terça-feira, 22 de novembro de 2011

A ESPERANÇA DA GLÓRIA FINAL

Romanos 8:18-25

Paulo encerra o último parágrafo mostrando que o sofrimento de Cristo deve ser nosso consolo para o sofrimento nesta vida, pois, afinal, somos salvos exatamente no sofrimento de Jesus, ou seja, através de seu sangue derramado no Calvário.
A expressão traduzida como “porque” no verso 18 faz a conexão com verso 17. Em outras palavras Paulo está dizendo através da união dos dois versículos que: Padecer com Cristo vale a pena porque a recompensa que nos espera é muito maior que isto.
Em II Coríntios 4:17, Paulo repete quase o mesmo verso 18 de uma forma ainda mais profunda. Ele afirma no texto aos coríntios que nossa tribulação é leve e momentânea e que produz em nós um peso eterno da glória. Estes dois versos mostram a pequenez de nossa vida e a grandeza da vida eterna que está preparada.
Apesar de todo sofrimento, o verdadeiro cristão espera por algo muito maior. Isto é visto em muitos pontos da Bíblia, principalmente nas epístolas (I Ts 4:13-17; II Ts 2:1-6; I Pe 4:12-19; II Pe 3:10-12). Isto mostra que não podemos pregar apenas a parte boa do cristianismo. Porque aquilo que as pessoas julgam ser ruim também serve para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28).
É claro que não podemos perder de vista a ideia que o capítulo em questão destaca a vida no Espírito e seus resultados. Sendo assim, a esperança da glória final não deixa de ser um dos resultados de uma vida no Espírito. E o trecho das Escrituras em questão é um parêntesis no meio da argumentação paulina para preparar para o grande final do capítulo que mostrará que nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus.
Sendo assim passamos agora a descrever o que ocorre quando temos a esperança da glória final em nossos corações.

1.         A esperança da glória final deve nos trazer consolo diante das aflições (v. 18)
John Stott retrata que o sofrimento e a glória formam uma espécie de casal. E o famoso escritor ainda declara que os dois jamais se divorciam. Isto é muito interessante quando vemos nos dias de hoje uma teologia que afirma que o cristão não pode passar pelo sofrimento. Que sofrer significa que estamos vivendo em pecado ou que nos falta fé para agradarmos a Deus.
Como já falamos outrora, a Bíblia é repleta de pontos que reforçam a ideia de que o sofrimento pode e normalmente faz parte da vida daqueles que seguem a Jesus. O próprio Jesus deixou isto muito claro quando afirmou aos discípulos que no mundo teriam aflições (Jo 16:33). No mesmo versículo Jesus mostra que é nele que temos paz. E esta paz ocorre exatamente porque a esperança é verdadeira.
Pedro afirma que devemos resistir as investidas do Diabo sabendo que outros irmãos padecem sofrimentos em suas mãos (I Pe 5:8,9) e que estas dores são cumprimentos, ou seja, estão determinadas e, embora Pedro não diga, creio que são desígnios do Senhor para que sua glória seja manifesta no mundo (Rm 8:28).
Meu prezado, se você não consegue sentir paz em meio ao sofrimento significa que   talvez a sua esperança ainda não seja verdadeira. Se sua vida ainda está repleta de angústia pelas coisas do presente tempo, significa que você ainda não alcançou a paz de Cristo em seu coração. Esta paz, que vem de Deus, Paulo afirma que excede todo entendimento (Fp 4:7) e ela mesmo guarda nossos corações e sentimentos. Ela pode estar presente em sua vida se Cristo entrar em seu coração mediante ao arrependimento e fé nele como Senhor e Salvador. Ela pode estar em sua vida se você aprender a confiar na obra redentora de Cristo que tenho falado em todos estes sermões. Afinal, o pecado contaminou a todos e nos deixa necessitados desta obra salvadora.

2.         A esperança da glória final afeta toda criação contaminada pelo pecado (v. 19-22)
Quando o homem pecou contaminou toda criação (Gn 3:17). Isto significa que todo resultado do pecado foi sentido pela natureza. Isto explica tantas aberrações na natureza e tantas tragédias que ocorrem.
A Bíblia na linguagem de hoje traduz criação como universo. Creio que isto traz um entendimento melhor pois como criação não podemos ver apenas os seres animados. Mas não significa que estes últimos não estejam envolvidos neste gemido.
Cientistas tentam explicar animais homossexuais; animais que nascem com duas cabeças, entre tantas outras coisas que fogem da normalidade. Mas o fato é que Bíblia explica isto com muita clareza. Toda natureza foi corrompida pelo pecado da humanidade. A palavra traduzida como “vaidade” no verso 20 ficaria melhor compreendida se sua tradução fosse “perversidade” ou “depravação”. Ou seja, toda criação fica sujeita a depravação, mesmo que seja contra a sua vontade. Isto porque ela foi sujeitada por alguém ou alguma coisa, o contexto parece sugerir o pecado, mas a expressão carrega o peso de uma personalidade, logo, creio que esta sujeição compreende a própria maldição de Deus embutida em Gn 3:17. A Bíblia na Linguagem de hoje traduz o verso 20 da seguinte forma:
“Pois o Universo se tornou inútil, não pela sua própria vontade, mas porque Deus quis que fosse assim”.
Eugene H. Petersen traduz assim:
“Tudo na criação sofre restrições. Deus controla até que todas as criaturas estejam prontas e possam ser libertadas para os tempos gloriosos que virão”

