terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A SOBERANIA DE DEUS NA ESCOLHA DOS SEUS

Romanos 9:19-29

Paulo vai dar o golpe de misericórdia nos judeus que achavam que sua salvação tinha ligação com os seus méritos. Este texto é muito usado por aqueles que acreditam que Deus determina todas as coisas conforme sua vontade ativa. De fato creio que o texto favorece este argumento e fortalece a ideia de uma predestinação. Mas, como já falamos em sermões passados, há outros textos que deixam claro a escolha humana, muito embora esta escolha seja condicionada à nossa escravidão, ou seja, ou somos escravos de Deus ou somos escravos do pecado. O que Paulo deixa claro, principalmente nos capítulos 6 e 7 é que não temos outra opção, este é um dos motivos que não creio em livre-arbítrio. A referida expressão significa a capacidade de fazer o que quiser da forma que quiser. Em filosofia é a capacidade de exercer um poder sem que haja outra coisa maior do que este poder. Sendo assim, como podemos dizer que temos livre-arbítrio, se só podemos escolher entre duas opções, ou escravo do pecado, ou servo de Deus. Usando a ideia filosófica, se tenho livre-arbítrio posso escolher além do céu e inferno, outra dimensão minha e pessoal, se isto não é possível é porque não tenho este poder, logo, anula-se o livre-arbítrio.
Mas, apesar do parêntesis aberto, não é sobre isto que quero falar. Muito embora o texto seja um prato cheio para a questão da predestinação, não é este o enfoque de Paulo. O enfoque de Paulo é mostrar aos judeus que eles não podem alcançar a salvação pelos seus méritos, e que Deus age como lhe apraz para formar um povo que é todo seu.

1.         Não temos força para lutar contra a soberania de Deus (v. 19-21)
Paulo pega a deixa do verso 18 onde afirma que Deus endurece quem Ele quer e compadece-se de quem quer para mostrar que os judeus não conseguem alterar aquilo que Deus já determinou. Ao não aceitar o Messias, a chamada dos gentios, entre outras coisas; os judeus estão tentando lutar contra a soberania de Deus. Eles estavam achando que tinham alguma capacidade de alcançarem a salvação pelos próprios méritos.
Hoje se vive um cristianismo semelhante. Além de se perder a ideia principal que é a salvação pela fé, cria-se, através de visões liberais e humanistas, perspectivas contrárias à soberana vontade de Deus. Alguns, por exemplo, creem que todos serão salvos com base no fato de Deus ser amor, e, em detrimento disso, Deus não lançará ninguém para o sofrimento. A Bíblia mostra com muita clareza que muitos serão lançados para o tormento eterno (Mt 25:46). Quando negamos esta verdade bíblica também negamos a soberania de Deus, embora de uma forma diferente daquela apresentada pelos judeus, mas ainda assim é uma negação.
Também há aqueles que ainda acreditam em penitências, salvação pelas obras, ou por ser bom para com os outros, etc. Estes quase imitam aqueles que Paulo exorta. Os judeus achavam que eram capazes por si só de alcançarem a salvação. Desafiavam a ideia da salvação somente pela graça (Ef 2:8-10); buscavam méritos em si mesmos. Esta é outra forma de desafiar a soberania de Deus.
Meu amado, eu não sei como está o seu coração, mas talvez você esteja desafiando a soberana vontade de Deus ao não aceitar Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Não há outro meio para sermos salvos, somente através de Jesus e de sua morte na cruz (At 4:12). Através deste sacrifício, Deus chama os seus.  

2.         Através desta soberania Deus chama judeus e gentios (v. 22-25)
Outro ponto que Paulo rechaça nesta argumentação é a superioridade de Israel sobre os outros povos. Deus não escolheu Jacó por ele ser melhor do que Esaú, antes, ele o escolheu por seu imenso amor. Não há superioridade em ser judeu, como também não há em ser cristão.
É triste ver como os judeus estavam negligenciando a própria Escritura. Paulo usa um texto de Oséias (2:23) para mostrar que Deus já tinha em sua mente, desde a eternidade, chamar outros povos.
Deus chamou os judeus para anunciarem sua grandeza, eles não conseguiram. Hoje ele chama a sua igreja para anunciar suas grandezas. Não há privilégio algum em relação aos outros. Não há nada em nós que possa agradar a Deus (Sl 14:3; 53:3). O pecado afasta toda a humanidade de Deus. Mas o Senhor, através de seu amor e de sua graça, escolhe um povo especial, mediante a cruz de Cristo.
Isto significa que não temos força de mudar a soberana vontade de Deus. Nossa religiosidade, nossas crenças ou tradições, não são capazes de mudar a soberania de Deus. A Bíblia afirma que em Deus não há variação, e nem sombra de variação (Tg 1:17).  Esta imutabilidade, somada ao seu amor e sua misericórdia, deve nos fazer ter segurança de seguir a um Deus como este.
Pedro afirma que os cristãos são o povo de propriedade exclusiva de Deus (I Pe 2:9), mas no mesmo contexto ele mostra que isto ocorre mediante uma chamada de Deus através de sua misericórdia (I Pe 2:10). O que os judeus não conseguiam, e ainda não conseguem, era entender que não havia mérito algum neles e que Deus chamaria outros para serem seus filhos.

