domingo, 11 de março de 2012

A SALVAÇÃO DO REMANESCENTE

Romanos 11:1-12

O fim do capítulo 10 comprova que o evangelho alcançará toda terra. Mas para os judeus talvez ficasse a dúvida: uma vez que Deus preparou seu povo dos gentios através da pregação, logo o povo de Israel foi rejeitado? Paulo passa a responder de uma forma que traz um duplo sentido, sendo um primário e outro secundário. O primário é o mais simples de entender. Deus não rejeitou o povo de Israel e, apesar de sua queda incitar a pregação aos gentios e a salvação destes, o apóstolo deixa claro que haverá uma plenitude maior para os judeus (v.12).  Logo o restante do povo de Israel trará uma salvação maior ainda para os gentios (v. 11-12).
Mas o sentido secundário do texto nos traz uma mensagem que podemos aplicar sobre a igreja de hoje e sobre o povo de Deus de todos os tempos: “o remanescente”. Porém, antes de qualquer coisa, vale a pena você conhecer ou recordar um pouco do que representa esta expressão tão preciosa.
A ideia do remanescente está implícita desde Gênesis até Apocalipse. O próprio Jesus deixa claro esta ideia ao afirmar que muitos são chamados e poucos os escolhidos (Mt 22:14). Falar sobre muitos chamados confirma a ideia de Paulo sobre Israel em Romanos 9:6 quando o apostolo deixa claro que nem todos que pertencem a Israel serão salvos. Esta ideia Paulo repete em Romanos 9:27,28, aonde, inclusive, ele usa a expressão “remanescente”. 

Isaias deixa claro em 10:21-23. Neste texto é usada uma expressão forte que pode ser traduzida assim: “O resíduo se converterá”. Mais uma vez este resíduo é o que faz parte do povo de Israel. Sofonias também fala deste resíduo em 3:12 e 13.
O mais interessante é notar que é um remanescente do povo de Deus, ou pelo menos se autodenomina assim. Aí que entra uma aplicação simples, mas muito interessante: hoje a igreja é o povo de Deus, e o princípio do remanescente nunca esteve tão vivo como na atualidade. Quero meditar neste sentido a partir de agora.

1.         O remanescente é protegido por Deus (v. 4)
Paulo deixa claro que Deus nunca rejeitou seu povo, mas muitos dos que afirmam fazer parte do povo de Deus, na realidade nunca foram de fato este povo. Deus cuidou de seu povo com seu imenso amor, com sua tremenda misericórdia.
Ao lermos o pentateuco vemos o quanto Deus teve cuidado com este povo e, ao mesmo tempo, como este mesmo povo no deserto negligenciou este cuidado de Deus.
Os dois salmos mais famosos da Bíblia (23 e 91) retratam todo cuidado que Deus tem com aqueles que ele elege através de seu imenso  amor. Esta é a ideia do remanescente. É Deus que o capacita a perseverar. É Deus que o dá força para vencer. É por isso que podemos ter segurança na vida eterna. É o próprio Deus que nos guarda com o seu selo.
Meu amado, talvez você esteja com dificuldade de perseverar em meio a tantas tentações e oportunidades que o mundo lhe oferece. Talvez você se sinta tentado, como aquele povo no deserto, a voltar para o Egito, a volver para sua vida de pecado. Isto pode significar algo muito triste: você não faz parte do remanescente; você ainda não aceitou de fato a obra redentora de Cristo em sua vida. Talvez você seja como os judeus nestes capítulos: religiosos, mas perdidos.
O remanescente é protegido por Deus; é cuidado por Deus; é selado por Deus. O Senhor não abandonará os seus. É isto que o salmista deixa claro no salmo 23:
“Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por longos dias.”(v.23)

É isto que ele garante no salmo 91:
“Pois que tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei. Dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei a minha salvação.” (v. 14-16)

Você tem certeza que faz parte deste resíduo? Aquele que faz parte deste resíduo, não se dobra ante a idolatria.

