segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A ETERNA ALIANÇA DE DEUS COM SEU POVO



Oséias 1:1-12


Estamos iniciando uma série de mensagens no livro de Oséias. Foi e tem sido um grande desafio preparar este material, mas espero em Deus poder expor com clareza e poder a Palavra do Senhor.
O profeta Oséias profetiza por um período longo. Logo no início de seu livro se percebe isto quando fala de vários reis. É interessante notar que o rei que ele cita de Israel é somente Jeroboão II. Não quer dizer que ele profetizou somente neste reinado, mas é possível que depois de um tempo ele já estivesse em Judá, o reino do sul.
Nosso profeta é contemporâneo em sua juventude de Amós. Este profetiza com autoridade contra o pecado dos líderes e do próprio povo. Em sua velhice Oséias foi contemporâneo de Isaías e Miquéias. Estes são profetas messiânicos que profetizam contra a nação de Judá principalmente. É tremendo notar que Oséias mescla tanto a ideia de Amós quanto as de Isaías e Miquéias.
Oséias concentra sua pregação no reino do Norte, Israel, mas não deixa de dar algumas pinceladas em Judá.
Oséias significa “salvação”. Reflete o caráter de Deus e de sua mensagem. Durante todo seu livro vemos a mão de Deus na proteção e direção de seu povo, que por sua vez desvia-se do caminho do Senhor através do adultério do culto a Deus e de suas vidas longe da vontade do Senhor.
Sob o reinado de Jeroboão II Israel conheceu seu apogeu político, mas foi também sob seu reinado que teve início a grande decadência. Valendo lembrar que em nenhum momento Israel conheceu um apogeu espiritual desde sua separação do reino do sul, Judá.
Uma explicação vale ser dada para que não haja confusão. Apesar do grande número de reis que aparecem nas profecias de Oséias, não quer dizer que ele profetizou por quase cem anos. Muitos destes reis fizeram corregências com seus filhos, como foi o caso de Jotão com Uzias, e este com Acaz.

Um dos grandes problemas de Oséias é seu casamento com uma mulher adúltera. Muitos acreditam que isto não passou de uma figuração, pois Deus jamais daria a ordem para um profeta seu casar com uma prostituta. Outros acreditam que o casamento foi real, mas não foi uma ordem antecipada, mas que Oséias refere-se que ele casou dentro da vontade de Deus e a sua esposa se prostituiu depois, porém Deus sabia que isto ocorreria, ainda assim orientou o profeta para casar-se com Gômer para simbolizar o amor que Ele tinha para com seu povo que o trai. Particularmente parece que esta ideia é a melhor, principalmente pelo contexto que o livro oferece.
Vale aqui ressaltar os valores simbólicos que vemos na profecia nestes primeiros capítulos:
i)           Oséias – simboliza o próprio Deus e em alguns momentos a obra de Cristo na cruz do calvário.
ii)         Gômer – simboliza o povo de Deus que trai o Senhor caindo em idolatria e ficando longe da vontade do Deus e sendo depois resgatado pelo seu imenso amor.
iii)        Lo-Ruama e Lo-Ami – representam o resultado da prostituição de Gômer. Mostra como o povo de Deus gera filhos que não são de Deus através de um culto que não agrada ao Senhor e de uma profecia que está longe de ser aquela que Deus realmente deseja.
iv)       Jezreel – simboliza o julgamento do Senhor através do filho legítimo de Deus com seu povo.

 O livro mostra o tempo todo a ameaça do juízo divino e a restauração do povo de Deus. O povo havia se corrompido, mesmo diante dos avisos de Elias, Eliseu, Jonas e Amós.
Destacam-se duas diretrizes para nossa interpretação dos primeiros 3 capítulos:
i)                     A experiência do profeta é real;
ii)                   Gômer não era uma prostituta quando se casou com Oséias;

 Com base no exposto acima vemos o que Deus pretende dizer através do profeta de uma forma majestosa. Mais do que isto, podemos ver que Israel foi apenas um tipo e a igreja hoje é o antítipo onde a plenitude dessas profecias se cumprem.

