segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DOS CRISTÃOS


Romanos 16:1-16


Encerrada a parte ministerial de sua saudação, Paulo passa a se despedir de determinadas pessoas. Creio firmemente que isto prova que Pedro não foi o fundador da igreja Romana. Segundo os defensores desta linha, Pedro estaria liderando a igreja exatamente no período que Paulo escreve esta carta. Se realmente Pedro estivesse lá é no mínimo estranho Paulo não cumprimentá-lo, uma vez que Paulo o considerava uma das colunas da Igreja (Gl 2:9).
Da forma que Paulo escreve parece ficar claro que Febe foi a portadora de sua carta e que a igreja deveria recebê-la com amor. Até o verso 16 Paulo saúda alguns irmãos que àquela altura estavam em Roma. Do verso 21 ao 23 ele permite que seu amanuense, Tércio, saúde os romanos com sua própria escrita e insira os nomes daqueles que estavam com eles.
Ao saudar os crentes de Roma Paulo destaca algumas características que são básicas para um verdadeiro Cristão.



1.    Sempre prontos a estender a mão (v. 1)

Paulo apela para a hospitalidade dos romanos à Febe. Esta serva de Deus recebera o apóstolo com amor e carinho em sua casa, e Paulo então solicita à Igreja que a receba de igual modo. Hoje vivemos ensimesmados e não nos preocupamos em estender as mãos para aqueles que realmente precisam. Parece que o bem estar dos santos de Cristo era uma preocupação constante do apóstolo dos gentios.
Outro problema que temos hoje é apoio aos nossos missionários. Muitos são os missionários que não conseguem apoio em seus campos de trabalhos. Isto ocorre porque vivemos dias onde as pessoas estão muito preocupadas consigo mesmas. Claro que não podemos negligenciar a segurança, mas mesmo quando se tem referência há uma grande dificuldade de se conseguir apoio.
Estender a mão para outro cristão envolve uma série de fatores. Paulo destaca alguns em suas cartas através da expressão “uns aos outros”:

a)    Receber uns aos outros (Rm 15:7)

b)    Servir uns aos outros (Gl 5:13)

c)     Benignos uns aos outros (Ef 4:32)

d)    Consolando uns aos outros (I Ts 4:18)

e)     Exortar e edificar (I Ts 5:11)


Estes são apenas alguns dos muitos conselhos que vemos na Palavra de Deus sobre uma vida que olha para outra vida. Precisamos resgatar a ideia de estender a mãos uns aos outros. Precisamos deixar de sermos ensimesmados para podermos realmente ter uma comunidade que vive uma mutualidade santa e ordeira na presença de Deus.


2.    Auxiliadores da obra de Deus (v. 3-5, 9)

Priscila, e seu esposo Áquila, recebem, juntamente com Urbano, o elogio de serem cooperadores do trabalho do apóstolo Paulo. O apóstolo usa uma expressão que dá a ideia de alguém que o ajuda em seu trabalho. A obra de Deus é grandiosa e qualquer homem ou mulher que se coloque na frente da batalha precisa de cooperadores. Ninguém consegue realizar uma obra tão grandiosa se não tiver cooperadores.
Desde o Antigo Testamento podemos ver isto. Moisés realizou uma grande obra, mas ao seu lado estavam Josué e Calebe. Davi empreendeu grandes vitórias, mas ao seu lado havia homens como Jonatas e Asafe. Muitos na história são chamados para estarem ao lado de homens que mudaram, pela ótica humana, história. Lutero tinha em Melancton seu companheiro.
Deus age ainda mais através do seu corpo, a igreja. Quando se age só o desgaste é maior. Vemos no exemplo de Elias isto. Ele se sentia só e seu desgaste foi tão grande que mesmo após uma grande vitória sobre centenas de profetas de Baal, ele estremeceu diante das ameaças de Jezabel.
Paulo era alguém que sabia muito bem o valor de um auxiliador. Quando estava no final de sua vida muitos destes mesmos irmãos que ele agora saúda, abandonam-no e ele sente a companhia firme e amorosa do médico amado, Lucas (II Tm 4:11).
O grande problema de hoje que tem muita gente querendo ser Paulo, e poucos aceitando ser Lucas. Tem muita gente querendo ser Lutero, e poucos aceitando a situação de Melancton. Cooperadores são pessoas que muitas vezes não aparecem, que muitas vezes ficam atrás das cortinas sem serem notados na maioria do tempo.
Esta é uma característica que os cristãos de hoje não gostam muito. Ficar nos bastidores não faz bem, queremos ser notados ou reconhecidos pelo que fazemos. Saiba meu amado que Deus faz muito com seus heróis, mas faz mais ainda com seus anônimos. Paulo foi um grande pregador, mas se a igreja não fosse dispersa o evangelho jamais alcançaria a dimensão que alcançou (At 8:1). Foram homens e mulheres anônimos que levaram o evangelho anunciando pelas vias romanas e pelos seus comércios. Seja um auxiliador na obra de Cristo deixe tudo acontecer naturalmente. Não se deixe vencer pelas dificuldades porque o cristão genuíno é um trabalhador incansável.


