segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O CAMINHO DA JUSTIÇA DE DEUS

Romanos 9:30-33

Vimos no último sermão que a soberana vontade de Deus salva o homem como Ele bem entender. Ninguém consegue ser salvo da perdição da forma que deseja ser, ou seja, através de seus méritos próprios. Os judeus pensavam que podiam, assim como hoje muitos também pensam. O fato é que a graça de Deus é livre para salvar o homem da forma que o Senhor escolher, e Ele escolheu nos salvar pela loucura da cruz. Não há nada de lógico e racional, pelo menos aos nossos olhos.
Através desta salvação operada pela soberana vontade de Deus, vemos o agir da justiça de Deus. Paulo deixou claro nos capítulos iniciais que nós não temos justiça alguma, e que, se não fôssemos justificados, jamais alcançaríamos a redenção de Deus.
O que o apóstolo dos gentios vai fazer agora é traçar o caminho desta justiça. Na realidade é o resumo daquilo que ele já mostrou em capítulos anteriores, mas o foco de Paulo é mostrar aos judeus que, o fato da salvação ser uma ação da soberana vontade do Senhor, como ele afirmou nos versículos anteriores, não elimina a responsabilidade humana. Os dois aspectos andam juntos, e é mais um motivo para nos calarmos diante deste maravilhoso mistério de Deus.

Murray afirma algo que é tremendo: “A soberana vontade de Deus não age em oposição a tudo que pertence à esfera da vontade e da ação humana” (John Murray, Romanos,  Comentário Bíblico Fiel, ed. Fiel , p. 404). E o comentarista continua: “O que ocorre em um dos campos é correlato ao que acontece com o outro, não porque a vontade humana governa e determina a divina. Mas, visto que a vontade divina se preocupa com os homens, existe correspondência entre o que Deus quer e aquilo que os homens são”.
Paulo usa uma indagação comum nesta epístola: “Que diremos, pois?” (3:5; 4:1; 6:1; 7:7; 8:31; 9:14). Mas agora esta indagação nos mostrará o caminho para a justiça de Deus.

1.         O caminho da justiça precisa ser procurado(v. 30)
Paulo está contrastando a incredulidade dos judeus (1-3) com a fé dos gentios (25, 26). Estes não buscavam a Deus, mas uma vez confrontados com a pregação, eles se derramaram diante de Deus e passaram a buscar o caminho da justiça.
Os gentios não procuravam a Deus, mas também nunca foram expostos à mensagem de Deus. No momento que foram expostos passaram a buscar. Isto ocorre porque eles entenderam o caminho da salvação. Eles entenderam que salvação não depende dos méritos próprios, mas de uma busca primeiramente com humildade, depois com uma busca de renúncia.
Tantos judeus como gentios estavam perdidos, os primeiros porque procuravam, mas procuravam pela sua própria justiça. Os outros estavam perdidos porque não procuravam.
Não sei qual a sua situação hoje. Talvez você esteja como os judeus. Procuravam, mas procuravam pelo caminho errado. Muitos hoje são religiosos, são membros de instituições religiosas, mas não buscam o caminho certo da justiça de Deus. A Bíblia diz que há caminhos que ao homem parecem direito, mas seu final é a morte (Pv 14:12; 16:25).
Ou talvez você seja como os gentios. Eles nem se quer procuravam. Viviam como cegos em seus próprios mundos e caminhavam a passos largos para a perdição eterna. Você talvez viva ensimesmado. Talvez você viva somente para si mesmo e nem se lembra que há um Deus criador de todas as coisas que enviou Jesus para salvar aqueles que aceitarem o sacrifício da cruz.
Hoje chegou o momento de você tomar uma decisão. Hoje chegou o momento de você buscar o caminho da justiça de Deus, mas você precisa entender que este caminho começa quando você entende que o justo viverá pela fé.