3.         Somos adotados como filhos através da soberana vontade de Deus (v. 26).
Jesus falando a seus discípulos disse:
“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...”
Este texto deixa claro que Deus nos escolhe mediante a sua soberana vontade. Nós não temos a capacidade de escolhe-lo, mas ele nos escolhe.  Vejamos outro texto maravilhoso:
“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai.” (Jo 10:27-29)
No texto de João podemos ver algumas certezas maravilhosas. A primeira é que Jesus nos deu a vida eterna, ela é uma dádiva, um presente de Deus. A segunda é que podemos ter segurança em nossa vida eterna, pois ninguém tem capacidade de nos tirar das mãos do Senhor. E a terceira que foi o próprio Deus que nos entregou a Jesus. Isto dá um outro sermão, mas o que quero é mostrar que somos adotados por Deus porque simplesmente Ele nos quis adotar. Por nossas forças jamais conseguiríamos.
Deus podia condenar toda a humanidade para o inferno, mas escolheu, mediante a vergonha da Cruz, eleger alguns para estarem com ele para sempre. Estes recebem o poder de serem chamados filhos de Deus (Jo 1:12). Estes ainda são adotados através da sua boa vontade e predestinados através de Cristo (Ef 1:5). Quão maravilhoso e sublime é ter esta certeza em meu coração.
Meu amado, você também pode ter esta certeza se tão somente permitir que o Senhor entre em sua vida. Isto ocorre mediante a aceitação de Cristo como Senhor e Salvador de sua vida. Você precisa ter um verdadeiro compromisso com Ele. Não basta apenas ser membro da igreja. Não basta apenas participar dos trabalhos da igreja, nem mesmo ir a igreja para resolver seus problemas, é preciso ter um compromisso real com o Senhor, sabendo que somente a igreja verdadeira poderá usufruir da presença eterna com Deus.

4.         Mesmo no meio do povo de Deus visível, muitos serão condenados pela falta de fé (v. 27)
A expressão remanescente vem do Antigo Testamento. Aparece pela primeira vez no livro de Isaías (1:9). Mas sua ideia pode ser vista em passagens como Is 10:22 e 23, onde o profeta fala sobre a conversão genuína somente de alguns dentro do povo de Israel. Paulo já tinha dito isto quando afirmou que nem todo de Israel é israelita (9:6). Já falei sobre isto no último sermão, não quero ser repetitivo.
Mas por outro lado, muitos estão dentro da igreja de Jesus e não estão trilhando o caminho verdadeiramente da fé. Esta é a ideia principal do remanescente. O capítulo 10 de Isaías deixa claro que o principal problema daqueles que tentam seguir a Deus de sua maneira é a falta de conversão, esta por sua vez compreende a falta da verdadeira fé.
Uma das coisas que fica clara no livro de Ezequiel é que o remanescente é sofredor. Ele vive pela fé. Em Sofonias nós encontramos a seguinte expressão:
“O remanescente de Israel não cometerá iniquidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não haverá quem os espante.”
A expressão final “não haverá quem os espante” demonstra claramente que o remanescente viverá pela sua fé. Terá uma certeza imensa do cuidado de Deus sobre sua vida. Elias ouviu isto quando achou que estava só diante das atrocidades de Acabe e Jezabel. Veja o que Deus lhe disse:
“Também eu fiz ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.”(I Re 19:18)
Nesse último texto vemos que foi Deus que fez ficar o remanescente (sete mil). É Deus que chama seu povo, e é Deus quem capacita seu povo. Paulo também deixa isto muito claro em Filipenses 2:13:
“porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”

Mas para que se possa experimentar tudo isto é preciso aceitar o sacrifício de Cristo. É preciso reconhecer a condição de pecador e aceitar a Jesus como Salvador e Senhor. Mesmo muitos fazendo parte de igrejas. Sendo arrolados em listas humanas nesta vida, ainda assim não serão arrolados no rol celestial, se não tiverem Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.

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