segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A MISSÃO DO FILHO DE DEUS


Lucas 2:21-35


21 E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.
22 E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor
23 (segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo macho primogênito será consagrado ao Senhor)
24 e para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos.
25 Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.
26 E fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor.
27 E, pelo Espírito, foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei,
28 ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:
29 Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra,
30 pois já os meus olhos viram a tua salvação,
31 a qual tu preparaste perante a face de todos os povos,
32 luz para alumiar as nações e para glória de teu povo Israel.
33 José e Maria se maravilharam das coisas que dele se diziam.
34 E Simeão os abençoou e disse à Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel e para sinal que é contraditado
35 (e uma espada traspassará também a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.


Muitos colocariam aqui os magos chegando à manjedoura. Mas tenho que discordar com base nos próprios textos de Mateus e Lucas. Primeiro porque os magos entraram em uma casa (Mt 2:11). Este fato mostra que os presépios de natal não refletem uma realidade.
Outro ponto importante é observar que a fuga para o Egito se deu exatamente por causa da matança dos infantes que ocorre após a chegada dos magos. Porém Lucas narra a apresentação de Jesus oito dias após o nascimento, sendo assim, seria impossível encaixar os magos neste período. Como Jesus foi apresentado em Jerusalém se estava fugindo para o Egito?
Também é interessante notar que o texto não diz que eles foram até Belém. Eles ouviram a profecia e as palavras de Herodes e voltaram a seguir a estrela que parou sobre o lugar onde o menino estava (Mt 2:9).
Por último, Herodes manda matar os infantes de Belém e com certeza não acharam Jesus, pois este já não estava lá. Sua família estava em Jerusalém após a apresentação do menino e foi em Jerusalém que receberam os magos e a notícia triste da morte dos infantes.
Outra questão que o texto levanta e deixa claro é que Maria e José eram pessoas pobres. Ao oferecer rolas e pombas eles mostram que não tinham condições financeiras para fazerem a oferta da forma que a lei determinava. E, a própria lei, aplica uma alternativa para aqueles que não têm posses (Lv 12:3, 6-8).
Explicado isto, passemos a analisar o que este trecho da Palavra de Deus pode nos ensinar. Mais uma vez o que fica claro é a missão de Jesus neste mundo. O texto nos mostra algumas lições que podemos aprender com o nascimento de Jesus.

1.   Jesus veio para cumprir a lei em todos os sentidos (v. 21-23)


O autor aos Hebreus afirma que Jesus não teve pecado. Este fato ocorre desde sua infância. Seus pais, muito zelosos, cumpriram todo ritual da lei. Com isto pode-se dizer que Jesus cumpriu a lei em seu sentido cerimonial, civil e moral (espiritual). Sabemos que hoje o que mais nos importa é o sentido moral, mas a própria Escritura nos pede para que possamos obedecer também as leis dos homens. Quando pecamos contra a lei dos homens, desde que esta não infrinja a lei de Deus, também pecamos contra Deus.
Jesus precisava cumprir a lei para que pudesse ser sem mancha alguma. Quando o mestre desafiava os fariseus e líderes do povo, não era Ele que desobedecia a lei, mas era os mesmos líderes que o acusavam.
Porém o mais importante para sabermos aqui é que Jesus cumpriu aquilo que ninguém consegue cumprir. A Bíblia é muito clara em afirmar que somos todos pecadores (Is 59:2; Rm 3:23). Ao cumprir a lei e ir à cruz, Jesus se coloca em nosso lugar, paga a nossa dívida diante de Deus e aplaca totalmente a ira do Senhor sobre aquele que aceita este sacrifício. Pois ele veio para se tornar salvador do homem.

2.  Jesus veio para se tornar o Salvador do homem (v. 21, 30)

“...foi-lhe dado o nome de Jesus...”
“pois já os meus olhos viram a tua salvação”

Ao darem o nome que o anjo ordenara Maria e José estavam mostrando que entenderam a missão de Jesus e sabiam que estava nascendo para trazer salvação à humanidade.
Simeão também demonstra que entendera perfeitamente a missão de Cristo. Com a ajuda do Espírito Santo ele se mostra cônscio da missão de Jesus neste mundo.
No ponto anterior mostramos que Jesus cumpriu a lei em nosso lugar. Isto ocorre para que possamos alcançar a salvação que vem de Deus. Sem o reconhecimento de nossa situação, fica impossível também dizermos que Jesus é o nosso salvador.
Mais uma vez se nota que salvação aqui não tem nada haver com questões físicas ou materiais. Jesus veio para salvar seu povo de sua situação diante de Deus. Paulo deixa isto claro ao afirmar que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (II Co 5:19).
O amor de Deus foi tremendo ao enviar Jesus para cruz, mas ele não enviou para que ele salvasse a todos. Ele não enviou para salvar aquele que é bonzinho. Não. Ele enviou a Jesus para salvar o que estava perdido (Lc 19:10), e que se reconhece como perdido (Jo 3:16). É isto que consiste a salvação que Simeão fala e que o nome do Messias significa. Isto faz parte das promessas de Deus, e elas sempre se cumprem.

3.   Jesus veio para cumprir as promessas de Deus (v. 25-27)


A expressão “esperando a consolação” de Israel retrata que Simeão aguardava o cumprimento das promessas de Deus. Desde Gênesis podemos ver a ideia da remissão do povo de Deus. No capítulo 3 versículo 15 do primeiro livro da Bíblia podemos ver esta ideia estampada. Deus começa a preparar a humanidade para receber o Messias, para que este possa formar o povo de propriedade exclusiva de Deus.
Uma das coisas mais enfatizada na leitura dos primeiros capítulos de todos os evangelhos é o cumprimento das promessas divinas. Simeão sabia que Deus cumpriria suas promessas. Ele mantem uma intimidade com Deus tão grande que faz com que o Senhor lhe mostre que a promessa estava por se cumprir em sua geração.
Pedro escrevendo uma de suas cartas afirma: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia” (I Pe 3:9). Muitas pessoas deixam de acreditar em Deus porque acham que suas promessas não se cumprem. Mas a Bíblia nos garante que ele é um Deus de promessas e que nenhum til de sua Palavra vai deixar de se cumprir.
Hoje nós temos outra promessa de Deus. Temos a promessa que Jesus vai voltar e resgatar o seu povo. É a redenção final. É a definitiva salvação. Simeão pôde contemplar a salvação no sentido metafórico, naquele dia poderemos contemplar no sentido absoluto. É a promessa de Deus (I Ts 4:13-17). Naquele dia todo joelho se dobrará. Toda língua vai confessar o senhorio do Nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo.
Você tem aguardado a esperança do Senhor? Você tem aguardado a vinda do nosso Senhor?  O grupo Logos tem uma música que retrata este desejo maravilhoso que deve fazer com que nosso coração fique como o de Simeão: (para quem não conhece ouça aqui)

Oh Pai, eu queria tanto ver
O meu Senhor descer, vindo me encontrar
Eu posso até imaginar
A refulgente Glória do Senhor Jesus
Transpondo as brancas nuvens no mais puro azul
Onde nem sul nem norte existirá
E em meio a lágrimas, sorrisos de alegria e de prazer
Eu que era cego, agora posso ver
Contemplar, contemplar enfim
Por isso eu canto Glória

Glória! Glória ao autor da minha fé
Glória! Glória ao autor da minha fé

Oh Pai, eu queria tanto, tanto ouvir
O som que vai abrir o encontro triunfal
Rever amigos que, um dia, em Cristo foram feitos meus irmãos
E agora sim, podemos dar as mãos
Pois temos todos um, somente um, um só Senhor
E eis o consolo que envolve a minha vida
O meu Senhor Jesus que foi morto sim, naquela cruz
Voltará, voltará enfim
Por isso eu canto Glória

Glória ao Senhor!
Glória ao Senhor!
Glória ao Senhor!
O autor da minha fé


Mas esta gloriosa promessa traz com ela outra. Jesus vai voltar e julgar os pecados de todos.

4.   Jesus veio para trazer juízo sobre o pecado (v. 34,35)


Eis um trecho muito difícil a princípio. Os pais de Jesus estavam admirados da profecia de Simeão. Ele então passa a narrar algo sombrio que iria acontecer com o menino e o que isso traria para sua mãe. A morte de Jesus é retratada neste pequeno trecho. A espada que traspassa o coração de Maria parece ser uma alusão ao fato que ela vai ver tudo isto acontecer com o seu filho.
Mas o ponto central desta profecia é que Jesus está destinado “tanto para a ruína como o levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição”. A ideia aqui se repousa no fato que Jesus morrerá para julgar o pecado da humanidade. Através da morte dEle será separado o joio do trigo, os bodes das ovelhas, os salvos dos perdidos.
Como contradição Simeão está dizendo que a mensagem do evangelho pura e simples vai trazer divisão entre famílias, nações e pessoas. Hoje podemos ver isto ocorrendo com muita clareza. Mais e mais aumenta o número de pessoas que se negam a aceitar a mensagem real do evangelho. Pessoas que se moldam aos seus pensamentos de pecado para viverem suas vidas.
O nascimento de Jesus apenas aponta para sua morte. Aponta para aquele momento de horror e de dor para Maria e para muitos que veriam o ministério do Senhor. A cruz é o alvo do menino da manjedoura. Ela é alvo do sofrimento expiatório e propiciatório. E somente quem aceitar este alvo como sendo de libertação dos pecados, poderá alcançar a eternidade para sempre com o Senhor. Crê você nisto?


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