segunda-feira, 27 de maio de 2013

O BATISMO DE JESUS



Mateus 3:13-17 (Mc 1.9-11; Lc 3.21,22)




13 Então, veio Jesus da Galileia ter com João junto do Jordão, para ser batizado por ele.
 14 Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
 15 Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu.
 16 E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.
 17 E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

O texto em questão é paralelo ao do último sermão. Aliás, o acontecimento é o mesmo, apenas João não entra nos detalhes que Mateus entra.
Jesus se aproxima de João para cumprir um ritual que era comum entre os sacerdotes. Quando se chegava aos trinta anos os sacerdotes banhavam-se em água em um ritual bem semelhante ao batismo. Era um rito que simbolizava o início de seu ministério sacerdotal. Tudo indica que o fato de Jesus se batizar nesta idade tem alguma ligação com este ato, uma vez que Ele é nosso Sumo Sacerdote.
O batismo é envolto a mitos místicos entre o povo de Deus. Há grupos, por exemplo, que acreditam que o ritual traz algum poder. Outros creem que a falta dele comprova que a pessoa não é uma salva por Cristo. Há ainda aqueles que batizam crianças, como símbolo da responsabilidade da família ou da continuação da ideia da circuncisão.
Também há alguma discussão sobre a forma do batismo, sendo que alguns acreditam que Jesus tenha sido aspergido com água (aspersão) ou foi banhado com água (efusão). Mas a grande maioria dos evangélicos usam a imersão.
É bom deixar claro que não há na Bíblia nada ordenado sobre a forma de batismo, muito embora tenho que reconhecer que aquela que melhor representa o símbolo máximo é a imersão (Ao morrer para o mundo somos imersos na água, e ao nascer para Cristo, somos emersos dela – vide Romanos 6:4). Também este argumento é forte diante do significado da expressão grega (baptizo – imersão). Mas não creio que isto seja importante a ponto de dividir grupos ou nos fazer melhores do que outros que não praticam desta forma.
Mas por outro lado há uma discussão quanto ao momento do batismo. Há alguns grupos que afirmam que o batismo pode e deve ser ministrado quando criança (bebê). Embora aqui não haja espaço para argumentar, fica o registro de que considero esta uma interpretação carente de argumentos verdadeiramente bíblicos, uma vez que, por exemplo, em Marcos se apresenta uma sequência lógica e clara: “crer e ser batizado” (Mc 16:16). Sei que alguns argumentariam que isto implica apenas em prioridade e não sequência, mas onde está a ordem para batizar as crianças sem que elas creiam? O batismo é para o cristão salvo, não para alguém que nem sabemos se será um cristão. Sem falar na argumentação de Romanos 6:3 e 4. Paulo mostra que somos batizados na morte para que passemos a viver uma nova vida em Cristo. Onde uma criança que ainda não tem consciência pode dizer que foi batizado para andar em novidade de vida? Dizer que o batismo infantil prova que a salvação é um dom de Deus e não depende de nós é poético, mas não bíblico. O fato da salvação ser pela graça, não nos impede de testemunhar que fomos transformados em um determinado momento de nossas vidas (Rm 6:3,4). Logo, o batismo infantil carece de argumentos bíblicos, embora haja muitas inferências aparentemente lógicas, porém humanas. Além do que Pedro afirma que o Batismo é figura da salvação (I Pe 3:20ss), que é individual, logo, ninguém pode dizer que batizou outro que não sabe nem mesmo se será salvo. De qualquer forma, respeito todo e qualquer cristão que creia em Jesus como Senhor e Salvador, tendo se arrependido e confessado os seus pecados, uma vez que isto sim que importa para a Salvação. Mas creio também que se alguém se batizou, independente da forma, sem plena consciência de sua fé, este ainda não se batizou biblicamente.
Quero encerrar este argumento dizendo que aqueles que se prendem à forma podem estar próximos ao farisaísmo tradicionalista e legalista. Por outro lado, aqueles que se prendem a argumentos não bíblicos com lógicas meramente humanas, caminham para o mesmo problema, somente com outra vertente. Devemos nos prender apenas ao que a Bíblia ensina, não no que aprendemos com homens, por mais poéticos e bonitos que sejam os argumentos, por mais lógicos e humanos que pareçam.
Dito isto, voltemos ao texto pois ele nos ensina coisas tremendas que podem ser aplicadas para a nossa vida.

1.  O batismo nos lembra que somos pecadores (v. 14)

“Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?”

