domingo, 3 de março de 2013

UM TESTEMUNHO COMPROMETIDO



Oseias 7:8-15

Depois de falar sobre o arrependimento falso ou fingido, Deus mostra que o pecado de Israel, Judá e Efraim entristecem o seu coração. O Senhor passa agora a mostrar que o que seu povo está fazendo compromete o testemunho do nome dEle diante de outros povos. É uma lição que devemos tirar para nossas vidas.
A igreja atual tem vivido dias que também tem manchado o seu testemunho diante do mundo. Hoje existe escola de samba gospel, rave gospel, funk gospel, entre tantas outras coisas. Estas passagens de Oseias vêm reforçar o desagrado que há no coração de Deus diante desse mimetismo exacerbado que existe no meio do chamado povo de Deus.
Nosso testemunho precisa ser firmado pela diferença que temos e não pelas igualdades. John Stott afirma que em uma cultura, o verdadeiro evangelho será sempre uma contracultura.
Diante de tudo isto Oseias nos mostra que nosso testemunho pode estar comprometido quando:

1.    Deus não está em primeiro lugar (v. 8,9,11)

“Efraim com os povos se mistura; Efraim é um bolo que não foi virado. Estrangeiros lhe devoraram a força, e ele não o sabe; também as cãs se espalharam sobre ele, e não o sabe.”
“Porque Efraim é como uma pomba enganada, sem entendimento; invocam o Egito, vão para a Assíria.”

Nos antigos fornos à lenha era necessário virar o pão ou bolo quando se assava. Isto ocorria porque o aquecimento do forno não era por inteiro como nossos modernos fornos. Quando não se virava o pão um lado queimava demais e o outro ficava cru. Deus está mostrando que Efraim não teve equilíbrio. Ficou sempre virado para o lado das nações pagãs e aí ficou sem sabor e encruado.
A igreja hoje tem passado por isto. Ela está apenas virada para o mundo. Jesus deixou claro em sua oração que nós não devemos sair do mundo (Jo 17), mas por outro lado devemos ter capacidade de influenciar o mundo, mais do que ser influenciado por ele.
Esta falta de equilíbrio ocorre porque Deus não está em primeiro lugar. O mestre nos ensina a buscar primeiro o reino de Deus e sua justiça e as outras coisas serão acrescentadas (Mt 6:33). Estamos buscando as demais coisas, e o reino tem ficado esquecido.
Paulo pede para que possamos transformar o mundo com a renovação de nossa mente (Rm 12:2). A ideia é que nossa mente se renove através de uma vida que olhe tanto para Deus como para mundo. É o pão que se vira. John Stott escreveu um livro chamado “Ouça o Espírito. Ouça o mundo”. Nesta obra o autor teve a preocupação de mostrar que devemos ter sempre a mente equilibrada diante das coisas que o mundo oferece. Para que isto ocorra Deus precisa estar em primeiro lugar e sua Palavra deve ser nosso guia.

2.    Não se dá ouvidos à Palavra de Deus (v.12)

“...castigá-los-ei, conforme o que eles têm ouvido na sua congregação.”

As repreensões que estavam sendo proferidas pelos poucos, mas fieis profetas verdadeiros, tornar-se-iam uma realidade. Deus chama atenção do seu povo para que esse desse ouvidos à verdadeira mensagem do Senhor. É dar ouvidos à Palavra de Deus. Era comum reuniões onde se ficava lendo por horas a Palavra de Deus. Há nas Escrituras muita repreensão contra o pecado e muitos castigos sobre aqueles que pecam. Deus está afirmando que vai julgar o seu povo por aquilo que Ele afirma na Palavra.
Nos tempos atuais isto não tem sido diferente. Hoje ainda há profetas verdadeiros que se esmeram em pregar aquilo que é verdade, mas a preferência do povo está em dar ouvidos aos falsos profetas. A Palavra de Deus tem sido esquecida em detrimento de um humanismo perigoso.
No texto em questão Oseias mostra que Deus fará com que o juízo da Palavra ocorra sobre o próprio povo. Era o contraste entre o que o povo cria, e o que realmente estava escrito.
Devemos tomar cuidado com aquilo que afirmamos ser da Bíblia, quando de fato não é. Quando de fato estamos seguindo doutrina humana. O perigo é que seremos julgados pelo que está escrito, não pelo que pensamos que está.
Mas pior do que não dar ouvidos, é distorcer aquilo que Deus está dizendo.

