segunda-feira, 4 de junho de 2012

UMA VIDA ESPIRITUALMENTE SAUDÁVEL – PARTE 2


Atitudes para com nosso próximo

Romanos 12:13-21


Paulo trabalha com a ideia da coletividade. O verso 12 é um verso de preparação para tudo que ele vai passar a delinear de agora em diante. A grande preocupação do apóstolo é que os cristãos de Roma entendam que o evangelho, além de ser entendido com clareza, precisa ser vivenciado tanto só (v. 12), como coletivamente (v. 13-21). Este viver diário corresponde a uma vida espiritualmente saudável.
É tremendamente notável a forma como Paulo parece citar o próprio Cristo na maioria das passagens até o capítulo 15.
É claro que este viver diário fica bem mais fácil quando praticamos uma vida de santidade diante de Deus, mesmo quando outros não nos vejam. Nossas atitudes para com o próximo necessariamente devem refletir nossas atitudes para com Deus. Já o contrário não ocorre necessariamente. Como falamos no último sermão, muitos tem uma vida exemplar diante de outros, mas carregam o peso de uma vida relaxada diante de Deus.
Passaremos agora a descrever alguns aspectos que demonstram se temos uma vida saudável diante das pessoas que nos cercam principalmente no ceio da Igreja.

1.    Atenta para as necessidades dos que nos cercam (v. 13-14)

Paulo inicia o verso 13 usando uma expressão que denota uma comunhão. Não é apenas um compartilhar no sentido físico ou material. É algo que deve permear nossa vida de forma tal que nos importemos com aqueles que nos cercam. Este importar com as necessidades tem haver com participar das mesmas, ou seja, é mais do que esperar que alguém lhe fale de suas necessidades, mas ter uma vida tal que perceba a necessidade de outrem.
Somente mantendo uma comunhão constante com o povo de Deus podemos ter esta observação. Na versão Revista e Corrigida, de João Ferreira de Almeida, a tradução é feita como comunicar as necessidades. Esta comunicação não é feita através de falas e expressões. É uma comunicação que é feita através da comunhão e da participação ativa na vida dos membros da comunidade local. Não é possível você comunicar as necessidades de outros sem este intercâmbio através da presença na comunidade local.
Dentro da questão das necessidades Paulo coloca a hospitalidade. É claro que precisamos ter em mente o contexto da época. Era muito comum viajantes necessitarem de hospedagens durante suas viagens. Paulo mesmo, como missionário, muitas vezes precisou de se hospedar. Esta hospedagem normalmente era feita em celeiros ou cômodos criados para esta finalidade. Sabemos que nos dias de hoje fica muito difícil hospedarmos uma pessoa estranha em nossas casas. Mas o que o texto deixa claro, principalmente quando olhamos para todo contexto, é a importância da prontidão. A expressão que Paulo usa pode ser traduzida como “se empenhar ao máximo para ajudar”. Hoje vivemos ensimesmados de tal forma que não conseguimos ver as necessidades das pessoas.
Encerramos esta parte mostrando que Paulo ordena que a Igreja aplique este mesmo tratamento mesmo àqueles que a perseguem. Jesus ensinou este princípio quando disse: “Se alguém lhe obrigar caminhar uma milha, vá com ele duas” (Mt 5:41), e ainda quando afirma: “Abençoem os que os amaldiçoam” (Lc 6:28). Era muito comum soldados romanos exigirem hospedagem, e eles tinham direito a isso. Paulo mostra que os cristãos deveriam tratar bem mesmo pessoas que não queriam o seu bem. Em nosso coração não deve caber vingança, ódio ou rancor. Devemos ter sempre uma prontidão constante para ajudar a todos, inclusive aqueles que nos perseguem.

2.    Compartilha sentimentos (v. 15)

Paulo mostra neste verso que para que nossa atitude com o próximo seja completa precisamos também compartilhar nossos sentimentos. Ele começa com a alegria. Esta alegria a que o apóstolo se refere não está apenas em questão meramente humana. Esta alegria precisa estar relacionada com a satisfação que vem do Senhor. Isto implica que é muito mais do que se alegrar por conseguir bênçãos materiais, mas é para que possamos nos alegrar por termos a presença de Deus em nossas vidas. Isto implica em sermos alegres pela salvação outorgada e pela bênção da presença do Espírito Santo dentro de nós.
A alegria ou o choro que Paulo se refere devem ser cheios de empatia, ou seja, como se aquela alegria fosse nossa ou como se aquele choro fosse nosso. Mais uma vez podemos lembrar o ensino de Cristo. O Mestre nos manda amarmos nosso próximo “como a nós mesmos” (Mt 22:39). Se amamos nosso irmão como a nós mesmos somos capazes de nos alegrar com sua alegria e nos comover com o seu choro.
Hoje, com pesar, vemos que nossos sentimentos não são mais os mesmos. Isto ocorre porque nossa visão tem mudado muito. Olhamos para o mundo sempre com olhos materialistas e humanistas. Não conseguimos contemplar as coisas com olhar de Deus ou com a visão puramente espiritual. Compartilhamos sempre nossas necessidades humanas mas não conseguimos compartilhar a glória de Deus.
A alegria indicada por Paulo tem haver com o sentimento da bênção alcançada pela salvação. E o choro está diretamente relacionado com sentimento de arrependimento que deve nortear nossas vidas. Claro que isto não exclui nossos sentimentos pelas coisas desta vida, mas estas coisas não podem ser prioritárias em nossos corações.
Cristo veio ao mundo para nos dar a maior alegria, a salvação. Ele veio ao mundo para nos libertar do maior dos prantos, o sofrimento eterno. Ele se fez carne para que pudéssemos ter com ele uma vida eterna. Uma vez salvos devemos aprender a compartilhar estes sentimentos com aqueles que foram alcançados pela graça de Cristo.

3.    Comporta-se de uma forma humilde (v. 16)

Constantemente o apóstolo Paulo orienta aos irmãos a buscarem o mesmo sentimento (II Co 13:11; Fp 2:2; 4:2).  Estes conselhos paulinos têm haver com a necessidade de buscarmos uma vida de comunhão e humildade junto a outros irmãos. É normal querermos impor nossas ideias. É normal tentarmos impor nossas opiniões como se sempre fossemos os donos da verdade. Na igreja de Cristo devemos aprender a ter o mesmo sentimento. Isto envolve submissão e compromisso. Não é o que queremos que importa, mas o que de fato é importante para a Igreja e para o reino.
Creio que Paulo está ligando esta expressão ao verso anterior com a ideia de compartilhar sentimentos. Mas, além disso, o apóstolo dos gentios está buscando mostrar que precisamos ter humildade em nossos corações.
Outro ponto que Paulo trabalha neste verso é a questão da vanglória ou a busca por honra pessoal. Em outras palavras Paulo está dizendo: “No lugar de buscarem aparecer, acomodem-se às coisas humildes”. Neste ponto pode-se envolver a questão do estrelismo ou do narcisismo espiritual. O narcisista espiritual busca sua própria glória. Ele acha que somente o que faz de fato é bom. Que somente suas realizações são belas. Ele olha para si mesmo e se acha perfeito espiritualmente. O narcisista espiritual pensa que somente o que ele faz de fato é espiritual. Ele distorce a Bíblia e encaixa em seus desejos de ser estrela ou o centro das atenções. É exatamente isto que Paulo está combatendo.
Não ambicionar as coisas grandes aqui nada tem haver com o desejo de crescer espiritualmente, ou profissionalmente. Mas tem haver com o desejo de se mostrar através de uma soberba maléfica e perigosa. Jesus se humilhou completamente. Nosso mestre se reduziu à condição de homem, sendo ele Deus, para que pudesse nos dar a vida eterna. Olhar para Jesus com humildade deve ser nosso maior desejo e foco. Não ambicionar coisas altas deve nos fazer repensar nossa condição diante de Deus.
Meu amado, se você não está aqui para ter comunhão com os santos e glorificar a Deus com a sua vida, você está pelo motivo errado. Se você está aqui porque deseja aparecer através da música, da dança, ou de qualquer coisa que o destaque mais do que o próprio Deus, você está pelo motivo errado. Se você acha que não tem espaço para o seu dom e por isso precisa procurar outra igreja ou sair da igreja, significa que na realidade você quer espaço apenas para você mesmo, e na realidade talvez lhe falte a verdadeira transformação que Jesus nos proporciona na cruz.


4.    Almeja a paz com todos sem ser vingativo (v. 17-21)

Paulo entra neste parágrafo mais uma vez mostrando muita semelhança com as Palavras de Cristo. Jesus nos ensina que não devemos resistir ao perverso (Mt 5:39). Isto é muito interessante pois derruba toda ideia que muitos cristãos têm de aderir movimentos grevistas violentos, protestos cheios de vandalismos ou coisas parecidas. O que Paulo e Cristo nos ensinam com muita clareza é que nós não podemos revidar o mal com outro mal. Quando prejudicamos a população com greves descabidas e sem humanidade, estamos revidando mal com o mal. Pior ainda, estamos retribuindo o mal a pessoas que na maioria das vezes nada tem haver com isso.
Dentro deste princípio de não revidar o mal com o mal está a luta pela paz. Mas é muito interessante como Paulo diz: “Enquanto for possível à vós tenhais paz com todos os homens” (Grifo meu). Jesus em sua última bem aventurança afirma: “Bem aventurados sois vós quando vos injuriarem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa”. Quando unimos as ideias de Paulo e de Cristo vemos que a paz nem sempre será possível, mas o verdadeiro cristão não deve revidar em hipótese alguma.
Paulo mais adiante vai deixar claro que a justiça pertence primeiramente a Deus e este por sua vez designou ao estado o direito de julgar. Claro que sabemos que o estado é falho pois é dirigido por homens que são falhos, mas Paulo nos orienta a sermos submissos as autoridades. E devemos muito levar em consideração que o contexto paulino é de tirania e perseguição.
O cristão não precisa se preocupar em revidar o mal. Ele não precisa se preocupar com isto, pois tem algo muito maior lhe aguardando. Temos a paz com Deus que faz com que nossa tribulação seja leve e momentânea.
Meu amado, talvez você não consiga ver isto em sua vida porque lhe tem faltado exatamente receber a paz de Cristo em seu coração. A promessa de Jesus que nos daria uma paz que vai além do entendimento humano. E esta paz, é capaz de nos fazer enfrentar todos os problemas da vida com vigor e coragem para sermos mais do que vencedores por aquele que nos amou. 

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