sábado, 24 de março de 2012

ALVOS DA MISERICÓRDIA DE DEUS

Romanos 11:25-32

Paulo continua sua argumentação acerca da conversão de Israel, sobre o remanescente e a salvação dos gentios. Isto fica claro pela expressão “porque” que inicia a sentença. Todavia o apóstolo vai mostrar mais uma vez que situação de todos, judeus e gentios, é igual diante de Deus. Todos são pecadores e, mesmo os judeus sendo eleitos de uma forma especial, se não forem resgatados pelo poder de Deus e se tornarem parte do remanescente verdadeiro e novamente enxertado na oliveira cultivada, não serão alvos da misericórdia de Deus, que é o assunto deste trecho da carta.

Dentro deste contexto Paulo alerta seus leitores de três perigos que John Stott destaca com muita propriedade. O primeiro deles é a vanglória daqueles que estão enxertados (v. 18). Não há glória alguma naqueles que foram enxertados, uma vez que é pela graça que adquirimos este benefício. O segundo perigo é a soberba ou arrogância dos salvos. Ninguém tem direito de se achar melhor do que outros por causa da salvação, pois afinal ela não é dada por mérito humano. O terceiro perigo é a presunção. Esta traz a ideia da autoimagem distorcida pelo pecado. Isto faz com que tenhamos uma ideia errada de nós mesmos e pensemos que somos alguma coisa no reino por causa de nossa capacidade. O problema que estes três perigos podem fazer com que não sejamos de fato enxertados na oliveira. Estes perigos nos afastam da ideia do remanescente que será um povo humilde, enquanto este três nos leva a um orgulho próprio muito grande e nos afasta da imagem humilde de Cristo.
A plenitude dos gentios é um mistério. Pode ser tanto no sentido da primeira vinda do messias, o que acho pouco provável. Como pode representar o último convertido entre os gentios, ou último povo a ouvir o evangelho. Isto realmente não importa muito, mas a ideia principal é saber que aqueles que são resgatados por Deus através do seu poder são alvos da misericórdia dEle. É sobre isto que passamos a meditar agora.

1.         A misericórdia de Deus tira os pecados (v. 27)

“27 E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados.”

Paulo é o escritor bíblico que deixa mais clara a situação do homem diante de Deus, principalmente na carta aos Romanos. No capítulo 1 ele expõe com muita precisão sobre o ponto mais baixo a que chega a humanidade por causa da idolatria e o homossexualismo. No capítulo 2 ele esclarece que os judeus não têm desculpas diante de Deus, pois também são pecadores com toda humanidade. No capítulo 3 o apóstolo dos gentios desnuda a ideia de que todos estão debaixo do pecado e assim, destituídos da glória de Deus. No capítulo 5 o homem de Tarso demonstra que a humanidade foi toda contaminada pelo pecado de Adão. No capítulo 6 ele estabelece que a servidão ao pecado nos deixa livre da justiça de Deus, mas nos dá como salário a morte. E, finalmente, no capítulo 7 Paulo mostra que não temos opção diante de Deus, ou somos escravos do pecado ou somos servos de Deus.
Diante de tudo vemos que o homem não tem saída. O pecado nos condena e nos afasta da santa presença de Deus. Somente quando o Senhor age com a sua misericórdia é que somos realmente libertos do poder do pecado e este é retirado de nós. Enquanto não se é alcançado pela misericórdia de Deus não é possível ter o pecado e seus efeitos retirados sobre a vida.
Talvez agora você se pergunte: Como isto pode ocorrer? Exatamente da forma que Paulo demonstra nos capítulos em que ele deixa claro a situação do homem diante de Deus: através da justificação pela fé na obra redentora da cruz. Veja bem, o que quero dizer, que o entendimento do evangelho é muito simples, sua ação que não é fácil. É simples entender que salvação depende somente da graça de Deus sobre nossas vidas. O que não é simples é descer o pedestal do orgulho a aceitar a Cristo através da fé e do arrependimento.
O evangelho é muito simples, a humanidade tem complicado porque quer achar merecimento no homem. Os pregadores têm complicado porque querem encher suas igrejas e seus bolsos, e por isso não podem mostrar o lado podre da humanidade, sendo assim, é mais fácil fazer do homem um coitado diante de Deus.
Meu amado, nem eu ou você somos merecedores do amor de Deus e de sua libertação, mas através de sua misericórdia ele nos transforma, isto faz parte do cumprimento de sua Palavra.

2.         A misericórdia de Deus se cumpre em sua Palavra (v. 28, 29)

“28 Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. 29 Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.”

Paulo esclarece que os judeus não podem ser salvos só porque são descendência de Abraão, muito embora isto faz com que Deus os olhe com carinho, mas não quanto a salvação. Por isso que Paulo fala que são inimigos quanto ao evangelho e amados por causa dos pais. É como o filho de um grande amigo que, depois que cresce se torna um bandido ou coisa parecida, por mais que não aprovemos o que ele faz, ainda temos um carinho especial pela amizade que temos com o pai dele.
Isto nos faz pensar que muitos estão na igreja por causa dos pais. Alguns não têm convicção. Muitos não experimentaram uma experiência verdadeira com Deus, apenas acham que foram alcançados pela graça por terem sido criados dentro da Igreja. Cuidado meu amado, talvez você esteja nesta situação.
A forma como Deus cuida de Israel mostra que ele cumpre o que prometeu a Abraão, Isaque e Jacó. Em contrapartida, através de Cristo, Deus cumpre a eleição daqueles que ele escolheu como seus e aceitaram o sacrifício de Jesus.
O sacrifício de Jesus é a grande promessa de Deus desde o Antigo Testamento. Em Gênesis 3:15 Ele faz a promessa que a mulher seria ferida no calcanhar pela serpente, mas, através do descendente dela a víbora seria vencida. A mulher simboliza a igreja. Sempre perseguida por Satanás, porém, vitoriosa em Cristo, seu descendente.
O homem pecou contra Deus. Através deste pecado a morte entrou no mundo, mas Deus promete em sua Palavra dá vitória para aqueles que aceitarem o sacrifício de Jesus na cruz.

3.         A misericórdia de Deus não faz distinção (v. 32)

“32 Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia.”

A Bíblia é muito clara em afirmar que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus (Rm 3:23). O que Paulo deixa explícito em sua epístola é que judeus e gentios estão encerrados debaixo da ira de Deus por causa do pecado que em todos habita. Mas, por outro lado, se todos estão encerrados no pecado, todos também são alvos da misericórdia e da justiça de Deus.
Sendo assim aprendemos que tanto a justiça, como também a misericórdia de Deus não fazem distinção. O evangelho alcançará o mundo todo. Todas as nações ouvirão e saberão que Jesus é o Senhor. Que Ele é o que salva e regenera o homem para sempre.
O profeta Jeremias deixa claro que somos alvos das misericórdias de Deus todos os dias e que elas se renovam a cada manhã (Lm 3:22, 23). Isto a teologia chama de graça comum. Visto que todos estão debaixo da ira de Deus este poderia destruir toda a humanidade, mas com suas misericórdias sempre renovadas, o Senhor dá uma chance para a humanidade pecadora e vai trabalhando para montar um povo todo seu.
Hoje você está recebendo este evangelho e tem a oportunidade de tomar sua decisão. Neste momento você está diante do evangelho de Cristo, que veio para lhe salvar, para lhe resgatar, para lhe dar uma nova vida. Mas principalmente, hoje você tem a oportunidade de sair de baixo da ira de Deus e ser alvo de sua misericórdia.

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