terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

VERDADES SOBRE A PREGAÇÃO DO EVANGELHO

Romanos 10:16-21

Este seria um ponto do sermão anterior. Mas dada a sua importância e grandiosidade passou a ser um sermão individual. Nos dias de hoje tem sido muito comum a ideia de que o evangelho está sendo pregado de muitas maneiras. É interessante notar como grupos que se dizem evangélicos “pregam” através de eventos, músicas, teatros, grupos de autoajuda, entre tantas outras coisas. Mas será que isto realmente compreende a pregação do evangelho? Será que Deus precisa de nossa ajuda para a pregação de sua Palavra?
Cada dia que passa aumenta o número de pessoas que acreditam que podem dar uma mãozinha para Deus. Já ouvi o absurdo de alguém pensar que se não fizesse o apelo tiraria a oportunidade de alguém aceitar a Jesus. Ora, se a mensagem foi exposta de forma clara, nada pode mudar o poder do Espírito, nem tirar a capacidade do homem de pensar. Não são apelos emocionais, nem tão pouco trabalhos específicos que farão alguém ser transformado sobrenaturalmente pelo poder de Deus.

O que Paulo está deixando claro para os romanos que eles precisavam pregar a Palavra expondo o verdadeiro evangelho. Não podemos pregar parte do evangelho, muito menos mudarmos a verdade central do evangelho. Dizer que o evangelho é você ser mergulhado nas águas e participar dos trabalhos da igreja regularmente, ou simplesmente ser membro arrolado em uma igreja é suficiente para que você seja um cristão, não é uma verdade. Afirmar que o evangelho é você confiar que Jesus pode curar, libertar e alcançar bênçãos nesta vida, não é a verdade do evangelho. Estas coisas podem fazer parte do evangelho, mas não são o evangelho. James I. Packer afirma que qualquer meia verdade travestida de verdade, é uma mentira completa. O evangelho vai além disso e nós devemos estar prontos para proclamar a todas as pessoas.
Paulo passa a descrever em poucas palavras o que de fato ocorre quando pregamos o evangelho verdadeiro. É isto que passaremos a analisar a partir de agora.

1.         Nem todos darão ouvidos (v. 16)
Greg Gilbert, em seu livreto “O que é o evangelho?”, afirma que o evangelho, antes de ser as boas novas, precisa ser as más novas. Estas más novas correspondem à exposição clara sobre a situação do homem diante de Deus.
Uma das coisas que hoje se foge é falar sobre pecado. Poucos pregadores realmente tem coragem de falar sobre a situação do homem diante de Deus. As mensagens humanistas procuram colocar o pecado como uma doença que precisa ser tratada pelo imenso amor de Deus. De fato, gosto de pensar no pecado como uma doença, mas sei que o grande causador de tudo isto sou eu mesmo.
Quando expomos o pecado do homem nem sempre somos bem vistos. A verdadeira pregação consiste em estreitar a porta de entrada para o céu. Hoje muitas igrejas estão alargando. Muitos pregadores estão alargando. Tenho ouvido falar e lida sobre igrejas que fazem retiros para que as pessoas possam ficar livres de seus pecados através de regressão hipnótica, quebras de maldições, ou terapias de grupo. A única maneira de alguém ficar livre dos efeitos do pecado é através da obra regeneradora do Espírito Santo. É através da confissão de pecados e a aceitação da obra de Cristo.  
Se uma pessoa não tomar uma decisão sincera de arrependimento, não tem valor para Deus nenhum tratamento que ela possa fazer. Tratar o pecado como sendo uma doença que pode ser curada pelo próprio homem, é o mesmo que dizer que Deus não tem capacidade de nos curar ou nos salvar. É o mesmo erro que os judeus a quem Paulo escreve cometiam com sua religiosidade. Eles achavam, como já pregamos, que suas leis próprias eram suficientes. Se alguém larga o vício, ou qualquer outro tipo de pecado, sem arrependimento, não adianta nada para Deus.
Meus amados, não precisamos alterar a mensagem do evangelho para enchermos a igreja. O verdadeiro evangelho não será ouvido pela maioria. A maior parte da humanidade não dá ouvidos ao evangelho. Jesus afirmou que muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos (Mt 20:16; 22:14).
Paulo cita Isaias. No capítulo 53 ele inicia com um clamor próprio: “Quem deu crédito à nossa pregação?”. Entendo perfeitamente o que se passava na mente de Isaias. Sei muito bem o que é pregar e não ser ouvido. Sei o que Ezequiel passava ao ser ouvido e não ser atendido. Sei o que Jeremias sentia em não ser ouvido pela sua mensagem ser dura e realista. Mas nenhum destes profetas se rendeu. Jeremias e Isaias foram mortos pela sua mensagem, mas não desistiram. Que Deus nos dê capacidade de continuar pregando, mesmo quando todos parecem não dar ouvidos.
Em Mateus 22 Jesus fala do convite às bodas do filho de um rei. O rei simboliza Deus, o filho é Jesus que vai se casar com sua noiva, a igreja. Você hoje está sendo convidado para participar deste casamento. Se você der ouvidos, fará parte dele, se não der ouvido, ficará fora dele. A pregação do evangelho é simples: reconheça sua situação diante de Deus, aceite o sacrifício de Cristo na cruz, e deixe o Senhor entrar na sua vida mediante a sua fé. Foi isso basicamente que os profetas pregaram. Foi isto que Jesus pregou. Foi exatamente esta mensagem que Paulo e os demais apóstolos pregaram. Pois esta mensagem é o verdadeiro motivo da fé salvadora.