Quando João afirma que carece de ser batizado por Jesus, não quer dizer que ele não fosse salvo pela graça, mas que ele deveria mostrar pelo seu testemunho que aceita a obra de Cristo, mas do que isto, mostra que João se reconhece como pecador, incapaz de se salvar pelas suas próprias forças.
O batismo deve nos fazer lembrar desta nossa situação diante de Deus. João, o batista, em diversos momentos nos lembra que era um pecador, como qualquer outra pessoa.
Quando nos aproximamos de Cristo temos que nos lembrar desta mesma situação, ou seja, somos pecadores. Somos carentes de receber o batismo principal de Jesus que é o batismo com o Espírito Santo, ou seja, a salvação.
Quando voltamos ao texto de Paulo aos romanos (capítulo 6), vemos o apóstolo dos gentios mostrando que o batismo de Cristo nos tira dos mortos para a glória do Pai. Isso quer dizer que antes de reconhecermos nossa situação diante de Deus estávamos mortos. Não tínhamos em nós mesmos capacidade alguma. Mas Deus, em sua infinita misericórdia e graça, nos alcança com seu amor e nos faz novas criaturas. E o batismo serve, conforme Paulo mesmo nos mostra, para mostrar exatamente isto. Passando a andar em novidade de vida.
Isto deve servir para que você reflita: Como está sua vida diante de Deus? Como está sua situação como pecador diante do Senhor?

2.  O batismo nos lembra a justiça de Deus (v. 15)

“Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu.”


Outro ponto importante que João destaca é o fato que Jesus afirma que aquilo tinha de ocorrer para que a justiça de Deus se cumprisse toda. Parece estranha e fora de ordem essa expressão, mas veremos que realmente não está.
Primeiramente está a ideia de Jesus fazer tudo direito. O Mestre não queria ser alvo de escândalo sem motivo. Ele não queria que olhassem para Ele como se fosse um prepotente. Jesus cumpre tudo conforme determinado para que sua mensagem não perca a autoridade.
É muito triste quando muitos não querem cumprir os ritos estabelecidos pela Igreja porque não acham que é necessário. O próprio Jesus cumpriu sem reclamar e disse isso era para que a justiça de Deus fosse completa.
Em segundo lugar Jesus mostrava que Jesus se colocava ao lado de João apoiando o trabalho que este fazia. Jesus queria mostrar que a obra que João fazia era de Deus e que tinha a aprovação de Deus. O arrependimento é o primeiro grande passo para a verdadeira conversão, e João realizava o batismo do arrependimento.
Em terceiro lugar Jesus se colocava ao lado das pessoas que reconheciam que precisavam da graça de Deus. João pregava o arrependimento e isto caracterizava que aqueles que iam até ele o faziam com disposição de terem uma mudança de vida.
Por último, Jesus cumpre um rito sacerdotal para que mostre que Ele é o Sumo Sacerdote de Deus (Ex 29:4-7). Como Sumo Sacerdote ele se apresenta uma vez só diante do altar para cumprir toda justiça de Deus (Hb 9:11-14).
Amado, ou amada, entenda que a justiça de Deus será perfeita, quer você aceite ou não a Cristo, mas nele a vida será em abundância.


3.   O batismo nos lembra que o Espírito Santo habita nos que creem (v. 16)

“E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.”

Vimos no último sermão que uma das coisas que Jesus veio ao mundo foi batizar com o Espírito Santo. Este batismo ocorre somente uma vez na vida daquele que crê e dá início à nova vida transformada pelo Espírito. Ao ocorrer isso a Palavra nos garante que o Espírito Santo passa habitar em nós. Esta habitação deve nos trazer grande consolo no coração, pois, através dela somos garantidos à salvação.

“...em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.” (Ef 1:13, 14)

O que Paulo mostra que tendo crido, somos selados pelo Espírito, este selo é a garantia (penhor) de nossa salvação. Logo, ao aceitarmos Jesus o Espírito Santo passa a habitar dentro de nós e aí somos selados para a vida eterna. Sendo assim, ficamos garantidos diante de Deus.
Jesus deixa isto muito claro em João 14. No versículo 16 ele afirma que Deus dará um novo consolador que estará para sempre e em nós (v. 17). Paulo escreve afirmando que somos o templo do Espírito Santo (I Co 3:16; 6:9). Nas duas passagens paulinas a ideia é de habitação.  Mas isto só pode ocorrer se Cristo entrar em nossa vida através do arrependimento e da fé.
        

4.   O batismo nos lembra que a obra de Deus é completa em Cristo (v. 17)

“E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”

A expressão “em quem me comprazo” denota a ideia de que Deus faria uma obra completa em Jesus. Seria o cumprimento todo da profecia de Isaias 53 quando afirma que “foi do prazer do Senhor moê-lo, fazendo-o enfermar”. O prazer do Senhor é completar sua obra inteiramente. É em Cristo que isto ocorre, e o batismo serve para nos apontar exatamente para isto.
O batismo deve servir para nos lembrar que não precisamos fazer mais nada para nos salvar; que não temos a necessidade de nos esforçarmos para alcançarmos a salvação. Deus estava em Cristo fazendo isto e nos deixa o Espírito Santo para termos esta certeza.
A obra de Cristo foi completa na cruz. Não há nada que possamos acrescentar nela. Não há nada que possamos criar para melhora-la. Jesus fez tudo de forma completa.
Nenhum sacrifício que você faça tem valor para a Salvação. Somente a obra de Cristo na Cruz nos garante a vida eterna e o batismo deve servir para nos apontar isto.



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