terça-feira, 1 de novembro de 2011

A ABSOLVIÇÃO PELA LEI DO ESPÍRITO

Romanos 8:1-9

Esta separação dos capítulos 7 e 8 muitas vezes confunde o leitor desatento. A expressão “Portanto”, ou “pois” em outras traduções, reflete a continuidade do assunto que Paulo está mantendo. O apóstolo está mostrando que o pecado, embora continue nos cirandando, e algumas vezes nos derrube, não tem poder mais para nos condenar. Alguns, como Stott, acreditam que a expressão “portanto” refere-se a toda argumentação que teve inicio no capítulo 3. O problema para manter esta assertiva é quando se olha para o verso 25 do capítulo 7. Paulo vinha mostrando as armadilhas do pecado e, apesar de todas elas, ele pode agradecer por Cristo. Por que isto? Exatamente é o que ele responde no verso 1: “Não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus” através da obra do Espírito.

A condenação é o contrário da justificação. Esta última, como lembra bem Schaeffer, é o tema central da epístola. Paulo passa então a mostrar que não existe condenação, para aqueles que estão vivendo com o novo esposo (a lei do Espírito). Esta nova lei ocorre exatamente pela transformação operada no ato de nossas conversões. Sendo assim, mesmo quando a lei do pecado, operando na carne, tenta nos derrubar, temos a lei de Deus, operada pelo Espírito, para nos absolver completamente.
John Stott observa bem que o capítulo 7 menciona muito sobre a lei e praticamente nada sobre o Espírito. Já o capítulo 8 se concentra inteiramente na obra do Espírito que vai culminar com a segurança que podemos ter em Cristo.
A primeira coisa que Paulo deixa claro antes de iniciar sua argumentação é que, através de Cristo, não há nenhuma condenação para os eleitos de Deus. Uma vez resgatados pelo sangue de Cristo; uma vez transformados pela ação do Espírito; não temos nenhuma condenação mais diante de nós. A expressão “Agora” carrega em si esta ideia. Estamos de uma vez para sempre livre do pecado. Como outrora éramos servos do pecado, agora passamos a ser servos de Deus. Esse novo senhorio nos garante, através do Espírito Santo, que estamos para sempre com Deus.
Passemos a analisar agora os aspectos que compreendem a lei do Espírito que nos absolve.

1.         A lei do Espírito se inicia em Cristo (v. 2)
“Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus...”

No verso 1 o apóstolo fala que não existe condenação para os que estão em Cristo. No verso seguinte ele ratifica esta ideia mostrando que a Lei do Espírito começa “em Cristo”. Paulo faz uma correlação com o que João fala. Vejamos:
“No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:1,4)

Em Jesus encontramos vida e luz. Ele mesmo diz que é a luz do mundo. Jesus veio para nos dar a vida. A Lei do Espírito se inicia em Cristo. Ninguém pode dizer que é um cristão se não experimentou a transformação que vem de Deus. Esta transformação só é possível através do toque do Espírito Santo em nossas vidas. É ele que nos convence do pecado da justiça e do juízo (Jo 16:8). E, através deste convencimento, somos transformados pela obra da cruz.
Meu prezado tudo em sua vida precisa iniciar em Cristo. A genuína conversão só pode existir se você entender a mensagem da Cruz. Ninguém é um cristão só porque recebeu um milagre de Deus e frequenta igreja, mas não compreende a mensagem da cruz. Se não compreende o porquê do nascimento de Jesus, da sua morte e de sua ressurreição. Ele é o princípio de tudo. Até mesmo da criação ele é o princípio. É o que deixa claro João no capítulo 1 do seu evangelho. Com a lei do Espírito não é diferente. Ela só pode iniciar em nossas vidas quando aceitamos de fato a obra salvadora de Cristo. Você entende o que isto significa?
Olhe de novo para o texto de João: “No princípio era o Verbo...”. O destaque do princípio mostra que tudo tem seu início em Cristo. A Bíblia afirma que quem está em Cristo é uma nova criatura. Está em Cristo envolve ter uma mudança através de um encontro com o Salvador. Através de uma experiência transformadora, que não depende de nós mesmos, mas da graça de Deus operada em nós através da lei do Espírito que se inicia em Cristo Jesus.
 Aquilo que se inicia em Cristo nos livra do pecado e seus efeitos...

2.         A lei do Espírito nos liberta da lei do pecado e seus efeitos (v. 2)
“Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.”

Paulo deixa claro que a lei está enferma. Ela não é, nem nunca foi, capaz de nos livrar dos efeitos do pecado. O primeiro grande efeito do pecado é a morte; isto vimos em outros sermões. Outro efeito do pecado foi nos destituir da glória de Deus (Rm 3:23).
Paulo, escrevendo aos Coríntios, afirma que no Espírito do Senhor há liberdade (II Co 3:17). Esta liberdade é exatamente a libertação do pecado que outrora nos acorrentava. Quando Jesus entra em nossas vidas somos libertos do domínio do pecado. Ele não tem mais poder sobre nós.
Meu prezado, talvez em sua vida haja ainda muitas prisões. Ainda há muitos grilhões que lhe prendem e impedem o fluir do Espírito em sua vida. Este mesmo Espírito hoje está falando ao seu coração. Ele quer transformar sua vida e dar a você uma nova esperança. Ele quer fazer de você, através de Cristo Jesus, uma nova criatura. Talvez haja alguém aqui que está preso às drogas, à idolatria ou outras coisas mais que apenas nos aprisionam. São coisas que tornam o homem cada vez mais mergulhado na condenação eterna, mas através do Espírito Santo você pode conhecer a justificação eterna.