3.    Distorce-se a Palavra de Deus (v. 13)

“Eles estão perdidos e serão destruídos, pois fugiram e se revoltaram contra mim. Eu queria salvá-los, mas eles dizem mentiras a meu respeito.” (Nova Tradução da Linguagem de Hoje - NTLH)

Certa pessoa se intitulando pastor-gay afirma que a Bíblia não apenas confirma o homossexualismo, mas também mostra algumas passagens que comprovam isto. Depois disso ele navegou pela Palavra mostrando passagens, como aquelas que revelam a amizade de Davi e Jônatas, como sendo provas de sua crença. Após isto ele passa a mostrar que Deus ama as pessoas como são e não se preocupa com suas opções sexuais (“dizem mentiras a meu respeito”).
É muito sério falar que Deus disse algo que Ele realmente não disse. Israel estava ensinando que Deus não se importava com seus pecados. Ou pior, que na realidade nem eram pecados. Assim estamos vivendo hoje. Pessoas acham normais coisas que a Palavra de fato condena. Depois, utilizando-se da prerrogativa do amor de Deus e tentam afirmar que Deus não leva em conta o que elas estão fazendo.
Amados, isto é muito sério. Falar que por Deus amar não condena o pecado é dizer mentira sobre Deus. Antigamente eu também falava que Deus amava o pecador e odiava o pecado, até estudar melhor o Salmo 5. Os versos 4 e 5 afirmam:
Tu não és Deus que tenha prazer na maldade; tu não permites que os maus sejam teus hóspedes. Tu não suportas a presença dos orgulhosos e detestas os que praticam o mal.” (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Depois disso passei a atender que o amor de Deus pela humanidade é o desejo de salvar que habita no coração de Deus (Ez 33:11), mas cada indivíduo não arrependido está debaixo da ira de Deus (Jo 3:36). Esta é a verdade bíblica, e qualquer alteração nela desagrada a Deus, pois distorce sua Palavra. Li algumas pessoas escrevendo que Deus deseja que nos convertemos, mas não que nos transformemos. A transformação é uma prova da conversão, nesta nos tornamos novas criaturas, naquela vivemos em novidade de vida.
Não precisamos distorcer a Palavra para salvar ninguém, antes temos que viver a Palavra. Israel estava distorcendo a Palavra e por isso seu testemunho estava comprometido. E agravava mais ainda com os rituais que praticavam.

4.    Os rituais são falsos e mundanos (v. 14)

“As orações que me fazem não são sinceras; ao fazê-las, eles se jogam no chão, gritando como os pagãos. Quando oram pedindo trigo e vinho, eles se cortam, como os outros povos fazem. Todos se revoltaram contra mim.” (NTLH)

A ideia de cama ou leito aqui diz respeito à cama de prostituição. Israel imita assim os adoradores de Baal para conseguirem ser atendidos em suas orações de fertilidade do solo. Baal era o deus da fertilidade e Israel parte assim para um sincretismo religioso através de um ritual falso oriundo de uma falsa religião.
Israel gostava das festas pagãs. Aí então deram um jeito de absorver a festa como se isto não desagradasse a Deus. Hoje não tem sido diferente. Quando se cria blocos de carnaval evangélico; quando se cria funk evangélico, entre outras coisas, apenas mostramos que estamos fazendo como Israel. Não tenho nada contra evangelizar no carnaval. Gostaria muito de fazer isto ao invés de retiros que muitas vezes não são produtivos, mas não precisamos nos travestir de mundanos para alcançar as pessoas.
Usar Paulo como desculpa para pecar apenas prova a carnalidade. Fazer-se de fraco para ganhar os fracos é uma ideia baseada na servidão e não na imitação. A denominação Batista tem um trabalho chamado “Tenda da Esperança”. O objetivo é alcançar romeiros que estão na prática da idolatria e precisam da graça de Cristo. Os voluntários e missionários estão junto para dar apoio e pregar a Cristo, mas eles não vão pagar promessas ou coisas deste tipo. Isto é o que Paulo quer dizer. É a mesma coisa que Jesus ensinou quando disse que somos o sal da terra e a luz do mundo.
Precisamos repensar nosso cristianismo pela ótica da Palavra e não pela nossa ótica. Precisamos estar sempre virando o pão no forno. Primeiro para que não nos tornemos mundanos e depois para que não tornemos legalistas ou fanáticos.


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