segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

PREPARANDO O CAMINHO PARA A SALVAÇÃO

 Lucas 1:76-80


76 E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos,
77 para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados,
78 pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, com que o oriente do alto nos visitou,
79 para alumiar os que estão assentados em trevas e sombra de morte, a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz.
80 E o menino crescia, e se robustecia em espírito, e esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel.


O coração de Zacarias realmente estava voltado para Deus. Ele não começa exaltando o seu filho, mas o de Maria. Era alguém que realmente compreendera as Escrituras e que tinha uma visão perfeita de Deus, apesar de ser pecador como qualquer outra pessoa.
Depois de exaltar o Messias e se voltar para seu filho, a voz que clama no deserto. Ele mostra que João seria profeta de Deus para ir à frente do Cristo que viria. Deste ponto Zacarias passa a descrever que a obra de João seria para preparar o caminho de Jesus, nosso Salvador. Como consequência disso podemos tirar algumas lições sobre o caminho da salvação.

1.  É necessário conhecer a salvação (v. 77)

“para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados”

O verso em questão prova que Zacarias sabia bem o motivo da vinda do Messias. Ao contrário da grande maioria que esperava um Messias poderoso que viria para libertar o povo da opressão e colocar todos os reinos debaixo dos pés de Israel.
Quando se fala que Jesus vem para trazer a salvação é fundamental que se saiba de que Ele nos salva. Parece que muitos que estão nas igrejas estão buscando uma libertação apenas para as coisas dessa vida. São pessoas que não se curvam ante a realidade de seus pecados, e mesmo quando o fazem, não é esta a concepção que têm em seus corações.
Há muitos que estão nas igrejas, mas se acham merecedores de bênçãos. São pessoas que acreditam que por terem se autodeclarado cristãs receberão uma proteção sobrenatural de Deus.
O cristianismo autêntico deve nos fazer pensar em nossa pequenez. Ele deve nos fazer pensar naquilo que somos diante de Deus. Deus deve ser tudo para nós, mas principalmente Deus é o grande agente de nossa salvação através de seu amor e principalmente de sua misericórdia.

2.  A salvação é obra da misericórdia de Deus (v. 78)

pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, com que o oriente do alto nos visitou”

Zacarias afirma que o conhecimento da salvação vem das entranhas de misericórdia de Deus. Esta é uma forma muito profunda do pai de João afirmar que somos salvos porque Deus quer nos salvar.
Quando olhamos para nós mesmos nada há que nos faça merecer a salvação. Deus estende a nós a sua misericórdia e salva aqueles que aceitam sua oferta de amor na cruz. A morte de Jesus é o grande presente de Deus para nossas vidas. Somente aqueles que aceitarem a Jesus como Senhor e Salvador de suas almas, serão realmente resgatados. E somente estes são alvos da misericórdia de Deus.
Muitos ainda insistem em pensar que há méritos em sua vida. Que não merecem o que passam aqui, pois se acham boas demais. Deus não precisaria salvar ninguém. Ele poderia nos abandonar e nos enviar para a perdição eterna, que ainda assim seria justo. Mas através de seu imenso amor e de sua entranhável misericórdia Ele nos alcança.
Entenda isto, Deus nos visitou através de Seu filho, simplesmente porque teve misericórdia de nós. Jesus não veio ao mundo apenas para ser exemplo de amor. Ele não veio ao mundo apenas para que pudéssemos seguir seus passos. Isto tudo faz parte de um pacote maior. Neste pacote a misericórdia de Deus resgata aqueles que aceitam a obra redentora de Cristo. E, a partir daí, passam a ser iluminados e dirigidos por ele.

3.  A salvação ilumina e dá vida (v. 79a)

“para alumiar os que estão assentados em trevas e sombra de morte...”