3.    Trabalhadores incansáveis (v. 6, 12)

Paulo saúda certa Maria, que não sabemos quem é, a Trifena e Trifosa, além de Pérside, com uma expressão que carrega a ideia de alguém que trabalha exaustivamente. Que nunca cessa de trabalhar para o Senhor. São pessoas que não desanimam da obra na primeira dificuldade que enfrentam. Que não se deixam enganar pelas astutas ciladas do Diabo, mas que se colocam sempre prontos para trabalhar.
A Bíblia nos mostra que só pode ser alguém assim quando se espera em Deus e não nos homens. Isaias diz:
“Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.” (Is 40:31)

Muitos saem da igreja e desistem da caminhada porque não esperam no Senhor. Muitos estão esperando em homens e por isso, na primeira decepção se cansam da jornada. Paulo está falando de homens e mulheres que trabalham sem reclamar. Muitos reclamam dos outros e por isso não trabalham. São pessoas que colocam a mão no arado, mas insistem em olhar para trás. Jesus afirma que aquele que faz isto, não é apto para o reino de Deus (Lc 9:62).
Hoje quero lhe desafiar a esperar em Deus e não deixar que as agruras desta vida lhe atrapalhem. Não deixar que as dificuldades constantes lhe façam desistir de labutar para o Senhor. Que todos nós saibamos que o labor a Deus vale a pena, mesmo com nosso sacrifício.


4.    Prontos para o sacrifício (v. 7)

Paulo cumprimenta Andrônico e Júnias afirmando que eles são seus companheiros de prisão, além de serem parentes dele na carne. Paulo não fala mais sobre esta dupla, mas ele demonstra um grande apreço por eles ao dizer que são “notáveis entre os apóstolos”. A expressão que ele usa para notáveis reflete uma posição privilegiada que tinha este casal amado. Além disso, eram pessoas mais antigas na fé do que próprio Paulo.
O que podemos aprender com estes dois é maravilhoso. A forma como Paulo escreve descreve que eles continuamente estavam sendo presos por amor ao evangelho. Eles não só acompanhavam Paulo em suas pregações como também em suas prisões. Eram pessoas prontas para pagarem o preço pelo seu cristianismo.
Hoje vemos poucos em nosso meio que estão prontos para isto. Poucos que realmente se derramam diante de Deus e estão de fatos prontos para se sacrificarem pelo Senhor. Temos medo hoje de perder nossos empregos. Temos medos de sermos renegados pela sociedade que nos cerca. O cristianismo moderno tem se preocupado em ser atraente ao mundo e não tem mais gerado prisioneiros no Senhor.
O último grande tema de Paulo nesta epístola teve início no capítulo 12. Logo no início o apóstolo afirma que devemos apresentar os nossos corpos em sacrifício vivo. O sacrifício vivo envolve estar pronto para morrer pelo evangelho. É estar pronto para perder emprego por amor do evangelho. Em alguns casos é perder a própria família. Quando estamos prontos para isto, estamos próximos de sermos aprovados.