2.         O remanescente não se dobra à idolatria (v. 4)
No capítulo 1 de sua carta, Paulo chama atenção para dois pecados que mostram como a humanidade está longe de Deus: a idolatria e a promiscuidade sexual, em especial o homossexualismo. A idolatria é um problema constante no homem. O desejo de explicar ou provar as coisas faz com que o homem necessite de deuses, ou divindades, tangíveis. É neste contexto que surgem as imagens. Elas nada mais são do que a manifestação dessa fraqueza de nossa natureza.
Como já expliquei no sermão “Religiosos, mas perdidos”, a igreja não tinha imagens até século IV, foi a cristianização dos bárbaros que trouxe imagens para dentro da igreja. A reforma apenas veio mostrar que ainda muitos não tinham se dobrado à idolatria. Mas, mesmo antes da reforma, muitos lutavam e alguns foram mortos por causa de sua inconformidade com tudo isto.
Elias é usado por Paulo para exemplificar isto. O profeta, considerado o maior de Israel, estava se sentido só em sua luta contra a idolatria. Ele achava que somente ele tinha se mantido firme nos caminhos do Senhor. Após sua vitória diante dos profetas de Baal, ele sofre uma ameaça de Jezabel, sente medo e foge. Entra em profunda crise e depressão. Chega desejar a morte. Deus o fortalece e o anima. Neste tratamento terapêutico que Deus faz, mostra-lhe que tinha separado 7 mil pessoas que não se dobraram ante a idolatria. Este é o remanescente.
O remanescente de Deus não se deixa vencer pelos seus desejos idolátricos. Ele não se deixa perturbar pelo sua curiosidade pelo tangível. Ele sabe que Deus se agrada de fé, e nesta, não é o visível que importa, mas o invisível. O verdadeiro remanescente sabe que não precisa cultuar outra coisa que não seja o próprio Deus. Também sabe que Deus não aceita nenhuma adoração com base em nossos desejos carnais. Afinal, o remanescente é fruto da graça de Deus.

3.         O remanescente é um resultado da graça (v. 5, 6)
O grande o problema dos judeus era é a constante busca por uma salvação baseada somente na capacidade do homem. Este é um dos pontos que ainda norteiam a humanidade nos dias de hoje.
Aquele que é de fato um remanescente de Deus sabe que não tem merecimento algum em sua salvação. Ele sabe que está muito longe de agradar a Deus. O verdadeiro remanescente sabe que se não for pela graça de Deus, jamais conseguirá alcançar a presença de Deus. 
Paulo faz questão de repetir o que vem expressando desde o início, a salvação da graça não depende das obras. O apóstolo é repetitivo com isto para mostrar aos judeus que sua religiosidade não é suficiente para a salvação. As obras boas não podem salvar o homem.
A escolha de Deus através desta graça dá veracidade à salvação. Além disso, a graça mantem a união do verdadeiro povo de Deus. Nossa eleição vem inteiramente da graça. Caso houvesse qualquer mérito em nós, não seria pela graça, mas pelas obras.
Muitos hoje estão vivendo como os judeus a quem Paulo escreve. São pessoas que vivem buscando em si mesmas méritos para alcançarem a salvação ou a graça de Deus. Se a graça pudesse ser alcançada por qualquer mérito nosso, já não seria mais um favor sem merecimento. Haveria algum tipo de mérito.
O remanescente de Deus confia que sua salvação vem pela graça. Ele sabe que nada pode fazer para se livrar da ira de Deus, mas, confiando na graça, sabe que não sofrerá a punição do Senhor.

4.         O remanescente não sofre a punição do Senhor (v. 7-10)
Tenho dito que o evangelho pregado atualmente tem alguns “adendos” ou “anexos”. Um destes anexos é que Deus é apenas amor. É fato que a Bíblia diz isto. É real também que este amor de Deus foi mostrado na cruz através da morte de Cristo, sendo todos ainda pecadores. Também é verdadeira a afirmação que o amor de Deus alcança o mundo todo, para que todo aquele que crê em seu filho tenha a vida eterna. Mas não podemos deixar de lembrar que o amor de Deus é um dos seus atributos. É um entre tantos outros que fazem parte da pessoa de Deus.
Quando Paulo escreve este trecho que agora analisamos, ele deixa claro a condenação daqueles que não aceitarem a pregação do evangelho. É límpida e perfeita a ideia de que aqueles que não aceitarem a Cristo, não serão salvos. Ora, independente de qual seja a visão de inferno, a separação definitiva de Deus é uma punição. O que o apóstolo dos gentios está mostrando é que aqueles que não fazem parte do remanescente serão punidos por Deus. É o contra ponto de Deus, ou seja, ele protege e guarda aqueles que são seus, e abandona aqueles que não são.
Meu prezado, eu não sei qual a sua situação diante de Deus. Mas espero que um dia você tenha feito uma decisão sincera em Cristo. Esta decisão envolve alguns aspectos fundamentais. O primeiro deles é saber qual a sua situação diante de Deus. O ser humano está destituído da glória de Deus e, a única coisa que vai receber é o castigo eterno, caso não aceite Jesus com Senhor e salvador de sua vida.
Em segundo lugar a decisão sincera envolve o arrependimento dos pecados cometidos. Ninguém pode se aproximar de Deus sem se arrepender de seus pecados. Sem pedir para que o Senhor o purifique.
Em terceiro lugar, confiar que a graça de Deus o salvará para sempre. É a confiança de que não há condenação para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8:1). O cristão pode viver em segurança. Desde que saiba que seguiu estes passos. 
Hoje você pode ter esta confiança e ser restaurado por Deus. Esta restauração o livrará para sempre da punição do Senhor, e lhe fará testemunhar para outros aquilo que Deus fez em você. Este testemunho levará outros à presença de Deus (v. 11 e 12).

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