domingo, 21 de abril de 2013

PERIGOS DO SUCESSO HUMANO


Oseias 10:1-8


O último capítulo se encerra com a condenação de Deus contra o povo de Israel. A comparação com uvas que se iniciou no capítulo anterior no versículo 10, agora ganha outra dimensão. Deus vai mostrar que a prosperidade de Israel o levou a se afastar de Deus. Quando nos esforçamos por caminhos tortuosos nosso sucesso apresenta alguns perigos que quero compartilhar.
Deus chama de vide frondosa o seu povo que foi ele mesmo que criou (Jr 2:21). O povo foi formado a partir da misericórdia de Deus, mas esse mesmo povo não vivia para agradar e honrar a este Deus.
Tanto líderes, como o próprio povo, vangloriavam-se de seus feitos. Vangloriavam-se de como sendo responsáveis por tudo que conseguiram. Eles não enxergavam as misericórdias de Deus em suas vidas. Eles não viam como Deus os amava que queria o melhor para eles.

Nos dias atuais não tem sido muito diferente. O povo de Deus se vangloria dos seus feitos e se afasta de Deus. Vamos passar a analisar quais os perigos do sucesso humano.

1.   Gera ingratidão a Deus no coração (v. 1)

“Israel é uma vide frondosa; dá fruto para si mesmo; conforme a abundância do seu fruto, assim multiplicou os altares; conforme a bondade da terra, assim fizeram boas estátuas.”
“Quanto mais ricos ficaram, mais altares construíram” (NTLH)

Israel era uma vide frondosa que o próprio Deus criara (9:6), mas agora eles não conseguiam ver isto. Seus olhos estavam voltados para si mesmos e só enxergavam o que queriam ver. Sua visão estava distorcida pelo orgulho ou pelo egoísmo.
Há muitos hoje que parecem alcançados pela graça, mas seu coração e sua alma não estão voltados para Deus. Não são gratos pelo que Deus fez e faz. Não reconhecem a graça de Deus em suas vidas.
Quando vivemos de forma que desagrada a Deus estamos mostrando toda nossa ingratidão ao Senhor das luzes. Quando não buscamos viver de uma forma santa e irrepreensível diante de Deus e dos homens, não passamos de servos ingratos.
Lucas narra um fato muito interessante que ocorreu com Cristo. Ele estava passando por Samaria e Galileia quando lhe vieram ao encontra dez leprosos. Todos foram curados, mas somente um voltou para dar graças e glórias a Deus, e ele era samaritano. A ideia de Jesus é mostrar que muitas vezes são os religiosos os menos agradecidos pela obra de Deus. Com Israel estava ocorrendo a mesma coisa, e pode ser que hoje ocorra com muitos em nosso meio.

2.   Falsifica-se a verdadeira religião (v. 2)

“O seu coração está dividido...”

Após se tornar mal agradecido Israel passa a mostrar outro lado que ocorre quando achamos que somos responsáveis pelo nosso sucesso, falsificou a verdadeira religião. A base da religião do reino do norte era mesma do reino do sul, mas aquele estava vivendo de forma irresponsável, passando a adorar a Baal e dizer que o deus pagão era responsável pela prosperidade.
Quantos que hoje se dizem cristãos, todavia falsificam a verdadeira religião seguindo a ídolos e imagens. Quantos falsificam a verdadeira religião com seu misticismos exacerbado, com ritos que lembram mais ritos de religiões pagãs. É a falsificação da verdadeira religião.
O pior de tudo isto que querem se dizer cristãos; querem se dizer evangélicos. Alguns desejam até mesmo serem chamados de protestantes ou reformados, mas estão longe dos ideais da reforma; estão muito distantes da doutrina dos apóstolos.
Paulo, escrevendo a Timóteo, faz um alerta:
“Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (II Tm 4:3, 4)

O alerta de Paulo envolve o cristianismo. Ele não está falando de outra religião, mas se refere ao fato que falsos doutores sairão do próprio cristianismo. São pessoas que confiam nas suas obras e estratégias e criam um cristianismo falso.

