segunda-feira, 19 de março de 2012

RESGATADOS PELO PODER DE DEUS

Romanos 11:13-24

Paulo deixou claro que Israel será restaurado através de sua conversão. Esta por sua vez produzirá frutos maiores ainda do que a queda do povo escolhido. Todavia, logo após falar sobre este fato que ocorreria com seu povo, ele muda o foco do discurso e passa a falar aos gentios da igreja de Roma. O apóstolo se autodenomina “apóstolo dos gentios”. Ele tem consciência de sua chamada para a pregação do evangelho. Mas, em contrapartida, deixa claro que Deus não abandonou seu povo, não obstante tenha resgatado de uma forma especial os gentios, mediante o seu grandioso poder.
Nos versos 11 e 12 Paulo mostra mais uma vez que a graça foi derramada sobre os gentios em virtude da incredulidade de Israel. Apesar desta certeza e da chamada do homem de Tarso, ele afirma que de todas as maneiras tentaria ganhar alguns do seu povo para o evangelho (v. 14).  É claro que ele fala isto confiado na promessa que ele mesmo deixa clara de que a rejeição de Israel é somente temporária.

No texto em questão Paulo compara Israel com uma oliveira e os gentios são comparados a um zambujeiro, ou oliveira brava. O zambujeiro é uma espécie de oliveira que produz um fruto que não era muito apreciado, além de ser menos comerciável, tendo em vista que era muito pequeno. Ambas são da mesma família (oleáceas), mas na época, a oliveira brava não era apreciada pelos judeus e seu sabor é um pouco mais forte do que a oliveira que os judeus apreciavam. Vale ressaltar ainda que a oliveira brava produz bons frutos entre 35 a 150, depois disso sua produção fica irregular e seu envelhecimento acelera. Já a oliveira cultivada pode chegar a quase 3000 anos e sempre produz bons frutos.
O enxerto era algo muito comum já naquela época. Já se sabia, por exemplo, que se enxertarem alguns tipos de limões azedos em pés de limões doces, do enxerto para cima todos os limões brotavam doces, todavia ocorria um aumento na produção. Alguns estudiosos acreditam que a oliveira domesticada foi uma criação do homem a partir da oliveira brava.
O que Paulo está dizendo que Deus enxerta os gentios no seu povo através de seu poder e forma assim um novo Israel, ou nova oliveira. O que também está a afirmar que Deus cultiva o seu povo, ele não nasce de qualquer maneira. Por isso somos resgatados pelo imenso poder de Deus. Vejamos o que Paulo descreve.


1.         O resgate pelo poder de Deus gera vida(v. 15)

“Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?”

Como vimos na introdução, a oliveira brava tem uma vida menor que a cultivada, não creio que Paulo tinha esta informação, mas quero fazer um paralelo sobre isto e dizer que se formos cultivados por Deus temos uma vida eterna, enquanto sem Deus sofreremos a segunda morte.
Como o zambujeiro, se você não for enxertado na oliveira não será capaz de ter vida. Somente quando se é enxertado mediante o arrependimento e a fé em Cristo é que podemos realmente adquirir vida. Jesus afirma que veio para que pudéssemos  ter vida em abundância (Jo 10:10). Deus nos resgata pelo seu imenso poder para nos dar vida, uma nova vida.
Ser enxertado na oliveira significa fazer parte do povo de Deus. Ninguém que realmente se diz cristão pode ficar fora do povo de Deus. Muitos afirmam que conseguem ter comunhão com Deus ficando em casa, ou, com a tecnologia atual, assistindo culto pela TV ou internet. Isto não passa de um engano terrível. Deus nos resgata e nos enxerta em seu povo para que tenhamos comunhão com Ele e seu povo. O povo de Deus é a oliveira cultivada pelo próprio Deus. Assim como ele reservou sete mil para não se dobrarem ante a idolatria. Quando somos cultivados por Deus adquirimos vida que deve ser compartilhada e deve nos levar a refletir a santidade do próprio Deus.


2.         O resgate pelo poder de Deus reflete sua santidade em seu povo (v. 16)

“E, se as primícias são santas, também a massa o é; se a raiz é santa, também os ramos o são.”

Como vimos no sermão anterior, quando Deus cuida de seu povo Ele não permite que este caia em idolatria e faz com que fique firme nos caminhos que o próprio Deus determinou. Sendo resgatados por Deus somos chamados a refletir sua santidade. A palavra de Deus nos conclama a sermos santos porque Ele é santo (Lv 20:7; I Pe 1:16). A santidade no homem não quer dizer fazer tudo correto, ou mesmo deixar de pecar. Santidade naquele que é transformado pela obra da Cruz compreende uma vida de abnegação e desejo de estar na presença de Deus sem pecado, mas se pecar, arrepender-se com sinceridade e lutar para não pecar mais.
Meu amado, se você realmente é um cristão precisa refletir a santidade de Deus em sua vida. Precisa ter uma preocupação real em demonstrar esta santidade através de seus atos e de seus pensamentos. Paulo afirma que nossos pensamentos precisam ser santos (Cl 3:1,2); que nosso procedimento dever ser digno da vocação que fomos chamados (Ef 4:1). Pedro deixa claro que toda nossa maneira de viver deve ser santa (I Pe 1:15).
Como é triste saber que se fala tão pouco em santidade. Que o assunto nos púlpitos e nas escolas bíblicas são normalmente bênçãos, curas, libertações; mas poucos têm se preocupados realmente em ter uma vida diferente. Louvamos a Deus que reservou o seu remanescente que não se deixará contaminar por isso e fará parte do povo de Deus.