Uma vez salvos de fato somos iluminados por Cristo. Esta ideia compreende a libertação definitiva da escravidão do pecado que assola todo ser humano. É exatamente isto que Jesus quis dizer ao afirmar “vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Jesus não está chamando porque tem pena daquele mendigo ou morador de rua. Jesus está chamando todos que desejam se libertar das garras do pecado que os oprime e assola. Jesus está convidando aqueles que desejam alcançar a misericórdia de Deus.
Uma vez alcançados por essa salvação teremos nossos caminhos iluminados pela Palavra de Deus. Ganha-se a partir daí uma nova expectativa de vida. A transformação ocorre em nossos corações e faz brotar uma nova criatura que viverá para todo sempre com o seu Senhor.
A Bíblia afirma que o mundo está mergulhado no maligno. Somente através da transformação operada por Cristo em nosso coração somos retirados da situação na qual nos encontramos e daí por diante somos dirigidos para um caminho de paz.

4.  A salvação nos dirige para um caminho de Paz (v. 79b)

“...a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz”

Eis a luta constante do homem, paz. A humanidade vive buscando e desejando esta paz há séculos. Mas o homem busca paz para si mesmo. A Bíblia nos promete a paz com Deus. Nossa maior guerra é a guerra que travamos contra Deus por causa dos nossos pecados. Podemos até alcançar paz com todas as pessoas, mas se não alcançamos a paz com Deus jamais teremos a verdadeira paz.
Zacarias está mostrando que seu filho está preparando o caminho para aquele que daria a verdadeira paz. O próprio Jesus afirmou isto:
“Deixo-vos a paz, a minha paz vos; não vo-la dou como o mundo a dá”

Veja bem que a promessa de Jesus é uma paz diferente. Não é a mesma paz que procuramos nesta vida. É uma paz que vai além do entendimento humano (Fp 4:7). É uma paz que traz a maior das reconciliações, a reconciliação com Deus (II Co 5:19).
Mas a mesma Palavra que nos aponta esta paz mostra que somente a alcançamos pela fé em Cristo Jesus (Rm 5:1). Não há outro caminho para o homem diante de Deus. Somente através de Jesus.   

O CAMINHO DA APOSTASIA

Oséias 4


O capítulo em questão nos traz alguns ensinamentos que devemos ficar atentos. O principal deles é o perigo da apostasia. Apostasia basicamente é a traição à fé. De certa forma muitos cristãos são apóstatas de suas antigas religiões.
Quando a Bíblia fala sobre apostasia do povo de Deus está se referindo, não a perda de salvação, mas de pessoas que se julgavam cristãs, mas de fato nunca foram. Pessoas cujos corações tinham um terreno que permitiu que crescesse um pouco da religiosidade e do entendimento verdadeiro, mas como não havia como desenvolver as raízes não resistiram e saíram.
Como cristãos devemos sempre examinar nossa caminhada para que possamos ter certeza de termos no coração a fé verdadeira. Uma fé que deve ser firmada inteiramente na Palavra de Deus.
Neste capítulo Oséias ainda nos ensina mais algumas coisas além das acusações contra o povo de Deus. Ele também nos ensina o caminho da apostasia. Devemos sempre nos vigiar para que não entremos neste caminho que pode ser sem volta.

1.  O caminho da apostasia começa quando não se busca conhecimento (v. 4-6)

4Todavia, ninguém contenda, ninguém repreenda; porque o teu povo é como os sacerdotes aos quais acusa. Por isso, tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. 6 O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.”

Vimos no último sermão que Deus acusa os sacerdotes pela falta de conhecimento de seu povo. Mas ao mesmo tempo ele não isenta o povo da culpa pela falta de conhecimento.  Oséias afirma no verso 4 que o povo é como os sacerdotes que são acusados. Apesar do problema começar nos sacerdotes, mas o povo gosta disto.
Os tropeços aos quais se refere o profeta, tanto dos sacerdotes como dos profetas, tem haver com suas vidas de ebriedade que viviam. Eram homens que se embriagavam de vinho e viviam em suas carnalidades.
A apostasia tem início no coração quando não buscamos o conhecimento da Palavra de Deus. Hoje muitos têm feito isto. Muitos tem trocado o conhecimento da Palavra de Deus pelo conhecimento de ciências humanas. Nos púlpitos são utilizadas palavras persuasivas de homens e não confiança no poder das Escrituras. O conhecimento das Escrituras tem sido rejeitado e trocado pelo conhecimento do ser humano.
Meu amado se você não o tem buscado o conhecimento de Deus através de Sua Escritura isto pode ser um mau sinal.

2.  A apostasia ocorre quando a religião é uma desculpa para o pecado (v. 8)

“Alimentam-se do pecado do meu povo e da maldade dele têm desejo ardente.”

O povo levava os sacrifícios pelos pecados, mas estes não eram combatidos pelos sacerdotes. Tanto o povo como os sacerdotes gostavam. Aquele, porque ganhava uma espécie de licença para pecar; estes, porque enchiam seus bolsos por causa do pecado do povo.
Como é triste notar que hoje não tem sido diferente. Nossos lideres hoje não combatem o pecado porque através dele seus soldos são garantidos. Nosso povo prefere que continue assim, pois desta forma pensam que estão agradando a Deus.
A religião torna-se uma desculpa para pecar. Não se acha errado mais nada. Tudo é permitido em nome da própria religião.
Israel achava que tudo estava indo bem porque seus ritos estavam indo bem. Hoje no Brasil tenho visto a mesma coisa. Fala-se que estamos vivendo um avivamento, mas na realidade o que tenho visto é o aumento do pecado do povo e o enriquecimento de líderes que se aproveitam deste mesmo povo.

3.  Caminha-se para a apostasia quando se acha normal a sensualidade e a embriaguez (v. 11, 13)

“A sensualidade, o vinho e o mosto tiram o entendimento.”
“Sacrificam sobre o cimo dos montes e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, dos choupos e dos terebintos, porque é boa a sua sombra; por isso, vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram.”

A expressão traduzida como “sensualidade” está um pouco longe do que Oséias realmente quer dizer. Ele usa um termo que designa fornicação ou prostituição. Nos dias de hoje o número de membros de igreja que praticam o sexo antes do casamento é o mesmo que no mundo. As pessoas estão achando normal isto. Em muitas igrejas os jovens participam do culto, alguns são até mesmo lideres dentro da igreja, mas depois vão para os motéis com seus namorados, ou namoradas. Tem se tornado algo muito comum. 
Na época de Oseias as pessoas participavam do culto e sacrificavam, como se estivessem se arrependendo de seus pecados, mas continuavam em suas vidas lascivas. Quando se começa achar que aquilo que Bíblia condena é normal, caminha-se para a apostasia.
Outro problema era a embriaguez. Hoje podemos usar este texto para aplica-lo ao problema das drogas. Muitos membros de igreja acham normal entrar em estado de embriaguez ou sob efeito de drogas. Isto tem feito com que muitos se afastem dos caminhos do Senhor, mas pior do que isto é achar que isto é normal e continuar oferecendo um culto a Deus. O Senhor não aceita este tipo de culto.                 

4.  O caminho da apostasia se completa quando se dá lugar a uma idolatria mística (v. 12, 16, 17)

“O meu povo consulta o seu pedaço de madeira, e a sua vara lhe dá resposta; porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus.”

Deus mostra sua tristeza ao ver o povo de Israel procurando outros meios que não fosse a Ele mesmo. A falta da fé verdadeira era notória em Israel com sua religiosidade cheia de misticismos e idolatrias.
Hoje não tem sido muito diferente. Muitos que se dizem crentes em Cristo Jesus buscam cultuar a Deus apenas para resolver seus problemas. São cultos voltados para empresários, desesperados, casamentos em crise. É o misticismo idólatra tomando conta do povo de Deus novamente.
O alerta de Oséias deve nos fazer pensar. Caminha-se a passos largos para apostasia quando se alimenta a religião com idolatria e misticismo. Não me refiro apenas a imagens de escultura, mas também rituais que mais lembram religiões místicas do que realmente o culto racional que a Palavra nos pede.
Precisamos acordar para um cristianismo sóbrio e firme. Um cristianismo que não se vende à popularidade, mas se preocupa com a verdade. Um cristianismo que não busca fazer coceiras nos ouvidos, mas proclamar a Palavra da verdade, mesmo que esta machuque.