segunda-feira, 11 de junho de 2012

A OBEDIÊNCIA ÀS AUTORIDADES


Romanos 13:1-7

Stott lembra que Paulo destaca no capítulo anterior quatro áreas básicas em nossos relacionamentos: Com Deus (1-2), com nós mesmos (3-8), uns com os outros (9-16) e com nossos inimigos (17-21). Vimos isto nos dois últimos sermões onde Paulo descreve uma vida espiritualmente saudável conosco e com nosso próximo. No capítulo 13 ele vai continuar falando sobre relacionamento. Ele começa falando sobre o relacionamento com o estado. Parece estranho ver este trecho em um livro que foi escrito exatamente é um período de tirania e perseguição a cristãos. É também estranho saber que o mesmo homem que escreve sofreu nas mãos do governo que ele agora pede aos seus leitores que obedeça. Há contradição em Paulo? De forma alguma. Alguns estudiosos tentam resolver isto dizendo que Paulo se refere no capítulo em questão a forças cósmicas, mas creio que isto é forçar demais o texto uma vez que ele faz referência a magistrados (v. 3).
Uma coisa fica muito clara neste texto. O Estado e a Igreja têm diferentes dimensões e não devem se misturar. Isto Jesus deixou claro quando disse: “A César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22:21). Deste ângulo restam-nos duas perguntas que devem ser respondidas e que Paulo tem respostas maravilhosas. Mas vale aqui ressaltar como diz Murray, que esta parte da carta não é um parêntese, antes é um trecho que se inicia no capítulo 12 e vai até o 15. E todo este trecho compreende obrigações que nos levam à “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (12:1).


Porque obedecer?

1.    Toda autoridade vem de Deus (v. 1)

“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.”

As respostas que vemos a esta pergunta devem ser sempre vistas pela ótica da soberania de Deus. A Bíblia é clara em afirmar que uma folha não cai sem que Deus esteja no controle. Nada é surpresa para Deus, pois sua onisciência lhe permite ver qualquer coisa e sua soberania lhe permite fazer qualquer coisa.
A Nova Tradução na Linguagem de Hoje afirma: “Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele”. Estas expressões mostram o controle absoluto que Deus tem de todas as coisas.
O que Paulo está mostrando que nossa obediência às autoridades deve existir pelo simples fato que foi Deus quem determinou que elas ali estivessem. Paulo escreve exatamente no período em que Nero está iniciando sua perseguição. Parece contraditório, mas não é. Nossa submissão às autoridades deve ser algo que mostra nosso amor a Deus. Afinal, foi ele que constituiu estas mesmas autoridades. O mesmo Paulo pede a Timóteo que ore por todas as autoridades (I Tm 2:2).
É lamentável que hoje vivamos dias nos quais o respeito e a obediência às autoridades tem sido deixados de lado, principalmente no seio da Igreja. Muitos que são membros de Igrejas querem fazer do seu jeito e para isto tentam, e muitas vezes conseguem, passar por cima das autoridades constituídas por Deus. Alguns chegam a dizer que isto não existe por causa de nosso livre arbítrio. Como é triste saber que pessoas distorcem textos claros somente para seu próprio interesse.
Meu amado, toda autoridade vem de Deus, tanto civis quanto religiosas. Todas vêm de Deus e servem a Ele para que um dia sua glória se manifeste. Paulo deixa claro que revolta ou rebelião contra uma autoridade é uma rebelião contra Deus e isto lhe trará consequente juízo (v. 2).

2.    Toda autoridade serve a Deus (v. 4)

“Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal.”

Quando estudo a história de Israel e a Igreja de Cristo vejo um elo de ligação entre o Antigo e Novo Testamento no texto onde Paulo fala: “e, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,  para remir os que estavam debaixo da lei, afim de recebermos a adoção de filhos” (Gl 4:4, 5). A plenitude dos tempos pode ser vista pelo ângulo da história pelo fato de que o mundo da época era regido em sua maioria por uma única cultura, uma língua predominante, com uma escrita predominante – o grego. Tudo isto ocorreu porque um jovem dominou praticamente todo mundo de sua época de uma forma avassaladora, e trouxe tudo debaixo de sua regência. Refiro-me a Alexandre, o Grande. Meu fascínio pela história de Alexandre não se dá por conta dele ter sido o mais celebre conquistador do mundo antigo; nem tão pouco por ele ter si tornado rei aos vinte anos de idade e até os vinte oito ter conquistado praticamente o mundo todo. Não, o meu fascínio por esta personagem da história está no absoluto controle de Deus em todas as coisas para que chegássemos à plenitude dos tempos. Para que o mundo fosse preparado para o Messias de Israel e conhecesse o Sol da Justiça.
Paulo mostra que toda autoridade serve ao propósito de Deus. Ele usa as mesmas Palavras que são traduzidas em outros lugares como diáconos ou sacerdotes. Deus conferiu ao estado um ministério que está relacionado ao cuidado social, principalmente no que tange o bem e o mal. Quando alguém pratica o mal é através da autoridade do estado que ela tem que ser punida.
Quando nos rebelamos contra a autoridade do estado estamos nos rebelando contra a autoridade de Deus. Isto não quer dizer que não possamos ter manifestações pacíficas, mas estas precisam ser para que a justiça seja feita segundo a Palavra de Deus, nunca como um desafio descabido ao Estado constituído. Mesmo quando estado se contradiz, ainda assim somente através de manifestações pacíficas e ordeiras podemos alcançar o coração de Deus. Martin Luther King, apesar de não concordar muito com sua teologia, tenho que concordar com sua postura. Ele proclamava igualdade racial, respeito entre os povos e religiões. Em seu grande discurso em 28/08/1963, “Eu tenho um sonho”, vemos todo seu desejo de ver seu país longe do preconceito, mas apesar disso, em outro grande discurso em 16/08/1967, ele diz: "Através da violência você pode matar um assassino, mas não pode matar o assassinato. Através da violência você pode matar um mentiroso, mas não pode estabelecer a verdade. Através da violência você pode matar uma pessoa odienta, mas não pode matar o ódio. A escuridão não pode extinguir a escuridão. Só a luz pode." (Discurso com o título de “Para onde vamos a partir daqui”). Ele mostra claramente que não é através da violência ou da desobediência às leis que vamos conseguir alguma coisa. Precisamos fazer nossa luz brilhar através da obediência ao Estado e à vontade de Deus.

 

Como obedecer?

1.    Praticando o bem (v. 3)

“Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela.”

No mesmo momento que Paulo mostra que devemos obedecer ao Estado, ele também nos mostra como devemos obedecer. Neste modo a dois aspectos: a postura e o civismo. Na postura vemos um comportamento social, a prática do bem. Quando vivemos ocupados na prática do bem não somos alvos de investigações descabidas ou de policiamento constante pelo Estado. Se estamos engajados na prática do bem refletimos a luz de Cristo e isto evita que as trevas caiam sobre nós.
O que Paulo deixa muito claro é que se estamos praticando o bem não seremos alvos da justiça dos homens sobre nós, pois, mesmo esta justiça, foi instituída por Deus para a boa ordem da vida social.
Meu amado, você tem  praticado o bem? Praticar o bem vai além de entregar esmolas ou ofertas para questões sociais. Vai muito além de ajudar alguém a atravessar uma rua ou coisas semelhantes a esta. A prática do bem é você não se calar diante da injustiça que o cerca. Ou de você ter que ajudar aquele que talvez precisa de aprender a ler e escrever. De estender a mão para aquele vizinho moribundo que necessite de uma Palavra de consolo e de um ombro amigo.
Fazer o bem é olhar ao nosso redor e ver as necessidades daqueles que nos cercam e saber que Deus pode nos usar para ajudá-los, e que não devemos transferir a responsabilidade.
Paulo nos mostra que não precisamos temer as autoridades se praticamos o bem em nosso viver diário. O mais interessante de tudo isto é que o paralelo paulino serve por inferência à autoridade de Deus, ou seja, se praticamos o bem não precisamos temer a ira de Deus sobre nossas vidas. Se obedecessemos à vontade de Deus, não temos o que temer do Senhor. A obediência as leis tem haver com o civismo que deve existir em nossos corações.

2.    Obedecendo às leis civis (v. 6, 7)

“Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”

Paulo entra em um assunto que normalmente nós não gostamos muito, impostos. Sabemos que o Brasil é um país com grande carga tributária sobre sua população. Sabemos também que quase 30% de nossa arrecadação é usada para mover a máquina da corrupção. Mas quando olhamos para a Roma de Paulo, não era muito diferente. Na realidade, se olharmos pela ótica da tirania do império a coisa era muito pior. Mas ainda assim Paulo afirma que eles deveriam pagar seus impostos corretamente.
Jesus ensinou a seus discípulos que eles deviam dar a César o que é de César (Mt 22:21). O ensino de Paulo acompanha o ensinamento dado pelo nosso mestre. O cristão precisa ser exemplo em todas as áreas de sua vida, inclusive em seus impostos. A obediência às leis é uma demonstração de amor a Deus e à sua Palavra.
Precisamos aprender a deixar o jeitinho de lado para que possamos realmente agradar a Deus. Devemos acabar com o desejo de levar vantagem em tudo, pois Deus não se agrada daquele que usa de astúcia e de engodo (Sl 37:7).


Obedecendo a maior autoridade
Quero encerrar mostrando algo importante. Tudo que Paulo mostra só tem valor se você obedecer a maior de todas as autoridades – Deus. Lembrando da introdução deste sermão, tudo que Paulo ensina aponta para um único ponto: “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Dito isto, vale lembrar que a grande vontade de Deus é que nós aceitemos a Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas. Talvez você até seja alguém que tenta realmente andar dentro da vontade de Deus. Ou que não procure o jeitinho para viver neste mundo. Talvez você até pague os impostos em dia. Mas se Jesus não fizer parte de sua vida como Senhor e Salvador, nada disso tem valor.
A grande vontade de Deus é que o homem olhe para Jesus e conheça a sua salvação. Sua obediência a qualquer autoridade deve começar com a obediência a Deus.

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