscientiza-nos do pecado (3:20);
ii)            Condena o pecador (3:19);
iii)           Define o pecado como transgressão (4:15);
iv)           Produz a ira (4:15);
v)            Ressalta a transgressão (5:20).

Paulo passa então a comparar a nova vida que recebemos com a liberdade que um cônjuge tem de se casar de novo quando o outro falece. O apóstolo com isto estabelece uma verdade bíblica por inferência, a saber, o casamento deve ser indissolúvel. Mas não é sobre isto que Paulo está concentrando a sua argumentação, mas em mostrar que agora a lei morreu para aqueles que foram comprados pelo sangue de Cristo. Uma vez morta a lei, ficamos livres dela e nos casamos com outra lei, a da graça. Nesta nova lei ainda continuamos servos, mas recebemos um novo estilo de serviço. Este novo estilo caracteriza-se:

1.            O recebimento de um novo senhorio (v. 2,3)
O motivo inicial que recebemos um novo estilo de serviço é porque agora somos servos de outro senhor. No passado éramos servos do pecado. Agora passamos a ser parte do reino de Deus. É Ele que passa a ser o nosso novo senhor. Outrora o pecado dominava as nossas vidas, mas agora, transformados pela graça de Deus, através da ação do Espírito Santo, somos feitos novas criaturas e ao mesmo tempo novos servos.
É por isso que não podemos mais servir ao pecado. Jesus afirmou que não podemos servir a dois senhores. O pecado não pode mais nos escravizar. Estamos livres dele e debaixo de um novo senhorio.
Talvez você seja membro de igreja e por isto se acha salvo. Mas por outro lado continua vivendo do mesmo modo que outrora vivia. Deus nos comprou para que nós agora tivéssemos uma nova maneira de viver. Um alto preço foi pago para que tivéssemos um novo Senhor. Foi o preço do sangue no calvário. Foi o preço da carne dilacerada de Cristo naquele madeiro. Foi o preço da lança transpassando a carne do Se-nhor dos senhores. Por tudo isto devemos considerar bem sobre nossa vida cristã. Devemos considerar que ninguém faria por nós o que Jesus fez.
O novo senhorio é o senhorio de amor, paz, liberdade e vida. Muitos estão presos ao senhorio do pecado. É um senhorio tirano. É um senhorio que arranca nossas vidas. É um senhorio que nos mata. O salário do pecado, como Paulo já disse, é a morte. Mas o novo Senhor nos traz a vida eterna. É a nova vida prometida. O senhorio do pecado nos leva cada vez mais para o fundo. O senhorio de Deus nos ergue cada vez mais para o alto. Subimos com asas como águias, como diz o profeta Isaías.
Você compreende isto? Você entende que se Deus hoje se tornar Senhor de sua vida Ele lhe dará uma nova esperança e lhe dará um prêmio sem igual: a vida eterna em Cristo Jesus. Deus enviou seu filho para nos resgatar nos dando uma nova vida. Aceite este novo senhorio.
Aceitar este novo senhorio compreende deixar que Cristo mate o antigo. O texto é claro, se você tentar servir a dois senhores será considerado adúltero ou adúltera. Está condenado do mesmo jeito. Muitos estão no seio da igreja mas não foram livres do “antigo casamento”. Do casamento com o senhor deste século. Jesus quer entrar em seu coração e lhe tornar livre deste senhorio. Livre das paixões da carne. Você entende isto?

2.            Liberdade das paixões da carne (v. 5)
No verso 4 Paulo deixa claro que a ressurreição de Cristo nos faz produzir novos frutos. São frutos para Deus. No verso 5 ele mostra que o resultado ainda maior desta ressurreição é a liberdade das paixões da carne. Tais paixões, segundo Paulo, operavam em nossos membros, ou seja, nosso corpo estava subjugado a elas.
O mesmo Paulo mostra que o fruto dessa operação é: “...prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas...” (Gl 5:19-20). Paulo faz uma ligação indireta entre os dois textos (Rm 7 e Gl 5). No primeiro ele mostra que estamos presos a esta operação da carne. No segundo ele mostra o resulta-do desta operação.
É claro que, mesmo depois de transformados, continuamos a lutar contra carne.  Isto ele deixa claro na carta aos Gálatas e vai mostrar isto mais adiante na carta que estamos expondo. Mas, independente desta luta, o verdadeiro cristão, transformado pela obra da cruz, não está mais preso a estas paixões, e muito menos carrega a obra delas em sua vida.
Deus nos transforma para que fiquemos livres destas paixões. Talvez você esteja aqui e também esteja preso nestas paixões. Talvez sua prisão se caracteriza por uma vida impura sexualmente falando. De idolatrias que não levam a lugar algum, a não ser para cada vez mais distante de Deus. Uma vida de amizades falsas e longe da vontade de Deus. Jesus entrando em sua vida lhe arrancará estas paixões. Ele lhe dará uma nova esperança, uma nova vida, um novo espírito.