5.    São aprovados em Cristo (v. 10)

Apeles é uma das muitas personagens que aparecem somente uma vez na Bíblia. Ele surge em uma das expressões mais nobres de toda Escritura: “varão aprovado”. No Novo Testamento somente Paulo utiliza desta expressão para homens. Lucas a utiliza para se referir a Jesus em Atos 2:22.
A expressão que Paulo usa surge no grego algum tempo antes de Cristo. As moedas gregas eram falsificadas em grandes quantidades. Para garantir a veracidade das moedas era cunhada no metal a expressão grega “dokimos”, que significa “aprovado”. Os homens que por fama eram corretos no trato financeiro também eram chamados de aprovados e cabia a eles cunhar as moedas. Com o passar do tempo a expressão ganhou novos significados. No período do Novo Testamento referia-se a alguém que era agradável ou aceitável.
O que Paulo está mostrando aqui é de Apeles era alguém aceito por Deus, ou seja, aprovado pelo Senhor. Como podemos ser de fatos aprovados por Deus? A Bíblia mostra alguns homens que foram aprovados por Deus. A principal característica de alguém aprovado é o fato dele andar com Deus. Foi isto que vimos em Enoque e Elias que subiram sem ver a morte, eles andavam com Deus.
Outra característica de alguém aprovado é seguir a Deus com integridade e sinceridade de coração. Foi exatamente isto que Deus disse que havia no coração de Jó (Jó 1:8). Este patriarca foi aprovado pois no seu coração havia sinceridade no serviço a Deus. Muitos hoje trabalham visando seu próprio engrandecimento.
Muitos buscam sua aprovação através de estereótipos que não falam nada. Conseguem talvez enganar a homens, mas, com certeza, não enganam a Deus. Pois o aprovado precisa ser um eleito de Deus. 


6.    São eleitos no Senhor (v. 13)

Eis um grande mistério da fé. Quem são os eleitos de Deus? É uma pergunta que há séculos tem perturbado os cristãos, em especial os teólogos. Muitos afirmam que os eleitos de Deus foram escolhidos pelo Senhor sem qualquer critério com base tão somente em sua soberania. Outros ainda afirmam que compete ao homem escolher de que lado ele quer estar e a eleição seria tão somente pela presciência de Deus. Particularmente não tenho ainda uma posição definida. À luz da Bíblia, pelo critério quantitativo parece que o primeiro está mais próximo da verdade. Todavia, em nenhum momento a Bíblia descarta a responsabilidade humana. O que posso dizer é que Deus sabe. Compete ao pregador da Palavra de Deus apenas expor o evangelho que consiste nas Boas Novas de Salvação para todo aquele que crê.
Um ponto crucial para o entendimento de eleição é que ela consiste em um ato soberano de Deus. Ele não tinha obrigação nenhuma de nos salvar. Independente se foi pela presciência ou pela soberania pura, Deus não tinha obrigação alguma. Sendo assim, são eleitos no Senhor aqueles que são alcançados pela sua graça. Não adianta achar que há algum mérito em alguém, ninguém é merecedor. A própria Maria foi saudada pelo anjo com a expressão “salve agraciada”. É a ideia de que não havia mérito algum em Maria. Ela era pecadora como qualquer um de nós. O eleito de Deus tem que saber que não merece nada e é pecador como qualquer outro ser humano.
Outro ponto importante para eleição é entender que são eleitos aqueles que se arrependem de seus pecados e colocam na Cruz de Cristo toda sua confiança para a remissão de suas iniquidades. Apenas frequentar igreja, ou cumprir todos os ritos não faz de você um eleito de Deus. Somente mediante um arrependimento sincero e uma confiança plena na obra da Cruz que nos tornamos eleitos de Deus.
O eleito de Deus é aquele que tem a Jesus como Senhor de sua vida. Apenas dizer que aceita a Jesus como Salvador não é suficiente, é necessário uma confiança plena para caminhar nesta vida dentro da vontade de Deus. Se Jesus não for o Senhor de nossas vidas, não somos eleitos dele.
Estas e outras características fazem de uma pessoa um eleito de Deus. Se você ainda não tomou a sua decisão de seguir por este caminho, hoje é a sua oportunidade.

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