segunda-feira, 23 de abril de 2012

DEMONSTRANDO UM AMOR SINCERO

Romanos 12:9-11

Após destacar os dons Paulo vai escrever agora sobre o amor. Ele parece seguir a mesma linha de raciocínio de I Coríntios 12 a 14. Mas lá ele trabalha especificamente com o amor fraternal, ou seja, com o sentimento dentro da igreja. Na carta aos romanos ele vai começar com o amor fraternal, mas terminará com o amor aos nossos inimigos.
Stott observa bem que nestes versos Paulo elenca uma receita para o verdadeiro amor. Nesta receita o apóstolo destaca 12 ingredientes maravilhosos: Sinceridade, discernimento, afeição, honra, entusiasmo, paciência, generosidade, hospitalidade, boa vontade, simpatia, harmonia e humildade. São elementos que movem o amor sincero.

Neste e nos próximos dois sermões estarei delineando estes aspectos através de uma visão dupla: individual e coletiva. O presente sermão destacará os aspectos principais que fazem parte de um amor sincero.
John Murray lembra que Paulo neste capítulo se preocupa com os aspectos práticos de uma vida de santidade. O amor é fundamental para que possamos ter esta vida. Ninguém pode realmente dizer que busca santidade, se não exercitar este amor, começando, principalmente, na própria igreja. É bom destacar também que o próprio Cristo resume os mandamentos de Deus no amor, a saber: a Deus e ao próximo. Sendo assim, torna-se fundamental que desejemos ardentemente o amor em nossos corações. 

1.         O amor sincero busca sempre fazer o bem (v. 9)

“O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.”

Paulo começa fazendo a afirmativa que ele vai dissecar com mais profundidade a partir da segunda sentença. Ao afirmar que o amor não pode ser fingido, o apóstolo mostra que este sentimento deve ter primazia em nossas vidas diante de todos que nos cercam. Para isto ele usa um termo que determina que o amor deve ser franco, sincero e sem fingimento. O grande problema é que muitos não aceitam a ideia deste amor pois afirmam que não conseguem fingir.  Mas Paulo não está dizendo que isto é uma opção, é um mandamento.
Amar não deve ser algo que só posso fazer se me sentir bem, é algo que tenho que procurar fazer. A receita que Paulo dá começa pelo ódio ao mal. Para que você possa realmente amar, é necessário que odeie tudo aquilo que Deus odeia. É necessário que a maldade seja combatida no fundo do nosso coração.
Jesus amava, mesmo quando estava chamando atenção das pessoas. Mesmo quando chamava os lideres religiosos de hipócritas, o Mestre os amava. O ódio pelo mal ou pelo pecado faz com que passemos a desejar amar as pessoas, mesmo quando isto parece ser impossível.
Deus nos dá seu exemplo amando e renovando suas misericórdias sobre as nossas vidas todos os dias. Este amor foi tão grande pela humanidade perdida que fez com que ele lançasse mão de sua glória e se humilhasse em forma de homem, para resgatar um povo todo seu.
Odiando o mal, não o praticaremos, mesmo que estejamos diante de alguém que nos odeie. Enquanto não aprendermos a odiar o mal, dificilmente aprenderemos a amar da forma que Deus nos pede.
Mas além de ter horror pelo mal, Paulo afirma que devemos nos apegar ao bem. Ele usa uma expressão que deu origem a nossa palavra “cola”. É a ideia de que devemos grudar naquilo que é bom. Não basta odiar o mal, se não nos aproximamos daquilo que é bom, não conseguiremos amar da forma que devemos amar. Neste ponto quero destacar que o que é bom realmente para o homem é se aproximar de Deus através de sua Palavra. É conhecer seus desígnios e desejos através da busca pelo conhecimento.
Odiar o mal sem apegar-se ao bem faz de você uma pessoa morna, indecisa ou dúbia. O apego ao bem que vem de Deus produz uma fonte constante de amor que jorra em nossos corações. Em Apocalipse João mostra que Jesus não aprova pessoas que são inertes ou mornas (Ap 3:6).

2.         O amor sincero honra o próximo com amabilidade (v. 10)
“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal,  preferindo-vos em honra uns aos outros.”