3.         A lei do Espírito cumpre em nós a justiça de Deus (v. 4)

Paulo já falou sobre isto no capítulo 6 verso 16. Ele volta a frisar que a justiça de Deus se cumpriu através de Cristo. No capítulo 6 Paulo mostra que quando nos apresentamos diante de Deus a justiça de Deus é cumprida. É o lado passivo do cumprimento. No capítulo atual Paulo mostra o lado ativo da justiça de Deus, ou seja, a obra do Espírito. De fato o que ocorre é que através da obra do Espírito, nos convencendo do pecado, da justiça e do juízo; nós ganhamos capacidade de nos apresentar diante de Deus. Sem esta obra da lei do Espírito nós somos incapazes de fazermos a nossa entrega.
Mas então resta a pergunta: O que fazer então? O autor aos Hebreus responde:
“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.” (Hb 3:15 e 4:7)

O ser humano é um agente passivo no processo da salvação. Ele só precisa dar ouvidos à lei do Espírito, deixando que ele faça o restante em seu coração.
Outra pergunta que surge diante de tudo: Por que Deus resolveu fazer desta forma? A resposta encontra-se no verso 3: “era impossível pela lei”. A lei, embora criada por Deus, ela tinha como objetivo apenas apontar para o pecado. Mas a humanidade acreditou que cumprindo, ou fingindo que cumpria a lei, ela seria capaz de alcançar a salvação de Deus. Isto é impossível à lei e, por inferência, é impossível ao homem. Isto ocorre porque, como afirma Stott, a impotência para salvar não estava na lei, mas no homem. Este é que não consegue cumprir aquela. 
Por isto se tornou necessária uma nova lei, a lei do Espírito. Através desta lei toda justiça de Deus é cumprida em nós. Você compreende isto? Então aceite a obra de Cristo e passe a servi-lo como Senhor em sua vida. Não lute com seus esforços para alcançar a salvação ou a paz espiritual, porque estas coisas só virão através da lei do Espírito que é capaz de inverter a nossa inclinação.

4.         A lei do Espírito inverte a nossa inclinação (v. 5,6)
Paulo mostra agora a diferença entre os que são transformados pela lei do Espírito e os que não são. Os primeiros tendem a se inclinarem para as coisas que são da carne. São as obras da carne. Os segundos tendem a se inclinares para as coisas que são do Espírito. Paulo chama isto em Gálatas de fruto do Espírito. Podemos dizer que são resultados da obra da lei do Espírito em nossas vidas.
Stott frisa muito bem que nossa inclinação reflete o que somos. Se não sentimos nada nos incomodando quando pecamos é porque temos a inclinação da carne. Se não temos arrependimento pelos pecados cometidos, nem tão pouco ódio pelo pecado, é porque ainda estamos inclinados para a carne.
Se, por outro lado, somos transformados, embora ainda lutemos contra o pecado, que é o que Paulo deixa claro no capítulo 7, aprendemos a nos arrepender, sentimos aversão pelo pecado e não temos mais prazer nele.
A inversão de nossa inclinação é o que nós conhecemos popularmente como “conversão”. Veja bem, meu prezado, conversão não consiste apenas em uma mudança de religião. Antes é mudança da perspectiva de vida. É a alteração da rota da eternidade. É a rotação em 180º de nossa visão sobre Deus e Cristo. É a transformação de nossa alma e uma nova criação. Logo, participar de uma igreja não significa nada se você ainda não passou por estas transformações. É por isso que o Espírito deve agir em nossas vidas e, através de sua lei, inverter a nossa inclinação. Depois disto, com a nossa inclinação invertida, alcançamos vida e paz diante de Deus.

5.         A lei do Espírito nos traz vida e paz diante de Deus (v. 6)
Uma das grandes promessas de Cristo está em João 10:10:
“Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”

Esta promessa se cumpre também através da lei do Espírito.

É interessante notar que Paulo agora parece entrar em contradição com que diz no capítulo anterior. Afinal, o que ele deixou claro é que a luta entre sua carne e seu espirito seria uma constante. Agora Paulo está dizendo que a lei do Espírito lhe dá paz. Parece contraditório, mas não é. O que ele de fato está falando é que ele pode se sentir seguro por ter o Espírito dentro dele e pela obra do consolador para sua salvação.
Paulo deixa muito claro no verso 5 que as obras da carne só permanecem habitando naqueles que não foram transformados pela lei do Espírito. Por isso que não há contradição. Antes de nos convertermos achamos normal certos atos pecaminosos. Não vemos nada de errado em certa atitudes. Não há luta interior. Nossa luta começa quando nos convertemos e temos que carregar o corpo do pecado. Sendo assim, o apóstolo está mostrando que, apesar de todas as lutas, você é um vitorioso em Cristo, se ele habitar realmente em você. É por isso que não há dificuldade em entender a salvação pela graça e de graça. Aquele que de fato experimenta uma conversão tem aversão ao pecado. Ele luta contra as armadilhas do pecado. Se isso não ocorre com você é porque talvez algo está errado em seu cristianismo. O verdadeiro cristão não vive sem lei, ele vive pela lei do Espírito, porém livre do pecado. E esta liberdade é que gera nele paz e vida.
Mas você precisa estar ciente de uma coisa: a paz de Jesus não é como a dos homens. Ele mesmo afirmou isto:
“Deixo-vos a paz, a minha paz eu vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” (Jo 14:27)

Talvez você esteja buscando uma paz somente para as coisas desta vida. Talvez você esteja buscando consolo para o seus problemas. Jesus deseja lhe dá uma solução completa, mas não promete que será como os homens fazem. Porém, a paz de Jesus é uma paz verdadeira. Mais do que isto, a paz de Cristo é uma paz completa, pois ela vem acompanhada de vida eterna.

Nenhum comentário:

Postar um comentário