sábado, 13 de abril de 2013

OS FRUTOS DO ARREPENDIMENTO



Lucas 3:8-17

8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai, porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.
9 E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo.
10 E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?
11 E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, que reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, que faça da mesma maneira.
12 E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
13 E ele lhes disse: Não peçais mais do que aquilo que vos está ordenado.
14 E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal, nem defraudeis e contentai-vos com o vosso soldo.
15 E, estando o povo em expectação e pensando todos de João, em seu coração, se, porventura, seria o Cristo,
16 respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias; este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
17 Ele tem a pá na sua mão, e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.


João continua com seu discurso sobre a chegada do reino dos céus. Ele mostra que o arrependimento é o início de tudo que precisamos para que tenhamos um “passaporte” de entrada no reino.
Muitos afirmam que o evangelho de João é diferente do de Jesus, pois o daquele é a transição da lei para Este. Não posso concordar com isso. A ideia é que João prepara o caminho para Jesus. Isto consiste em dizer que Jesus completa o que João está dizendo, mas não anula.
Assim como alguns profetas do Antigo Testamento, João passa a mostrar da necessidade de saber se o arrependimento é sincero ou não. Esta sinceridade deve ser capaz de produzir atos externos, que João chama de frutos, para que a luz possa realmente brilhar. Passemos a analisar esta ideia de João.

1.    Os frutos do arrependimento não devem ser baseados na religiosidade (v. 8)

“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai, porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.”

Eis um ponto complicado hoje, e era também nos dias de João. Os judeus se orgulhavam por poderem dizer que eram descendência de Abraão. A expressão “Temos por pai Abraão”, carrega o peso da religiosidade e da tradição humana, sem falar no legalismo envolvido em muitos casos.
Há pessoas que se orgulham de serem Batistas, Presbiterianas, Católicas, ou qualquer outra linha religiosa ou denominacional. Pertencer a este ou aquele grupo não faz de você um cristão. Usando o contexto de João, não quer dizer que você realmente se arrependeu e chegou à nova vida em Cristo.
A religiosidade é muito importante para uma vida que agrade a Deus, mas a religião por si só não tem efeito algum se nossa conversão não começar com o arrependimento.
É comum ouvirmos pessoas dizerem que passaram desta para aquela religião. Mas sem um arrependimento real é apenas uma mudança de opinião e não uma conversão genuína.
Tiago afirma que a verdadeira religião é cuidarmos dos que precisam e andarmos de uma forma santa (Tg 1:27). Veja bem, religiosidade sem arrependimento não tem valor algum para Deus.
Talvez você esteja se reunindo com esta ou outra igreja, achando que isto vai lhe garantir uma salvação eterna, mas se isto não for baseado em um arrependimento genuíno será incapaz de lhe garantir a salvação.
João garante que o julgamento já está preparado. É isto que podemos dizer quando ele afirma que o machado já está posto. Deus conhece o nosso coração e vai julgar sua sinceridade. Mas cuidado porque você pode está enganando a si mesmo.
 Outra coisa que o texto deixa muito claro é que é Deus quem suscita seus filhos, ou seja, é Ele que nos transforma através de sua graça, logo, religiosidade não nos faz verdadeiros cristãos. Devemos sim, pela fé, confiar que Deus nos transforma em filhos dEle através de sua graça.

2.    Os frutos do arrependimento se mostram na mutualidade (v. 11)

“E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, que reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, que faça da mesma maneira.”

Eis uma questão que está cada vez mais difícil na igreja moderna. Vivemos dias onde cada um cuida de si mesmo. Onde poucos olham uns para os outros. A igreja primitiva nos dá uma lição enorme de mutualidade quando vemos que tinha tudo em comum.
Hoje temos um problema duplo. Aqueles que se aproveitam para viverem encostados na ajuda alheia, e aqueles que não olham para as necessidade dos outros achando que todos são aproveitadores. É preciso ter uma visão crítica, porém humana da situação. A igreja deve aprender a viver esta mutualidade todos os dias.
João está nos ensinando que não devemos viver para nós mesmos. Que temos que procurar olhar para as necessidades dos outros, sem esperar pela liderança ou pelo exemplo dos outros.
O texto que é usado como sendo o princípio da criação do corpo diaconal nos mostra a preocupação dos apóstolos com as necessidades dos outros (At 6:1-6). Eles chamam de “importante negócio”. Não era uma coisa que a igreja deveria ignorar, mas deveria olhar com carinho. Mas por outro lado, não pode ser o centro da atenção da igreja, pois a esta compete a proclamação da Palavra e a oração.
João mostra que esta preocupação deve estar presente no coração daquele que realmente se arrependeu de seus pecados. Todos devem lutar para que na Igreja não haja pessoas que passem necessidades. Não significa que um não pode ser mais rico do que o outro, mas que realmente todos se preocupem uns com os outros.

