segunda-feira, 15 de abril de 2013

UM ENVIADO DE DEUS


 João 1:6-8


6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
7 Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.
8 Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.

O evangelista João destaca bem o papel de Cristo na introdução do seu evangelho. Mas, durante esta introdução ele mostra o ministério de João Batista. O escritor não se detém muito no antecessor do Messias, mas o que ele fala, em especial nos versos que lemos acima, destaca bem o papel de um enviado de Deus.
Vivemos dias de crise religiosa. A religião institucionalizada parece estar muito longe da vontade de Deus. Cada dia é apresentada uma nova crise, um novo escândalo encabeçado por um líder cristão. Seja a linha que for, o cristianismo e a religião de um modo geral estão manchados e corrompidos pela iniquidade do homem.

João Batista é apresentado como alguém enviado de Deus. Hoje muitos se dizem enviados de Deus. Mas até que ponto realmente podemos confiar em alguém enviado de Deus? Como podemos confiar que alguém enviado de Deus seja preconceituoso ou politiqueiro? Como podemos confiar que alguém é enviado de Deus e engana as pessoas em prol de seu status ou de seu bolso? De fato não tem sido muito fácil saber quem são os enviados de Deus. Quero no presente momento passar a descrever, com base no texto em questão, o que podemos ver sobre alguém que é enviado de Deus.
Mas antes quero deixar claro algo que é muito presente no Novo Testamento: todos hoje, salvos através da cruz, são enviados de Deus, uns de uma forma especial, mas todos são (I Pe 1:9). Logo, tudo que for aqui exposto, deve servir de balizamento para nossas vidas, para todo aquele que se diz cristão.

1.   Um enviado de Deus está pronto para testemunho (v. 7)

“Este veio para testemunho...”


A expressão “testemunho” traz alguns pontos que quero expor nas próximas linhas.
A primeira coisa que o evangelho de João nos mostra sobre João Batista é que ele veio para testemunho. Veja bem que a expressão é “para testemunho”, diferente de “para dar testemunho”. A palavra traduzida como testemunho tem como raiz a mesma palavra que deu origem a expressão mártir. Não consiste apenas no testemunho de palavras ou coisas deste tipo, mas consiste numa presença que vai leva-lo, talvez a um sacrifício de si mesmo.
Outra possível tradução é “em direção ao testemunho”. Foi exatamente isto que ocorreu com João Batista. Ele veio a este mundo para ir em direção ao testemunho no sentido mais profundo da palavra.
Será que hoje temos pessoas que estão prontas para ir nesta direção? Será que essa dezena de lideres atuais que se autodenominam enviados estão prontos para morrer por Cristo no sentido extremo da palavra?
Em segundo lugar o testemunho consiste em testificar aquilo que Deus realmente deseja. Isto implica que devemos o tempo todo expor toda a Palavra. Não podemos ficar escolhendo pregar aquilo que atrai as pessoas. Não podemos pregar aquilo que faz coceiras nos ouvidos. Temos que nos concentrar em expor a Palavra. Ela por si só já fala.
Em terceiro lugar o testemunho implica em viver da forma que agrada a Deus. Paulo em muitas de suas cartas tem uma preocupação especial com o comportamento do crente em Jesus. “Andar de um modo digno”, “não se conformando com este mundo” e “pensando nas coisas que são de cima”, são alguns dos conselhos práticos para aquele que é um enviado de Deus.
Estas coisas devem fazer parte da vida de alguém que é enviado de Deus. Não são fáceis, mas é exatamente o que Deus quer de cada um que ele chama para ser seu.

2.   Um enviado de Deus se esforça para testificar a luz (v. 7)

“Este veio para testemunho para que testificasse da luz...”

Jesus afirma que nossa luz precisa brilhar diante dos homens (Mt 5:16). Fazer brilhar a luz envolve um aspecto muito importante da Palavra de Deus: santidade. Em Levítico encontramos por quatro vezes a ordem para o povo ser santo (11:44; 19:2; 20:7, 26). Esta ordem não mudou para o povo de Deus atual. Somos chamados para ser santos. E alguém enviado de Deus sabe que precisa ter uma vida de santidade diante dos homens, isto é testificar a luz. 
Hoje fala-se muito sobre amor, mas poucos se lembram que a santidade de Deus é mencionada 4 vezes mais do que seu amor em toda Bíblia. Poucos se preocupam realmente em fazer brilhar a luz de Jesus no mundo que o cerca, inclusive com o verdadeiro amor. Veja bem. Não é exclusivamente o amor, mas inclusive o amor e todos os aspectos que a Palavra determina. Ficamos preocupados com questões políticas e nos esquecemos de viver da forma que Deus nos manda. Ficamos preocupados com as questões desta vida e nos esquecemos daquelas que dizem respeito à eternidade.
Testificar a luz envolve um comportamento correto e íntegro; envolve um modo de vida que faz com que as pessoas vejam a diferença que Deus faz em nossas vidas.
Você é de fato um enviado de Deus? O texto citado de I Pedro em nossa introdução nos alerta que o povo de Deus é a nação santa para anunciar as grandezas dAquele que nos tirou das trevas para sua maravilhosa luz. E, uma vez nesta luz, devemos refleti-la em todo nosso modo de viver (I Pe 1:15). Como é triste ver pessoas que se dizem cristãs vivendo ensimesmadas. Como é triste saber que o povo de Deus vive de vaidades e glórias humanas, quando a glória divina está sendo deixada de lado. Precisamos de homens e mulheres dispostos a fazer a brilhar a luz de Cristo. Deixando a luz própria, para refletir a luz do Senhor.

3.   Um enviado de Deus aponta para a fé verdadeira (v. 7)

“Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.”

Crer por ele compreende crer da forma que ele apresenta. Nossa fé precisa ser baseada na mesma fé que João e os apóstolos nos deixaram. Devemos mirar nestes homens para que tenhamos a fé genuína. João Batista apontava sempre para a verdadeira fé. Ele mostrava sempre que a fé era no Messias que estava às portas.
Hoje temos muitos que se autodenominam enviados de Deus, mas na realidade apontam, na maioria das vezes, para si mesmos, ou para suas igrejas ou grupos. Nossa fé deve ser baseada na pregação pura do evangelho verdadeiro, não em sentimentos ou desejos humanos.
Quando não se aponta para a fé verdadeira que é em Jesus podemos dizer com segurança que não está se apontando para lugar nenhum. A grande preocupação de João era fazer com que a fé em Cristo fosse pregada. Era fazer com que as pessoas pudessem crer no cordeiro de Deus que tira os pecados.
Se a mensagem não aponta somente para Jesus é uma mensagem falsa. Se a proclamação não aponta exclusivamente para o Filho de Deus cravado naquela cruz, é uma mensagem falsa. Paulo afirmava que pregava o Cristo crucificado, pois é na cruz que Cristo nos purifica de todo pecado.
Meu amado ou amada, quero neste momento apontar para a única coisa que realmente importa para nossa alma: Jesus Cristo. João deixa muito claro que apontava para Jesus, e Este seria Aquele que salvaria os que buscassem a sua face. Esta é a chance que você tem neste momento. Aceite a obra salvadora de Cristo, e permita que ele brilhe na sua vida.

4.   Um enviado de Deus sabe que a luz que deve brilhar é a de Cristo (v. 8)

“Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz”

Dois testemunhos de João são mostrados nas Escrituras. Este que estamos expondo é o primeiro, mas no segundo (Jo 3:22-36) o primo do Senhor declara algo tremendo: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (v. 30). João procurava, além de apontar sempre para Jesus, fazer com que Ele fosse o destaque.
Meu amado esta ideia hoje fica implícita no senhorio de Jesus. O próprio Cristo afirma: “Vós sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando”. O senhorio de Cristo em nossa vida deve ser mostrado através de nossas atitudes. Era isso que João tentava fazer o tempo todo.
Vivemos dias em que nosso “eu” tem falado mais alto, onde muitos até mesmo dão ordens a Deus. Vivemos dias onde as pessoas acham que têm direitos diante de Deus. João Batista deixa claro que ele não era a luz, mas veio para testificar dela.
Quando achamos que somos a luz tiramos o brilho de Jesus através de nossas vidas. Quando achamos que temos brilho próprio, fazemos com que as pessoas não vejam Jesus em nós.
Mais uma vez encontramos a palavra grega para testemunho. Aqui a ideia é de um satélite que não tem luz própria, mas brilha com a luz do sol. Jesus é o sol da justiça que veio para brilhar e ser refletido através do povo de Deus. É preciso aceitar que o brilho maior tem que ser de Cristo e não nosso. Muitos pregam a si mesmos e acham que com isto estão ganhando pontos no céu. É a luz de Cristo que precisa brilhar, não a nossa. 

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