terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A JUSTIÇA DA LEI

Romanos 10:1-5

Paulo mantem em foco a questão dos judeus que procuravam o caminho da justiça através de seus próprios méritos e obras.  Os judeus, como bem lembra Murray, procuravam estabelecer sua própria justiça, não se sujeitando à justiça de Deus.
Paulo tinha o desejo que seus compatriotas fossem salvos e conhecessem a verdadeira justiça. Mas ele sabia que isto não era de fato possível, pois a visão que eles tinham era distorcida pelos seus pensamentos terreais, ou seja, pensamentos voltados somente para coisas desta vida. Havia neles um imenso gosto pela religião e pela religiosidade, mas isto não os fazia enxergar a verdadeira justiça que vem de Deus, a justiça da fé. Sendo assim, o apóstolo dos gentios passa a mostrar alguns problemas que precisam ser vistos sobre a justiça da lei, que bem poderíamos chamar de “A justiça de uma religião”.
É importante frisar, como afirma John Stott, que Paulo não tinha dúvida sobre a religiosidade de seu povo. Não foi sem motivo que pregamos a dois sermões atrás “Religiosos, mas perdidos”. Assim como hoje há muitas pessoas sinceras em sua religiosidade, mas na realidade estão muito longe da vontade de Deus.

No primeiro versículo o apóstolo nos ensina algo precioso sobre nossa vida de oração: devemos sempre orar pela salvação daqueles que nos cercam, principalmente aqueles que fazem parte de nosso círculo, que no caso de Paulo eram seus compatriotas. Mas você pode orar pelos seus vizinhos, familiares, amigos, colegas de trabalho para que Deus possa sempre tocar nos seus corações e para que o Espírito Santo os transforme com o seu poder.
Depois disto Paulo vai nos ensinar pelo menos quatro aspectos da justiça dos judeus que podem muito nos ensinar hoje.

1.         A justiça da lei é zelosa, mas não tem entendimento (v. 2)
Os judeus tinham grande preocupação com o zelo de sua religião. O farisaísmo é um grande exemplo disso. Ele surge no século II a.C. com o objetivo de valorizar a lei e oferecer resistência ao espírito helênico que começava a inundar a terra. Acabam por criar uma lei oral que com o tempo ganhou mais força do que a lei escrita do Senhor. Também foram os fariseus que criaram as sinagogas que ganham muito destaque após o período de Antíoco Epifânio, chegando ao seu ápice pouco antes do nascimento de Cristo. Com isto vemos que o farisaísmo surgiu com uma proposta bem intencionada, mas que no final foi se desviando.
Hoje não é diferente. Grupos que se dizem protestantes ou evangélicos carregam estes rótulos que no passado tiveram boas intenções, mas, assim como os judeus que Paulo escreve, o protestantismo foi se desviando dos pilares da reforma protestante e foi colocando outras coisas em seu lugar. O lema “sola scripturae”, já não é bem assim. A Bíblia, assim como no farisaísmo, tem sido substituída por misticismos, penitências, entre tantas outras coisas. As leis humanas são maiores do que as leis divinas. Tornou-se normal o divórcio no meio protestante. Tornou-se normal o adultério. E, atualmente, tem se tornado cada vez mais normal à fornicação.  Tudo isto embalado por uma capa de religiosidade. Muitos são os jovens, e até mesmo adultos, que vão aos santuários, levantam suas mãos como sinal de reverência e de emoção, mas que depois saem e vão para os barzinhos, motéis, entre outras atividades que denigrem a imagem do evangelho santo de Deus. Quantos preferem continuar levando sua vida de lazer no domingo, como se nada tivesse mudado, colocando seus prazeres nesta vida acima dos valores espirituais.
Tudo isto ocorre porque as pessoas não conseguem entender a justiça de Deus, pois estão mergulhadas em suas próprias justiças. São zelosas em sua religiosidade, mas não conseguem entender o que é ser religioso. Fazem questão de estarem na igreja, pelo menos no domingo à noite, para serem abençoadas, mas não conseguem entender que o mais importante é buscar a presença de Deus tanto fora, como dentro da Igreja.
Muitos são zelosos em seus ritos, em seus votos e promessas, mas não têm uma vida de real compromisso com Deus. São ocupadas demais. Trabalham demais e não têm tempo de realmente buscarem a presença de Deus da forma que ele pede.  Falta-lhes o verdadeiro entendimento. Não conseguem dividir o tempo como o sábio nos ensina em Eclesiastes 3: “A tempo para todos os propósitos debaixo do céu”. A falta de entendimento nos faz desconhecer a verdadeira justiça de Deus.

2.         A justiça da lei não se sujeita à verdadeira justiça (v. 3)
Voltando ao exemplo dos fariseus. Eles tentaram combater um problema e começaram a criar um sistema de leis que foi se tornando mais e mais complexo. No final seu sistema era maior do que a própria escritura. Faltava entendimento da parte deste grupo. Mas o pior é que eles não se sujeitavam a própria lei de Deus. Veja o que diz Jesus sobre isto:
“E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” (Mt 15:6)
No contexto do texto os fariseus criticavam os discípulos de Jesus porque não lavaram as mãos antes da refeição. Isto foi criado pelos fariseus, mas era uma questão de tradição (embora hoje seja uma questão de higiene pessoal), mas não uma ordem de Deus. Hoje há muita coisa que se proíbe na igreja que é apenas uma questão de saúde ou higiene, ou simplesmente de gosto, mas pouco se importa com aquilo que realmente a Palavra fala.
Quando achamos que este ou aquele estilo musical é mais espiritual; que o Cantor Cristão é superior ao Hinário para o Culto Cristão; que cânticos são mais espirituais do que hinos, entre tantas outras coisas, estamos estabelecendo a nossa lei, e por consequência, não nos sujeitamos a lei do amor que envolve suportarmos uns aos outros,
Talvez você esteja nesta situação. Muitos hoje estão vivendo a sua própria lei, mas longe da lei de Deus. Pior do que isto, muitos estão criando suas próprias leis, mas vivem em desobediência à lei de Deus. Isto ocorre por que não conseguem enxergar o objetivo da lei

3.         A justiça da lei não enxerga o verdadeiro objetivo dela (v. 4)
Religião significa basicamente religar o homem a Deus. De certa forma toda religião tem esse objetivo, mas de fato poucas o apresentam. O cristianismo mostra como nenhuma outra religião como o homem pode se religar novamente com Deus: através de Cristo.
Paulo afirma que o fim da lei é Cristo. A expressão usada pelo apóstolo traz algumas ideias que normalmente nós não observamos. Dado o contexto do texto, vemos que o melhor significado para a expressão seria completar o alvo, ou seja, o resultado da lei é Cristo. Não posso concordar que Jesus aboliu a lei, em nenhum momento a Bíblia afirma isto, muito pelo contrário. Em Mateus 5:17 Jesus deixa claro que veio para cumprir a lei e não revoga-la. O próprio Paulo deixa claro no capitulo 3 que a lei é boa. O problema está na humanidade, ou seja, no pecado.
Logo, quando Paulo usa a expressão “fim” pode muito bem ser entendida no sentido de finalidade ou resultado, que também são traduções possíveis e, creio eu, mais compatíveis com o contexto.
Explicado isso passamos a observar que quem vive pela lei não consegue ver o seu resultado, Cristo. Hoje não mudou muito. Muitas pessoas estão na igreja porque o importante é ter uma religião. Muitos têm uma Bíblia em casa como um amuleto. Como uma caixinha de bênção para ler somente aquilo que lhe interessa. Lemos a Bíblia para obtermos consolo, direção em coisas desta vida, mas poucos realmente conseguem ver que a Bíblia aponta para Jesus. Poucos realmente notam que a Bíblia é uma Palavra para a eternidade, e não apenas para esta vida.
Se você lê a Bíblia apenas para ter belas palavras; apenas para que possa alcançar seus objetivos pessoais; sem enxergar Jesus como sendo o alvo principal da Palavra de Deus; você está com um sério problema. A finalidade da Bíblia é apontar para Jesus, e se não se enxerga isto, anula-se sua finalidade e por conseguinte se aprisiona.

4.         A justiça da lei aprisiona o homem (v. 5)
Este é o maior problema de quem se envereda pelo caminho da religiosidade pragmática, sem uma ação direta e verdadeira do Espírito Santo Ou de quem cria sua própria lei, sem levar em conta a Palavra de Deus. Os judeus tinham uma religiosidade baseada em regras. Eram dogmas criados por eles mesmos para que pudessem ser salvos ou apenas para justificar seus atos.
Passamos a delinear agora em que a lei aprisiona.

a)         Em uma ignorante ilusão
Os judeus estavam aprisionados pela lei que eles diziam seguir.  Eles acabavam pecando contra Deus, porque faziam da lei a sua forma de agradar a Deus. Eles não conseguiam ver o que de fato a lei significava, e consequentemente pecavam por falta de conhecimento da própria lei.
Hoje há muitos que são religiosos, mas ainda assim continuam pecando contra Deus. Pecam na ignorância e acham que estão trilhando o caminho correto. Os judeus eram presos pela lei em sua ignorância.
b)         Em uma espiritualidade superficial
Pior do que a ignorância está a superficialidade. Os judeus não buscavam o conhecimento, e junto com a ignorância vinha uma espiritualidade superficial, muitas vezes vazia.
Aqueles que são presos a tradições e ritos normalmente também têm uma espiritualidade superficial. Parecem que são piedosos e fervorosos, mas não passam de vasilhames vazios. De taças sem líquido.

c)         Em um caminho que não mostra a verdadeira salvação
O grande comentarista John Stott afirma que quando se trata de salvação, a lei e Cristo são incompatíveis. Da mesma forma, quando se trata de salvação, religiosidade e Cristo são incompatíveis. A religiosidade deve provar que somos cristãos, mas ela não nos faz cristãos. O que nos faz cristãos é a obra redentora de Cristo na cruz.

Meu amado, você talvez possa pensar: “Eu não sou judeu, isto nada tem haver comigo”. Muito cuidado! Assim como os judeus você talvez esteja cometendo os mesmos erros. Achando que sua própria lei é suficiente para salvar. Saiba que ela não é. Saiba que ninguém pode adquirir a salvação, a não ser por meio de Cristo Jesus. Renda-se a Ele. Deixe o Senhor preencher o vazio que sua própria lei não consegue.

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