1.    Deus continua amando o seu povo mesmo quando este peca (v. 2, 3)


O casamento de Oséias simboliza o amor de Deus pelo seu povo, mesmo quando este se afasta dos propósitos de Deus.
Se considerarmos que os dois últimos filhos de Gômer não eram filhos de Oséias (v. 2 diz “filhos da prostituição” e os versos 6 e 9 dizem que ela “concebeu e deu a luz” enquanto que no verso 3 diz “ela concebeu e lhe deu um filho” ), entendemos que o povo de Deus se prostitui e gera filhos dessa prostituição. A igreja hoje tem feito isto. Ela tem se prostituído e gerado filhos que não são filhos de Deus. A pregação vazia do poder de Deus, o discipulado baseado no humanismo, geram filhos somente de si mesma e do adultério da Palavra de Deus. A igreja de hoje se prostituiu, mas Deus ainda ama seu povo e por isso o disciplina.

2.    Deus disciplina o seu povo (v. 4, 5)

Jezreel se localizava no mesmo vale de Megido onde em Apocalipse ocorrerá a grande batalha de Armagedom (Ap 16:16). O nome tanto pode significar “Deus semeia” ou “Deus espalha”. Ambos os significados mostram como Deus trata o seu povo que vive longe de sua vontade.
Jezreel foi a cidade onde moraram alguns dos reis de Israel, e onde Jeú acabou com a casa de Acabe. Deus prometeu trazer castigo sobre a casa de Jeú e fazer cessar o reino e o arco (poder militar) de Israel (II Re 10).
Hoje se prega que a igreja não passará pela tribulação. Não consigo ver isto em uma igreja prostituída pelo humanismo e liberalismo e que precisa ser purificada. A tribulação será o ato purificador de Deus sobre o seu povo. A igreja nasceu sofredora e será arrebatada sofredora.

3.    Deus protege seu povo pela sua graça (v. 7)

“Mas da casa de Judá me compadecerei e os salvarei pelo Senhor, seu Deus; pois não os salvarei pelo arco, nem pela espada, nem pela guerra, nem pelos cavalos, nem pelos cavaleiros.


A aliança de Deus é unilateral. Ele salvará o seu povo mesmo quando este não estiver andando nos caminhos que estabelecera.
É o amor de Deus pelo seu povo que sustenta os verdadeiros filhos de Deus. O Senhor nos protege e ampara mesmo quando nos afastamos de seus propósitos.
É importante notar as expressões de Oséias “me compadecerei e os salvarei”. A salvação do povo de Deus não é porque haja algum ato meritório, mas simplesmente porque Deus nos contempla com a sua misericórdia. Ao afirmar que “não os salvarei pelo arco, nem pela espada...” Deus está falando pela instrumentalidade de Oseías que nossas ações são vazias para nos salvar. Que nada que façamos será suficiente para sermos resgatados.
Isto significa ainda que muitos hoje estão longe da vontade de Deus, apesar de serem eleitos do Senhor. Mas o próprio Deus os resgatará através do seu guia.

4.    Deus dará um único guia para o seu povo restaurado (v. 11)

“E os filhos de Judá e os filhos de Israel juntos se congregarão, e constituirão sobre si uma única cabeça, e subirão da terra; porque grande será o dia de Jezreel.”

Oséias deixa claro que Deus resgata seu povo. Deus resgata o remanescente através de seu poder. Mesmo na tribo de Israel, onde o pecado e a idolatria mais imperavam, Deus mantem o seu remanescente. O povo escolhido de Deus será restaurado mediante um guia, Jesus Cristo.
O Messias prometido será o meio escolhido por Deus para guiar o seu verdadeiro povo. É "única cabeça" da profecia de Oséias. Mesmo aquela parte que prostituiu será resgatada pelo poder de Deus. A profecia de Oséias é muito clara, mas ainda muitos insistem de não quererem ver.
A igreja hoje está prostituída. Muitos filhos desta prostituição são resultados do pecado da desobediência do povo de Deus. Mas apesar disto, ainda há aqueles que são guiados por Jesus. Independente da denominação que seguem, aqueles que são guiados por Cristo serão resgatados naquele grande Dia. No dia do julgamento, aqueles que seguirem a Jesus, “subirão da terra”. Espero que você seja um dos que suba para sempre estar com o Senhor.

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