segunda-feira, 18 de junho de 2012

O AMOR NOS RELACIONAMENTOS


Romanos 13:8-10

Paulo abandona as questões do estado para retornar ao indivíduo. Ele retorna exatamente falando sobre a questão do amor. É notória a preocupação que Paulo tem com as questões humanas, mas ele deixa claro que Deus está acima de tudo e de todos. John Stott destaca com muita propriedade que o apóstolo encaixa a questão do estado entre o amor aos nossos inimigos e o amor às pessoas mais próximas, em especial parece se referir ao relacionamento dentro da igreja.  
Murray nos mostra que Paulo ao iniciar falando em dívida, está ligando o tema atual com o anterior e mostrando que o amor deve mover também nossos compromissos com o estado.
O que também não podemos perder de vista é que a ligação com tema anterior condiciona que este amor também deve ser visto como uma ordem para conhecermos a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (12:1).
Paulo se utiliza de citações dos dez mandamentos para enfatizar a questão do amor ao próximo. É uma maneira de mostrar que Deus, desde o Antigo Testamento, já pedia a seu povo que amasse intensamente. Neste ponto ele nos mostra três aspectos que devem permear o amor em nossos relacionamentos. Vejamos:


1.    O amor deve ser encarado como uma dívida que temos com todos (v. 8)

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros”

Paulo, usando a referência que fez sobre o pagamento de impostos, afirma que não podemos dever nada a ninguém, mas temos que ter consciência que o amor é uma dívida impagável. Isto significa que Paulo volta a enfatizar que devemos ter uma vida correta dentro da sociedade, mas não quer dizer que conseguiremos pagar de fato a nossa dívida de amor para com as pessoas e Deus. Stott ainda lembra que Paulo fala de mais duas dívidas. A primeira é a dívida de compartilhar o evangelho (1:14), e a segunda é a dívida da santificação com o Espírito Santo (8:12ss). Esta tríade de dívidas mostra a importância de buscarmos na Palavra nosso refúgio e alimento para conseguirmos pelo menos amenizar, pois elas são inalcançáveis em nossas vidas.
Paulo usa a expressão “ágape”, que é aquele amor incondicional, que não depende de nada e que não espera nada em troca. Não é uma amor fraterno, como o “filos”, ou um amor romântico e sexual, como “eros”, mas é um amor que não olha para si mesmo ou para sua satisfação, nem tão pouco um amor que depende de uma ligação sanguínea ou sentimental.
Este tipo de amor deve ser perseguido pelo verdadeiro cristão. Não se pode dizer que é cristão se não se busca este amor constantemente. É um amor que luta contra o ódio. Que busca sempre o que é bom para o próximo mesmo que isto lhe seja sacrificial. É desta maneira que Deus ama o mundo (Jo 3:16). Foi desta maneira que Jesus pediu a Pedro para amar a sua igreja (Jo 21:15-17). É este tipo de amor que Paulo fala aos coríntios que vai perdurar para sempre (I Co 13:13). Os outros tipos de amores podem ser pagos, pois há algum tipo de ligação neles. Já o amor ágape nos obriga amar sem nenhuma ligação afetiva, física ou racional. Em Romanos 12:10 Paulo usa uma expressão que une dois tipos de amor, “philostorgo”. É a mistura de filos com storge que demonstra um sentimento profundo por pessoas que têm uma ligação conosco, como considerando de nossa própria família. O amor em questão vai além disso.
Você tem buscado viver este amor? Você tem se esforçado para viver este amor? Se não tem, algo pode estar errado em seu cristianismo. Ou você ainda não foi alcançado pela graça de Deus, ou você está em desobediência ao Mestre dos mestres e dono do maior amor. 

2.    O resultado do amor é ausência do mal (v. 10)

“O amor não faz mal ao próximo...”

