segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

RELIGIOSOS, MAS PERDIDOS

Romanos 9:1-18

Paulo muda agora o assunto. Ele deixa para trás a questão sobre o Espírito Santo, sobre a justificação e a fé, mas na realidade ele está apenas abrindo um grande parêntesis para explicar o lugar do judeus. O apóstolo dos gentios mostra sua profunda tristeza pela falta de fé dos seus compatriotas (9:1-5). A tristeza dele é tão grande que ele afirma preferir perder seu direito à salvação para poder salvar o seu povo que ele tanto ama. Paulo demonstra seu imenso amor pelo seu povo e pelo seu país.
Os judeus se achavam merecedores da salvação porque cumpriam, de seu ponto de vista, a lei de Deus. Eles achavam que pelo fato de serem descendência de Abraão, de Moisés, entre outros, eles tinham sua salvação garantida diante de Deus. Eles criam que, por serem cumpridores da lei, tinham direitos adquiridos sobre o reino celestial.
Hoje vemos coisas semelhantes. Há pessoas que acham que são salvas por serem filhos de cristãos; por terem nascidos em lares cristãos; por pertencerem a esta ou aquela religião; por praticarem os rituais exigidos pela sua denominação ou grupo. Tais pessoas podemos chamar de religiosos perdidos, assim como aqueles judeus a quem Paulo se dirige. Elas se encaixam perfeitamente naquilo que Jesus fala em Mateus 7:21-23.  No texto, Jesus mostra pessoas que se apresentam diante dEle com uma pretensa lista de merecimentos salvadores, mas ele afirma não conhecer tais pessoas porque elas não deixaram de praticar aquilo que ele veio eliminar diante dos olhos de Deus, o pecado (iniquidade).  São pessoas que não foram realmente transformadas pela obra de Deus. São pessoas que não alcançaram a salvação pela graça, pois se achavam boas demais diante de Deus. São religiosos perdidos que se caracterizam pelo que passaremos a descrever agora.

1.         Os religiosos perdidos caracterizam por ritualismos e dogmas vazios (v. 4)
Paulo mostra que pertenciam aos judeus os verdadeiros rituais e dogmas, mas eles se vangloriavam e faziam disso um dos principais argumentos para se acharem salvos.
Até século IV as igrejas cristãs, mesmo aquelas que seguiam as ordens da Igreja Romana, não tinham imagem alguma em seu santuário. Elas não se preocupavam com rituais ou dogmas estabelecidos, antes se prendiam unicamente às Escrituras e seus ensinos. Com o passar do tempo, e através da cristianização de povos bárbaros, tais povos, que eram cheios de idolatrias, começaram a questionar o fato dos cristãos não venerarem seus heróis. Assim, para não perderem estes grupos, e para agradá-los, foram sendo inseridas imagens de pessoas que eram tidas como heróis da fé cristã. Junto com estas imagens chegava a ideia de culto aos mortos, entre tantas coisas que mais tarde foram se tornando rituais e dogmas seguidos por grande parte do cristianismo. Esta paganização do cristianismo ocorre justamente no momento em que o império romano reconhece que o bispo de Roma era a autoridade sobre assuntos religiosos. Assim, com poderes plenos, e com a dificuldade de manter os bárbaros sob controle, o bispo romanos aumenta seu poder e cria ainda mais rituais e dogmas. Começa assim grandes deturpações da fé cristã que duram até nossos dias.
Hoje não é diferente. Assim como os judeus, alguns cristãos acham que podem reivindicar seus direitos diante de Deus por serem cumpridores de rituais que julgam ser divinos. São pessoas que acreditam piamente que por participarem dos cultos, das missas, dos rituais; por serem praticantes dos dogmas estabelecidos pela denominação ou grupo a que pertencem; por serem cumpridores de tudo isto, são salvas. São religiosos, mas estão perdidos.
Talvez você se encaixe neste perfil. Talvez você pense que sua religiosidade é suficiente para lhe salvar, mas você ainda não deu o passo mais importante. Você ainda não reconheceu a sua situação de pecador diante de Deus e ainda não aceitou a obra salvadora de Cristo em sua vida, aceitando-o como Senhor e Salvador. Está na hora de você realmente entrar para a Igreja de Cristo.

2.         Fazem parte do rol terreno, mas não do celestial (v. 6)
No ano passado fizemos nosso recenseamento eclesiástico. A ideia era ter um número real de membros da igreja. O que eu gostaria é que realmente todos que fizessem parte do rol desta igreja, também fizessem do rol celestial. Este é o meu desejo pastoral, mas sei que talvez isto não seja possível. Muitos preencheram suas fichas e fizeram seu cadastro na esperança de manterem seus nomes no rol de membros, mas não têm a certeza de fazerem parte do livro da vida. Alguns preencheram suas fichas apenas para não terem em seu currículo eclesiástico o desligamento do rol de membros, mas não têm um compromisso real com o reino de Deus.
Paulo deixa claro que não é a Bíblia que falha, mas o homem. Nem todos que nascem judeus são salvos e pertencem ao Israel celestial. Da mesma forma, nem todos que nascem cristãos, ou têm seus nomes escritos em algum rol de membros da terra, pertencem à igreja celestial.
Meu amado, é possível que você tenha este perfil também. É filiado ou filiada à uma igreja ou denominação cristã. Seu nome consta nos registros da história desta ou outra igreja. Mas você ainda não aceitou as promessas de Deus da cruz em sua vida. Você ainda não teve um arrependimento sincero diante de Deus, e assim, ainda não tem seu nome escrito no livro da vida. Está na hora de escrever seu nome no rol que realmente importa. Mas para isto você precisa compreender a misericórdia e a justiça de Deus.