3.    Os frutos do arrependimento se mostram no respeito e na honestidade (v. 14)

“E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal, nem defraudeis e contentai-vos com o vosso soldo.”

João mostra que os soldados devem mostrar duas coisas, respeito e honestidade. Todos somos iguais perante Deus e por isso não podemos tratar nosso semelhante de forma agressiva.
É interessante notar como a Bíblia mostra dois lados da mesma moeda. Jesus usa a questão da autoridade do soldado para ensinar obediência. Ele afirma: “e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas”. Esta era uma prática muito comum entre os soldados romanos. O Mestre nos mostra que não podemos nos rebelar contra a autoridade constituída, mas devemos ter respeito por aqueles que ocupam tal posição. Mas, por outro lado, João mostra que aqueles que estão revestidos de autoridade, não podem fazer disso um meio de opressão. O cristão que veste uma farda, ou carrega um distintivo, deve se portar de uma forma digna e respeitosa. Observe bem que os dois se completam não se contradizem. Ambos estão mostrando que deve haver respeito mútuo, um pelo lado estatal, ou outro pelo humano.
O outro ponto interessante nesta participação dos soldados é a ideia da honestidade. Era uma prática comum que os soldados entrassem na casa que quisessem, pegavam o que queriam e levavam para si. Era normal em alguns casos que eles cobrassem propina para oferecerem proteção ou coisa deste tipo. João mostra que cada um deve estar satisfeito com aquilo que Deus dá. Quantos hoje se dizem cristãos mais vivem cobrando mais do que devem, ou pior, tirando de outros aquilo que é seu. Quantos cristãos hoje sonegam seus impostos para que possam ter mais. Claro que sabemos que os governos nos roubam, mas o império romano também abusava, mas Jesus disse que deveriam dar a César o que é de César (Mt 22:21; Mr 12:17; Lc 20:25).
Respeito e honestidade devem estar presentes na vida de verdadeiros cristãos.

4.    Os frutos do arrependimento se mostram quando se sabe quem é Jesus (v. 15-17)

“Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias; este vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.”

Eis um momento que mostra realmente quem era João Batista. Apesar de tudo que estava ocorrendo, ele se mantem sóbrio diante das pessoas. Não sobe à cabeça dele a fama e o poder. Muitos estavam dizendo que ele era o Messias, mas ele, que era aquele que estava preparando o caminho para o Cristo, faz questão de deixar claro que não era. Mas do que isso, ele faz questão de mostrar a diferença.
João estava ali apenas sendo o anunciador do Messias. Ele era aquela atalaia que saia à frente da comitiva real para anunciar que o rei estava chegando. O Messias estava por vir, e João deixa claro isso.
Neste trecho ele mostra que o Messias viria para julgar, tanto salvando como condenando. Sei que muitos aqui discordam de mim. Sei que grandes pregadores até de renome pregam que os batismos com o Espírito e com fogo são a mesma coisa, mas tenho que discordar. Já no versículo 9 João deixa claro que o julgamento está próximo e aquele que viria depois dele seria Aquele com poder de julgar.
No verso 16 vemos claramente quem é Jesus. Ele vem para salvar aqueles que aceitam sua obra (batismo com o Espírito) e condenar aqueles que não aceitam (batismo com o fogo). Esta ideia fica claríssima no verso 17, quando João mostra que o trigo (os salvos) será guardado no celeiro, e a palha (os perdidos) será lançada em um fogo que jamais cessará de queimar.
Meu amado, ou amada, você sabe de que lado estará. Aqueles que são de fatos alcançados por Cristo sabem para que Ele veio e o que vai fazer.
Este é o primeiro e grande fruto do arrependimento, aceitar a obra salvadora de Cristo e passar a segui-lo de todo coração. Você já tomou esta decisão em sua vida? João está mostrando que Jesus com sua obra, tanto condena, quanto salva. De que lado você estará?


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