2.         O caminho da justiça é um caminho de fé (v. 30)
Viver pela fé é algo que está implícito no Antigo Testamento, mas mesmo assim os judeus não conseguiam entender. Para alguns é como se Paulo estivesse mostrando um novo caminho para a salvação. Mas na realidade não era nada novo (Hb 2:4). O mesmo Paulo mostra no capítulo 4 que Abraão já havia sido justificado pela fé. O capítulo 11 da epístola aos hebreus mostra muitos heróis da Antiga Aliança que viveram e morreram pela fé.
Diversos salmos, principalmente os de Davi, demonstram que a esperança da fé era latente nos escritos e era nela que ele baseava o seu viver (Sl 1; 23, 42, 43, 45, 46, 91, entre outros).
Deus não tem prazer naqueles que se vangloriam daquilo que fazem, o prazer do Senhor está naquele que habita no esconderijo do Altíssimo (Sl 91:1). A alegria de Deus está naquele que espera pacientemente nele (Sl 40:1). A excelência do viver cristão está em renovar nossas forças esperando no Senhor (Is 40:31).
Os judeus que Paulo criticava viviam se vangloriando de sua religiosidade. Viviam se gabando de uma fé vazia de esperança. Era uma fé com base em suas obras. Era uma fé baseada naquilo que podiam ver e sentir. O livro de Jó é o grande exemplo disso. Os amigos do patriarca chegaram de longe somente para criticá-lo pela sua falta de fé e pela sua vida de pecado. A fé deles, assim como a de muitas pessoas em nossos dias, era baseada nas coisas desta vida. Eram pessoas que tinham em Deus somente uma esperança de libertação terrena, mas não conseguiam ver que o redentor deles estava vivo (Jó 19:25).
Talvez sua fé também seja baseada em coisas terrenas. É possível que seu viver necessite de uma esperança somente em coisas palpáveis. Não é esta fé que nos leva ao caminho da justiça. O caminho da justiça é um caminho de fé. É uma trilha de esperança que não depende das nossas ações.

3.         O caminho da justiça não depende de nossas ações (v. 31-33)
A religiosidade humana aumentou consideravelmente neste início de século. Segundo especialistas, como Solange Ramos de Andrade, a religiosidade é inerente ao ser humano. Toda a sociedade tem configurações religiosas. A sacralização seria a resposta para aquilo que a humanidade ainda não conseguiu responder.
Olhando por este prisma vemos que o homem busca a religião não porque almeja algo para si, ou porque ama uma entidade, conhecida como deus. Mas o ser humano busca religião para achar respostas às suas indagações ou atendimento de suas expectativas materiais ou de saúde.
Dentro deste aspecto o homem procura sempre através de seus esforços alcançar o divino. O problema que, segundo a Bíblia, o divino, ou a salvação da alma, só pode ser alcança pela fé e sem a dependência de qualquer ação de nossa parte (Ef 2:8-10). São pessoas que buscam através da mistificação ou ritualização se aproximarem do que é sagrado.
Paulo mostra ao judeus que seus esforços são vazios. Que seus 613 mandamentos criados para tentar agradar a Deus, não são suficientes. Que o cumprimento ritualístico dos sacrifícios, não servem para nada se não forem feitos com um coração quebrantado e preparado para deixar Deus agir.
Outro ponto que leva a humanidade à religião é o fato que o homem é um ser mortal, e as religiões, de um modo geral, prometem uma alternativa pós-morte. O problema que todas as religiões prometem alternativas que dependem exclusivamente do próprio homem. O verdadeiro cristianismo, proclama que esta salvação depende de nós. Depende da misericórdia de Deus sobre nossas vidas através de um coração quebrantado diante do Senhor.
Meu amado, nada você pode fazer para ser salvo. Estamos como cego Bartimeu, ou como os leprosos que foram curados por Jesus. Nada eles podiam fazer, a não ser confiar. Nada podiam fazer a não ser depositar sua fé e esperança na obra de Cristo.

4.         O caminho da justiça começa em Cristo, a pedra de tropeço (v. 33)
O problema dos judeus era que eles não conseguiam ver em Jesus o Messias prometido. Quando lemos em Lucas 21 os dois discípulos a caminho de Emaús, vemos claramente que eles pensavam que Jesus fosse o Messias para libertá-los de suas aflições desta vida; para libertá-los do jugo romano e trazê-los de volta a glória do Israel físico.
Por não confiarem em Jesus, este passa a ser para eles uma pedra de tropeço, ou seja, a obra de Cristo iria condená-los e não salvá-los. A lei dos judeus apontava o tempo inteiro para Cristo, mas eles não conseguiram ver isto.
Prezado, você hoje está sendo colocado frente a frente com Jesus. Hoje estou lhe apresentando Jesus que veio a este mundo para buscar e salvar o que se havia perdido. Perdido no pecado, na iniquidade, na transgressão própria. Mas talvez, assim como os judeus, você tem buscado a justiça própria. Você tem buscado por seus próprios méritos e por causa disso, esse mesmo Jesus que você diz buscar, torna-se para você uma pedra de tropeço.
Observe bem Jesus veio salvar aqueles que aceitarem sua obra expiatória. Mas para aqueles que rejeitarem esta obra, esse mesmo Jesus os condena por causa de sua justiça própria. Em Mateus 10:28, após uma série de conselhos a seus discípulos acerca de sua missão nesta vida, Jesus lhes fala: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo”. Jesus está falando dele mesmo. Somente ele tem poder para salvar e condenar.
Qual é a sua situação diante de Deus? Como você olha para a obra de Cristo? O que você pensa sobre o sacrifício feito por Jesus? Dependendo de suas respostas você estará seguro por Jesus, ou condenado por Ele.

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