segunda-feira, 6 de maio de 2013

A POSTURA DE UM SERVO DE DEUS


João 1:19-28

19 E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?
20 E confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo.
21 E perguntaram-lhe: Então, quem és, pois? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não.
22 Disseram-lhe, pois: Quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?
23 Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.
24 E os que tinham sido enviados eram dos fariseus,
25 e perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
26 João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água, mas, no meio de vós, está um a quem vós não conheceis.
27 Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias.
28 Essas coisas aconteceram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.


João Batista, ainda é o centro das atenções neste texto. Agora ele vai mostrar mais um momento de humildade e disposição de servir. O texto começa dizendo que este é o testemunho de João. O testemunho dele compreende uma postura que devemos procurar imitar em nossas vidas. Como é bom poder ler algo desse tipo ou também ouvir: “Este é o testemunho de ...”. Será que esta expressão pode ser dita para qualquer um que se diz cristão? A grande questão é que poucos são os que realmente se pode dizer isto.

O testemunho foi o elemento marcante da Igreja chamada primitiva. Em muitos momentos os membros tiveram sua fé colocada em prova, mas com a ajuda do alto sempre testemunharam. Mas infelizmente parece que hoje não tem sido a preocupação da igreja moderna. Pouco se prega sobre santificação e seus aspectos. Precisamos pensar intensamente sobre nosso testemunho.
Na realidade João estava sendo investigado pelos fariseus. Isso já serve de alerta para o que esperava Jesus. Eles se preocupam em perguntar se ele se achava o Messias ou o profeta. João claramente responde que não era. Todavia ele não deixa de explicar quem ele era e para que veio a este mundo. Em meio a essa explicação ele mostra como deve se comportar alguém que se diz servo de Deus.
Vejamos o que aprendemos mais uma vez com João Batista.

1.   Não aceita a glória para si (v. 20-23)


Os fariseus e os líderes do povo estavam ficando preocupados com a popularidade de João. Eles tinham que saber quem de fato ele era, ou pelo menos quem ele julgava ser. Em virtude do longo tempo de dominação, que só cessou um pouco no período macabeu, os judeus estavam com grande ansiedade acerca do Messias. Eles esperavam que ele seria alguém que viessem para os livrar do jugo romano e de qualquer coisa desta terra.
A primeira coisa que fica clara em João é que ele não buscava a glória própria. Hoje infelizmente vivemos dias onde os cristãos, cada vez mais seduzidos pelo o mundo que os cerca, ou ainda, cada vez mais envolvidos em suas síndromes e crises existenciais, buscam atenção e glória somente para si.
Queremos ser o centro das atenções. Pregadores e cantores têm buscado cada dia mais sua glória própria. Deus está com seu coração ferido pelo egocentrismo do ser humano. Não se busca igreja pela sua doutrina, pela sua visão bíblica, mas buscamos igrejas que cuidem de nossos filhos, para que possamos ser tratados de nossos medos e anseios. Buscamos igrejas que preencham nosso vazio existencial, ainda que não preencham o vazio da vida eterna. Tem faltado confiança plena na obra de Cristo.
João nos dá um exemplo maravilhoso de confissão, mas também de submissão ao senhorio de Cristo. Ele nos dá um exemplo de desprendimento das coisas desta vida, mas principalmente um desprendimento do “eu”. Ele não negou o que era, mas não se exaltou naquilo que não era, embora alguns dissessem que ele era. Ele deixa claro seu papel e aponta para Jesus como sendo o alvo de glória.


2.  Aponta para Aquele que merece a glória (v. 23,27)


“23 Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.”

“27 Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias.”

A expressão “voz do clama no deserto” dá a ideia que João sabia que sua mensagem não seria aceita pela maioria das pessoas. Ele está citando uma profecia messiânica de Isaias que deixa claro sobre a pregação do antecessor de Jesus. Mas nessa profecia o que fica claro é que o atalaia de Cristo seria alguém que apontaria para a glória de Deus. Senão, vejamos o texto:

“Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será aterrado, e nivelados, todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse.” (Isaias 40:3-5)

Repare que o texto culmina na ideia da glória de Deus. João tinha exatamente está visão. E ele apontava para a glória de Deus que viria através do Messias enviado, no caso, seu primo, Jesus Cristo.
Hoje vemos algumas pessoas que gostam de apontar para alto como se dissessem que aquilo que fizeram, podendo ser um gol ou mesmo a vitória em uma sangrenta luta, é para glória de Deus. Porém, o que estas mesmas pessoas mais estão fazendo é apontando para sua própria glória. Querem ser campeões. Querem suas vitórias. Mas poucos realmente estão dispostos a ter uma postura que agrade a Deus e uma vida dentro dos padrões de Deus. Deus nos chama para obedecer e isto deve ser algo que devemos lutar.


3.  Cumpre o chamado de Deus (v. 25,26)


25 e perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

26 João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água, mas, no meio de vós, está um a quem vós não conheceis.


A postura de João é intensificada quando ele mostra que, além de ser humilde e buscar a glória de Deus, também se coloca nas mãos de Deus para cumprir aquilo que o Senhor determinara para si.
João sabia que sua vida correria riscos. Ele sabia que cedo ou tarde seria confrontado se realmente cumprisse aquilo que Deus determinara para ele. Mas ainda assim ele se mantem resoluto em cumprir o chamado de Deus.
Paulo, escrevendo aos Efésios, conclama-nos a viver de uma forma digna da vocação em que fomos chamados. Esta dignidade envolve tanto testemunho, como serviço. É exatamente isto que vemos em João.
Quantos afirmam ser cristãos, mas vivem uma vida paralisada diante da comunidade. Não assumem o seu papel de sal e luz do mundo e preferem se manter escondidos e jogar a responsabilidade nas costas de outros. Pedro afirma que Deus nos chamou para sermos sacerdotes neste mundo. Paulo nos fala que somos embaixadores de Deus, ou seja, somos seus representantes nesta vida.
Cumprir o chamado de Deus envolve alguns aspectos. Primeiro, cumprir o chamado para vida eterna. Isto implica em aceitar o chamado para salvação através do arrependimento, da confissão dos pecados e da aceitação do senhorio de Cristo e de sua salvação através da fé.
Segundo, cumprir o chamado para a santificação. Deus nos chama para que mostremos a diferença no mundo. Não podemos aceitar os jeitinhos da vida, ou coisas deste tipo.
Por último, Deus nos chama para servir. Este serviço envolve administrar aos outros com o dom que recebeu (I Pe 4:10).
Mas tudo isto deve ser feito sem nos esquecermos da nossa situação diante de Deus.


4.  Reconhece a sua situação diante de Cristo (v. 27)


“...não sou digno de desatar as correias das sandálias.”

A postura de João se encerra na forma como ele se apresenta diante de Deus. Como expomos no sermão anterior, João foi o maior dos nascidos de mulher (Mt 11:11). Isto significa que ninguém foi maior do que ele. Isto significa que aos olhos de Deus, Davi, Moisés, Maria e qualquer outro homem está abaixo de João em termos de testemunho e vida. Nem mesmo Paulo foi maior do que João.
Não creio que João tivesse essa informação em suas mãos. Mas sei que, mesmo que tivesse, isso não mudaria sua postura diante dos homens, muito menos diante de Deus.
Ele afirma não ser digno de desatar as correias das sandálias de Jesus. Nas casas das pessoas mais abastadas em Israel, era comum ter um servo que ficava à disposição para desamarrar as sandálias dos que chegavam de viagem, e depois lavar os seus pés, para que pudessem descansá-los. Esse servo era considerado o mais baixo na hierarquia serviçal de uma casa. Por isso que Jesus usa este exemplo para mostrar sua humildade, lavando os pés dos discípulos.
Esta ideia de indignidade que João mostra implica na ideia firme que ele tinha quanto a sua posição de pecador. Para que possamos nos aproximar realmente de Deus precisamos ter essa ideia em nossa mente. Precisamos saber que não somos dignos de estar diante dEle. Esse é o primeiro grande passo para alguém que deseja se aproximar de Deus.
Meu amado, ou amada, hoje você tem a oportunidade de se colocar em seu devido lugar e se humilhar diante de um Deus Todo-poderoso e soberano. Reconhecendo que precisa dEle, e que somente mediante a obra de Cristo na cruz você pode se aproximar novamente de Deus. Pense realmente nisto, e caminhe na direção do Senhor.


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