segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O APELO DE UM MINISTRO DE DEUS


Romanos 15:22-33


Após mostrar as características de um ministro de Deus, onde prepara terreno para falar o grande objetivo que ele tinha em seu coração, Paulo passa a descrever alguns sentimentos que ele tinha, e compartilha-os com os romanos quase que em forma de apelo ou desabafo. Se no sermão anterior vimos os propósitos de um verdadeiro ministro de Deus, agora passaremos a mostrar o que se passa no coração de um verdadeiro ministro.
Paulo teve um ministério pioneiro, e isto lhe credencia como um ministro com autoridade para falar à Igreja em Roma ou em qualquer outro lugar. Seu ministério aos gentios faz dele um instrumento de Deus para o cumprimento de uma profecia (v. 21).
“...como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado o verão, e os que não ouviram o entenderão.” (Citando Is 52:15)

Sendo assim, em meio à apresentação do seu projeto de viagem, que é o ponto central do parágrafo em questão, Paulo apela para Igreja de Roma alguns pontos que devem estar vivos também em nossas mentes.


1.    Apela para a comunhão com os santos (v. 22,23, 32)


No verso 7 deste mesmo capítulo Paulo já toca neste assunto. Agora Paulo volta a falar, mas colocando-se dentro do assunto. Ele mostra o desejo que ele tinha de manter comunhão com aquela amada igreja. Ele mostra até mesmo certa ansiedade e desejo de poder estar junto com aqueles irmãos. No verso 32 ele utiliza uma expressão que é normalmente traduzida como “recrear”, mas que no original a ideia é mais profunda. Trata-se de trazer refrigério para a alma. Não é uma alegria qualquer. Não é uma alegria apenas por poder realizar alguma coisa, ou porque se diverte com aquela pessoa, de forma alguma, é alegria baseada pela presença daquela pessoa. É o simples desejo de querer estar junto.
Hoje cada vez mais cresce o desinteresse de estar junto com os irmãos em Cristo. De fato, muitos têm preferido assistir seus cultos em casa como se isto tivesse algum valor para Deus. Há ainda aqueles que preferem trocar a comunhão dos santos com a comunhão do esporte e do lazer com pessoas que não têm compromisso com Deus. Para estas pessoas Paulo fala a Timóteo:
“Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.” (I Tm 4:8)

No verso acima a palavra piedade seria melhor traduzida como “fidelidade a Deus pela religiosidade”. Creio que muitos hoje precisam meditar nestas Palavras de Paulo e escolher melhor seu lazer sem ferir o compromisso com Deus e com seu povo. Isto apenas prova que o amor a Deus não está completo, pois quem ama a Deus, precisa amar também o seu povo. Se você ama a Deus, mas não sente desejo de estar com o povo de Deus, algo está errado com seu cristianismo.


2.    Apela pela obra missionária (v. 24)

“quando partir para a Espanha, irei ter convosco; pois espero que, de passagem, vos verei e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia”

Este versículo não é o tema da carta mais é o que transmite o objetivo pessoal de Paulo. Ele tinha o desejo de ver os romanos sem dúvida, mas ele não esconde que, além de se alegrar pela presença daqueles irmãos, o apóstolo suplica pela generosidade do coração deles.
A Espanha era o alvo missionário de Paulo, e ele queria que os irmãos de Roma pudessem ser participantes da obra missionária que estava prestes a empreender.
A igreja de Cristo não pode ficar emparedada esperando que as coisas aconteçam. Obreiros precisam ser preparados, enviados e sustentados. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto Deus chama seus escolhidos para proclamarem o evangelho do reino.
Três aspectos norteiam uma igreja missionária:

a)    Procura pregar em suas cercanias;

b)    Procura preparar obreiros para a pregação;

c)     Participa do sustento daqueles que estão no campo.


Paulo se apega a este último e apela aos irmãos de Roma para participarem de sua obra missionária.
Hoje vemos igrejas ensimesmadas que não se interessam de fato pela obra missionária de verdade. Quando dizem que se interessam vê-se claramente outros interesses guiando suas vidas. Muitos porque querem apenas o status e a fama, outros porque se interessam somente pela recompensa material. A obra missionária precisa ser realizada simplesmente por amor a Deus e às almas perdidas. Não se faz uma obra missionária verdadeira quando se deseja apenas encher a igreja física, quando a celestial ainda permanece vazia.
Precisamos entender que fazer a obra missionária é pregar para ossos secos ou para desertos onde sua voz muitas vezes não será ouvida. Mas, debaixo do poder do Espírito a vitória é mais do que certa, ainda que não seja vista pela geração presente.


3.    Apela à beneficência entre os irmãos (v. 26, 27, 31)

“Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. Isto lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais.”

Paulo está levando uma oferta para a Igreja em Jerusalém. Ele foi exortado pelos lideres da igreja a fazer isto (Gl 2:10). Não se sabe ao certo qual o motivo da fome dos pobres em Jerusalém. Alguns acreditam que isto ocorreu por causa da repartição indiscriminada das coisas de cada um. Outros acham que o fato está ligado à ideia da volta de Cristo. Paulo não leva em conta nada disso e prefere partir e ajudar aqueles Cristãos.
Escrevendo aos Gálatas Paulo afirma que devemos procurar fazer o bem primeiramente aos domésticos da fé (Gl 6:10). Esta aplicação do mandamento bíblico não tem sido muito levada em consideração nos nossos tempos. Empresários cristãos não têm priorizados os domésticos da fé. Creio que este princípio começa ser aplicado por aí. Claro que não podemos deixar de considerar o aspecto técnico e profissional, mas os domésticos da fé devem ser o alvo inicial de nossa ajuda.
A igreja precisa estar sempre atenta àqueles que passam necessidade. É papel da igreja participar das necessidades de seus membros não permitindo que passem por elas. Claro que não devemos esquecer de olhar para as necessidades do mundo, mas se queremos uma Igreja forte, precisamos começar de dentro para fora e não de fora para dentro.  Não é a Igreja como instituição que deve se preocupar com as necessidades, mas é a Igreja como corpo.



4.    Apela ao combate em oração (v. 30)

“E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus”

Paulo está agora pedindo uma cobertura de oração para seus objetivos. Basicamente são três: a) Para ser livre dos rebeldes; b) Para cumprir a missão de levar a ajuda à Igreja de Jerusalém e; c) Para chegar até aos romanos.
Amados, o ministério comprometido com o reino exige muito do ministro. Paulo está clamando aos irmãos que deem apoio para que ele possa alcançar seus objetivos. É interessante que estas orações aparentemente não foram atendidas, mas tenho convicção que os irmãos oraram. Não apenas Roma, mas Filipos, Tessalônica e muitas outras igrejas tinham amor pelo apóstolo Paulo, mas ainda assim Paulo não conseguiu chegar em Roma da forma que ele queria. Ele não conseguiu vencer sua luta pessoal contra os rebeldes.
Nossas vidas devem ser alicerçadas pelas nossas orações. Nossas orações precisam ser baseadas na soberania de Deus. Não podemos achar que tudo que pedimos será atendido, mas devemos sempre pedir aquilo que desejamos para que Deus filtre conforme sua vontade.
Hoje tem faltado a verdadeira oração. Aquela que se derrama diante de Deus para que Ele faça sua vontade. Aquela que nos leve mais próximos de Deus e nos permita sentir e ouvir a sua voz. Sim, tem faltado a verdadeira oração. Pior do que isto, tem faltado adoradores que se curvem diante de Deus em espírito em verdade. Pessoas que se entreguem a fazer a vontade de Deus mesmo quando este diz não para aquilo que desejam.
Atualmente tenho visto orações interesseiras e pretensiosas. Pessoas que acham que podem mandar em Deus como se Ele fosse o servo e nós os senhores. Alguns cantam: “Eu quero de volta o que é meu”, como se tivéssemos algum direito, como se fôssemos merecedores de alguma coisa diante de um Deus completamente santo. Aquele que combate em oração sabe de sua real situação diante de Deus. Ele sabe que nada merece e que em alguns momentos Deus não fara da forma que queremos, mas ainda assim fará sempre o que é melhor para que aquele que foi chamado pelo seu decreto (Rm 8:28).

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