3.   Invertem-se os valores éticos (v. 4)

“Eles só dizem mentiras; todos juram falso e fazem acordos que não pretendem cumprir. E aquilo que chamam de justiça é tão perigoso como a erva venenosa que cresce em campo arado.” (NTLH)

Além do problema doutrinário o profeta aponta para algo muito sério: a inversão dos valores éticos. Naturalmente isto já é consequência da falha anterior. Se se mente sobre doutrina, mais ainda será a mentira dentro de questões éticas.
Há poucos dias um cantor “gospel”, mentiu no plenário para poder continuar dentro do recinto onde se reunia determinada comissão. Pior que alguns “evangélicos” acharam isto normal. Como se pode achar normal a mentira? Como se pode achar normal o engodo?
Israel estava com seus valores éticos deteriorados em função de confiar em si mesmo. Por achar que tudo que lhe acontecera era obra de sua própria sabedoria auxiliado por Baal. Será que não estamos hoje com nosso valores invertidos? Será que não estamos vivendo um momento em que nossa ética tem manchado o nome de Deus?
Hoje vivemos algo semelhante em nosso país. Somos livres e podemos pregar com muita facilidade, mas simplesmente achamos que somos autossuficientes. E neste achar ficamos presos em valores dúbios ou perigosos.
Há cristãos que acham normal o jeitinho, a mentira, a pirataria. Meus amados, tudo isto é fruto de uma teologia falida e humanista. De uma visão centrada no homem e não em Deus. Mais uma vez a história se repete. O Israel de Deus cai em virtude de suas visões humanas e de sua autossuficiência.

4.   Cria-se esperanças místicas e supersticiosas (v. 5)

“O povo que mora em Samaria ficará com medo e chorará quando o bezerro de ouro de Bete-Avém for levado embora. Os sacerdotes pagãos ficarão desesperados ao perderem esse ídolo que era a sua glória,” (NTLH)

O profeta mostra a que ponto chegara Israel. Lamentando pela retirada de uma imagem e os sacerdotes tristes pela sua ausência. Como se aquela imagem ou ídolo tivesse algum tipo de poder. Passa-se a viver de forma mística, crendo em coisas absurdas e totalmente contrárias à Palavra de Deus.
Hoje não tem sido muito diferente. O cristianismo está cheio de misticismos e superstições. São grupos que se prende à imagens, outros que se prendem a ritos, sem falar naqueles que são movidos pelo positivismo ou coisas desse tipo. Onde está a fé racional que a Palavra de Deus nos exorta? Onde está a fé baseada na esperança e não guiada por vista?
Quando se precisa de túnel de qualquer coisa, de sal grosso, de roupa branca e ainda acha que sem estas coisas não funciona, é sinal que se está vivendo de coisas místicas. Quando se crê que esta ou aquela igreja é mais forte, que esta ou aquela pessoa tem oração forte, tudo isto consiste em um sinal de que estamos vivendo de misticismos e não por fé.
Meu amado, ou amada, é necessário que despertemos para uma fé consciente. Para uma vida que se mova pela esperança eterna e não por resultados neste mundo.

5.   Traz a manifestação da ira de Deus (v. 7,8)

“O rei de Israel será levado embora, como um cisco que é carregado pela correnteza. Os altares dos montes de Avém, onde o povo adora ídolos, serão destruídos e ficarão cobertos de mato e de espinhos.”

O resultado final de tudo isto é a ira de Deus. O amor de Deus pelo seu povo é imenso, mas isto não vai impedir que ele discipline. Deus é pai amoroso, porém disciplinador (Hb 12:6). Exatamente por amar que Ele vai disciplinar seu povo.
Todos precisamos estar preparados pois a disciplina de Deus será derramada sobre aqueles que são seus filhos e permitem que tais coisas ocorram em seu meio. Todos passaram por sofrimentos por causa de sua infidelidade a Deus.
Oseias profetiza o cativeiro Assírio. Hoje talvez não tenhamos mais um cativeiro como aquele, mas a grande tribulação virá sobre o povo de Deus para que este possa ser disciplinado e purificado diante dos homens. Nossa caminhada no mundo tem sido muito semelhante com a caminhada de Israel e Judá. Alguns ficam firmes mais tempo, outros não, mas estamos caminhando a passos largos para sofrermos com a disciplina do Senhor. Muitos confundem a tribulação dos últimos dias com o juízo final. O juízo final é a derrota de Satanás e de todos os inimigos de Deus. É a chamada ira vindoura. A tribulação, será o cativeiro temporário do povo de Deus para que haja manifestação da fé pura e genuína.
Estejamos preparados para viver aqueles dias como se eles começassem hoje. 

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