segunda-feira, 20 de agosto de 2012

OS PROPÓSITOS DE UM MINISTRO DE CRISTO


Romanos 15:14-21


Paulo encerra suas argumentações e começa as despedidas. Mas, sabendo que provavelmente seria questionado por judaizantes ele mostra os objetivos do apostolado e sua verdadeira missão. Stott afirma que Paulo volta a falar de uma forma pessoal à Igreja em Roma. Creio que tudo isto é verdade, mas realmente ele caminha para o fim.
Ele deixa claro que os irmãos de Roma pareciam ser bem maduros e cheios de virtudes espirituais(v. 14). Hoje o que mais carecemos é de igrejas maduras e com estas virtudes descritas pelo apóstolo. Paulo expõe à Igreja de Roma que ele escreve ousadamente “para que seja agradável a oferta dos gentios”. O homem de Tarso está preparando terreno para mostrar o grande objetivo dele ir a Roma (15:24). Ele queria, além de conhecer a famosa igreja, ser adotado como missionário daquela igreja.
Sendo assim, neste parágrafo ele vai delinear propósitos de um ministro de Cristo.


1.    Manter viva a doutrina das Escrituras (v. 15)

 “Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada”


Como vimos, Paulo tinha como objetivo pedir ajuda a Roma para sua viagem missionária à Espanha. Mas, apesar do interesse pessoal, Paulo não deixa de escrever ousadamente e de manter viva a doutrina que acreditava, que neste caso é o centro da carta em questão, a saber: “A justificação pela fé”.
Quantos hoje tem procurado agradar pessoas de púlpito. Quantos hoje procuram fazer aquilo que as pessoas querem e pregam aquilo que elas desejam ouvir para garantir seus sustentos ou para garantir seu ministério.
Paulo alertou Timóteo e Tito nas três epístolas sobre o perigo das falsas doutrinas. De doutrinas de homens, feitas para agradar homens (I Tm 1:10; 2 Tm 4:3; Tt 1:9; 2:1). No último versículo citado Paulo enfatiza a Tito: “... fala o que convêm a sã doutrina”. O verdadeiro ministro de Deus não fala aquilo que lhe convêm, nem tão pouco aquilo que convêm a seus ouvintes. O verdadeiro ministro sabe que muitas vezes não será ouvido (Is 53:1). Que muitas vezes estará falando como que no deserto (Is 40:3). Mas, apesar de tudo isto, o verdadeiro ministro persevera na exposição da doutrina das Escrituras pois sabe que:
“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.” (II Tm 3:16, 17)

O verdadeiro ministro sabe da perfeição das Escrituras, e sabe que além da perfeição ela é suficiente para levar o homem à presença de Deus e ser transformado pelo poder do Espírito Santo.
Meu amado, talvez você esteja procurando uma igreja que lhe agrade, mas você precisa procurar uma igreja cuja doutrina é mantida viva na memória das pessoas. Não é o que nos agrada que é mais importante, mas é o que de fato precisamos. Quantos têm procurado igrejas para terem suas necessidades nesta vida atendidas, quando na realidade devemos procurar lugares onde o céu e a eternidade são apontados como nossos alvos principais. Lugares onde fato o evangelho de Deus e de Cristo é exposto.


2.    Ministrar o evangelho de Deus e de Cristo (v. 16, 18, 19)

“que eu seja ministro de Jesus Cristo entre os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo.”
“Porque não ousaria dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras; pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.”


Paulo se utiliza das prerrogativas sacerdotais para mostrar o papel do ministro de Cristo. Ele está preparando o caminho para pedir auxilio à Igreja de Roma para sua viagem missionária. Os sacerdotes viviam das ofertas alçadas, por isso Paulo vê semelhanças entre o ofício sacerdotal e o ministro do evangelho.
Ao ministrar o evangelho de Deus Paulo deixa claro que isto era para que os gentios fossem alcançados com o verdadeiro evangelho. Não tem como uma oferta ser agradável se ela não for pura e verdadeira. Por isso o verdadeiro evangelho precisa ser santificado pelo Espírito Santo.
Nos versos 18 e 19 Paulo deixa claro que o mais importante do evangelho é a pregação. A ênfase nestes versos está na pregação do evangelho e não nos sinais e prodígios. De nada adianta ter uma igreja ou grupo cheio de milagres, sinais, prodígios, entre tantas outras coisas, se o evangelho não for verdadeiro e puro. Se Cristo não tem sido apresentado como a solução para o pecado do homem perdido e para segurança dos eleitos de Deus. Stott afirma que Paulo se recusa a enumerar suas proezas. Particularmente vejo isto como sendo a prova de que a centralidade da obediência (que neste caso traduz a fé) é a pregação do evangelho (Rm 10:17).
Além de expor a doutrina pura das Escrituras, o ministro precisa pregar o evangelho de Deus. Hoje o que mais vemos é um evangelho centrado no homem. Uma pregação centrada na vontade humana e não de fato na vontade divina. Paulo mostra que o verdadeiro evangelho leva os gentios a serem ofertas vivas de sua pregação e ao mesmo tempo eles são levados a obedecerem a Deus.
Se você tem procurado na igreja algo que possa lhe agradar ou lhe ser útil somente ou principalmente para esta vida, você ainda não compreende o sentido do evangelho. Você ainda não compreende o que significa a morte de Cristo e tudo que pregamos até aqui sobre a justificação pela fé.