3.         O resgate pelo poder de Deus cria um só povo (v. 17)

“E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira”

A oliveira representa Israel e o zambujeiro representa os gentios. Os ramos do zambujeiro são enxertados em Israel e agora todos são uma oliveira só. Participar da raiz significa ter os mesmos direitos. Participar da seiva significa receber as mesmas bênçãos, mas também os mesmo deveres. Deus faz um povo só para si. Pedro afirma que somos propriedades exclusivas de Deus (I Pe 2:9). Paulo enfatiza que a barreira que separava os dois povos (gentios e judeus), foi derrubada na cruz, desta forma foi criado um só povo (Ef 2:14-16). Não existem mais diferenças.
Claro que isto não anula as promessas para Israel, mas este, mesmo sendo escolhido no passado de uma forma especial, só pode se aproximar de Deus através de Cristo Jesus. Jesus é o elo entre o homem e Deus e entre o próprio homem.
Você também pode fazer parte deste povo. Você também pode se unir a nós, a Paulo, Pedro e tantos que, uma vez transformados pelo sangue de Jesus, passaram a fazer parte deste povo maravilhoso, o Israel espiritual. A noiva de Cristo que no último dia estará preparada para se encontrar com o seu amado.
Deus só tem um povo. Não existem vários povos de Deus. Ele só tem um com base no sacrifício de seu filho. E só fará parte deste povo aquele que se arrepender de seus pecados e, pela fé, aceitar o Senhorio de Jesus. Mas para isso é necessário que Deus quebrante nossos corações.


4.         O resgate pelo poder de Deus deve quebrantar nosso coração (v. 20)

“Está bem! Pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé r  pela fé; então, não te ensoberbeças, mas teme.”

Paulo mostra que alguns ramos de Israel foram quebrados e tirados da oliveira. Ele está ratificando a ideia de que os gentios foram enxertados por causa da incredulidade de Israel. Neste ponto aprendemos duas coisas básicas. Aqueles que não se arrependerem seus pecados e não aceitarem a obra salvadora de Cristo, não fazem parte da Igreja de Jesus. Podemos comparar esses israelitas a tantos que estão no meio da Igreja, mas não fazem parte dela. Tantos que afirmam mesmo ter certeza de salvação, mas por terem um coração endurecido e voltado para seus desejos e vontades, estão fora do reino e não farão parte do povo de Deus que se encontrará com seu mestre naquele grande dia.
Por outro lado, para fazer parte desta Igreja é necessário ser quebrado do zambujeiro. Zambujeiro diz respeito ao mundo, à carnalidade e aos nossos desejos pecaminosos que já nascemos com ele. Assim como a oliveira brava, tudo isto é nativo no solo de nosso coração. Precisamos ser quebrantados pelo poder de Deus para que possamos deixar de fazer parte desta floresta sem cuidado, sem beleza e sem vida; para que possamos fazer parte do jardim da oliveira eterna, cuidada e cultivada através do amor de Deus e de seu imenso poder. O quebrantamento ocorre quando temos um arrependimento sincero de nossa incredulidade.


5.         O resgate pelo poder ocorre quando há arrependimento da incredulidade (v. 23)

“E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.”

Eis a grande questão do homem diante de Deus. Somos pecadores. Simplesmente merecedores do castigo eterno e da fúria de Deus sobre nós. Mas, através do arrependimento e da fé, nos aproximamos novamente de Deus. Veja bem, estes dois elementos andam juntos. Não podemos dizer que temos fé em Deus, se não nos arrependermos dos nossos pecados. Nem tão pouco ter consciência de nossa falibilidade, sem ter fé em Deus.
Paulo continua mostrando através do exemplo de Israel que a justificação de Deus ocorre quando temos fé em Cristo e nos arrependemos de nossos pecados, entre eles o pecado da incredulidade.
O que mais chama atenção é que Paulo destaca o fato que os judeus, se se arrependerem do pecado da incredulidade, ou seja, de sua falta de fé na salvação pela graça, eles podem ser enxertados na oliveira. Isto serve para aqueles que hoje vivem um cristianismo sem vida. Um cristianismo longe da vontade de Deus. Talvez você se julgue um cristão, mas ainda não vive pela fé, ainda não confia que sua salvação se dará somente pela graça. Hoje você tem a chance de voltar ao caminho; de se arrepender de seus pecados e viver dentro da vontade de Deus. Confie nele, e saiba que ele é poderoso para lhe resgatar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário