terça-feira, 19 de março de 2013

UMA SOBERANA PROTEÇÃO



Mateus 2:13-23

13 E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há de procurar o menino para o matar.
14 E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito.
15 E esteve lá até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho.
16 Então, Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
17 Então, se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que diz:
18 Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; era Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque já não existiam.
19 Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu, num sonho, a José, no Egito,
20 dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel, porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino.
21 Então, ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel.
22 E, ouvindo que Arquelau reinava na Judéia em lugar de Herodes, seu pai, receou ir para lá; mas, avisado em sonhos por divina revelação, foi para as regiões da Galiléia.
23 E chegou e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno.

Lucas não narra a fuga para o Egito. Não podemos dizer com precisão o motivo. Mas podemos imaginar que está ligado à sua visão gentílica. Mateus se preocupa em falar sobre isto porque estava preocupado com a visão judaica do Messias. No trecho que acabamos de ler há três menções de profecias que se cumpriram depois do nascimento de Jesus. A primeira diz respeito ao Egito, encontra-se em Oseias 11:1. Refere-se a Israel quando ainda não era uma nação e foi enviado para o Egito para ser protegido da fúria da seca e da fome que assolava o mundo da época. Este acontecimento mostra-se, à luz do que diz Mateus, tipológica, ou seja, ela apontava para a proteção que Deus daria a seu filho da fúria de Herodes.
A segunda profecia diz respeito à matança dos infantes, esta ocorre em Jeremias 31:15. Ramá é a região onde se encontrava Belém. Em sua fúria desumana, e sem conhecimento real da profecia, Herodes manda matar todas as crianças com menos de 2 anos. Alguns acreditam que essa seria a idade de Jesus, uma vez que o texto diz que ele inquiriu diligentemente os magos para saber sobre o nascimento de Cristo. Mas realmente não dá para afirmar isto com precisão. O fato é que isto mostra a fraqueza de nossos corações. A debilidade que o pecado nos leva a praticar.

A terceira profecia fala sobre o local onde Jesus passaria a maior parte de sua infância, ou seja, Nazaré, cujos criados ali eram chamados de nazarenos, expressão que lembra o nazireu do Antigo Testamento (Jz 13:5; I Sm 1:11). A raiz da palavra aponta para a expressão hebraica que significa “renovo”. Jesus é o renovo que vem para a nossa vida.
Deus protegeu Jesus de forma sobrenatural. Ele se revela a José e mostra o que José tem que fazer. Ele guiou a família pelo deserto até o Egito para que ela ficasse a salvo da perseguição herodiana.
Esta proteção de Deus nos traz um consolo tremendo. Como povo escolhido e ungido podemos descansar que Deus nos protegerá para que todo seu propósito se cumpra debaixo do sol. Assim como protegeu seu amado filho, Deus protegerá o seu amado povo, sua noiva, a igreja verdadeira.
Mas a proteção de Deus veio mediante alguns aspectos que passaremos a delinear.

1.    Obediência à sua Palavra (v. 13, 14)

“E, tendo-se eles retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga, porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito.”

Ninguém que não está debaixo do senhorio de Deus através de sua Palavra pode dizer que está protegido. O texto mostra que José imediatamente obedeceu. A proteção eterna de Deus ao seu povo começa quando há obediência à sua Palavra.
Muitos afirmam ser cristãos, mas não buscam obedecer à Palavra de Deus. Deus exige de seu povo santificação, ou seja, uma postura que o leve para a santidade. Isto requer obediência. Não podemos vociferar que somos cristãos se não estamos vivendo na obediência da Palavra de Deus. José obedeceu aquilo que Deus ordenou para sua vida.
Talvez você esteja vivendo uma vida sem esperança, sem sentido, e, principalmente, sem sentir a mão do Senhor o protegendo, porque lhe falta obediência.
Em Isaías encontramos uma promessa de proteção maravilhosa:
“não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (Is 41:10)

Mas essa promessa feita em Isaías é precedida da ideia de servo. No verso 8 diz : “mas tu, ó Israel, servo meu...”. Só pode ser servo aquele que obedece. Viver como servo envolve obediência. O que precisamos ter em mente é que Jesus nos resgata do pecado através do seu sangue na cruz. Este resgate nos tira da condição de servos do pecado e passamos a ser servos de Cristo (Rm 6). Ser servo de Deus requer obediência.
Se você quer sentir a proteção de Deus experimente viver uma vida de obediência e amor à Palavra de Deus.