Paulo mostra que aquele que realmente tem este amor que vem de Deus não é capaz de praticar o mal contra o próximo. A ideia de próximo aqui remonta as ideias de Jesus. Para o Mestre o próximo pode ser qualquer pessoa, podendo inclusive ser um inimigo ou alguém que normalmente não teríamos afinidade (Lc 10:30-37). Por sua vez tanto Cristo, como Paulo citam Levítico 19:18.
Ao listar parte dos Dez Mandamentos, em especial aqueles que se referem ao aspecto horizontal, ou seja, relacionamento humano, Paulo está mostrando o que Jesus claramente expõe no sermão do monte; a luta contra o pecado começa em nosso coração, isto é, quando lutamos contra os maus sentimentos. Esta luta corresponde à ideia de evitar o desejo pelo mal. O amor, sendo verdadeiro e sincero, não vai desejar o mal ao próximo.
Um ponto importante é que Paulo está dizendo em outras palavras o que Jesus ensinou: “amar o próximo como a si mesmo”. Ninguém deseja mal a si mesmo. Ninguém deseja fazer o mal ao seu próprio corpo. Logo, quando alguém de fato tem uma experiência com Deus ele busca manter o seu coração limpo da maldade.
Mas aí resta uma pergunta: É possível ter a completa ausência do mal em nossos corações? Infelizmente não. Neste ponto entram a misericórdia, a graça e o Espírito Santo em nossas vidas. A primeira corresponde ao fato que Deus nos dá novas oportunidades. A segunda refere-se ao perdão que é derramado em nós junto com a capacitação de vivermos dentro da vontade de Deus. O terceiro é o agente que nos incomoda e nos mostra o caminho que devemos seguir.
Somente através da transformação operada por Cristo podemos amar da forma que Paulo e Cristo nos ensinam. O homem natural pode amar até mesmo de forma altruísta, mas ele não consegue amar de forma a abraçar toda humanidade. Somente através da obra regeneradora de Cristo somos capazes de amar como Ele amou.

3.    No amor reside a plenitude da lei (v. 8, 10)

“...porque quem ama aos outros cumpriu a lei... de sorte que o cumprimento da lei é o amor.”

Para muitos Jesus deixou dois grandes mandamentos: “Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Mas na realidade Jesus fez um resumo bem simples da lei nestes dois mandamentos. Pela ótica de Cristo, quando você ama, faz o que Deus manda e obedece aos mandamentos.
“Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” (Jo 14:15)
Ou ainda:
“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” (Jo 15:14)

Estas Palavras de Cristo mostram que o amor nos move a cumprir a lei e, se amamos, cumprimos aquilo que Deus determinou.
Paulo utiliza uma expressão que é traduzida como “Cumprimento”, mas que na maioria das Escrituras recebe a tradução “Plenitude”. Olhando pelo contexto de toda carta podemos concluir que Paulo não anula a lei em nenhum momento, mas esta se torna plena através da prática do amor. Em outras palavras, o amor é o exercício pleno da lei. Ou ainda, através do amor preenchemos os requisitos da lei.
Exposto isto, vale ressaltar que somente alguém alcançado pelo amor de Deus, pode de fato retribuir este amor. Da mesma forma que no ponto anterior, não somos capazes por nós mesmos de amar a ponto de preenchermos a lei, mas quando Cristo nos transforma, e esta transformação ocorre também por sermos constrangidos pelo seu amor (II Co 5:14).
Talvez tenha faltado amor em seus relacionamentos porque falta a presença de Deus em sua vida ou obediência aos mandamentos do Senhor.
Você já foi alcançado de fato por este amor? O amor de Deus nos alcança quando temos ciência de nossa situação diante dele e tomamos a decisão de nos arrepender dos nossos pecados e aceitar a Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas. Você já fez isto? Se você fez, peça a Deus para lhe capacitar a viver este amor. Se ainda não vez, hoje pode ser o momento de ser transformado pelo amor de Deus e agir dentro de seus propósitos. 

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