segunda-feira, 25 de junho de 2012

REVESTIDOS DE CRISTO


Romanos 13:11-14


A carta aos Romanos sem dúvida é a mais completa em termos teológicos que encontramos nos escritos sagrados. Paulo agora vai tocar em um assunto que muitos dizem que ele não fala nesta carta, a escatologia. A volta de Cristo não é explicada com a mesma profundidade que ele faz aos Tessalonicenses, que foi uma carta escrita especificamente sobre isto. Nem com a mesma ótica que ele dá na carta aos coríntios, onde o foco da ressurreição é tremendo. Mas nesta carta aos romanos ele faz da volta de Cristo a nossa grande esperança da consumação de nossa salvação.
Este parágrafo é a conclusão do trecho onde o apóstolo se preocupa em mostrar que o cristão deve ter uma vida de obediência às autoridades e de amor uns para com os outros, incluindo com aqueles que os perseguem. A expressão “E digo isto” mostra claramente o que acabamos de dizer. Paulo aqui concorda com Pedro quando em sua carta este enfatiza a santidade como sendo algo essencial para quem realmente aguarda o encontro com o Senhor (II Pe 3:11).

Nitidamente ele usa o termo “salvação” em um sentido escatológico. Basta observar como ele faz menção de que “agora está mais perto do que quando cremos”. Paulo desta forma está fazendo aquilo que ele mais fez nas cartas pastorais, visando a eternidade como alvo principal de sua vida. Mas para que isto ocorra ele encerra este parágrafo com a expressão “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. Tal revestimento transmite a ideia da consumação iminente e da herança que está reservada para cada um dos que aceitam a obra redentora. Desta forma, aprendemos com Paulo três resultados que ocorrem com aqueles que são revestidos de Cristo. Passemos agora a observar isto.

1.    Revestidos de Cristo temos segurança eterna (v. 11)

"E isto digo, conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé."

Paulo apresenta que o tempo presente deve nos fazer pensar cada vez mais na volta de Cristo. A ideia de que o cristão conhece o tempo nada tem haver em saber quando será a volta de Cristo. Antes o que realmente Paulo quer dizer que os sinais escatológicos podem ser visto e reconhecidos por aqueles que realmente estão na presença de Deus.
Paulo, como bem declarou Stott, estabelece um fundo escatológico para o viver cristão começando pela sua conduta (v. 1-10) e encerrando com a segurança eterna (v. 11). Falando que nossa salvação “está agora mais perto”, Paulo mostra uma coisa que Stott colocou muito bem: o verdadeiro cristão é salvo, mas ainda não está salvo. Esta ideia ocorre porque o selo do Espírito estando em nós nos garante a entrada nos céus, mas nós ainda não entramos. Rev. Hernandes Diaz Lopes em um dos seus sermões afirma que o crente foi salvo, é salvo e será salvo. Creio que Paulo está mostrando isso com outras palavras.
A segurança eterna é uma realidade para o crente em Cristo Jesus. Nossa salvação foi outorgada na Cruz, e é garantida pela presença do Espírito Santo em nosso interior. Dizer que os eleitos de Deus não podem estar garantidos, ou que a salvação é algo que eu perco ou ganho; é a mesma coisa que afirmar que esta mesma salvação depende de algum ato meu para alcançá-la. A Bíblia mostra que isto não é possível.
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2:8,9)

Concordo com aqueles que afirmam que Paulo está ligando “e isso não vem de vós” com a primeira sentença (“Porque pela graça sois salvos”). Até porque somente com esta ligação mantem-se o sentido da segunda oração no verso 9.  Se fosse a fé que não viesse de nós, também seria sobre fé que Paulo falaria no verso 9. Logo, o que não vem de nós é a salvação e não a fé, pelo menos no texto aos Efésios. Até porque “por meio da fé” consiste em um aposto que não faria falta à sentença se fosse retirado (“Pela graça sois salvos e isto não vem de vós”). Apesar de concordar com isto, não muda nossa teologia. A salvação é um dom de Deus para o imerecido pecador, eleito pela graça de Deus. Sendo assim, se é o próprio Deus quem nos salva, Ele é perfeito, e nada mais precisa ser feito, nem por mim nem por ninguém. Desta forma, os revestidos de Cristo podem ter segurança na salvação, pois é o próprio Deus quem garante.
Dito isto o que nos resta é saber se somos ou não revestidos de Cristo. A única maneira de sermos de fato revestidos de Cristo é aceitando o seu sacrifício de salvação e buscando nele refúgio para nossa alma pecadora. Com isto podemos aguardar “a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2:13).

2.    Revestidos de Cristo não vivemos mais em trevas (v. 12)

"A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz."

O segundo resultado é algo que completa o primeiro. Se no primeiro somos garantidos diante de Deus, no segundo podemos andar tranquilos diante dos homens e de Deus. Quando andamos em trevas estamos amarrados ao pecado e ao diabo. Estas amarras nos fazem mergulhar cada vez mais no abismo da perdição. Uma vez revestidos pelo poder de Cristo somos feitos filhos de Deus e ganhamos a sua proteção, e principalmente a sua luz.
Andando em trevas não conseguimos enxergar qual seja “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” que é a tônica de tudo que está sendo dito aqui desde o início do capítulo 12.
Três coisas caracterizam os que andam na luz segundo o texto em questão:

a)    Honestidade;

b)    Desapego aos vícios;

c)     Paz com homens e comunhão.


Honestidade aqui tem haver com o proceder e com a dignidade de andar corretamente diante da sociedade. Quanto tem faltado hoje para aqueles que se dizem cristãos andarem desta forma. Como é triste ver homens que se dizem de Deus envolvidos em falcatruas e mentiras. De homens que se enriquecem à custa de engodo ao povo simples e ignorante. À custa de um evangelho que está longe ser o verdadeiro.
O desapego aos vícios Paulo descreve três: bebedeira, glutonaria e a falta de pureza sexual. São três áreas que cada vez mais tem entrado na vida da igreja de Cristo. Pesquisas nos Estados Unidos mostram que a falta de castidade ocorre no mesmo percentual dentro e fora da Igreja. Hoje vemos crentes se embebedando e achando isto normal.
Contendas dissoluções e ciúmes mostram o quanto estamos longe de viver dentro da vontade de Deus. Igrejas que se dividem ou grupos que se rebelam só mostram o quanto ainda tem muita gente que está na igreja andando em trevas. Tem muito bode no meio das ovelhas e muito joio no meio do trigo. João afirma:
“Aquele que diz que está na luz e aborrece a seu irmão até agora está em trevas.” (I Jo 2:9)

O mesmo João diz:
“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.” (I Jo 1:7)

Aqueles que são de fato revestidos de Cristo não vivem mais nas trevas. Caminham na luz do próprio Cristo e enxergam tudo com perfeição pois não há escuridão nem sombra  em sua vida.
Será que sua vida é assim? Será que você realmente tem andado na luz de Cristo? Se não tem, agora é a oportunidade de você reconhecer a sua situação e aceitar a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida. Reveja seus conceitos; reconheça os seus pecados e aceite a Cristo como Senhor. O demais Ele fará por você para que não cuide das obras da carne.

3.    Revestidos de Cristo não cuidamos das obras da carne (v. 13-14)

“... não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.”

Paulo literalmente está dizendo “e não faça nada em direção à carne”. A ideia de Paulo aqui é mostrar que quando somos realmente revestidos de Cristo aguardamos a volta dEle e não ficamos presos aos desejos de nossa carne.
Quando não estamos revestidos de Cristo somos constantemente tentados pela nossa natureza humana. Tal natureza tem sempre a tendência de nos levar a praticar aquilo que nossos desejos carnais querem e não aquilo realmente que devemos fazer.
Paulo usa esta ideia de revestimento em 8 passagens. Em 05 delas a ideia paulina tem haver com santidade com o abandono das coisas da carne (Gl 3:27; Ef 6:11; Cl 3:13, 14). Isto mostra a imensa preocupação que Paulo tinha com a santidade do povo de Deus diante da iminente volta de Cristo.
Outro ponto que notamos da literatura paulina é o constante ataque às obras da carne. Em Gálatas 5 ele faz uma lista das obras da carne manifestas através do pecado da humanidade.
“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.” (Gl 5:19-21)
 
É fantástico notar que Paulo gasta 3 versículos para falar sobre as obras da carne e apenas 1 para descrever o fruto do Espírito que vem como resultado de sermos revestidos de Cristo. Isto mostra o quanto podemos ser transformados pelo imenso poder de Deus e não mais procurarmos a satisfação de nossa carne.
Muitos, mesmo dentro das igrejas, dizendo-se cristãos, têm vivido em buscas de prazeres da carne. Hoje os prazeres da carne podem vir disfarçados em tecnologia. Muitos preferem assistir televisão, ou navegar na internet com a desculpa de entretenimento ou diversão, mas em sua grande maioria estamos vendo os prazeres da carne falar mais alto.
Talvez você também esteja nesta situação. Talvez você troque momentos com Deus por diversões que só servem para satisfazer a sua carne. Se queremos realmente aguardar a volta de Cristo precisamos mostrar que somos revestidos de Ele. Qualquer um que é revestido de Cristo preocupa-se mais com as coisas de cima e não com as que são da terra.
Você foi realmente revestido por Cristo na sua vida? Jesus realmente lhe transformou? Se você não consegue viver da forma que foi descrito aqui algo pode estar errado com o seu cristianismo, ou você realmente não é um revestido de Cristo.

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