3.            Serviço em novidade de espírito (v. 6)
Resta algumas indagações. Para que fomos livres? Em primeiro lugar fomos livres para gerar frutos para Deus. O primeiro intuito do casamento, olhando pela ótica da época paulina, era gera filhos para manter a descendência. Deus nos chama para darmos frutos para ele. João, o Batista, chama isto de frutos do arrependimento. Paulo chama de fruto do Espírito, em oposição as obras da carne. Schaeffer foi muito feliz em sua explicação. Ele diz: “Se a noiva pretende dar muitos filhos, não basta apenas conceder a sua mão em casamento... Ela precisa se entregar ao seu noivo”. E Schaeffer continua dizendo que esta entrega tem que ser constante, não eventual. Assim deve ser também aqueles que agora estão livres das paixões. Estão casados com um novo Senhor e devem gerar muitos frutos, mas para isto é preciso que se entreguem constantemente ao seu novo Senhor.
Ainda usando a forma que Schaeffer descreve, uma vez que a mulher disse sim ao novo esposo, ela precisa coabitar com ele para que possa produzir filhos. É o que muitos afirmam ser a mística cristã. Estamos agora unidos a Deus. Paulo deixa claro isto no capítulo 5 de sua carta aos efésios.
Servir em novidade de Espírito é procurar todos os dias ter uma lua de mel com Deus. É todos os dias mergulhar nos braços do Senhor sabendo que ele estará sempre pronto a nos fecundar com seu Espírito e nos fazer produzir mais e mais frutos para si.
O novo estilo de serviço nos faz servirmos em novidade de espírito. Nos faz sentir prazer por estarmos na presença de Deus. De buscarmos a sua face. Fazermos a sua vontade. Talvez você esteja na igreja. Seja membro de uma igreja, mas não sente isto. O que está errado? Quero lhe dizer que o que pode estar errado é na sua conversão. Talvez você ainda não experimentou morrer para sua paixões. Talvez você ainda não tenha experimentado o novo nascimento e, consequentemente, a nova vida em Cristo. É por isto que você não consegue viver em novidade de Espírito.
Mas, por outro lado, talvez você tenha tido uma experiência verdadeira, mas não tem se entregado ao seu novo Senhor todos os dias. Você não busca a Deus através da Bíblia. Você não se encontra com ele nas reuniões dos santos. Você foge dos cultos e do estudo sistemático da Palavra. Se você faz isto, não pode produzir frutos. Você precisa se entregar todos os dias a Deus.
O hino 275 do Hinário para o Culto Cristão transmite a ideia de alguém que realmente se arrepende disso e deseja produzir frutos para Deus. Ele diz:

Perdoa-me, Senhor, se eu não vivi pra te servir,
se em meu agir o teu amor também não refleti.
Perdoa-me, Senhor,
se em teu caminho não segui,
se falhas cometi,
se tua doce voz não quis ouvir.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a te ouvir e com amor servir
e os santos passos teus aqui seguir.

Perdoa-me, Senhor, se eu de ti me afastei,
se em meu caminho escuro tua luz não procurei;
perdoa-me, Senhor, se na aflição não te busquei,
se eu não te sondei,
se teu querer pra mim não procurei.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a voltar e junto a ti estar
e em tua graça sempre confiar.

Perdoa-me, Senhor, se frutos eu não produzi,
se, indiferente a tudo, a missão eu não cumpri;
perdoa-me, Senhor,
se os campos brancos eu não vi,
se só pra mim vivi,
se meus talentos não desenvolvi.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a agir e meu dever cumprir
e frutos dignos dedicar a ti.

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