segunda-feira, 16 de abril de 2012

O EXERCÍCIO DOS DONS ESPIRITUAIS

Romanos 12:3-8

Após uma introdução pequena, mas muito profunda, Paulo inicia o lado prático trabalhando dentro da Igreja, da mesma forma que ele começou sua introdução falando do culto. É interessante como Paulo procura transformar seu discurso em uma fala bem pessoal. Ele usa a expressão “digo a cada um de vós” de forma a mostrar que todos são responsáveis pela edificação da Igreja. Muitos vão à igreja somente querendo receber. Nos dias de hoje cresce o número de pessoas que desejam somente ser abençoadas, mas pouco, ou nada, têm a oferecer. O que o apóstolo deixa claro é que todos somos responsáveis pela edificação da igreja e cada um tem um dom.

Paulo tem uma preocupação constante em falar sobre os dons espirituais. Aos coríntios ele mostra que os dons são dados por Deus, através do Espírito Santo, para aquilo que for útil, porém são distribuídos como convêm ao Senhor(I Co12). Aos Efésios o apóstolo mostra que os dons são dádivas divinas para a edificação da Igreja e que Deus capacita cada um com um dom específico para a realização da obra (Ef 4). E aos Romanos, o homem de Tarso mostra como devem ser exercitados os dons espirituais dentro e fora da igreja. É isto que passaremos a descrever agora.

1.         Os dons devem ser exercitados com humildade (v. 3)
“Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.”

Uma das coisas que observo nestes anos de evangelho é o crescimento exacerbado de pessoas que querem mostrar seus dons e talentos através de meios que as façam aparecer. A música tem sido o principal trampolim. Alguns criaram o absurdo de que somente músicos são levitas. Uma completa agressão à Palavra de Deus, aonde em nenhum momento isto é dito, mas, ao contrário, desde o faxineiro até o pastor, todos que trabalham para o andamento do culto podem ser chamados de levitas, principalmente usando como base o Antigo Testamento em especial o próprio livro de Levítico.
Mas além do problema do estrelismo excessivo, ocorre também o problema da falta de humildade, que na realidade anda junto com o estrelismo. Não saber mais do que convêm não quer dizer não buscar conhecimento técnico, muito pelo contrário, a falta de humildade que mais vejo são pessoas que sabem muito pouco, mas gostam de esnobar diante daqueles que não sabem nada, ou pior, até mesmo diante daqueles que sabem.
A falta de humildade também pode ser vista quando forçamos um dom que não temos só porque gostamos. Sempre gostei de cantar, mas sei que não é minha área, por isso me coloco resignado ante a chamada que Deus me fez. Muitas são as igrejas que têm problemas na área da arte por causa dos egos inflamados e as vaidades excessivas.
Meu amado a Palavra de Deus nos garante que todos temos um dom, e este nos é dado para a edificação da igreja e eventualmente a nossa (I Co 12:7, 11; 14:4). Pedro afirma que devemos ser mordomos de nossos dons servindo uns aos outros (I Pe 4:10).  A falta de humildade não cabe naquele que sabe que está na igreja para servir. Por melhor que se cante, que se pregue ou que se faça qualquer coisa, devemos ter a mente moderada e temperante com a capacidade que Deus nos dá. Quando achamos que somos alguma coisa estamos vendo méritos em nós. Mas a Palavra nos garante que o dom nos é dado por Deus. O próprio Paulo reconhece isto, mesmo sendo ele altamente capacitado ( II Co 3:5). 

