segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

UMA PODEROSA SALVAÇÃO

Lc 1:67-75


67 E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo e profetizou, dizendo:
68 Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo!
69 E nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo,
70 como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo,
71 para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos aborrecem
72 e para manifestar misericórdia a nossos pais, e para lembrar-se do seu santo concerto
73 e do juramento que jurou a Abraão, nosso pai,
74 de conceder-nos que, libertados das mãos de nossos inimigos, o servíssemos sem temor,
75 em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida.


Nosso pano de fundo ainda é o nascimento de João Batista. Seu pai recupera a fala diante de todos que ali estavam. Zacarias confirma que o nome do menino seria João, como o anjo Gabriel havia ordenado.
Havia no coração de Zacarias uma profunda gratidão pelo nascimento do seu filho que foi fruto direto da misericórdia de Deus. Mas, apesar do agradecimento pela bênção física e emocional alcançada, Zacarias, assim como Maria engrandece a Deus. Ele exalta a Deus pela salvação que é outorgada a seu povo.
Os judeus tinham uma visão bem distorcida do Messias. Eles esperavam que fosse um poderoso rei que livrasse a nação do jugo e da escravidão. Mas Zacarias tinha uma visão perfeita da promessa mais antiga da Palavra de Deus. O envio do Salvador.
Um dos grandes problemas que temos na atualidade é a visão distorcida da obra de Cristo. Prega-se muito a ideia de libertação de coisas desta vida. Assim como os judeus, muitos esperam em Jesus somente para cumprir coisas temporais. O testemunho não passa de um testemunho de livramento ou de bênçãos alcançadas, mas pouco se fala da libertação completa que vem de Jesus.
Como necessitamos ter a visão da verdadeira salvação a qual se refere a Palavra de Deus! Zacarias faz-nos pensar sobre esta salvação e nos apresenta pontos importantes que esta obra poderosa deve gerar dentro de nossos corações.

1.  Reconhecimento que a iniciativa é de Deus (v. 68) 

“Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo!”


Deus visitou e remiu seu povo. Se não fosse a atitude de Deus estaríamos perdidos. Somente pela sua misericórdia Deus alcança o seu povo. Não somos merecedores de nada, mas Deus nos alcança através de Cristo.
Zacarias, apesar da imensa alegria de ser pai em sua velhice, lembra de outro nascimento que ainda viria, o de Jesus. A expressão “poderosa salvação da casa de Davi” é uma referência a Jesus. O pai de João Batista sabia que Cristo seria o grande motivo do nascimento de João. Porque foi o próprio Deus que tomou iniciativa em salvar o seu povo.
Hoje, assim como nos tempos bíblicos, muitos pensam que é do homem a iniciativa de ser salvo. De forma alguma, sempre partiu de Deus. Foi o próprio Deus que quis enviar seu filho para nos salvar. Ele poderia escolher um modo menos doloroso, mas não quis. Deus nos salva através do sacrifício de seu filho.
Mesmo hoje, precisamos ter consciência que a única coisa que podemos fazer é nos arrependermos de nossos pecados. Muitos vivem um ativismo religioso achando que são capazes por eles mesmos de conseguirem sua salvação. Ledo engano. Ninguém consegue. O próprio Jesus deixa claro ao falar sobre o Espírito Santo que somente este é capaz de convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo.

2.  Saber que a salvação é suficiente (v. 69)

 “E nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo”


A versão Almeida Revista Atualizada traduz como “plena e poderosa salvação”, o que parece ser mais fiel ao que o texto está querendo transmitir.

Zacarias ainda vivia como os profetas do Antigo Testamento. Ele ainda não tinha o Messias, mas o seu coração confiava na salvação que viria de Deus. Ele sabia que o primo de João seria este Messias que traria a plena e poderosa salvação.
Estas expressões carregam em si um peso tremendo. Elas mostram que Deus nos oferece uma salvação única e sobrenatural. Não é uma salvação qualquer, nem tão pouco algo pela metade. Não é uma salvação que depende de algo mais que eu tenha que fazer, mas ela é plena e completa.
Como é triste perceber hoje que a grande maioria dos cristãos, mesmo protestantes ou evangélicos, não têm certeza da sua salvação. Como é lamentável saber que muitos acham que se o crente sair da igreja ele perde salvação, como se esta não fosse completa. Respeito muito meus amigos que não creem na salvação plena e poderosa, mas isto é fruto de uma pregação pela metade e vazia de Deus e cheia de humanismo. É fruto de uma pregação antropocêntrica, onde o homem é o centro do universo e Deus apenas um velhinho de barba branca, pronto para ajudar em caso de necessidade.
Zacarias está dizendo algo tremendo para nós hoje. A salvação de Deus é completa e poderosa. Aquele que passa a pertencer ao Israel de Deus recebe uma salvação poderosa e completa.

3.  Confiança nas promessas de Deus (v. 70ss)


Zacarias passa a exaltar o fato que Deus já vinha prometendo esta salvação desde a antiguidade. As promessas de Deus sempre são cumpridas e Jesus seria o grande cumprimento destas promessas. Zacarias louva a Deus por isso. Ele nos mostra que tais promessas são:

a)    São promessas de justiça (v. 71)

“para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos aborrecem”


Deus promete realizar a verdadeira justiça. O homem através de seu pecado não consegue aplicar a justiça correta. O pecado nos cega e desorienta. Somente quando transformados por Deus podemos compreender o sentido da justiça.
Em várias passagens da Bíblia Deus mostra que vai vingar o seu povo. O povo de Deus tem sido perseguido desde os primórdios. Em Apocalipse encontramos que os mártires da grande tribulação clamam por justiça diante do trono de Deus (Ap 7:9-17). Deus em sua Palavra nos faz promessas de justiça. Mas a promessa de justiça de Deus somente se cumpre naquele que é justificado diante dele. Esta justificação só ocorre quando se é alcançado pela misericórdia de Deus, tema do último sermão.

b)    São promessas de misericórdia (v. 72)

“e para manifestar misericórdia a nossos pais, e para lembrar-se do seu santo concerto”


Zacarias repete mais uma vez a ideia de misericórdia. Uma das coisas que precisamos de ter em mente é que Deus não precisava fazer nada para nos salvar. Nada há no coração do homem que justifique a sua salvação (Is 59:2; Rm 3:23). Mas Deus, através de sua misericórdia que vem pelo seu concerto eterno, nos alcança e nos justifica em Cristo, mediante a fé (Ef 2:8).
Depois disto ocorre algo que maravilhoso, somos transformados.

c)     São promessas de transformação (v. 74)

“de conceder-nos que, libertados das mãos de nossos inimigos, o servíssemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida.”


Uma vez que o homem não consegue por si só ser justo (Sl 14:1; Rm 3:10ss), Deus o transforma pela sua misericórdia para que ele possa servir “em temor, em santidade e justiça diante dele”. Observe que estas coisas só podem ocorrer se formos de fato transformados por Deus.
Isto ocorre quando reconhecemos que precisamos dEle, pois nossos pecados nos separam do Senhor. Quando reconhecemos que somente através da obra da cruz podemos de fato ser transformados. E, finalmente, quando aceitamos o senhorio de Cristo em nossas vidas. 

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