2.    Os planos do homem não afetam os desígnios do Senhor (v. 16)

“Então, Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.”

Herodes elaborou um plano para tentar matar Jesus. Ele apela para um grande infanticídio. É mais uma vez a prova de como está o coração do homem. É a prova do que o ser humano é capaz de fazer. O pecado cega o entendimento e nos faz cometer coisas absurdas.
Mas, apesar deste plano sórdido, Herodes não consegue atrapalhar o plano maior de Deus – a salvação do povo especial através de seu filho.
Muitas vezes questionamos as tragédias como se elas fossem culpa de Deus por matar pessoas inocentes. Primeiro precisamos ter em mente que diante de Deus não existe ninguém inocente (Rm 3:23). Segundo, não devemos esquecer que o pecado trouxe a morte para o mundo e colhemos as consequências disso. Terceiro, e o mais importante, Deus nunca perde o controle de nada. Tudo está debaixo dos seus olhos para que um plano maior se cumpra. Só estaremos inseridos neste plano maior se Jesus for a nossa razão de viver.
Uma das coisas que hoje menos se fala é a certeza de salvação. Muitos cristãos têm medo de afirmar isto. Outros afirmam que isto não existe. Mas a Palavra nos garante que aquele que crê na obra da cruz tem a vida eterna (Jo 5:24; I Jo 5:13). Nada que venha ocorrer nesta vida nos separa do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8:38,39). É a grande promessa da Palavra. E aqueles que vivem na obediência podem ficar tranquilos.
O texto de I João 5:13 vem para nos dar conforto e segurança. Podemos ter plena confiança na proteção de Deus através da obra da cruz; por mais que tragédias nos assolem. Por mais que o mundo se vire contra nós; ainda assim podemos confiar na proteção de Deus, pois nossa leve e momentânea tribulação produz um peso da glória eterna (II Co 4:17).

3.    Proteção eterna não tira nossas dores temporais (v. 16-18)

Então, Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos. Então, se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que diz: Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; era Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque não existiam.”


Ryle destaca que Jesus foi um homem de dores desde sua infância. Este texto mostra isto. Mas o texto mostra também as consequências do pecado de um  homem. Que tristeza saber que dezenas ou talvez centenas de crianças foram dizimadas pela cobiça do homem! Quantos pais piedosos perderam seus filhos naqueles dias!
Quantas pessoas inocentes são mortas no trânsito, nos bairros violentos, nas tragédias naturais causadas por desmatamentos e falta de consciência ecológica. Quantas famílias vivem momentos de dor e de tristeza como consequência da pecaminosidade humana. Jesus afirma que a chuva pode cair sobre qualquer um (Mt 5:45). Todos nós estamos expostos à morte todos os dias.
Durante 5 anos trabalhei a 150 km de minha casa. Cada vez que subia na moto ou entrava no carro estava com minha vida em jogo. Em diversos momentos tive que tomar decisões para salvar minha vida. Em outros, via nitidamente a mão de Deus a me guiar. Mas também vi muitas vítimas da violência do trânsito. Da inconsequência do ser humano. Em tudo isto conclui que o mais importante é que devemos estar preparados.
Meu amado e minha amada, essa tragédia promovida pela mente doentia de Herodes pode ocorrer de novo. Estamos expostos como que em uma vitrine diante de homens cujos corações exalam ódio e indiferença, ganância e avareza. A qualquer momento podemos ter nossa vida ceifada. O que você está fazendo da sua vida diante de Deus?
A maior proteção que Deus nos oferece é a eterna, mas com ela não significa que estaremos imunes, salvo um plano maior de Deus para nos guardar. Quantas pessoas são libertas tantas vezes da morte, mas ainda continuam distantes de Deus. Quantos têm sido poupados, mas não conseguem seguir o caminho do Senhor. Mais uma vez me lembro do hino 259 do Cantor Cristão. Amanhã pode ser muito tarde.

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