segunda-feira, 9 de abril de 2012

O ALCANCE DE NOSSA SANTIDADE

Romanos 12:1-2

Paulo muda seu discurso. Alguns creem que deste capítulo em diante não foi o apóstolo que escreveu, ou faz parte de outra carta. Na realidade é muito difícil defender esta tese quando se observa todo contexto da carta de Paulo. Ele começa falando sobre o lado teórico mostrando a questão de nossa justificação do pecado que nos assola. A seguir ele mostra que nossa luta, mesmo depois de transformados, continua sendo muito grande e constante. Ele continua mostrando que a esperança eterna é garantida pela nossa união com Cristo e que nada é capaz de nos separar deste amor. O apóstolo encerra sua parte teórica falando da relação entre Israel, seu povo, com o Deus que o elegeu. Após expor esta parte extremamente teórica, Paulo passa a descrever o lado prático do cristianismo.

O que fica claro é que os primeiros dois versos desta parte servem de introdução para aquilo que o escritor vai delinear a partir do verso 3 até o capítulo15 verso 13. Ele quer mostrar com esta introdução que nossa santidade deve ter um alcance muito maior do que simples comportamentos externos. É sobre isto que passamos a descrever agora.

1.         Nossa santidade deve iniciar no culto (v. 1)
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”

A santificação foi o assunto central dos capítulos 6 a 8. Mas Paulo agora vai descrever questões práticas que envolvem a santificação. Uma vez que fomos unidos a Cristo através de seu sacrifício, deve ocorrer um rompimento com o pecado, ou seja, não podemos continuar do mesmo jeito.
O rogo de Paulo é um clamor que liga a parte prática que ele inicia, com a teórica deixada no fim do capítulo 8. John Murray afirma que Paulo está ligando a ética com a redenção. Concordo com ele. Toda ética cristã deve ser fundamentada na redenção que nos foi outorgada. É isto que Paulo está mostrando neste trecho. Daí o clamor profundo para que vivamos esta ética começando pela nossa entrega no culto.
O argumento de Paulo começa mostrando que no culto apresentamos nosso corpo. Esta apresentação envolve uma entrega. Não podemos nos apresentar diante de Deus de qualquer forma. Muito menos com um corpo impuro, cheio de pecado. Outra coisa que não podemos é cultuar a Deus à distância, sem a comunhão com santos. Paulo usa uma expressão para apresentar que carrega a ideia de estar ao lado, junto.  Nos tempos de hoje onde as pessoas estão preferindo ficar em casa ou em seus lazeres, não estão realmente apresentando os seus corpos, logo não estão de fato cultuando a Deus.
Outro ponto que Paulo destaca que esta apresentação envolve sacrifício. Se você não estiver disposto a sacrificar-se por amor a Deus, pode ser que você não se apresente diante dele com culto da forma que deve ser. Muitos hoje trocam o culto a Deus por lazer, esporte, trabalho, entre tantas outras coisas. Aqueles que fazem esta permuta estão adorando a outro deus, é idolatria. Meu amado se você prefere assistir ou jogar futebol, ir a praia, ou fazer qualquer outra coisa no momento que teria de estar diante de Deus cultuando com seu povo, lamento dizer, mas você é um idólatra.
Além do sacrifício na entrega do corpo Paulo exorta que entreguemos de uma forma santa, ou seja, pura. Quantos hoje combinam seus motéis, bares, ou coisas semelhantes a estas, após o culto. Já vão para igreja com outras intenções. São pessoas que não se apresentam santas diante de Deus. São pessoas que têm apresentado um fogo estranho no altar do Senhor assim como Nadabe e Abiú (Lv 10:1,2).
A santidade no culto começa quando entendemos que estamos no templo primeiramente para adorar. O culto não consiste em uma reunião de autoajuda, nem tão pouco em um encontro social. O culto sequer pode ser considerado uma reunião para a evangelização, pois seu propósito primário é a adoração. Geoffrey Thomas escreveu um artigo muito interessante sobre este assunto que vale a pena ler ( http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=133).  Nossa santidade começa com um culto que envolve uma entrega racional e sincera diante de Deus que é o único que deve ser exaltado e adorado no culto.

