sexta-feira, 23 de novembro de 2012

APRENDENDO COM UM DEUS MAJESTOSO

Lucas 1:26-38

26 E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27 a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.
28 E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
29 E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta.
30 Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus,
31 E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
32 Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai,
33 e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.
34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?
35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
36 E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril.
37 Porque para Deus nada é impossível.
38 Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.

Depois que Gabriel anunciou o nascimento de João Batista, passou-se seis meses e o mesmo anjo foi anunciar a outra mulher um nascimento muito especial. Aquele que seria o motivo da vida e morte de João estava por vir, Jesus Cristo.
Jesus é a promessa dos profetas desde a antiguidade (Mq 5:2). É o ungido que viria para edificar Israel (Dn 9:25). Ele é o profeta prometido que viria para ocupar o lugar de Moisés (Dt 18:15). Ele é o Maravilhoso Conselheiro, o Deus Forte, o Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz, cujo principado e a paz nunca terão fim (Is 9:6,7). 
Diante de tudo isto Gabriel anuncia o nascimento de Jesus para sua futura mãe neste mundo. Deste diálogo profético podemos aprender algumas coisas.

1.               Deus nos ensina humildade (v. 26)

“E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré”

O nascimento de Jesus foi anunciado em Nazaré, que era uma cidade simples. Nasceria em um povoado de sua época, Belém; em uma família simples; de uma mulher como outra qualquer, porém virgem como símbolo de sua pureza, pois seria o Deus conosco, Emanuel (Is 7:14).
Nazaré era uma cidade pequena do interior de Judá. Não tinha grandes coisas e nem mesmo profeta viera de lá (Jo 1:46). No texto citado Natanael questiona se de Nazaré poderia vir alguma coisa boa. Hoje ela é uma cidade com aproximadamente 70.000 habitantes, e capital do Distrito do Norte de Israel, sua fama parece que ajudou em seu desenvolvimento.
A família escolhida por Deus era simples. Maria estava prometida para José, já com o compromisso do noivado, que para o judeu da época era tão importante que para se desfazer, só com carta de divórcio. José era um homem simples. Sua profissão lhe impunha respeito, que muitas vezes é confundido pelos teólogos da prosperidade, mas na realidade ele era simples. A prova disso foi que, logo após o nascimento de Jesus, cumprindo os ritos judaicos, a família ofereceu duas rolas ou pombas como sacrifício, e isto só ocorria quando a família não tinha posses (Lc 2:24; Lv 12:8).
O Rei dos reis nasceria de uma forma simples e humilde. Sendo ele Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus (Fp 2:5). Seu nascimento e vida apenas comprovam sua humildade no sentido mais absoluto da Palavra.
Como é triste saber que hoje os cristãos vivem esbanjando orgulho e pompa. Tão diferente de Cristo. Tão diferente do verbo de Deus que veio ao mundo para buscar e salvar o que se havia perdido (Lc 19:10).

2.               A graça é distribuída de acordo com a vontade de Deus (v. 28)

“E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.”

A saudação feita a Maria mostra que há um grande equívoco daqueles que advogam que há algum mérito nela; ou ainda que ela não pecou ou coisa deste tipo. Quando o anjo afirma “salve agraciada”, está dizendo literalmente que Maria estaria recebendo um favor de Deus, mais do que isto, o favor não era merecido por ela. A expressão “Salve” nada tem de ligação com algo especial, é apenas uma saudação. A tradução da frase seria melhor: “Eu te saúdo, favorecida”. Nada mais, nada menos do isto.
Não havia mérito algum em Maria, da mesma forma que não há mérito algum em qualquer outro ser humano, porque todos somos pecadores (Rm 3:23). Veja bem que a Bíblia não abre nenhuma exceção. Isto significa que mesmo João, o maior dos nascidos de mulher, não ficou imune ao pecado. A própria Maria declara ser serva de Deus (1:38) e mais tarde iria chamar a Deus de seu Salvador (1:48). Se ela não fosse pecadora não precisaria de um Salvador. A salvação que a Bíblia trata refere-se à questão espiritual em função da nossa separação de Deus pelo pecado.
Meu amado e minha amada, talvez você esteja buscando méritos em si mesmo para merecer a salvação de Deus, ou a benção de Deus. Os teólogos da prosperidade alegam que aqueles que são fieis são merecedores das bênçãos de Deus. Pura mentira. Não há quem faça o bem, um sequer (Rm 3:10ss). Deus nos salva por sua vontade e esta ocorre pela graça e nós temos que aceitá-la pela fé (Ef 2:8). Maria foi escolhida pela graça e não por seus méritos próprios. O critério de Deus para a escolha? Eu não sei. Mas sei que sua graça é imensa e envolta pela sua soberania, onisciência e santidade, já é mais que suficiente. Pois Deus não se encontra em concepções humanas.