3.         Não compreendem a misericórdia e a justiça de Deus (v. 13-16)
Há grupos hoje que acreditam que Deus salvará a todos por causa do seu amor e de sua misericórdia. Há pregadores que afirmam que a graça de Deus, por ser um favor imerecido, alcançará toda humanidade indiscriminadamente. Tais grupos e pessoas não compreendem a ideia da justiça e a misericórdia de Deus.
É obvio que Deus é misericordioso. É absolutamente correto dizer que Deus é justo. Mas o que precisa ficar muito claro que tanto a justiça como a misericórdia de Deus caminham juntos. O texto diz que ele terá misericórdia de quem ele quiser. Mas é óbvio também que se ele quisesse salvar a todos não precisava da morte na cruz. Não precisava passar pela vergonha da cruz. Logo, a misericórdia de Deus só pode vir sobre aqueles que aceitam o seu sacrifício. Isto anula a justiça de Deus? De forma alguma, pelo contrário, isso cumpre a justiça de Deus, pois Cristo foi posto como expiação de toda humanidade, desta forma, a cruz salva e condena (II Co 2:15,16; I Jo 2:2). Salva aqueles que aceitam o sacrifício, e condena aqueles que não aceitam. É tão simples. O que falta é aceitar este fato.
Muitos, assim como os judeus que Paulo escreve, se acham acima de tudo e de todos. Se acham merecedores, afinal, como alguns já disseram, não pediram para nascer. É desculpa desconexa de lógica e de entendimento. Paulo vai falar isto mais adiante: “Pode o barro falar com o oleiro: Por que você me fez?”. O fato de Deus ter misericórdia, não significa que esta vai anular a justiça do Senhor. Tanto a misericórdia, quanto a justiça, são feitas através de Cristo.
Meu amado, você precisa compreender isto. Não viva achando que Deus salvará todo mundo que se diz cristão. Pense que o Senhor salvará aqueles que ele quiser salvar e da forma que ele quiser salvar, e esta forma ele já determinou: a cruz. Não pelos nossos esforços ou merecimentos, mas pela sua graça e misericórdia.

4.         Acreditam que seus esforços os salvarão (v. 16)
Este era outro problema dos judeus que Paulo estava escrevendo. Muitos acreditavam que por cumprirem os mandamentos (ou pelo menos achar que cumpriam) estariam garantidos no Israel celestial.
Hoje muitos religiosos pensam da mesma forma. Muitos acreditam que sua salvação está atrelada à sua presença na igreja; à sua participação nas ordenanças ou sacramentos do Senhor; por praticarem boas obras, entre muitas outras coisas. São cristãos enganados ou professos, como bem diz L. R. Shelton em “A decisão por Cristo: O que isto significa?”.
Meu prezado, como já foi falado desde o início desta série de mensagem, qualquer esforço humano para a busca da vida eterna é vão. Não temos como realizar esforços por nossas forças. A única coisa que precisamos fazer é confiar na obra da cruz. É confiar naquilo que Jesus fez no Calvário.
Os esforços individuais para a salvação no decorrer dos séculos ganham máscaras e comportamentos diferentes, mas no final todos são inúteis. Havia aqueles que achavam que podiam até mesmo pagar pelo perdão de um ente querido para que este pudesse alcançar a salvação. As indulgências, que foram combatidas por Martinho Lutero, ofereciam inclusive este tipo de salvação. Há também os que acreditam que sua salvação depende do pagamento de penitências. Estes não confiam na maior das penitências, a cruz.
Quando achamos que precisamos de algo mais para nossa redenção, além de tudo que Jesus já fez, significa pelo uma ou todas as coisas abaixo:
a)         Não aceitamos todo sacrifício de Cristo;
b)         Acreditamos que existe algum mérito em nós;
c)         Julgamos que a obra de Cristo não foi suficiente.

Será que não é isto que está ocorrendo com você? Será que você não tem confiado demais em seus méritos próprios? Meu amado para que Deus se compadeça por você, é necessário que você se humilhe diante dEle e aceite a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Caso você não faça isto, pode acarretar algo maior, estará desafiando a soberania de Deus.

5.         Não aceitam a soberania de Deus (v. 18)
Os judeus acreditavam que eram merecedores da salvação por cumprirem os mandamentos do Senhor. O grande engano deles começava em achar que cumpriam alguma coisa. A Bíblia é clara mostrar que qualquer mandamento que falhamos, falhamos com todos. Não existe alguém, além de Cristo, que realmente tenha cumprido os mandamentos de Deus.
Por isso, nossa salvação depende exclusivamente de Deus e de sua soberania. Como falamos anteriormente, não sei se realmente Deus nos escolhe sem algum critério, não creio particularmente em um Deus que seja apenas emocional, o que posso dizer que foge do meu conhecimento limitado e humano, como Deus faz isto. Mas uma coisa eu sei, Deus age em sua completa soberania. E em sua soberania, ele salva quem ele quer salvar, da forma que ele quer salvar. Quem ele quer, eu não tenho a resposta, mas como ele quer é muito claro em toda Bíblia: aquele que reconheça sua condição de pecador, aceite o sacrifício de Jesus na Cruz e o receba como Senhor e Salvador de sua vida.
Meu prezado, Deus enviou Jesus para que nós fôssemos salvos por ele, mas precisamos, pela fé, aceitar toda obra de Cristo na cruz. Faça isto hoje, e tenha segurança por toda eternidade, não seja um religioso perdido, mas seja o pecador justificado.

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