Com isto passamos a mostrar que tudo que ocorre de ruim é controlado por Deus, mas teve sua origem no pecado da humanidade. Isto deve nos trazer conforto para que não nos preocupemos pois um dia para sempre descansaremos, não apenas nós, mas toda criação. E este descanso nos libertará para sempre do pecado.

3.         A esperança da glória final gera a expectativa da libertação completa do pecado (v. 23)
Vimos no capítulo 7 que o homem, mesmo transformado pela obra da Cruz, ainda carrega o peso de pecado e este tenta lhe derrubar constantemente. Este fato colabora para que os verdadeiros cristãos, principalmente aqueles que vivem de forma a tentar agradar a Deus em tudo, fiquem abatidos muitas vezes por causa de seus pecados. João escreve dizendo que o ideal é que não pequemos, mas caso ocorra o pecado temos um advogado (I Jo 2:1). Isto é maravilhoso, mas ainda assim gera uma tristeza enorme em nosso coração, pois afinal queremos fazer o que agrada a Deus. Paulo desabafa isto quando afirma que é um miserável homem diante do pecado que ainda perto dele rodeia (Rm 7:24), mas logo em seguida ele agradece a Deus por Cristo e entra no capítulo 8 falando que não há condenação para os que estão em Cristo Jesus.
  Este fato é interessante pois mostra duas realidades: primeiro que os verdadeiros Cristãos almejam ficar livres do pecado. Ninguém que realmente conheceu a Jesus tem prazer no pecado, mesmo quando ainda não conseguiu se livrar dele. Em segundo lugar mostra que se você não sente aversão pelo pecado pode significar que ainda não foi transformado pela obra de Cristo.
A expressão redenção traz a ideia do preço pago por Cristo na Cruz. Com isto quero que você tenha certeza de que a esperança eterna pode fazer parte de sua vida se você receber a Jesus em seu coração e, caso já o tenha recebido, que não desanime de sua luta contra o pecado porque o prêmio que nos aguarda é muito maior e por isso podemos ter maior paciência.

4.         A esperança da glória final aumenta a nossa paciência (v. 25)
Sou uma pessoa muito impaciente. Detesto enfrentar filas e esperar. Procuro ser muito pontual em meus compromissos, pois não gosto que ninguém espere por mim. Mas há uma espera que não me gera nenhuma ansiedade: a volta do Senhor Jesus. Isto ocorre exatamente porque sei que algo muito melhor me aguarda em outra vida. Além disso, também sei que Deus virá no tempo certo por ele determinado, mesmo que eu não saiba quando isto vai ocorrer.
Paulo usa duas expressões que são traduzidas pela versão Revista e Atualizada  como “com paciência o aguardamos” e pela versão Revista e Corrigida como “com paciência o esperamos”. Mas nenhuma tradução consegue descrever a profundidade desta paciência. Tanto o verbete traduzido por “paciência” como o verbo traduzido como “aguardar” ou “esperar”, retratam a ideia da paciência. É como se Paulo quisesse dizer o seguinte: “com paciência o esperamos pacientemente”. Porém isto parece não ser possível, sendo assim, creio que Paulo deseja mostrar que nossa paciência é proporcional ao que nos aguarda, isto é, grandiosa. Petersen traduz assim:
“É por isso que esperar não nos diminui, assim como a espera não diminui a gestante. Na verdade, é uma espera que no faz sentir grandiosos. Naturalmente não vemos o que causa isso. Mas, quanto mais esperamos, mas nos sentimos assim, e mais alegre se torna nossa expectativa”

Paulo está mostrando que a dor de nossa aflição presente é como a dor de um parto para uma mulher. Ela sente muito, mas aguarda ansiosamente por aquele dia pois dará a luz a seu filho amado. E quando chega o dia, mesmo em meio a dor, ela está alegre. Da mesma forma nós também aguardamos. O verdadeiro cristão sabe que aqueles dias serão dias de muita dor, e que, por mais que a teologia moderna tente dizer o contrário, ele passará por grande aflição. Mas ele também sabe que naqueles dias estará mais perto do Senhor.
Você compreende o que isto significa? Você sabe a dimensão que isto alcança? Se você não consegue esperar pacientemente e vive buscando igrejas que tragam soluções para seus problemas nesta vida, talvez você ainda não seja transformado pela obra redentora de Cristo. O genuíno cristão sabe que deve aguardar, mesmo quando tudo vai mal. Ele sabe que mesmo diante das aflições, algo maior lhe espera e ele pode aguardar pacientemente.

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