terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A JUSTIÇA DA FÉ

Romanos 10:1-15

Expomos no último sermão acerca da justiça da lei. Vimos que Paulo mostra que a maioria dos judeus estava buscando se justificar diante de Deus através daquilo que fazia, mas de fato nada que o homem possa fazer é capaz de justifica-lo diante de Deus.
Observamos que a religião sempre procura justificar o homem, mas realmente a única pessoa que justifica é Jesus através de seu sacrifício na cruz do Calvário.
Nos versos 1 a 5 o apóstolo tem uma preocupação muito grande em mostrar a falácia dos conceitos das tradições judaicas. Não obstante a isso, Paulo, ao mesmo tempo em que mostra a justiça da lei com sua falibilidade, também nos esclarece alguns aspectos sobre a justiça da fé, que é o assunto da epístola. É sobre esta justiça que passaremos a delinear a partir de agora. 


1.         A justiça da fé só ocorre quando somos transformados (v. 1)
O primeiro aspecto que Paulo mostra é delineador. Sem a transformação do coração não é possível realmente alcançar a justificação, ou seja, a justiça da fé. Por isso que ele ora pela salvação de seu povo. É esta salvação que nos leva a uma transformação.
Os judeus a quem o apóstolo se refere vestiam-se da roupagem da religiosidade achando que desta forma podiam atingir o coração de Deus e serem aceitos por Ele. O mesmo apóstolo escrevendo aos Colossenses afirma que devemos nos vestir do novo que se renova para o conhecimento daquele que nos criou, isto é, o próprio Deus (Cl 3:10). Isto só pode se alcançado através de uma transformação. 
É através desta transformação que começamos a nossa caminhada pela fé. Alguém que ainda não foi transformado não consegue caminhar pela fé. Não tem expectativa final. Quando não se caminha pela fé vive-se de forma miserável diante de Deus. Vive-se de migalhas que vem céu.
Pedro falando sobre esta transformação afirma que o cão volta a seu vômito e a porca à lama (II Pe 2:22). O contexto de Pedro corresponde aqueles que dão ouvidos a falsos mestres e não buscam o caminho verdadeiro. Estas pessoas não foram de fato transformadas, e sem esta transformação continuam expostas ao pecado. E isto ocorre porque a Palavra não está embutida em seu coração.

2.         A justiça da fé tem a Palavra embutida no coração (v. 8)
O salmista afirma:

“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. A justiça da fé conhece o resultado final para sua vida” (Sl 119:11)

Quando se é realmente transformado o grande desejo da vida passa a ser não pecar mais contra Deus. É não desagradar aquele que realmente transformou nossa vida. Isto ocorre pela ação do Espírito Santo e pela presença da Palavra de Deus em nossos corações.
O não desejo de ler a Bíblia, ou a leitura de partes apenas que agrada, pode ser um sinal de que algo está errado. Uma vez justificados precisa-se viver com a Palavra embutida no coração. Este desejo passa a ser inerente à nova criatura.
A grande quantidade de pessoas que afirmam ser cristãs, mas cometem os mesmos pecados dos não cristãos, ou que não refletem o desejo de agradar a Deus continuamente em suas vidas, apenas mostra que há uma grande quantidade de joio no meio do trigo. É sinal que realmente não houve uma transformação e que a Palavra não está embutida em seus corações.
Meu amado, se Jesus realmente faz parte de sua vida e se você foi realmente transformado, a Palavra precisa estar embutida em seu coração. Quando isto ocorrer você saberá o resultado final da justiça da fé.

3.         A justiça da fé sabe qual o resultado final (v. 9-10)
Os judeus a quem Paulo se dirige viviam na esperança por serem eleitos de Deus através da paternidade de Abraão. A base da esperança deles, se assim podemos dizer, era sua genealogia. O que Paulo procura mostrar que a base da nossa esperança é a fé.
Mas, apesar dos erros que o grupo judaizante cometia, eles tinham uma certeza que nós podemos ter: o resultado final de nossa fé. Porém, este resultado não compreende uma libertação política e social, cura de doenças, prosperidade material. De forma alguma. A libertação que a Bíblia fala é a salvação. É a vida eterna que vem como dom gratuito de Deus (Rm 6:23).
O que Paulo deixa claro é que a salvação não é algo que eu conquisto (obras) ou herde da minha nacionalidade. É algo que ocorre somente pela fé envolvendo dois aspectos: o primeiro é a confissão; o segundo é a fé em Deus.
A confissão que Paulo se refere é do Senhorio de Cristo. Note bem que ele afirma que as duas coisas andam juntas. A confissão ao Senhorio e a fé na sua obra (que no caso Paulo trabalha com o resultado final – a ressurreição).  Hoje há muitos que trabalham com a ideia que a pessoa pode se converter, mas não conhecer ainda o senhorio de Cristo. Claro que quando ainda se é menino na fé caminha-se com mais dificuldade e ainda não consegue realizar tudo que a Palavra estabelece. Mas o apóstolo mostra que o Senhorio começa com nossas palavras, ou seja, preciso aceitar o senhorio de Cristo em minha vida e proclamar isto para todos ouvirem.
A ressurreição é a prova da vitória de Cristo sobre a morte. Se alguém afirma que é cristão, mas não crê nesta prova, algo de errado tem com este cristianismo.
O verso 10 nos dá uma luz tremenda sobre a salvação final. Paulo esclarece que a fé nos traz a justiça, ou seja, nos justifica diante de Deus. E a confissão confirma a nossa salvação. Uma não anda sem a outra. Ninguém pode ser salvo por apenas confessar que é cristão, tem que realmente crê no coração. Mas ninguém que realmente crê, pode deixar de confessar, isto anula a salvação. Meu testemunho verbal é o resultado de minha fé; minha fé me impulsiona a testemunhar verbalmente.

4.         A justiça da fé não faz acepção de  pessoas (v. 11-13)
Nos versos em questão, mais uma vez Paulo rechaça a ideia de que somente os judeus seriam salvos. Ele mostra que todos que realmente fizerem o que ele afirma nos versos 9 e 10 serão salvos, independentes de serem judeus ou gentios.
O mesmo apóstolo, pregando em Atenas, deixa isto claro aos atenienses e todos que o  ouviam:

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17:30)

Esta declaração de Paulo serve para você e para mim. Hoje Deus está chamando você, que ainda não aceitou a salvação e o senhorio de Cristo para o arrependimento e a fé.
Mark Dever escrevendo sobre o que é verdadeiro evangelismo, afirma que ao se pregar o evangelho deve-se lembrar de três coisas.
A primeira é que a decisão é custosa. Se você realmente deseja seguir a Jesus precisa abrir mão de seu eu. Precisa sacrificar seu tempo, seu dinheiro e talvez até sua saúde.
A segunda que a decisão é urgente. Você não sabe o dia de amanhã. Não sabe o que lhe vai acontecer. Logo, precisa tomar uma decisão imediata e começar a seguir a Cristo.
A terceira é que vale a pena. O prêmio que está separado é maravilhoso. Nada do que passamos aqui, bem ou mau, pode se comparar ao que está preparado. Deus está lhe chamando agora.
Depois que isto ocorre nós passamos a ter a missão de proclamar o evangelho. Pois aquele que é transformado; que tem a palavra embutida no coração; que sabe o resultado final de tudo isto e que sabe que Deus não faz acepção de pessoas; também sabe que o evangelho precisa ser pregado. Este é o nosso próximo assunto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário