terça-feira, 15 de novembro de 2011

VERDADES SOBRE A ADOÇÃO DE DEUS

Romanos 8:9-17

O capítulo 8 é, por alguns, considerado um capítulo que trata da santificação. Para outros é um capítulo que se refere à segurança do crente. Creio que os dois assuntos andam de mãos dadas, mas o segundo parece ser mais lógico considerando a sequência que Paulo inicia no capítulo 5, e, principalmente, a forma que ele dirigiu o capítulo 7 encerrando com a certeza de que, mesmo depois de salvo, o pecado bate à porta do cristão, mas em Cristo ele não tem nenhuma condenação, uma vez que foi absolvido pela lei do Espírito.
O verso 9 declara de uma forma quase que explícita a trindade divina. Paulo declara que o Espírito é igual ao Espírito de Deus que por sua vez é igual ao Espírito de Cristo. Isto é fantástico pois muitos ainda têm muita dificuldade de assimilar esta verdade Bíblica.
No verso 10 o apóstolo faz novamente um contraste entre o corpo, condenado pelo pecado, e o espirito (a letra minúscula refere-se ao nosso espírito) vivificado pela obra redentora de Jesus. 
O versículo 11 culmina com a redenção final daquele que tem Espírito Santo de Deus em sua vida, ou seja a nossa glorificação.

Diante de tudo isto Paulo mostra algumas verdades sobre a nossa adoção em Cristo que vale a pena observar. É claro que para você que não tem familiaridade com a Bíblia pode parecer estranho. Afinal, todos são filhos de Deus? O fato é que a Bíblia claramente nos mostra que isto não é uma verdade. É óbvio que pela ótica da criação somos filhos de Deus, mas o que a Bíblia chama de filhos de Deus de uma forma especial são aqueles transformados pela obra de Cristo na Cruz do Calvário. São aqueles eleitos desde a fundação do mundo mediante a obra redentora de Cristo.
Em João 1:12 vemos que somente aqueles que recebem a Jesus são chamados de filhos de Deus. Isto significa que se Jesus não entrou em seu coração para habitar, você ainda não é um filho de Deus.
Paulo vai delinear alguns aspectos sobre esta filiação mostrando algumas verdades que quero compartilhar neste momento.

1.         São filhos de Deus aqueles que tem o Espírito Santo habitando em seu interior (v. 9-11)
Neste trecho Paulo está se referindo tanto a salvação do Espírito, quanto a glorificação do novo corpo. Ele deixa claro que o corpo atual está sempre debaixo da tentação do pecado, mesmo depois que já teve uma experiência de salvação com Deus.
O novo corpo glorificado não sofrerá das tentações que o atual sofre, antes estará totalmente liberto do pecado e de suas consequências. No entanto, apesar disto, o corpo atual torna-se morada do Espírito. Este fato comprova que recebemos a Jesus e fomos feitos filhos de Deus como nos diz  João.
No capítulo 2 do livro de Atos de Apóstolos vemos o início do ministério do Espírito Santo. No texto em questão Pedro proclama a Palavra com muita propriedade e mostra que através do arrependimento e da aceitação da obra de Cristo recebemos o dom do Espírito Santo. Este dom tem sido entendido por muitos como um dom específico, em especial o dom de línguas. O texto não parece dar margem para isto, antes o seu contexto mostra claramente que o dom do Espírito é o próprio Espírito sendo dado, conforme prometido pelo profeta Joel em seu segundo capítulo. Diante de tudo isto notamos que receber o Espírito Santo compreende receber a Jesus. E receber a Jesus envolve confissão, arrependimento, aceitação de seu Senhorio e confiança em suas promessas. 
Meu amado, se você ainda não aceitou a Jesus em seu coração, você ainda não tem o Espírito Santo habitando em seu interior. Se o Espírito Santo não habita em você, não terá parte no reino de Deus, você não é um cristão. Aceitando a obra redentora de Cristo passamos a ter o Espírito Santo dentro de nós e ele passa a nos guiar.

2.         São filhos de Deus aqueles que são guiados pelo Espírito Santo (v. 14)
No verso 13 Paulo mostra que quando andamos segundo nossa própria mente caminhamos para a separação eterna de Deus. É isto que ele quis dizer com “se viverdes segundo a carne, morrereis”. Sem o Espírito Santo dentro nós somos incapazes de sairmos da situação na qual estamos. A nossa carne sempre nos guiará para mais longe de Deus.
É por isso que precisamos da habitação do Espírito dentro de nós e de sua direção para nossas vidas. Se o Espírito Santo apenas habitasse em nós e não nos impulsionasse para longe do pecado não teríamos como escapar da condenação. Somente pelo guiar do Espírito conseguimos fazer o que agrada a Deus.
Mais uma vez estamos diante da passividade do homem e a atividade de Deus, desta vez na pessoa do Espírito Santo. Os que foram transformados pela obra de Cristo devem se deixar guiar pelo Espírito Santo.
Uma das grandes dificuldades dos crentes modernos está em permitir que o Espírito Santo guie suas vidas. Muitos hoje estão nas igrejas, afirmam ser salvos por Cristo e terem o Espírito Santo, mas não permitem que este os guie.
Talvez, meu amado, você até seja membro de igreja. Talvez você seja até ativo na igreja,  mas ainda não tem sido guiado pelo Espírito. Só tem duas resposta para esta situação. Ou você ainda não recebeu o Espírito, neste caso você ainda não é filho de Deus. Ou você ainda não se abandonou passivamente nas mãos de Deus permitindo que ele aja em você através de seu Santo Espírito. Como está a sua situação diante de Deus? Você tem certeza que é guiado pelo Espírito Santo?
Aqueles que são guiados pelo Espírito Santo podem ficar tranquilos pois a presença do Espírito testifica a sua filiação. Este é o nosso próximo ponto.

3.         São filhos de Deus aqueles que o Espírito Santo testifica a filiação (v. 16)
Como falei na introdução, creio que este capítulo serve muito mais para a segurança do cristão do que para a sua santificação. Falaremos mais adiante em outros sermões neste capítulo magnífico.
Mas voltando a questão da adoção, Paulo escrevendo aos Efésios disse que o Espírito Santo é o penhor de nossa herança (Ef 1:13,14). Em II Co 1:22 o mesmo apóstolo nos garante que Deus nos selou e nos deu o Espírito como penhor em nossos corações. Ainda em II Coríntios, o apóstolo dos gentios afirma que Deus nos prepara para recebermos o novo corpo através da dádiva do penhor que é o Espírito. O que isto tem haver com o texto em questão? Muita coisa. Paulo usa uma linguagem diferente para dizer a mesma coisa. O Espírito dentro de nós testifica, ou seja, garante que somos filhos de Deus e herdeiros da promessa. Como penhor ele também é a garantia da promessa.
Por outro lado,  a expressão que ele usa para testificar nos transmite a ideia de testemunhar junto. Isto significa que nosso espírito precisa estar em sincronismo com Espírito de Deus dentro de nós. Quer dizer que a nossa responsabilidade não é deixada de lado. É um dos grandes mistérios que veremos mais adiante no capítulo 9. O Espírito Santo testifica junto com o nosso espírito. Logo, meu amado, você precisa compreender que deve aceitar a obra de Cristo em sua vida para que o Espírito de Deus possa testificar junto com seu espírito, veja bem, não é “ao seu espirito” ou “em seu espírito”, mas “com seu espirito” (em conjunto).
Se este testemunho não está acontecendo pode ser que você não seja filho de Deus. Pode ser que você ainda não seja um herdeiro de Cristo.

4.         São filhos de Deus os herdeiros através do sofrimento de Cristo (v. 17)
Eis o ponto chave de todo cristianismo, a aceitação da obra redentora de Cristo. Somente se tornarão herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo aqueles que aceitarem a obra de Cristo na cruz, ou seja, em seu sofrimento. Sei que pregamos um Cristo que ressuscitou, mas o mesmo Paulo escrevendo aos Coríntios afirma que pregava Cristo crucificado, isto é, em seu sofrimento (I Co 2:2).
Meu prezado, não há como afirmar que se é cristão se não aceitar a obra sofredora de Cristo na cruz. Isaías 53 mostra que Deus teve prazer no sofrimento de Cristo, pois através dele a obra do Senhor foi completada. Nós nos tornamos filhos de Deus e herdeiros de sua herança quando aceitamos esta obra. Mais uma vez voltamos para João 1:12.
Mas a expressão “coerdeiros” carrega outro significado, principalmente quando Paulo afirma “se é certo que com ele padecemos”. Padecer com Cristo é muito mais do que aceitar sua obra sofredora. Antes, é estar preparado para passar pelo que ele passou. A teologia da prosperidade não aceita isso. Muitos teólogos modernos não aceitam isto. Mas a Bíblia é cheia de exemplos como este. É caso de João Batista, de Estevão, do próprio Paulo, entre outros.
Sei que a Bíblia nos promete uma vida em abundância e creio firmemente que isto podemos começar experimentar aqui (Jo 10:10). Mas sei também, que ter aflições não foi uma opção, mas uma afirmação de Cristo (Jo 16:33). E este mesmo trecho em Jesus afirma que teremos aflições ele diz: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz.”. Vida em abundância corresponde a uma vida de paz. Principalmente paz com Deus através da justificação que vem em Cristo Jesus (Rm 5:1).
Você compreende o que quero dizer? Você precisa aceitar a Cristo em seu coração e aceitar o seu sacrifício e ao mesmo tempo está preparado para tudo nesta vida, pois algo muito maior está reservado para os herdeiros de Deus. Isto Paulo responde no verso 18 que será alvo da próxima mensagem. Por enquanto quero que você pense na obra da cruz. Pense em tudo que Jesus passou por você e por mim.

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