2.         Nossa santidade deve abranger o mundo que nos cerca (v. 2a)
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento...”

Após falar da apresentação diante do culto a Deus, Paulo passa a mostrar que nossa santidade deve abranger o mundo. É muito profundo o que o apóstolo dos gentios está dizendo aqui. Nossa santidade não deve apenas ser notada pelo mundo, mas ela deve influenciá-lo. Paulo destaca duas coisas que devem fazer com que nossa santidade abranja o mundo. Em primeiro lugar não podemos nos conformar com o mundo, o homem de Tarso usa uma expressão que transmite a ideia de que não podemos mudar nossa mente ou nosso caráter em função do mundo, ou não podemos ter no mundo o padrão para nossa vida. Como é interessante notar que cada vez mais é isto que ocorre. Estamos achando normal o divórcio, o homossexualismo, o casamento misto, o culto voltado para o homem (humanismo), entre tantas outras coisas.
Em segundo lugar Paulo afirma que devemos procurar transformar o mundo. Jesus mostrou muito bem isto. Em diversos momentos o Mestre dos mestre procurou vencer barreiras de preconceito, mas em nenhum momento deixou de mostrar aquilo que realmente era pecado.
Não se conformar e transformar são duas faces da mesma moeda. Na primeira envolve uma ação passiva, aonde não nos deixamos levar por aquilo que está ao nosso redor. Na segunda envolve uma ação ativa, aonde procurarei engendrar todo esforço para mudar aquilo que nos cerca e encaixá-lo nos moldes de Deus. 
Como tem sido seu comportamento diante do mundo? Pedro escrevendo sua primeira carta afirma:
“mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver,” (I Pe 1:15)

Observe bem que o motivo de nossa santidade começa em Deus. Como Ele é santo, eu também devo me esforçar para ser, porém isto envolve uma atitude de inconformismo diante do mundo que jaz no maligno. E, ao mesmo tempo, uma atitude de ação transformadora que começa com a pregação e passa por uma vida que faz a diferença. Uma vida que está buscando a vontade de Deus.

3.         Nossa santidade deve ser buscar a vontade de Deus (v. 2b)
“...para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

A parte final do exórdio paulino envolve o resultado do culto racional e a influência que o povo de Deus tem no mundo, ou seja, passamos a experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus.
Mais uma vez Paulo subdivide sua ideia com expressões que clareiam seu pensamento. Em primeiro lugar a vontade de Deus é boa. A expressão que Paulo usa envolve a ideia de utilidade, isto é, a vontade de Deus é útil. É importante que saibamos que a vontade de Deus não é apenas um capricho, mas a uma razão de ser, mesmo que muitas vezes não alcancemos esta razão. Deus não nos mostra sua vontade à toa.
Em segundo lugar vemos que a vontade de Deus é agradável. O apóstolo dos gentios usa uma expressão que significa “muito agradável” ou “aceitável”. Temos que lembrar que isto diz respeito a própria Palavra de Deus. Ela precisa ser agradável a nós. Como é triste saber que há pessoas que estão na igreja, mas não buscam conhecer a Palavra de Deus.  Quantos pecam diante de Deus porque não têm conhecimento de sua Palavra. Quando não temos conhecimento da Palavra não podemos fazer aceitável a vontade de Deus para a nossa vida.
Por último a vontade de Deus é perfeita. O foco ainda deve ser a Palavra. O mesmo apóstolo escrevendo a Timóteo afirma:
“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.”  (II Tm 3:16, 17)

Só podemos chegar perto da perfeição aceitando a perfeita vontade de Deus. Estar na igreja, mas não buscar fazer a vontade de Deus é o mesmo que apresentar um culto vazio ou um fogo estranho no altar do Senhor. O que você tem apresentado a Deus?

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