2.         É o verdadeiro motivo da fé salvadora (v. 17)
Uma coisa que vem me assustando nos últimos anos é quantidade exacerbada de sermões humanistas e cheia de aspectos psicológicos que emanam de nossos púlpitos.  Há poucas semanas atrás ouvi uma mensagem de um pregador renomado em nosso estado, e que respeito muito, mas que disse algo irreal: “O foco do ministério de Jesus são as pessoas”. Em João 17:4 Jesus afirma que glorificou a Deus com a obra que ele realizou. Em Hebreus 10:7-10 vemos claramente que Jesus veio para fazer a vontade de Deus. De fato, tudo que Jesus fez foi para a glória do pai, logo, o foco do ministério de Jesus é glorificar a Deus e fazer a sua vontade. Como é triste ver que a mensagem do Senhor tem sido distorcida para que os santuários possam encher.
Outro problema na atualidade são as igrejas movidas a eventos. Algumas até afirmam que são movidas a propósitos, mas quando olhamos mais de perto, vemos que o que mais têm são eventos para entreter seus membros ou para funcionar como chamariz de novos membros. São pessoas fazias de Bíblia e de Teologia sólida, mas cheias de expectativas puramente humanas acerca de Deus e de sua igreja.
Também há grupos que pregam o evangelho da prosperidade. Das bênçãos materiais. Da permuta da fé através de ofertas rechonchudas dadas para enriquecer lideres cada vez mais gananciosos, movidos por aquilo que a Bíblia chama de torpe ganância.
O pior de tudo isto que muitos baseiam sua fé nestas coisas. Poucos procuram uma igreja que ataque seu pecado. Que mostra sua situação diante de Deus. Os motivos de sua fé são puramente humanos, interesseiros e materialistas. Paulo deixa claro que a fé vem pelo ouvir da Palavra. A pregação pura e genuína não pode ser trocada por barganhas com Deus, por eventos que agradam nosso coração que é enganoso.
Meu amado a pregação da Palavra é nosso objetivo para que dessa forma possamos glorificar a Deus. Não compete a mim, ou a igreja, converter você. Mas esta obra é puramente do Senhor através da exposição de sua Palavra.
Isto tudo significa que se você não crer em Deus pela sua Palavra, sua fé é vazia. Se você está na igreja pelo que Deus fez ou faz nesta vida, sua fé não é salvadora. A fé salvadora é para eternidade e não para temporalidade desta vida.
É preciso aceitar a obra redentora de Cristo, através da pregação da Palavra. É fundamental reconhecer sua situação diante de Deus e deixar o Senhor transformar a sua vida. Não existe fé salvadora longe da pregação da Palavra. Não existe salvação sem esta fé salvadora. E esta pregação irá alcançar toda humanidade antes do fim.

3.         Alcançará toda terra (v. 18-21)
Paulo escreve a carta aos romanos com o objetivo de ser sustentado pela igreja para sua viagem missionária à Espanha (15:24). Ele não poderia deixar de falar sobre a obra missionária. Mas ele toca no assunto no contexto da pregação. E isto não é à toa. Ele quer mostrar a importância da pregação do evangelho. Ele quer enfatizar a importância da pregação no cumprimento da vontade de Deus.
Falando aos discípulos, Jesus deixou claro que o evangelho do reino será pregado, só então será o fim (Mc 10:13). O alcance do evangelho revela um aspecto escatológico: Jesus está prestes a voltar. Quanto mais o evangelho for de fato exposto, mas próximo estamos da volta do Senhor Jesus.  Claro que daquele dia e hora Deus já de antemão preparou, mas vale a pena saber que participamos do processo pregando o evangelho puro a todas as pessoas.
Esta visão escatológica da pregação deve nos fazer pensar. Estou preparado para aquele grande dia? Estou preparado para me encontrar com Jesus?
Meu amado, Jesus veio a este mundo para buscar e salvar o que se havia perdido. Eu, assim como muitos aqui, estávamos totalmente perdidos. Estávamos a mercê de nossos pecados, de nossa carnalidade, dos desejos do nosso coração enganoso. Foi através da pregação que nos aproximamos de Deus, e agora aguardamos o dia em que estaremos para sempre com Ele. Você hoje está tendo a oportunidade de ouvir este evangelho e, quiçá, ser transformado por ele. Mas saiba de uma coisa, você crendo ou não, o evangelho alcançará toda terra. Ele será pregado até a ultima pessoa ouvir falar de Cristo e de sua salvação. Depois disto teremos o fim de todas as coisas. E aquele que aceitou este evangelho estará para sempre com o Senhor.
Apocalipse afirma que é bem aventurado aquele que faz parte da primeira ressurreição. A primeira ressurreição, segundo Paulo aos Coríntios 15 e aos Tessalonicenses 4, é a ressurreição dos justos. Você estará nesta ressurreição? Você fará parte deste grupo? Só depende que Cristo entre em seu coração mediante a aceitação do evangelho de Deus que está sendo exposto. Assim você poderá fazer parte do remanescente de Deus.

Um comentário:

  1. Olá irmão

    Não li a publicação mas recomendo pela sua pessoa.

    Que Deus continue abençoando.

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