2.         Os dons devem ser exercitados sem inveja (v. 4)
“Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação”

A falta de humildade é um grande problema na questão dos dons espirituais, mas a inveja pode ser tão destruidora para o reino quanto a falta de humildade. Paulo deixa muito claro que nem todos tem uma mesma operação, mas todos são uteis para o reino de Deus. Não podemos achar que o que fazemos não tem utilidade ou não oferece nada diante de Deus, não é bem assim. Deus nos chama para fazermos aquilo que temos capacidade de fazer e aquilo que Ele deseja que façamos. Na parábola dos talentos (Mt 25:14-30) Jesus deixa clara a ideia aqui exposta.
Hoje há um grande número de pessoas que se dizem chamadas para a área da música e arte, para área da pregação, mas poucos são chamados para aquelas áreas onde se aparece menos, como, por exemplo, evangelismo pessoal, obras e manutenção dentro da igreja. É interessante notar como parece que Deus não chama mais pessoas para cuidar dos bastidores do culto, como ele chamou no Antigo Testamento. A pergunta é: Será que é Deus que não chama ou a inveja tem impedido as pessoas de serem aquilo que Deus deseja que elas sejam?
Quantas pessoas nitidamente não tem talento algum na música, até mesmo na pregação, mas insistem em desonrar o nome de Deus com apresentações sem qualidade, com pregações superficiais e sem conteúdo em nome de uma chamada que não ocorreu de fato.
Meu amado, eu não sei qual o seu talento ou dom, mas eu sei que você tem. Deus não lhe chamou para ficar sentado em um banco sem fazer nada sendo apenas expectador. Ninguém é chamado somente para assistir, mas todos são convocados para participar. Não atente para o dom de outrem, mas insira seu dom a serviço da comunidade de Deus.

3.         Os dons devem ser exercitados com mutualidade (v.,5)
“assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.”

Paulo usa muito a expressão “uns aos outros”, é uma forma de mostrar que igreja é um conjunto de pessoas. Não existe igreja de uma pessoa. Ninguém pode dizer que serve a Deus sem realmente mergulhar no contexto de comunidade. Ninguém pode dizer que está servindo ao Senhor ficando em casa ou fazendo coisas somente para sua própria edificação. Deus nos chama para servirmos uns aos outros.
Pedro escrevendo em uma de suas cartas afirma que devemos servir com o dom que recebemos como despenseiros da multiforme graça de Deus (I Pe 4:10). Este texto petrino é forte e liga as duas últimas ideias aqui expostas. Primeiramente Pedro mostra que devemos servir com o dom como recebemos, ou seja, não precisamos tentar buscar outro dom ou dar uma ajuda a Deus, antes devemos servir com o talento que nos é dado. Segundo, o serviço deve sempre servir a comunidade e não somente a nós mesmos.
É muito triste saber que pessoas estão fazendo dos dons que Deus as dá de comércio ou de mercantilismos. Que pessoas estão apenas servindo a si mesmas com interesse de enriquecer somente a seus bolsos e suas contas correntes, ou simplesmente inflar seus egos. 
Prezado e querido irmão, Deus não nos chama para servir a nós mesmos. Somos chamados para uma vida de mutualidade, de comunidade. Não podemos achar que nossos dons servem somente para nós. Paulo fala mais uma vez a cada um quando afirma “individualmente somos membros uns dos outros”. Não podemos atentar somente para o que é nosso, mas devemos buscar o crescimento do corpo de Cristo com dedicação e esmero.

4.         Os dons devem ser exercitados com esmero (v. 6-8)
“De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.”

Os versos acima mostram uma ideia que precisamos pensar com cuidado, não podemos apresentar os nossos dons de qualquer jeito diante de Deus e da comunidade. Destaco em especial o que Paulo afirma quanto ao ensino: “haja dedicação”.
Conheço pregadores que deixam para preparar (se é que assim podemos dizer) seus sermões no dia de pregarem. Conheço músicos que têm preguiça de ensaiar, embora se achem acima dos outros. Muitos querem os louros da fama e da glória, mas não querem pagar o preço por isso. Isto é falta de esmero ou dedicação.
Apesar do dom ser espiritual, não podemos ficar de braços cruzados esperando sempre que tudo seja de uma forma sobrenatural. Mais uma vez lembro a parábola dos talentos. O último servo teve medo do seu senhor e enterrou o seu talento. Os outros procuraram melhorar ainda mais aquilo que o senhor os havia dado.
Muitos hoje têm enterrado seus talentos por falta de esmero. É verdade também que a falta de esmero normalmente está relacionada a duas coisas: a falta de humildade e a preguiça. A primeira já discutimos no primeiro ponto, mas vale lembrar que ninguém conhece tudo a ponto de não precisar mais treinar, ensaiar ou estudar. A segunda envolve nossas prioridades. A preguiça muitas vezes vem quando não achamos que aquilo que precisamos fazer é importante. Sendo assim, dedicamo-nos na escola, no trabalho e até no lazer, mas nas coisas de Deus temos preguiça pois estamos cansados.
Deus nos chama para fazer as coisas com esmero, humildade, mutualidade e sem inveja. Pense nisso e coloque-se à disposição do reino de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário