domingo, 3 de julho de 2011

O VALOR DA LEI DE DEUS


Romanos 2:12-29

Após falar sobre a questão da justiça de Deus e como este olha com igualdade todas as pessoas, Paulo passa a exortar o seu povo, os judeus, para que não pensem que são melhores do que outros. Eles se vangloriavam por serem o povo escolhido de Deus e, ao mesmo tempo, achavam que, por cumprirem a lei, seriam salvos. Paulo mostra alguns pontos sobre a lei que nos servem de lições para o dia de hoje.

1.               A lei foi feita para ser cumprida (v. 12,13; 21, 22)
Neste ponto Paulo mostra que a lei deve ser cumprida no seu sentido absoluto, ou seja, dentro do coração. Muitos judeus falavam do cumprimento da lei, porém não viviam isto em seu dia a dia.
Nestes versos ele mostra que mesmo sendo conhecedores da lei os judeus serão julgados e condenados, pois não estavam vivendo dentro do padrão que Deus estabeleceu.
Além disso havia muitos judeus que gastavam horas e horas de seus dias buscando memorizar a lei, mas de fato não estavam preocupados com isto.
Ouvir, ou mesmo conhecer a lei, sem praticá-la é completamente inútil diante de Deus.
Lamentavelmente hoje muitos cristãos também são assim. Valorizam seus versículos memorizados, mas muitas vezes não praticam aquilo que estes mesmos versos lhes ensinam.

2.               A lei deve estar em nossos corações (v. 15)
Este verso é outro ponto importante da epístola paulina. Primeiramente porque mostra que Deus não vai condenar ninguém à toa. E, em segundo lugar, porque a lei deve está guardada em nosso coração. 
É um verso que mostra que aquela pessoa que nasce no monte Everest, longe de tudo e de todos; que não tem a chance de ouvir falar de Cristo; ainda assim ela vai ser julgada pela lei que ela tem em seu coração. Todo ser humano nasce com a noção do certo e do errado, e Deus conhece cada coração. Ninguém terá desculpa diante do grande tribunal de Deus.

3.               A religiosidade não salva (v. 17-19)
A expressão “que tens por sobrenome judeu” é muito atual. Hoje há muitos que se gabam de serem batistas, presbiterianos, assembleianos, ou outro grupo qualquer, mas que realmente não mostram a lei gravada em seu coração.
O legalismo denominacional não salva. Saber o que sua denominação pensa é muito importante, mas isto não vai salvá-lo.
A santidade compreende o aspecto de buscar viver no centro da vontade de Deus e querer de fato agradá-lo. Querer realmente glorifica-lo.
Ser judeu, não garante a salvação. É isto que Paulo está dizendo. Eu quero dizer para você também: ser batista não garante a salvação. Ser evangélico, também não garante a salvação. O que de fato garante a salvação é termos a lei de Deus gravada em nossos corações. E isto foi uma promessa feita por Deus através do profeta Joel. Esta promessa começou a ser cumprida no dia em que Cristo ascendeu aos céus e desceu o Espírito Santo.
Muitos buscam ser religiosos, mas uma religiosidade longe da vontade de Deus é vazia.

4.               O testemunho da lei ajuda na pregação do evangelho (v. 23, 24)
Nunca tivemos no meio cristão tanto mau testemunho. Parafraseando nosso ex-presidente: Não há precedente na história cristã, fora a idade média, de tantas pessoas que dão tão mau testemunho.
Vivemos o século dos pregadores aproveitadores. Alguns estudiosos acham que Paulo ao escrever este trecho estava se referindo a um momento da história onde uma senhora rica de Roma converteu-se ao judaísmo. Os líderes judeus na ocasião se apropriaram de uma generosa oferta que ela dedicou ao templo. Por causa disto os judeus foram expulsos de Roma pelo imperador. Hoje não é muito diferente. Quantos têm enriquecido à custa da simplicidade e da ignorância do povo; à custa de um povo sedento de espiritualismo e necessitado de Deus.
Meu amado irmão e amigo, muito cuidado com os falsos profetas. Muito cuidado com aqueles que se tornam ministros como profissão e não como ministério.
Cuidado com estes que montam sua própria denominação, quando na realidade seus interesses são escusos. Demonstram falta de caráter, falta de subordinação e grande censo de picaretagem.
Por outro lado, também sabemos que muitas vezes é isto que o povo quer. Em Jereminas 5:30,31 lemos algo que assusta:
“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pela mão deles, e o meu povo assim o deseja...”.

5.               Os rituais são vazios sem obedecer os mandamentos de Deus (v. 25, 27)
Muitos grupos, históricos ou não, vivem de ritualismo. É tal de romaria, de pisar em sal grosso, de túnel dos 318 valentes, entre muitos outros rituais. A Bíblia só estabeleceu, na pessoa de Jesus Cristo, dois rituais, o Batismo e a Ceia do Senhor. Qualquer outra coisa fora destes rituais é invenção humana. Não estou dizendo aqui que não tem valor, mas que não tem precedente bíblico.
Para os judeus havia mais rituais, mas o principal deles era a circuncisão. Eles valorizam muito isto e achavam que isto lhes concedia direitos especiais diante de Deus. O problema é que o ritual, sem a obediência não tem valor algum. Vejamos o que nos diz a Palavra:
'Porque eu quero misericórdia e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos." (Os 6:6)

O profeta Oséias esta combatendo aqui o arrependimento fingido. Ele era simbolizado pelos rituais, mas as pessoas de fato não estavam arrependidas.
Em outro texto lemos:
"Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros." (I Sm 15:22)

Saul desobedeceu a ordem de Deus. O Senhor lhe ordenara destruir tudo de Ameleque, inclusive os despojos, mas ele não o fez, ainda diz que estava cumprindo a ordem do Senhor (I Sm 15:13). Muitos hoje agem assim. Fazem do rito a coisa mais importante e não obedecem a voz de Deus.

6.                A verdadeira fé parte de uma transformação interior (v. 28, 29)
Paulo chega ao ápice de sua argumentação quanto a justiça e a lei de Deus. Ele ataca a visão ritualística judaica com uma afirmação que para eles seria agressiva, o apóstolo afirma que eles não são judeus.
Paulo está falando algo que devemos repensar com carinho. O verdadeiro cristão começa com uma transformação interior que, se for verdadeira, irá refletir no exterior.
Por mais que frequentemos igreja; cumpramos todos os rituais. Ainda assim não podemos ser verdadeiros cristãos se não tivermos uma transformação sincera.
Como se pode saber que a transformação é verdadeira? Podemos afirmar que fomos transformados interiormente a partir de algumas certezas:

a)    Tenha certeza de que se arrependeu de seus pecados;

b)    Tenha certeza de que está tentando de tudo para se livrar deles;

c)     Tenha certeza que Jesus é o Senhor de sua vida

d)    Tenha certeza de que um dia estará com ele para sempre.