3.    Viver pelo poder do Espírito (v. 19)

“...na virtude do Espírito de Deus...”


Dentro da argumentação onde Paulo mostra que o ministro expõe o evangelho de Deus e de Cristo ele usa uma expressão que mostra toda sua capacidade e fé. Ele afirma que tudo que faz, quer sejam os sinais e prodígios, quer seja a pregação do evangelho; faz através do poder do Espírito.
O ministro que confia no poder do Espírito não se entrega a modismos. Ele sabe que mesmo que sua voz não seja ouvida por homens, será ouvida por Deus. Ezequiel entendeu muito bem isto. Nos três primeiros capítulos de seu livro profético Deus o manda falar quer o ouçam ou não (Ez 2:5, 7; 3:11, 27), e ele o fez com autoridade. No capítulo 37 Deus o manda pregar para ossos secos, ele não usou nenhuma estratégia mirabolante, nem tão pouco procurou se comportar como aqueles ossos, ele simplesmente profetizou.
O ministro de Deus não altera sua mensagem para agradar, porque ele confia no poder do Espírito para transformar os eleitos de Deus conforme a doutrina e o evangelho de Cristo. Ele não quer encher a igreja para garantir seu salário, pois sabe que Deus é provedor de todas as coisas e mantenedor de tudo que há.
O ministro de Deus sabe que a pregação precisa ser pura. Não precisamos mentir no púlpito para alcançar ninguém. Não precisamos manipular as pessoas para que estas se convençam do evangelho. O poder do Espírito é suficiente para convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo.
A sã doutrina e o verdadeiro evangelho são obras do poder do Espírito e não obras de mentes criativas, porém pecadoras. É Deus que deve nos dirigir através de sua Palavra a pregarmos aquilo que ela mesma determina.
Assim como o evangelho, a ênfase do poder do Espírito está na proclamação. Paulo não se exalta, mas ele exalta o Espírito procurando proclamar uma mensagem pura e verdadeira.


4.    Não pregar em terrenos alcançados (v. 20)

“E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado o verão, e os que não ouviram o entenderão.”


Paulo sabia que o evangelho estava sendo disseminado com muita velocidade. Além dos apóstolos, muitos comerciantes através das vias romanas levavam o evangelho por toda parte. Porém, Paulo também sabia que a mensagem que estava sendo pregada era o verdadeiro evangelho.
Hoje temos muita dificuldade em determinar qual a verdadeira mensagem do evangelho. Não proclamar em terreno alheio é não proclamar aonde Jesus é pregado em sua totalidade.
Tenho muito respeito por outras denominações. Algumas tenho amor e admiração profundos que me fazem acompanhar suas trajetórias à distância. Tenho plena convicção que, embora haja algumas diferenças, o evangelho realmente está sendo pregado. Não precisamos de implantar igrejas onde tais grupos se encontram porque o que importa é que Cristo seja de fato pregado.
O problema é que hoje temos grupos que não pregam a Cristo. É muito comum conversarmos com pessoas que não têm conhecimento algum do verdadeiro evangelho. Pessoas que acham que o verdadeiro evangelho é aquele pregado através de rituais místicos, de manifestações sobrenaturais ou porque foram alcançadas por bênçãos materiais. Estes terrenos, à luz do que Paulo ensina em toda epístola aos romanos e também aos gálatas, não foram alcançados pelo evangelho verdadeiro.
O verdadeiro evangelho é aquele que aponta somente para Jesus como Senhor e Salvador de nossas vidas. O verdadeiro evangelho é aquele que mostra somente um caminho e um mediador entre Deus e os homens, Jesus. O verdadeiro evangelho é aquele que sabe que a obra da Cruz foi suficiente e não precisamos de mais nada para alcançarmos a salvação.

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