Paulo trata do ambiente dentro da igreja. Ele deixa de usar a expressão “ágape” e usa “philadelphia” e “philostorgos”. Esta duas últimas expressões, embora para muitos carrega menos peso que a primeira, mas neste contexto isto não é verdade. O apóstolo está mostrando que o ambiente no seio da igreja deve ser como de uma família bem estruturada. Devemos nos amar a ponto de preferir que outro se destaque. Como um pai deseja que um filho seja mais bem sucedido do que ele. Como os irmãos que se alegram com o sucesso de outro irmão.
A ideia de honrar com amor envolve preferir que o outro esteja sempre à frente. De permitir que o outro seja servido primeiro e não nós mesmos. Vivemos dias onde as pessoas só pensam em si mesmas. O que Paulo está mostrando é mais atual do que nunca. Devemos priorizar nossos irmãos. Devemos priorizar aqueles que dizemos que fazem parte da família de Deus. Honrar aqui não é centralizar tudo no ser humano, mas é saber que cada um tem o seu lugar e que devemos considerar os outros superiores a nós mesmos (Fp 2:3).
Jesus mais uma vez é o nosso grande exemplo. O Mestre dos mestres desceu a este mundo e se humilhou até a morte por amor a cada um de nós. Jesus foi obediente a seus pais, às autoridades de sua época e à Lei de Deus. Esta obediência de Cristo só foi possível porque ele nos amou. Ela só foi possível porque Ele estava junto com o Pai formando a sua família.
A Bíblia diz que um dia seremos glorificados. Quando Jesus voltar em glória, nós seremos honrados pelo seu sacrifício na cruz do Calvário. Tudo isto faz parte do grande amor que Deus mostrou por nós. Através de seu sacrifício, o Senhor dos senhores nos honrará, ele preferiu a nossa honra através de sua humilhação, nós que nada somos diante dEle e sua vida sem pecado.
Por tudo isto meu amado, está na hora de você repensar seu cristianismo. Está na hora de você repensar seu amor. Pergunte-se se você realmente tem preferido a honra dos outros ou tem buscado a sua própria. Pois o verdadeiro amor fraternal não se coloca acima dos outros, mas abaixo com humildade e resignação.

3.         O amor sincero está sempre pronto a ajudar (v. 11)

“Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor”

Paulo completa a sua ideia de amor com a prontidão que deve existir em nossos corações no cuidado com a nossa nova família. Se somos uma família, precisamos estar prontos para ajudar. Precisamos agir como se nosso irmão fosse mais importante do que nós mesmos.
A expressão que Paulo usa que é traduzida como “cuidado” ou “zelo” remete-nos à ideia de realmente ter interesse. Muitos apenas afirmam que têm interesse mais seu comportamento e sua forma evasiva de tratar mostram que realmente não se interessaram pelo problema dos outros.
Muitos nem sabem das necessidades que a Igreja passa. Das necessidades que muitos irmãos passam. Não se interessam. Acham que é problema do pastor que é pago para isto. Terceirizam seu cuidado e seu zelo. Paulo nos pede para que sejamos fervorosos no cuidado com nossa nova família.
O que Paulo deixa claro que este cuidado que temos uns com os outros é nossa maior forma de serviço. Estar pronto para ajudar não depende necessariamente de dons, mas de disposição da se colocar nas mãos do Senhor deixando que Ele mesmo nos use e nos faça o que bem entender. Nem sempre é fácil. Como também não foi fácil para Jesus ir à cruz do calvário. No Getsêmani Cristo colocou tudo isto diante do Pai. Havia aflição em seu coração, mas acima de tudo havia um amor que não era vagaroso. Havia um amor que era uma entrega completa ao serviço Pai.
Como anda seu amor para com sua igreja? Você tem acompanhado as necessidades da igreja e dos seus irmãos em Cristo? Ou será que você tem terceirizado seu cuidado para com eles? Deus não transferiu para ninguém a sua responsabilidade, antes se humilhou em forma de servo para que pudéssemos fazer parte desta família.
Quero concluir dizendo algo que pode chocar alguns: ninguém consegue ter este amor que Paulo descreve, sem ser transformado pelo amor de Deus e pela sua graça. Só Deus, através da obra da Cruz pode realmente transformar seu coração. Os passos para que isto ocorra começam em reconhecer sua situação diante de Deus e depois, com um coração quebrantado e sincero, aceitar o sacrifício de Cristo e o seu senhorio em sua vida.

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