3.               A grandeza não está nas concepções humanas (v. 32, 33)

“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.”

O anjo deixa claro que a grandeza de Cristo seria o seu reino eterno. Muitos hoje olham para Jesus buscando somente coisas temporais nesta vida. São pessoas que estão sempre buscando a Deus pelos seus interesses.
Os apóstolos da atualidade se prendem a milagres e curas como se estas coisas fossem as mais importantes do ministério de Cristo e como se fossem elas que mostrassem a grandeza de Deus. Os milagres foram necessários para que mostrassem a própria incredulidade do povo judeu (Jo 20:31).
A grandeza maior de Deus para nós deve estar em nos salvar e dar a vida eterna. Este foi o principal motivo da vinda de Cristo. Esta é a vida prometida em João 1. Esta é a vida abundante de João 10:10. O próprio Jesus sofreu e foi pobre. Seus apóstolos, de um modo geral, foram mortos violentamente; e mesmo quando não foram, morreram como João, exilados em uma ilha até a morte. A grandeza de Deus não está em nossos feitos em nome dEle, mas a grandeza está no próprio nome dEle que nos dá a vida eterna e capacita homens simples a viver e morrer por Ele. São homens que sabem que Deus não tem limites em seu poder.

4.               O poder de Deus é sem limites (v. 37)

“Porque para Deus nada é impossível”

Uma das coisas que sempre me incomodava antes da conversão era a forma como os homens limitavam a Deus. Explico. Quando estudava a história humana sempre via deuses sendo moldados de acordo com a natureza humana. Tanto em suas virtudes, como também em suas fraquezas e defeitos.
A humanização dos deuses me lançava cada vez mais distante da fé. Um ser não criado e independente de tudo não deve satisfação a outro que foi criado por ele. Na minha concepção ateísta, se Deus existisse, não deveria satisfação a ninguém e não seria limitado por nada. A não ser por si mesmo e por sua vontade. Seria um Deus não limitado a caprichos humanos, nem tão pouco à própria natureza.
Lendo a Bíblia descobri esta concepção de Deus. O poder de Deus não é limitado por nada, a não ser pela sua própria vontade. Ainda hoje creio que os homens limitam demais a Deus. Mesmo teólogos tentam impor limites a Deus com suas teologias. Quando se prega perda de salvação, por exemplo, estão dizendo que a obra da Cruz não é suficiente. Quando se diz que Deus pode fazer qualquer milagre, menos garantir a salvação de alguém, nota-se uma limitação. Quando se acha que compreende como se dá nossa salvação partindo desse ou daquele atributo, limita-se a Deus. Para Ele nada é impossível. Nada é difícil. Nele nada é sobrenatural, pois a até a natureza ele domina. Nele nada é limitado, pois nem o universo pode conter a sua glória (I Re 8:27).
A maior prova deste poder está na própria humilhação de Deus em Cristo para formar um povo todo seu. Cristo na cruz veio para que nos tornássemos um nEle. Deus tem poder para transformar qualquer um. O sangue de Cristo transforma aqueles que aceitam o seu sacrifício. Este é o poder sem limites de Deus. Transformar o homem completamente perdido em um ser remido e salvo pela graça, sem mérito algum. Engravidar uma virgem, visto  por este ângulo, é coisa muito simples.

Nenhum comentário:

Postar um comentário