quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

ANUNCIANDO AS BOAS NOVAS



Lucas 2:8-20

8 Ora, havia, naquela mesma comarca, pastores que estavam no campo e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.
9 E eis que um anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
10 E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo,
11 pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
12 E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.
13 E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo:
14 Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!

Eis um dos momentos mais representados em peças e em filmes. Um momento impar na história da humanidade. Anjos se manifestam a muitas pessoas de uma vez só. É o anúncio do grande Salvador da humanidade. Jesus nasceu de uma forma humilde para que sua glória se manifeste toda em sua volta.
Aos anjos não é ordenado anunciar o evangelho (I Pe 1:12), mas nesta passagem ímpar, eles demonstram como o evangelho deve ser anunciado e o que representa este anúncio diante de todos. Creio que serve como ensino para que possamos anunciar a grande nova de salvação.

1.    O anúncio do evangelho deve ser para a alegria (v. 10)

“Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria.”

Uma das coisas difíceis de muitos entenderem é como podemos anunciar o evangelho com alegria, se esta só pode existir no coração de quem realmente aceita o evangelho. A alegria a que os anjos se referem é da salvação. Nenhuma outra alegria pode está implícita neste anunciado. Nada além do que a salvação do homem pecador está sendo dito aqui. Na oração de Zacarias ele deixa claro que o Messias prometido viria para salvar o seu povo do pecado (Lc 1:76,77). Tudo isto se encontra no mesmo contexto do texto.
A grande alegria está pela salvação outorgada àquele que aceita estas boas novas. As novas do evangelho antes de qualquer coisa devem deixar claro que são para a salvação da alma perdida. É por isso que alguns pregadores deixam claro que antes de ser uma boa nova, a pregação precisa ser uma má nova. Isto ocorre porque precisa ficar clara a situação do homem diante de Deus na pregação. Quando Jesus afirma “vinde a mim todos que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”, não está se referindo às nossas preocupações materiais, egoístas ou sentimentais; o Mestre se refere àquele que está cansado de pecar; que não suporta mais está longe de Deus; e deseja realmente se aproximar dele.
Ninguém pode dizer que realmente é feliz se não compreende o verdadeiro sentido do evangelho. Quando se entende isto brota no coração uma alegria sem igual. Algo que não é simples de descrever com palavras. É esta alegria que os anjos estão falando no texto.
Lembro-me do dia da minha conversão. O primeiro sentimento que tive quando comecei a ler o texto que mudou minha vida (Is 41:9-14) foi de tristeza. Chorei por perceber que era muito pequeno e um grande pecador. Chorei porque percebi que não tinha condições por conta própria de conseguir a salvação. Mas depois, lendo com mais calma o mesmo texto, encheu-me de alegria pela salvação prometida. Encheu-me de alegria saber que Deus me salvara através de sua obra na cruz.
É esta alegria que quero anunciar para você agora. A alegria de retornar à presença de Deus e de ter a garantia de vida eterna através da cruz do Calvário. A alegria de nascer de novo através da entrada de Cristo em sua vida.

2.    O evangelho deve alcançar a todos (v. 10)

“Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo”

Uma das grandes promessas para a volta de Cristo é esta:
 “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.”

Os anjos deixam claro que as boas novas devem ser anunciadas. Não podemos ficar apenas nas quatro paredes do templo nos reunindo para pregar o evangelho. Uma das coisas que procuro mostrar à igreja que a reunião dos santos é para glorificarmos a Deus e o adorarmos. A evangelização não é papel apenas do púlpito. Ela deve estar presente em cada mente que se diz cristã.
A proclamação do evangelho deve ser feita por todos e alcançar a todos. Muitos estão na igreja apenas para receberem bênçãos, mas não têm nenhuma preocupação em serem bênçãos para outros através da pregação do evangelho. As boas novas devem ser anunciadas a todo povo.
Meu amado e minha amada, se você realmente é um cristão ou cristã deve proclamar o evangelho. A igreja chamada de primitiva tinha uma característica maravilhosa. Os comerciantes que iam aceitando a Cristo em suas vidas passavam a pregá-lo pelas vias romanas em seus comércios. Os escravos passaram a pregar para seus senhores.
Muitos cristãos se comportam como alguns judeus da época de Cristo. Acham que por serem salvos podem ficar sentados em seus bancos confortáveis sem se preocuparem com nada; isto é farisaísmo, falsidade, falta de amor, entre outras coisas, menos cristianismo.
Pedro escrevendo sua primeira epístola deixa claro que somos chamados a anunciar as grandezas daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz (I Pe 1:9). Pedro não afirmou que são alguns, mas ele disse “vós”, ou seja, toda Igreja é conclamada a anunciar. Há séculos se acha que é o púlpito o local mais importante para o anúncio do evangelho. De jeito algum. O lugar mais importante para se anunciar o evangelho é onde se encontra qualquer cristão.
Os anjos estão mostrando que as boas novas devem ser anunciadas a todos sem distinção. Se você aceitar a mensagem do evangelho deve repassá-la. Ela não deve ser um segredo para você guardar, mas ela deve ser uma história a ser contada.

3.    O evangelho deve apresentar Jesus como Salvador e Senhor (v. 11)

“pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.”

Eis uma coisa que parece não estar clara em boa parte da mensagem atual do evangelho. Apresenta-se um Jesus que cura, liberta, enriquece, etc... etc..., mas não se apresenta o Jesus Salvador, e muitos menos Senhor.
Antes de qualquer coisa deve ficar claro do que Jesus veio nos salvar. Em pelo menos três sermões anteriores procuramos enfatizar que Jesus veio para salvar o homem do seu pecado. Jesus como Salvador não consiste em salvação física ou financeira, mas espiritual. Já falei, e volto a repetir, os sinais (milagres) foram necessários para que os judeus crescem em Jesus como o Messias prometido, mas eles não são o principal motivo da encarnação de Cristo. Na realidade não existe principal motivo, mas único motivo, a saber: a salvação de nossas almas. Logo, Jesus precisa ser anunciado como Salvador.
Mas também Jesus precisa ser anunciado como Senhor. Há uma linha de pensamento que afirma que se a pessoa aceita a Jesus como Salvador, mesmo que não o aceite como Senhor, será salva. Ledo engano. Jesus é Salvador e Senhor juntos. Cristo não é Senhor porque salva, antes Ele salva porque é Senhor. Ele afirma no texto da grande comissão que “todo poder me é dado”. O senhorio de Cristo é irrefutável à luz da Palavra de Deus. E aquele que aceita a mensagem do evangelho precisa aceitar este senhorio.
Há muitos que afirmam ser cristãos mais querem mandar em Cristo. Querem de volta o que perderam, ou coisas deste tipo. A única coisa que o homem tem direito diante de Deus é a condenação eterna. Não podemos reivindicar nada diante de Deus. Quem age assim está invertendo o senhorio.
Se você deseja aceitar a Cristo com Salvador, precisa aceitá-lo como Senhor de sua vida. Ele precisa passar a ser o comandante de sua jornada neste mundo. Não existe salvação sem o senhorio de Cristo. E este senhorio envolve obediência e vida dedicada inteiramente a Ele.

4.    O evangelho deve ser em louvor e para glória de Deus (v. 13, 14)

“E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!”

Os anjos aparecem louvando a Deus. Que momento majestoso da história humana foi o nascimento de Cristo! O Deus Todo-Poderoso se encarna para poder salvar para si um povo todo seu. Escolhido mediante a obra da cruz.
Quanta diferença da maioria do evangelho pregado atualmente. Quanta diferença da motivação para a pregação do evangelho. Os anjos não eram motivados por dinheiro; não eram motivados por status; não eram motivados por orgulho; nem tão pouco por estrelismo. A única motivação angelical era o louvor para a gloria de Deus.
Quando se nasce de novo, ou seja, quando se aceita a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida, deve-se fazer tudo para a glória de Deus. Quando Deus decidiu formar um povo para si, de uma raça decaída e pecadora, foi para louvor de sua glória.
“ para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.” (Ef 1:6)

Quando se afirma que tudo é para glória de Deus precisa ser tudo mesmo. Paulo afirma que “quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (I Co 10:31 – grifo meu). Veja bem o que Paulo está dizendo. Qualquer coisa que façamos deve ser para glória de Deus.
Quando Abraão levava seu filho para o sacrifício este o perguntou onde estava o cordeiro. Abraão prontamente responde: “Deus proverá para si ... o cordeiro” (Gn 22:8 - grifo meu). Antes de ser para mim, o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo é para Ele mesmo. Para sua glória.
Se alguém afirma ser cristão, deve ser para glória do Senhor. Mas a única maneira de se conseguir fazer isto é através do quebrantamento diante da cruz. Do reconhecimento que ele é Salvador e Senhor. De assumir o compromisso firme com o Senhor do senhores através do arrependimento dos pecados e da fé na obra redentora de Cristo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário